É novo » 1.3.2014

Menos coisas, mais coração: Meditação sobre o Evangelho do VIII Domingo
Pedimos-te apenas o pão suficiente para hoje, o pão que chega para o dia a dia, como o maná no deserto, não a ânsia de mais. É o desafio do monge: conheço mosteiros que vivem assim, como aves e como lírios, diariamente dependentes do céu. Mas este desafio é também para todos nós, cheios de coisas e temerosos do futuro. Ocupar-se menos das coisas e mais da vida verdadeira, que é feita de relacionamentos, conhecimento, liberdade, amor. Queres voar alto, como uma ave, queres florir na vida como um lírio? Então deves desfazer-te dos pesos. Madre Teresa de Calcutá costumava dizer: tudo o que não serve, pesa! Menos coisas e mais coração: não uma renúncia, mas uma libertação. Das coisas, da “tralha” que comanda os pensamentos. Procura o reino, ocupa-te da vida interior, procura a paz para ti e para os outros, justiça para ti e para os outros, amor para ti e para os outros.

Quando acaba o amor no casal é preciso «não condenar» nem «fazer casuística», mas «caminhar» com ele, diz papa
O papa vincou esta sexta-feira, no Vaticano, que a Igreja tem o dever de acompanhar os membros de um casal que deixam de estar unidos pelo amor, em vez de os criticar ou de os analisar à luz de argumentos subtis. «[Quando] o amor fracassa, porque muitas vezes fracassa, devemos sentir a dor do fracasso, acompanhar as pessoas que tiveram este fracasso no próprio amor. Não condenar. Caminhar com eles. E não fazer casuística com a sua situação», vincou Francisco, segundo a Rádio Vaticano. «Sempre o pequeno caso. E esta é a armadilha: por trás da casuística, por trás do pensamento casuístico, há sempre uma armadinha. Sempre. Contra as pessoas, contra nós, contra Deus, sempre», vincou. O Evangelho proclamado nas missas desta sexta-feira permite observar «quão belo é o amor, quão belo é o matrimónio, quão bela é a família», ao mesmo tempo que realça a «proximidade» que a Igreja deve ter «pelos irmãos e irmãs que na vida tiveram a desgraça de um fracasso no amor».

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus.»

Consignação de 0,5% do IRS: Não sai do bolso e ajuda a ajudar
Com o início do prazo para a entrega das declarações do IRS, a 1 de março, recordamos que os contribuintes podem doar 0,5% da sua coleta do imposto (o que se paga após deduzir as despesas) a um organismo religioso ou IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social). Esta possibilidade, consignada na Lei 16/2001, de 22 de junho, não implica qualquer pagamento adicional, dado que a redistribuição é feita pelo Estado, desde que a pessoa indique a entidade que beneficia do donativo. As quantias consignadas em cada declaração, por vezes aparentemente insignificantes, multiplicar-se-ão e poderão constituir uma ajuda importante para o organismo que beneficia da doação. «Para sermos verdadeiramente artífices de paz, devemos educar-nos para a compaixão, a solidariedade, a colaboração, a fraternidade, ser activos dentro da comunidade e solícitos em despertar as consciências para as questões nacionais e internacionais e para a importância de procurar adequadas modalidades de redistribuição da riqueza», sublinhou o papa emérito Bento XVI na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2012.

Cinema: “Nebraska” | VÍDEO + IMAGENS |
“Nebraska” é um olhar perspicaz, terno e bem humorado sobre os encantos e os desencantos do outono da vida, num caminho melancólico feito a dois – um percurso de relação materializada entre pai e filho, onde ambos se redescobrem. Relação feita de consonâncias e dissonâncias, de rudeza e de afetos, a viagem segue sob um argumento original bem gizado, a cargo de Bob Nelson, ilustrado num preto e branco que não apenas expõe contrastes mas se concentra na estrita essência visual, escusando tudo quanto seja acessório ao retrato daquela relação acompanhada com realismo e simpatia. E para o seu bom resultado, contribui a belíssima prestação de Bruce Dern, o protagonista. À nomeação para a Palma de Ouro em Cannes no ano de 2013 e à consagração como melhor ator que aí foi devida a Bruce Dern, somam-se agora a candidatura aos Óscares em seis categorias: melhor filme, realização, argumento original, direção fotográfica, ator principal e atriz secundária – June Squibb, no papel de Kate.

Agenda para hoje

Setúbal
Colóquio: “Frei Agostinho da Cruz e os seus herdeiros”
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Vila Viçosa
Música: Concerto
Coral de S. Domingos
Igreja dos Agostinhos
17h00
Entrada gratuita

É novo » 28.2.2014

Bíblia não é comunista, embora possa parecer, diz papa, que alerta: Cristãos incoerentes afastam ateus da fé
Francisco citou a passagem bíblica proclamada nas missas desta quinta-feira, que diz: «Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras. O seu salário clama; e os brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo». «Se alguém ouve isto, pode pensar: “Mas isto foi dito por um comunista”. Não, não, disse-o o apóstolo Tiago. É palavra do Senhor. É a incoerência. E quando não há a coerência cristã e se vive com esta incoerência, faz-se o escândalo. E os cristãos que não são coerentes fazem escândalo», afirmou o papa. «Muitas vezes ouvimos dizer: “Mas padre, eu creio em Deus, mas não na Igreja, porque vós, os cristãos, dizeis uma coisa e fazeis outra”», ou «Eu creio em Deus, mas em vós não», disse o papa, que apontou a origem destas posições: «É por causa da incoerência». A seguir, Francisco propôs um caso de vida: «Se tu estás diante de um ateu – imaginemos – e ele te diz que não acredita em Deus, tu podes ler-lhe toda uma biblioteca, onde se diz que Deus existe, e até provar que Deus existe, e ele não ficará com fé».

“Ao lado dos pobres” reúne textos do “pai” da Teologia da Libertação e do prefeito da Doutrina da Fé: A voz de Gerhard Müller
Em minha opinião, o movimento eclesial e teológico que, depois do Concílio Vaticano II, na América Latina, sob o nome de «Teologia da Libertação», encontrou eco mundial, inclui-se entre as mais significativas correntes da teologia católica no século XX. (…) O teólogo profissional, como perito em religião, não se contrapõe aos fiéis ou aos não especialistas. Ele entende-se, tal como todos os discípulos, como ouvinte e aprendiz diante do único Mestre e Palavra de Deus, isto é, Cristo. Desse modo, ele penetra no contexto da experiência da fé e da religiosidade da vida do povo, ou seja, da comunidade daqueles que professam a fé em Jesus Cristo e ousam percorrer o caminho do seu seguimento na existência – para os outros. Participa dos seus sofrimentos e das suas esperanças. Desse modo, Teologia da Libertação, no melhor sentido da palavra, é teologia contextual, amadurecida a partir da comunidade. Assim também se supera a fissura entre uma teologia universitária erudita e uma reflexão da fé a partir das experiências concretas das comunidades.

“Ao lado dos pobres” reúne textos do “pai” da Teologia da Libertação e do prefeito da Doutrina da Fé: A voz de Gustavo Gutiérrez
Desde o início, na Teologia da Libertação, tiveram-se em consideração as diversas dimensões da pobreza. Dizendo-o com outras palavras – como o faz a Bíblia –, prestou-se atenção a não reduzir a pobreza ao seu aspeto económico, certamente fundamental. Isso levou à afirmação de que o pobre é o «insignificante», aquele que é considerado como uma «não pessoa», alguém a quem não se reconhece a plenitude dos seus direitos na condição de ser humano. Pessoas sem peso social ou individual, que contam pouco na sociedade e na Igreja. Assim são vistos, ou mais exatamente não são vistos, porque são bem mais invisíveis na medida em que são excluídos dos nossos dias. As razões disso são diversas: as carências de ordem económica, sem dúvida, mas tam bém a cor da pele, ser mulher, pertencer a uma cultura desprezada (ou considerada interessante somente pelo seu exotismo, o que equivale ao mesmo). A pobreza é, com efeito, um assunto complexo e multifacetado; há decénios, ao falar dos «direitos dos pobres», referíamo-nos a esse conjunto de dimensões da pobreza.

Mercado e reciprocidade: Aliança a reconstruir
O nosso melhor passado remoto e próximo é fruto da mescla de mercados e reciprocidade. O movimento cooperativo, os distritos industriais, as empresas familiares são filhos de encontros entre as linguagens do mercado com as do dom. As famílias sempre souberam que as empresas são assunto muito importante e essencial para o seu bem. É delas que vem trabalho e salário; é nesses lugares abertos e duros que se alimentam sonhos e vida verdadeiros. As pessoas sempre habitaram e viveram os mercados reais como lugares humanos, praças e lojas cheias de gente, de odores, sabores e palavras; não esqueçamos ainda que, durante décadas, os mercados foram dos pouquíssimos lugares de vida pública, soberania e protagonismo de muitas nossas mães e avós. A grande e longa história da relação entre mercados e vida civil é sobretudo uma história de amizade e aliança.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Pode um homem repudiar a sua mulher?»

“Nem só de pão”: Santa Sé escolheu tema do pavilhão na Expo Milão 2015
O tema geral do pavilhão que a Santa Sé vai ter na exposição universal de Milão, que decorre entre 1 de maio de 2015 e 31 de outubro, será “Not by bread alone – Nem só de pão”, revelou esta quinta-feira o presidente do Pontifício Conselho da Cultura. A presença tem como objectivo «realçar sobretudo a dimensão interior, religiosa e cultural que não só afeta a pessoa como também as suas relações a todos os níveis», explicou o cardeal Gianfranco Ravasi em conferência de imprensa realizada no Vaticano. A «alimentação interior é tão necessária como aquela que corresponde às necessidades mais imediatas», frisou o responsável, citado pelo portal de notícias news.va.

«Renúncia e sacrifício» fazem parte da missão dos bispos: Papa aponta critérios para nomeações episcopais
«A coragem de morrer, a generosidade de oferecer a própria vida e de consumir-se pelo rebanho estão inscritos no ADN do episcopado», vincou esta quinta-feira o papa Francisco no Vaticano, em discurso à Congregação para os Bispos. O papa apontou oito critérios que devem presidir à nomeação dos bispos, tendo sublinhado que «a renúncia e o sacrifício são conaturais à missão episcopal». «Dado que a fé vem do anúncio, precisamos de bispos kerigmáticos[anunciadores das verdades fundamentais da fé]. (…) Homens guardiães da doutrina não para medir quanto o mundo vive distante da verdade que ela contém, mas para fascinar o mundo, para o encantar com a beleza do amor, para o seduzir com a oferta da liberdade dada pelo Evangelho.» «A Igreja não precisa de apologistas das próprias causas nem de cruzados das próprias batalhas, mas de semeadores humildes e confiantes da verdade (…).»

Agenda para hoje 

Lisboa
Apresentação do livro “A esperança do perdão”
Autor: Pedro Valinho Gomes
Apresentação: Maria da Conceição Azevedo
Editora: Universidade Católica
Universidade Católica (auditório A1)
15h30
Evento integrado nas Jornadas de Estudos Teológicos
Para saber mais sobre o livro: Pastoral da Cultura

É novo » 27.2.2014

Mais instruídos mas menos solidários
Ao que parece temos criado um contexto de vida e uma cultura onde nos educamos apenas e só para ter, partindo do princípio que o processo será sempre numa lógica ascendente. Educamo-nos e formamo-nos no pressuposto de que somos invulneráveis e tornamo-nos de facto insensíveis à vulnerabilidade – bebemos para esquecer, engordamos para nos satisfazer, endividamo-nos para bem estar, medicamo-nos para não deprimir, suicidamo-nos no desespero de possuir tudo o anterior mas não ter sentido para viver. Centrados numa visão individual, e em fuga face aos pontos mais frágeis, limitamo-nos também na nossa capacidade de viver plenamente a alegria e a consciência de gratidão e de amor que nos torna vulneráveis, mas nos confere a esperança e o sentido porque é na vulnerabilidade e na relação que nos tornamos mais humanos! O mais que temos conseguido é para o menos que estamos a viver? Afinal que mais queremos Ser?

O futuro não é um clube
Para pôr em movimento uma ação ecológica na cidade, para fazer nascer uma forma de economia partilhada, para deixar de pagar o imposto às máfias, para salvar da morte um bosque ou uma associação, para assinalar e mapear os caminhos de montanha, é necessário que exista um grupo de cidadãos, ainda que pequeno, que faça de motor de arranque, que comece a comprometer-se sem garantia de reciprocidade nem de sucesso. Nestes “cidadãos starter” entra em ação um tipo especial de lógica que podemos chamar do “melhor eu só, do que ninguém”. Sabem que a sua doação é de risco, muitas vezes posta em ridículo, considerada ingénua, talvez até explorada por oportunistas; mas, tomando a peito esse bem comum e o Bem comum, preferem ocupar-se sozinhos daquele bem a vê-lo morrer, esperando (sem o exigir) que amanhã a sua ação seja imitada.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.»

Unção dos Doentes não é presságio de morte, mas Cristo que dá a mão a quem sofre, sublinha papa Francisco
«No momento da dor e da doença não estamos sós», vincou esta quarta-feira o papa Francisco durante a audiência geral desta quarta-feira, no Vaticano, dedicada ao sacramento da Unção dos Enfermos, que que não é a antecâmara do funeral. Perante 50 mil pessoas reunidas na Praça de S. Pedro, o papa sublinhou que a Unção dos Doentes permite a quem a recebe «tocar com a mão a compaixão de Deus pelo homem», refere a Rádio Vaticano. «Há um pouco a ideia de que quando alguém está doente e vem o sacerdote, depois dele chegam as cerimónias fúnebres; e isso não é verdade. O sacerdote vem para ajudar o doente ou o idoso. Por isso é muito importante a visita dos sacerdotes aos doentes», frisou. Com a Unção dos Doentes, «é Jesus que chega para o erguer, para lhe dar força, para lhe dar esperança, para o ajudar. E também para lhe perdoar os pecados. E isto é belíssimo».

“Tratado dos olhos”: As desconhecidas pinturas escritas de Júlio Pomar
O Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, inaugura esta quinta-feira a exposição “Tratado dos olhos”, centrada numa «parte fundamental» e «desconhecida de muitos» do artista que dá nome ao espaço: escritos sobre arte que tem vindo a publicar desde os anos 40. A mostra «é um (auto)retrato do artista enquanto vidente», uma «apresentação do seu modo próprio de olhar», explica o curador, Paulo Pires do Vale. Os textos de Júlio Pomar (n. 1926) constituem «uma reflexão profunda e continuada sobre o ofício de pintor e o trabalho no atelier, uma análise crítica da obra de outros artistas e da sua própria obra, uma procura exigente de maior compreensão, pela palavra, da relação entre a arte e a vida». «”Tratado dos olhos” questiona o que é ver e propõe uma relação íntima entre o olhar, a mão e a palavra na obra – escrita e artística – de Júlio Pomar», assinala Paulo Pires do Vale.

“Her (Uma história de amor)”: O estranho mundo de Theodore | VÍDEO + IMAGENS |
É inevitável a empatia imediata com o mundo solitário de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix). Na volubilidade de um processo de divórcio, ensimesmado, voltado para si e para o seu mundo que rui, Theodore vagueia entre o trabalho como escritor, que providencia aos seus clientes eloquentes cartas que exprimem o amor e o afeto que eles mesmos são incapazes de pôr em palavras, durante o dia, e as noites ocupadas entre jogos de vídeo, redes sociais e as memórias dolorosas da separação. Não é um filme sobre a solidão, mas propõe um mundo onde cada um de nós é desencontro, desconhecimento e reclusão. “Her” não configura, na aparência de uma fotografia de cores quentes e quase tácteis, a distopia de um mundo desumanizado e sob regulação totalitária, mas mergulha-nos num universo onde cada indivíduo é um átomo isolado, à mercê do isolamento emocional, afetivo e humano.

Em louvor do Porto
«Temos visto muitas coisas belas na Europa que estamos a percorrer, mas o panorama que estamos a contemplar no Porto e em Gaia é, de longe, o mais belo que temos visto nesta nossa digressão. Temos a impressão de que os portugueses não sabem apreciar devidamente a beleza do Porto com o seu casario, com o seu rio e as suas belas margens, as suas pontes, os seus monumentos, numa palavra, de toda a panóplia de coisas belas que o Criador espalhou entre vós.» Penso que estas palavras laudatórias são, para nós, motivo de orgulho e alegria. Finalmente, o Porto consegue vencer as barreiras dum cinzentismo antipático e injusto, que não deixava ver o que ele tinha de belo e bom.

Agenda para hoje

Guimarães
Apresentação do livro “A desumanização”
Autor: Valter Hugo Mãe
Apresentação: D. Jorge Ortiga
Para saber mais: Pastoral da Cultura

É novo » 26.2.2014

A nossa riqueza são os laços
Florescem as comunidades quando são capazes de cooperação. Se não tivéssemos iniciado a cooperar (agir juntos) a vida em comum não teria sequer tido início; teríamos ficado evolutivamente bloqueados na fase pré-humana. Como com frequência acontece a grandes palavras do humano, também a cooperação é ao mesmo tempo una e múltipla, muitas vezes ambivalente; e as suas formas mais relevantes são as menos óbvias. Sempre que seres humanos atuam em conjunto e se coordenam para chegar a um resultado comum mutuamente vantajoso estamos perante a cooperação. Mas nem todas as cooperações são coisa boa; existem cooperações que, aumentando embora as vantagens dos sujeitos nela envolvidos, fazem piorar o bem comum porque prejudicam alguém exterior àquela cooperação. Para distinguir a boa da má cooperação é necessário antes de mais observar os efeitos que tal cooperação intencionalmente produz sobre pessoas externas.

Fazer da vida um lugar sagrado e tornar-se louco aos olhos do mundo
Esta vida que construímos dia a dia, esta vida que não existe em abstrato mas em concreto, nos nossos gestos, na nossa decisão, esta vida que não é apenas biológica mas é a vida ética, a vida sensual, a vida de amor, a vida de procura que em cada um de nós quotidianamente se efetua… Isto que nós somos, isto de inominável, de indecifrável, isto é o lugar de Deus. Por isso tenho de olhar para a minha vida como um lugar sagrado; tenho de olhar para a minha vida com outros olhos, com outra esperança, porventura com outra veneração. Tenho de cair de joelhos perante o espetáculo desabalado e divino que é a vida, por mais frágil que seja. Tenho de olhar para vida com um coração diferente, um coração novo. Que coisa é necessária para ser cristão? É preciso fazer um gesto que na sua extravagância, na sua rutura, assinale a diferença de Cristo, o salto qualitativo, o salto de amor que Cristo representa. Há um momento na nossa vida em que só um gesto destes nos pode salvar, há um momento na nossa vida em que só um gesto destes faz a diferença.

Papa Francisco escreve carta às famílias a pedir orações pelo próximo Sínodo dos Bispos
Verdadeiramente Jesus faz com que as gerações se encontrem e unam! Ele é a fonte inesgotável daquele amor que vence todo o isolamento, toda a solidão, toda a tristeza. No vosso caminho familiar, partilhais tantos momentos belos: as refeições, o descanso, o trabalho em casa, a diversão, a oração, as viagens e as peregrinações, as ações de solidariedade… Todavia, se falta o amor, falta a alegria; e Jesus é quem nos dá o amor autêntico: oferece-nos a sua Palavra, que ilumina a nossa estrada; dá-nos o Pão de vida, que sustenta a labuta diária do nosso caminho. Queridas famílias, a vossa oração pelo Sínodo dos Bispos será um tesouro precioso que enriquecerá a Igreja. Eu vo-la agradeço e peço que rezeis também por mim, para que possa servir o Povo de Deus na verdade e na caridade. A proteção da Bem-Aventurada Virgem Maria e de São José acompanhe sempre a todos vós e vos ajude a caminhar unidos no amor e no serviço recíproco. De coração invoco sobre cada família a bênção do Senhor.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Quem não é contra nós é por nós.»

Papa Francisco: Pensemos nas crianças famintas nos campos de refugiados, enquanto fabricantes de armas têm vida regalada
«A criança doente, faminta, num campo de refugiados, e as grandes festas, a boa vida que têm aqueles que fabricam as armas»: o papa Francisco lançou esta terça-feira no Vaticano um grito contra a banalização da guerra. «Todos os dias, nos jornais, encontramos a guerra», afirmou na homilia da missa a que presidiu, citado pela Rádio Vaticano, sublinhando que «os mortos parecem fazer parte de uma contabilidade quotidiana». «O que acontece no nosso coração?», questionou o papa, recordando que o «espírito da guerra», que «afasta de Deus», não está presente apenas em territórios longínquos, mas começa dentro de casa. O que um cristão «deve fazer hoje, 25 de fevereiro», diante de «tantas guerras, em todo o lado», é «chorar, fazer luto, humilhar-se», apontou o papa, acrescentando: «O Senhor nos faça compreender isto e nos livre de nos habituarmos às notícias de guerra».

Patriarca de Lisboa e ex-ministra das Finanças debatem “O lugar do pensamento social cristão na construção da cidade”
O patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e Manuela Ferreira Leite, ex-ministra das Finanças, vão debater «o lugar do pensamento social cristão na construção da cidade», num evento que decorrerá a 26 de março, em Lisboa. A sessão, marcada para a Universidade Católica Portuguesa, conta também com a intervenção de Américo Pereira, professor da instituição, revela a Associação de Estudantes da Faculdade de Teologia. «A sociedade e a sociabilidade não descem do topo nem se pressupõem sem o empenho de quem realmente zela pelo bem comum. Crescem pela motivação das pessoas que tomam a cidadania como aventura e risco, requerem reconhecimento e promoção por parte dos responsáveis pelo bem comum», declarou D. Manuel Clemente em 2007.

Manuel Jorge Marmelo escreve entre as angústias do desemprego, pobreza e emigração
O vencedor da edição de 2014 do festival literário “Correntes d’Escritas”, com o livro “Uma mentira mil vezes repetida”, foi despedido há um ano do “Público”, mas este é apenas uma parte do desassossego em que vive. «Para além do meu caso, é a angústia de sair à noite pela cidade e ver centenas de pessoas em filas à espera de uma refeição grátis», afirmou em entrevista ao programa de cultura “Ensaio geral”, da Renascença. «É a angústia de saber que tenho uma filha com 21 anos que vai entrar no mercado de trabalho daqui a dois ou três, e ter a noção de que ele está completamente fechado; ter um filho de 18 anos e que também não está muito longe de enfrentar essa realidade. É um conjunto de angústias que se vão somando», acrescentou. O processo de escrita e o jornalismo foram outros dos assuntos abordados pelo romancista.

Agenda para hoje

Jornadas de Estudos Teológicos: Imaginar a Igreja – Sinodalidade, Colegialidade, Ministério de Pedro
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Coimbra
Ciclo “Cinema e Espiritualidade
Para saber mais: Pastoral da Cultura

É novo » 25.2.2014

Exposição de artes plásticas reúne comentários aos Evangelhos por artistas contemporâneos
O patriarcado de Lisboa vai receber de 24 de maio a 31 de julho uma exposição de 33 artistas contemporâneos, que aceitaram o desafio de traduzir em expressão plástica a leitura de um dos Evangelhos proclamados nas missas de domingo. A iniciativa visa «propor uma reflexão atualizada sobre como podem relacionar-se hoje em dia, de uma forma saudável e satisfatória, a Arte e a Espiritualidade», «dar a conhecer a produção artística contemporânea» e associar «diferentes formas de expressão», refere uma nota enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. «Procurámos selecionar artistas – todos eles de primeiríssima água – de gerações diferentes, por um lado, e, por outro lado que trabalham em técnicas artísticas muito diversificadas, desde o suporte tradicional de pintura, à fotografia, escultura, vídeo, cerâmica e instalação».

Leitura: “O sonho do papa Francisco – Os jovens no coração da Igreja”
«Que Igreja “serviria” para os homens de hoje, que são como os dois discípulos de Emaús? Então, o Papa desenha, em positivo, um retrato de Igreja realmente cheio de vida, acompanhando-o com uma análise da condição do homem contemporâneo: “Precisa-se de uma Igreja que não tenha medo de entrar na sua noite. Precisa-se de uma Igreja capaz de encontrá-los no seu caminho. Precisa-se de uma Igreja capaz de inserir-se na sua conversa. Precisa-se de uma Igreja que saiba dialogar com aqueles discípulos que, fugindo de Jerusalém, vagueiam sem destino, sozinhos, com o seu desencanto, com a sua desilusão de um cristianismo que já se considera terreno estéril, infecundo, incapaz de gerar sentido.” O elenco, quase litânico, contém uma visão fortemente projetiva. O retrato que daqui emerge é o de uma Igreja capaz de aproximar-se de cada homem e de caminhar ao lado dele.» Do livro “O sonho do papa Francisco”, publicado em fevereiro pela Paulinas Editora, apresentamos um excerto, extraído do capítulo “Emaús: o rosto futuro da Igreja”.

Algo de único
Para homens e mulheres nunca foi suficiente o mero consumo de bens. Animais simbólicos e ideológicos que somos, sempre pedimos mais aos produtos que consumimos: do statu social à representação de um futuro melhor durante presentes de indigência. Através dos bens quisemos falar, contar histórias, descrever-nos aos outros e ouvir o que os outros dizem. Fazer experiências. Alguns bens, aliás, estão de tal modo ligados a uma experiência que os economistas os designaram “bens de experiência” (experience goods); são os bens que apenas conseguimos compreender e avaliar depois uma experiência direta e pessoal. Quando saímos de casa para descer aos mercados procuramos experiências maiores que as coisas que compramos. Frequentemente, porém, os bens não mantêm as suas promessas, porque as experiências que fazemos são demasiado pobres em comparação com a nossa sede de infinito. Então, desiludidos mas prontos a esquecer desilusões de ontem, recomeçamos todas as manhãs as nossas liturgias económicas, à procura de bens, de sonhos, de relacionamentos humanos, de vida.

Átrio dos Gentios e Governo italiano organizam concurso para estimular via da beleza para o diálogo
“Ciências humanas, naturais e religiosas em diálogo: a via da Beleza” é o título do primeiro concurso que o Ministério da Educação italiano e o Átrio dos Gentios, plataforma da Igreja católica para o diálogo entre crentes e não crentes, vão organizar para os estudantes das escolas transalpinas. «O concurso, inspirado na experiência e atividades do Átrio dos Gentios, visa promover no âmbito das diversas disciplinas (humanistas e científicas) o empenho em fazer amadurecer a consciência da importância civil, cultural, educativa do diálogo entre pessoas crentes e não crentes», refere uma circular do ministério enviada às escolas. O projeto pretende valorizar «o contributo que as diferentes visões do mundo (religiosas e não religiosas) ofereceram, oferecem e podem oferecer para uma participação mais partilhada na vida democrática segundo os princípios da Constituição italiana», aponta o mesmo documento.

Talvez Sophia não gostasse de ir para o Panteão, diz Miguel de Sousa Tavares
O escritor Miguel Sousa Tavares não tem a certeza de que a sua mãe, Sophia de Mello Breyner, gostasse de vir a ser trasladada para o Panteão Nacional, decisão aprovada por unanimidade pela Assembleia da República a 20 de fevereiro, ainda que «enquanto cidadão» considere que se trate de um «ato de justiça». «Enquanto filho da minha mãe, não sei se ela gostaria de estar no Panteão, porque toda a sua literatura são terraços, são jardins, são noites de luar, são praias, são mar, é tudo isto… não é um sarcófago de mármore fechado numa sala, com dez pessoas à roda, por mais ilustres que sejam. Tenho muitas dúvidas sobre isso», declarou em entrevista ao programa de cultura “Ensaio geral”, da Renascença, transmitido a 21 de fevereiro. Questionado sobre a situação social em Portugal, o cronista lamentou a emigração dos jovens: «O que me faz mais impressão é ver miúdos a ir embora. Acho que é uma tragédia inominável. É mais do que o falhanço de qualquer política, é o falhanço de qualquer sentido objetivo daquilo que se está a fazer».

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber não me recebe a mim, mas àquele que me enviou.»

Agenda para hoje

Porto
Ciclo de conferências “Impulsos de reforma da Igreja: Regressando às ‘Cartas ao Papa’ de D. António Ferreira Gomes”
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Lisboa
1.º Seminário de História do Cristianismo
Para saber mais: Pastoral da Cultura

É novo » 24.2.2014

Zaqueu… simplesmente… ou talvez não…
O facto é que gosto do Zaqueu. Gosto mesmo! Gosto de o imaginar pequenito e sem complexos; a correr, a empurrar meio mundo, a acotovelar os basbaques da multidão amorfa, a saltitar de quando em vez procurando descortinar um ponto alto à procura de ver, acima de tudo, a si próprio. E lá está ele, o sicómoro do seu contentamento, o lugar onde pode finalmente subir sem pisar ninguém; o ponto alto a partir do qual pode descortinar o que procura, onde se pode encontrar consigo mesmo, para depois encontrar os outros no caminho do seu encontro com Deus. Ah! Grande Zaqueu que foste capaz de ir à procura de ti próprio, grande ao ponto de, na tua pequenez, te reconheceres um biltre, mas capaz de ser amado por Deus; que subiste acima da tua altura, sem te pores em bicos de pés por cima de ninguém, mas à custa do teu esforço foste capaz de te ver.

Regenerar as virtudes subvertidas
Ultrapassámos por certo o ponto crítico da vida exterior (consumos, mercadorias, técnica), e assim parece-nos normal a grande carestia e incapacidade de interioridade, de meditação, de oração em que gradualmente precipitámos. A mesma sorte coube à imunidade. A boa conquista moderna de espaços e momentos de vida privada imune de poderosos e patrões, transformou-se numa “cultura da imunidade” na qual já não se abraça, nem sequer se toca, ninguém, cultura que está a fazer murchar tudo e todos; e assim uma maré cheia de solidão está inundando cidades e vidas. Habituamo-nos a sofrer sozinhos, a morrer sós, a crescer sozinhos em quartos fechados, vazios de pessoas amigas; mas cheias de demónios que nos roubam os filhos. Falar destes grandes temas civis é um primeiro passo decisivo para tomar deles consciência e para não ultrapassar outros pontos críticos que surgem no horizonte. Para nos determos ou mesmo voltar atrás: em alguns raros mas luminosos casos os povos foram capazes de fazê-lo.

Revista “Didaskalia” apresenta análise multidisciplinar ao inquérito “Identidades religiosas em Portugal”
A mais recente edição da revista “Didaskalia”, publicada pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica (Lisboa), centra-se na análise pluridisciplinar ao inquérito “Identidades religiosas em Portugal”, encomendado pela Conferência Episcopal Portuguesa e apresentado no fim de 2012. O itinerário proposto na revista, dirigida desde esta edição pelo Fr. Isidro Lamelas, está dividido em duas partes, «orientadas por um tópico de pesquisa unificador: o problema hodierno da articulação entre crer e pertencer na recomposição das identidades religiosas». Em “A secularização da sociedade portuguesa no contexto das modernidades múltiplas”, Teresa Martinho Toldy propõe «uma reflexão acerca da viabilidade de aplicar algumas das teorias da secularização à realidade portuguesa», a partir do inquérito. «Conclui-se que a sociedade portuguesa pode ser considerada secularizada nalguns aspetos, mas não em todos, o que parece confirmar a tese da existência de modernidades múltiplas», assinala a teóloga. Leia os resumos dos restantes artigos.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«”Se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e socorre-nos.” Jesus disse: “Se posso?… Tudo é possível a quem acredita”. Logo o pai do menino exclamou: “Eu creio, mas ajuda a minha pouca fé”.

Boa ética e boa ciência: o percurso da investigação em células estaminais
Vivemos numa época de importante viragem no paradigma da relação entre a ética e a investigação em saúde. O hiato temporal entre as descobertas científicas e a concomitante reflexão ética desvanece-se progressivamente; a ética, ou talvez mais corretamente a bioética, encontrou o seu ritmo. Hoje, a ciência vai acontecendo e a bioética vai refletindo; refletindo sobre as possibilidades, equacionado os riscos, avançando propostas que, sem serem científicas, imprimem matizes importantes no ritmo do desenvolvimento científico. A mais recente descoberta na área das células estaminais, as designadas células STAP, células de pluripotência induzida por estímulo ambiental, ilustram, uma vez mais, como o facto de se trazer, por parte da ética, dúvidas e desafios à ciência, de modo a resolver objeções ou incertezas éticas se tornou num saudável exercício de boa ética e boa ciência. Talvez se deva saudar esta evolução como promissora do futuro relacionamento entre ética e investigação, comprovado o estímulo (e não o bloqueio) que a reflexão ética pode trazer ao engenho do investigador.

Papa Francisco apela aos cardeais para fugirem das «intrigas» e pede-lhes para amarem quem é hostil à Igreja
O papa afirmou este domingo, no Vaticano, que cada cardeal «entra na Igreja de Roma, não entra numa corte», pelo que deve evitar «hábitos e comportamentos de corte», nomeadamente «intrigas», «falatório» ou «favoritismos». «A nossa linguagem seja a do Evangelho: “sim, sim, não não”», frisou na missa a que presidiu na basílica de S. Pedro com 18 dos 19 novos cardeais e a maior parte dos membros do Colégio Cardinalício, refere a Rádio Vaticano. Francisco vincou a necessidade de um comportamento exemplar por parte dos cardeais e do próprio papa: «O Senhor Jesus e a mãe Igreja pedem-nos para testemunhar com maior zelo e ardor estas atitudes de santidade». «Por isso – prosseguiu, amemos aqueles que nos são hostis; bendigamos quem diz mal de nós; saudemos com um sorriso quem talvez não o mereça; não aspiremos a fazermo-nos valer, mas contraponhamos a mansidão à prepotência; esqueçamos as humilhações sofridas.»

Patriarca de Lisboa apresenta livro sobre Santo Adrião, Santa Natália e S. Manços | VÍDEO |
O patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, vai apresentar a 6 de março o livro “Santo Adrião, Santa Natália e S. Manços”, de Paulo Farmhouse Alberto, oitavo volume da coleção “Santos e Milagres da Idade Média em Portugal”. A coleção editada pelo Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa propõe-se disponibilizar ao público «os textos matriciais e mais antigos sobre mártires e santos com culto na Antiguidade Tardia e Alta Idade Média em território que viria a ser Portugal». «São textos de deslumbrante vivacidade e qualidade literária, traduzidos com o maior rigor científico, que farão o leitor curioso (vi)ver o quotidiano com outros olhos.»

“Saber ouvir”: Curso enriquece audição de música clássica
O compositor português João Madureira vai orientar o curso presencial “Saber ouvir”, que em março e abril «pretende dar ao ouvinte de música clássica os instrumentos necessários à identificação das formas musicais mais comuns». A formação, que decorre durante seis encontros semanais, em Lisboa, visa enriquecer a audição do ouvinte e refinar a sua «fruição das interpretações que ouve», explica o desdobrável da iniciativa organizada pela “Appleton Square”. «Em cada sessão, após uma exposição teórica breve sobre a gramática e as formas musicais da música europeia dos séculos XVIII e XIX», os participantes consolidam a formação «através de pequenos jogos e outras atividades sobre obras de referência», refere a organização.

É novo » 23.2.2014

Um coração que aprende a amar os inimigos: Meditação sobre o Evangelho do VII Domingo
Sê perfeito como o Pai, sê santo porque Eu, o Senhor, sou santo. Santidade, perfeição, palavras que parecem distantes, destinadas a pessoas que fazem outra vida, dedicada à oração e à contemplação. E no entanto são palavras muito concretas: «não odiarás do íntimo do coração os teus irmão», não «guardarás rancor», «amarás o teu próximo como a ti mesmo». A concretude da santidade: nada de abstrato, distante, separado, mas o quotidiano, santidade terrestre como perfume da casa, do pão, dos gestos. E do coração. Sê perfeito como o Pai. Mas ninguém poderá alguma vez sê-lo, é como se Jesus nos pedisse o impossível. Mas não diz «quanto Deus», mas «como Deus», que faz nascer o sol sobre bons e maus. Assim o farei, farei nascer um pouco de sol, um pouco de esperança, um pouco de luz a quem só tem a escuridão diante de si; transmitirei o calor da ternura, a energia da solidariedade. Testemunho de que a justiça é possível, que se pode crer no sol mesmo quando não brilha, no amor mesmo quando não se sente.

Francisco e Bento XVI: Dois papas num consistório para a História | IMAGENS |
O consistório para a criação de 19 cardeais que decorreu este sábado no Vaticano fica para a História como o que juntou dois homens de branco: o papa Francisco e o seu antecessor, o papa emérito Bento XVI. A poucos dias de completar um ano da resignação ao pontificado (28 de fevereiro de 2013), Bento XVI foi convidado pelo papa Francisco a estar presente no seu primeiro consistório, designação conferida à reunião dos cardeais com o papa. Bento XVI sentou-se na primeira fila, tendo sido saudado por Francisco quando este entrou na basílica de São Pedro. Diante do seu sucessor, Ratzinger levantou-se e tirou o solidéu. «A Igreja precisa da vossa coragem, para anunciar o Evangelho em toda a ocasião oportuna e inoportuna, e para dar testemunho da verdade. A Igreja precisa da vossa oração», acentuou Francisco na homilia da missa, dirigindo-se aos cardeais.

Quando nada existe fora dos Média
Os Média não só não são inclusivos como a realidade de quem ganha vida dentro deles não é eticamente isenta. No final, contribuir para o bem-estar das pessoas, das famílias, ou da sociedade em geral não é critério que presida ao nascimento dos conteúdos que os Média fabricam todos os dias. Penetrar o poder dos Média e fazer bom uso dele a favor de democracias mais inclusivas e participativas não é de todo fácil. Às organizações que no terreno apoiam pessoas vítimas dos mais cruéis dramas, os Média negam repetidamente qualquer tipo de espaço por não terem ou não serem assunto de interesse. Não é a primeira vez que rádios e televisões, jornais e revistas, agências e agentes de comunicação vedam a existência à recuperação da dignidade e autonomia de tantos. Permanece a ideia de que o bem não arrebata audiências, mas que sobretudo os Média nada têm a ver com isso.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis?»

Agenda para hoje

Aveiro
Música: Ciclo inaugural do novo órgão de tubos
Obras de compositores nacionais: Manuel Faria, Manuel Simões, Joaquim dos Santos, Azevedo Oliveira
Cappella Bracarensis; Costa Gomes, órgão; Graça Miranda, direção artística

16h00
Entrada livre