É novo » 21.12.2012

Para haver Natal este natal
Para haver Natal este natal/ talvez seja preciso reaprendermos/ coisas tão simples!/ Que as mãos preocupadas/ com embrulhos/ esquecem outros gestos de amor./ Que os votos rotineiros que trocamos/ calam conversas que nos fariam melhor./ Que os símbolos apenas se amontoam/ e soltam uma música triste/ quando já não dizem/ aquela verdade profunda.

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É novo » 20.12.2012

A vida espiritual é a arte da espera
No Advento é preciso tomar consciência de que é a vinda de Cristo que é preciso esperar; e não esta festa consumista e pagã onde Jesus sufoca sob as ondas do materialismo. Mais profundamente creio que devemos evitar esta espécie de afetividade infantil que consiste em crer que o Menino Jesus vai voltar a nascer em 2012. Jesus nasceu num período preciso, há mais de dois mil anos. Este nascimento pertence à História. Funda a entrada na Nova Aliança. O que esperamos é o seu regresso, a sua vinda na glória. A espera do Advento não é tanto aquela, algo piegas, de um “bebé”, mas a esperança escatológica do regresso de Cristo ressuscitado que virá dar a plenitude às nossas vidas e à História. Esquecemos uma expressão que os primeiros cristãos diziam muito: «Maranatha», «Vem, Senhor!».

Presidente da República elogia diocese de Beja pelo trabalho de preservação e divulgação da arte sacra | IMAGENS |
Cavaco Silva inaugurou a 14 de dezembro a exposição de Natal do Museu da Presidência da República, em Lisboa, composta por obras de arte sacra alentejana, tendo felicitado a diocese de Beja pelo trabalho realizado na preservação e divulgação das suas peças artísticas. A mostra E um Filho nos foi dado – Iconografia do Menino Deus no Alentejo Meridional reúne cerca de uma centena de obras de arte, entre pinturas, esculturas e exemplos de artes decorativas, da Idade Média a 2012. A exposição «dá a primazia à vivência comunitária da devoção ao Deus Menino, sinal da identidade de uma região que se orgulha das suas tradições natalícias, mas propõe uma reflexão mais alargada em torno do diálogo da cultura com a religião».

“Nenhum caminho será longo” é «companhia notável de releitura do evangelho cristão», diz Francisco José Viegas
Francisco José Viegas, escritor e anterior secretário de Estado da Cultura, analisa o pensamento da Igreja Católica em Portugal e elege para as suas «escolhas» o livro “Nenhum caminho será longo”, do padre José Tolentino Mendonça, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. A obra recoloca «a amizade no centro da terra árida que é o nosso tempo, falando do silêncio, da imperfeição, do humor, da alegria, da vulnerabilidade, da hospitalidade, da felicidade», salienta em artigo publicado na edição do último domingo do jornal “Correio da Manhã”, que transcrevemos.

— Agenda para hoje —

Lançamento: Investigação multidisciplinar analisa “Identidades religiosas em Portugal”
As ciências sociais da religião mostraram, ao longo das últimas duas décadas, que a religião continua na agenda social, não deixando de estar presente na construção do espaço público, segundo modalidades diversas, no contexto das múltiplas modernidades. Esta nova atenção pública facilitou a proliferação dos discursos acerca do “regresso” da religião, como antes se propagaram os vaticínios acerca da sua obsolescência. A implementação dos estudos sobre as identidades religiosas na sociedade portuguesa poderá contribuir, por um lado, para cultivar, no espaço público, uma racionalidade aberta à crítica das práticas sociais com origem nas tradições e comunidades religiosas, por outro, poderá estimular as comunidades de pertença religiosa na procura de tradução da sua singularidade numa cidadania partilhada, assumindo o risco de uma palavra pública.

É novo » 19.12.2012

O Natal dito na poesia e na música: um vagido que atravessa o coração | VÍDEOS |
«Deus abandonou a sua glória e veio até mim. / Viveu entre tipos insignificantes como eu / Por mim, e em meu lugar, entregou-se / tomando sobre si vergonha e humilhação. / Perante atenções tais dou comigo a pensar: / Quem sou eu? / Se um Rei derramou o seu sangue por mim. / Quem sou eu? / Ele rezou toda a noite por mim». Não, não foi um autor espiritual quem assinou estes versos dedicados ao tema teológico da Incarnação. Talvez constitua uma surpresa, mas estes versos fazem parte do reportório de um mito (e não apenas americano) do rock’n roll, Elvis Presley, morto há mais de trinta anos, mas que continua a ser celebrado, amado e até idolatrado. O seu universo poético e musical não unia apenas transgressões exasperadas, convenções e esteriótipos, protesto e felicidade rápida, mas combinava também o country branco com o rythm and blues negro, cujos temas tinham frequentemente uma espessura espiritual.

Leigos, uma novidade conciliar?
Casado, solteiro ou viúvo, e de acordo com a sua vida social e profissional, doente ou saudável, o leigo enriquece a sua espiritualidade diária no contexto em que se processa a sua vida. É da vivência da fé, esperança e caridade que sai a luz e a inspiração para realizar a sua missão de cristão no mundo, evangelizando, renovando pela força do Evangelho a vida temporal, dando como sinal distintivo do cristão, onde quer que se encontre, o mandamento do amor. Tudo isto traduzido em obras que vão desde o esforço de reconciliação ao serviço da defesa dos direitos humanos e do exercício dos deveres próprios, ao empenhamento a favor dos mais pobres e mal-amados da sociedade, sempre em atitude gratuita, solidária e fraterna.

Deus nasce no silêncio
Há um exercício para o qual os monges do passado nos convidam. Dizem eles: em nós mesmos já se encontra um espaço de silêncio. É o espaço onde se situa em nós o Reino de Deus, o espaço onde Deus nasce em nós. Exponho-me a esse espaço e, por assim dizer, atravesso todos os sentimentos de desprazer, de angústia, de ciúme, de tristeza, de inveja, e percorro todos os sentimentos de culpabilidade até ao fundo. Não fico preso nestes sentimentos mas, antes, tenho toda a confiança na presença, para cá das emoções e das paixões, deste espaço de silêncio.

Espiritualidade cristã da árvore de Natal | IMAGENS |
«Ao prepararmo-nos para celebrar com alegria o nascimento do Salvador nas nossas famílias e nas nossas comunidades eclesiais, quando uma certa cultura moderna e consumista tende a fazer desaparecer os símbolos cristãos da celebração do Natal, seja compromisso de todos colher o valor das tradições do Natal, que fazem parte do património da nossa fé e da nossa cultura, para as transmitir às novas gerações. Em particular, ao ver estradas e praças das cidades enfeitadas com luzes resplandecentes, recordemos que estas luzes evocam outra luz, invisível aos olhos, mas não ao coração. Enquanto as admiramos, ao acendermos as velas nas igrejas ou a iluminação do presépio e da árvore de Natal nas casas, o nosso ânimo se abra à verdadeira luz espiritual trazida a todos os homens de boa vontade. O Deus connosco, nascido da Virgem Maria em Belém, é a Estrela da nossa vida!» Excertos de João Paulo II e Bento XVI acompanhados por imagens de 2012 de árvores de Natal do Vaticano e de outros locais do globo.

Nós todos, todos nós precisamos de Ti, só de Ti e de ninguém mais

É novo » 18.12.2012 (2)

“No princípio era a Palavra”: antologia recolhe poemas de um bispo e 14 padres
A antologia “In principio erat Verbum – No princípio era a Palavra”, coordenada pelo padre Davide Gonçalves, da diocese de Leiria-Fátima, apresenta os melhores poemas de um bispo e 14 padres portugueses «do início do século XXI». Cada autor «fez seu este projeto e, de Norte a Sul de Portugal, até à ilha da Madeira e a S. Tomé e Príncipe, decidiram colaborar com sete poemas».

É novo » 18.12.2012

De onde podemos esperar a alegria?
Poetas, artistas, pensadores, homens e mulheres simplesmente disponíveis a alguma certa luz interior puderam, antes da vinda de Cristo, e podem nos nossos dias, experimentar de alguma maneira a alegria de Deus. Mas como não ver ao mesmo tempo que a alegria é sempre imperfeita, frágil, quebradiça? Por um estranho paradoxo, a mesma consciência do que constitui a verdadeira felicidade, para além de todos os prazeres transitórios. compreende também a certeza de que não há felicidade perfeita. A experiência da finitude, que cada geração vive, obriga a constatar e a sondar a distância imensa que separa a realidade do desejo de infinito. Este paradoxo e esta dificuldade de alcançar a alegria parece-nos especialmente prementes nos nossos dias. A sociedade tecnológica conseguiu multiplicar as ocasiões de prazer, mas considera muito difícil conceber a alergia. Porque a alegria tem outra origem. É espiritual.

Adriano Moreira dá voz ao “passo-a-rezar” do Dia de Natal
O professor Adriano Moreira é a voz da meditação que o projeto “passo-a-rezar” propõe para o Dia de Natal, culminando uma semana especial que conta com participação de Inês Herédia, estudante de Teatro em Londres que se destacou na última edição do programa “Ídolos”. As meditações de Natal, que começam esta quarta-feira e termina no dia 25 de dezembro, são uma recolha de comentários do papa Bento XVI às leituras bíblicas proclamadas nas missas da época natalícia.

Vigararia de Roma apresenta segunda fase do projeto “Uma porta para o Infinito. O homem e o Absoluto na arte”
A vigararia de Roma promove esta terça-feira uma conferência de imprensa para apresentar a segunda fase do projeto “Uma porta para o Infinito. O homem e o Absoluto na arte”, iniciativa realizada em parceria com o Pontifício Conselho da Cultura. Os eventos que têm como tema “O Todo no fragmento” preveem atuações de música sacra, que chegarão também às igrejas periféricas da capital, instalações de artistas contemporâneos e uma sessão teatral. Encontrar um ponto de vista comum, privilegiado e espiritual, no seio da grande orquestra de estímulos que a arte oferece é a finalidade desta ideia. Do espaço à luz, das magnificentes arquiteturas do passado às expressões artísticas mais contemporâneas, do movimento musical ao gesto escultórico, da ação à palavra (no teatro), do som à cor (no cinema).

A espera da vinda de Deus em S. Paulo: «como um ladrão»
Na primeira carta aos Tessalonicenses encontramos um último passo conclusivo: «A respeito da época e do momento, não há necessidade, irmãos, de que vos escrevamos. Pois vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão, de noite.» A vigilância significa a recusa de se indagar sobre o como e sobre o quando. O futuro não está nas nossas mãos. Mas a vigilância também significa o estar despertos: o como e o quando não está nas nossas mãos, mas a vinda do Senhor é um facto certo. Mantém-te sempre pronto. Não te deixes distrair. Não é só o mal que existe para nos distrair; podemos também deixar-nos sufocar por coisas legítimas que no entanto se tornam nas coisas mais importantes, capazes de nos distraírem: dinheiro, carreira e êxito, bem-estar e outras coisas deste género.

É novo » 17.12.2012

Livros para ler e oferecer
“A esperança que nasce da palavra”, “A Igreja e a sexualidade”, “A infância de Jesus”, “A pregação”, “A vida de oração”, “Abri as portas a Cristo”, “Antes de tudo o abraço”, “Aprender a acreditar”, “As 23 mulheres do Concílio”, “Caminhos de interioridade com S. Francisco de Assis”, “Celebrção do TemCredo, Domine”, “Crer, imagens de uma aventura”, “Deus dinheiro e consciência”, “Dominus Est”, “É Natal, Cristo nasceu”, “Eis o mistério da fé”, “Estação dEvangelho diário”, “Fé acreditada, fé rezada”, “Frei Bento Domingues e o incómodo da coerência”, “Identidades religiosas em Portugal”, “Lógicas de ação social no contexto católico”, “Mostrar Cristo ao mundo”, “Nenhum caminho será longo”, O Átrio dos Gentios”, “O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita”, “O jejum”, “O mundo no coração da Igreja”, “Orações para todas as ocasiões”, “Os dez mandamentos”; “Padres e Doutores da Igreja”, “Pequeno catecismo para a família”, “Quem foi/quem é Jesus Cristo?”, “Rafael, o anjinho maestro”, “S. Francisco de Assis”, “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, “Vaticano II ao alcance de todos”, “Viver o Ano da Fé”, “Viver uma fé adulta”: perto de 40 livros para ler e oferecer neste Natal a partir da recolha de algumas das novidades publicadas nos últimos meses.

Deus que vens de Deus
Deus que vens de Deus,/ horizonte da nossa linguagem e do nosso desejo

Estrela
Que a Tua estrela nos encontre disponíveis/ para a viagem/ mesmo sem que percebamos tudo

É novo » 15.12.2012

Estamos de esperanças: três figuras para um presépio
«Está de esperanças», dizemos de uma mulher que espera bebé. Maria está para gerar na carne Aquele que é desejado há tanto tempo. Haverá sabedoria maior que a de acompanhar a gravidez das biografias e dos tempos? Tudo o que somos tem necessidade de uma longa gestação. Leva tempo a gerar o que devemos fazer nascer: uma criança, um livro, uma decisão de vida, uma vida inteira. Quanta história e quantas histórias foram precisas para que o Filho encarnasse no ventre de Maria? Quantas para que fosse dado à luz? E quanta história e histórias para que S. João chegasse a dizer que Deus é amor? Um corpo de menino, uma frase tão curta, mas uma longuíssima e dramática gestação. Muito tempo foi preciso para dizer tanto e tão sobriamente. E mais tempo precisamos ainda para que este mistério nos faça viver na Sua luz. Hoje, penso na Igreja como um presépio – lugar humano onde, em palavras e gestos, em arte e pensamento, se dá e se acompanha este milagre difícil que é a vida.