É novo » 1.8.2011

Leitura: Atravessar a própria solidão
Conscientes de que a experiência da solidão não é fácil, creio que seria uma perda imensa, do ponto de vista do sentido da nossa existência, não nos confrontarmos, cara a cara, com esta dimensão constitutiva da vida humana. Podemos sempre fazer de conta de que não é assim, e aliás, muitas vezes, o fazemos, envolvendo-nos em mil atividades ao mesmo tempo, distraindo-nos com tudo e com nada; tudo fazemos para não nos confrontarmos com a dor de estar só, ou melhor, de ser só. E, quando estamos sós, logo nos rodeamos de imensos ruídos ou afazeres. Porque é tão difícil estar só, consigo, sem nada nem ninguém pelo meio?

Os caminhos do verão
Vem o sol, avança sobre os dias uma claridade que já quase ignorávamos, o calor estende-se longamente como um gato preguiçoso, é julho, quase agosto, e mesmo de gravata e afazeres ainda apertados ao pescoço sabemos isso: que somos feitos para outros modos, que pertencemos a outros lugares. Não tem de ser necessariamente uma deslocação para outro país ou uma cidade diferente da nossa. Às vezes tudo o que nos falta é simplesmente caminhar com outro passo.

Sampaio Bruno é «referência fundamental» da cultura portuguesa e devia ser estudado pelos futuros padres
O estudo “Natureza, Razão e Mistério, Para uma leitura comparada de Sampaio (Bruno)”, editado em 2009 pela Imprensa Nacional Casa da Moeda, foi distinguido em Lisboa a 14 de julho com a primeira edição do prémio António Quadros, atribuído pela fundação homónima. Entre os 20 e 30 anos, depois de uma juventude com demonstrações muito anticlericais, o pensador virá a superar o catolicismo, e mesmo o cristianismo, nomeadamente na sua abordagem ao problema do mal.

Faculdade de Teologia lança curso sobre o Concílio Vaticano II
A 11 de outubro de 1962 celebrou-se a história abertura do Concílio Vaticano II. Depois de várias etapas, encontramo-nos agora no grande e complexo período de receção do Concílio. Há posicionamentos diversos e hermenêuticas não necessariamente convergentes, mas um dado parece fazer o consenso: o olhar em relação ao Concílio Vaticano II e à sua herança é absolutamente decisivo para perceber os caminhos atuais da Igreja no tempo.

Instituto São Tomás de Aquino propõe formação sobre Vaticano II e ícones
Para tudo há um horizonte de expectativa e um horizonte de deceção. As dissensões a propósito do Vaticano II não começam apenas quando se entra na interpretação dos textos. Há a questão da sua aplicação. O concílio criou grandes expectativas, do mesmo modo que o pós-concílio trouxe grandes deceções. Em cena estão a hermenêutica da descontinuidade e da rutura e a hermenêutica da reforma, identificadas com os media e uma parte da teologia moderna; do outro lado, os bispos e o papa como os administradores legítimos do dom do Senhor.

É novo » 29.7.2011

Leitura: Pontifical de Luxo Brácaro-Romano | IMAGENS |
Esta obra é muito mais do que a edição crítica do antigo pontifical bracarense, conservado no Arquivo Distrital de Braga, sob a cota Ms. 870, pois constitui uma revisão da história do rito ou costume bracarense, integrada nos diversos contextos histórico-culturais que o mesmo atravessou, ao longo dos séculos. Esta visão de conjunto, indispensável para a análise interna desta fonte litúrgica bracarense, realizada numa base intensamente comparativa, agora publicada e ao alcance de todos, é, ao mesmo tempo, um vigoroso contributo para a clarificação de alguns aspetos da liturgia bracarense, cuja amplitude não tinha sido possível captar.

É novo » 27.7.2011

Quem nos rouba o tempo?
Desde os horários dilatados de trabalho às solicitações para uma comunicação praticamente ininterrupta, entramos num ciclo sôfrego de atenção, atividade e consumo. «Despacha-te, despacha-te» é o comando de uma voz que nos aprisiona e cujo rosto não vemos. «Despacha-te para quê?». Talvez, se tivéssemos de explicar as razões profundas dos nossos tráficos em vertigem, nem saberíamos dizer. E também disso, desse vazio de respostas, preferimos fugir.

Cinema: A conspiradora | VÍDEO | | IMAGENS |
Levada a julgamento, Mary Surrat conta para sua defesa com um jovem advogado, reconhecido pela bravura ao serviço das tropas do Norte. Renitente e incomodado com o facto de ter que defender o lado oposto à sua ideologia, Frederick Aiken não tarda a preterir as ideias em favor dos valores. Reconhecendo a fragilidade dos argumentos da acusação e a ausência de provas que a sustentam, determina-se a garantir a justiça e equidade do julgamento da ré, assumindo o seu papel na sala de tribunal com a mesma dignidade do campo de batalha.

É novo » 22.7.2011

Árvore da Vida: Capela do Seminário Conciliar de Braga | IMAGENS | | VÍDEO |
Consciente do grande significado da arquitetura religiosa contemporânea, quer para a expressão da fé que se professa e testemunha, quer para o diálogo com os artistas e a cultura, apresentava-lhes uma série de capelas e igrejas de grandes arquitetos estrangeiros e também portugueses. Várias obras, sobretudo em Portugal e Itália, foram objeto das nossas visitas de estudo. A determinada altura, apercebemo-nos que o maior conhecimento destes edifícios aumentava o nosso desconforto em relação à qualidade das capelas do Seminário construídas nos anos 90’ do século passado. Decidimos então aprofundar a coerência entre aquilo que se ensinava e a expressão litúrgica praticada.

É novo » 20.7.2011

Férias: Vá para fora por dentro!
Pensava como por vezes estamos tão cansados interiormente, tão dispersos, com tanto ruído, com tantas preocupações que nos consomem e tiram ânimo, liberdade, lucidez. Nada que uns dias na praia não resolvam, pensamos nós. Sim, é verdade, os dias na praia com certeza que ajudam a acalmar. Mas o verdadeiro descanso precisa também de uma paragem e de um reencontro interior.

Francisco Sousa Gomes: evocação no centenário da morte
Ser católico por cumprimento de deveres de civilidade quando se canta um «Te Deum» oficial ou se enterra algum amigo nosso; por curiosidade de bom-tom quando vamos à missa da moda ou a alguma festa que meta boa música e sermão com muitas flores de retórica – não basta! Esse é catolicismo à flor da pele que não serve para nada, e que até me é menos simpático do que a irreligiosidade declarada mas cortês.

O que é que nos olha de frente?
Vivemos num mundo que nos atropela continuamente, pela quantidade e velocidade da informação. As imagens que vemos também nos obsidiam, aprisionam e devoram. Na sobreposição de discursos e factos, nem sempre somos capazes de contrariar a alienação. E depois: quantos dos nossos gestos não se tornaram, entretanto, meros automatismos! Quantas das nossas escolhas não se esvaziaram de conteúdo, cabendo-nos administrar apenas a forma!

P. José Manuel Cordeiro, novo bispo de Bragança-Miranda: “O grão de amendoeira” [Arquivo]
«Retiro não é sair para “retirar-se” da vida, mas é encontrar-se com Deus, consigo, com os outros, com a história e com a criação. Retiro é uma experiência forte de silêncio, de escuta e de contemplação. Sabemos que o barulho não faz bem e o bem não faz barulho.» Leia a introdução.

P. José Manuel Cordeiro, novo bispo de Bragança-Miranda: “O padre – Do mistério ao ministério” [Arquivo]
A expressão privilegiada da radicalidade evangélica são «os conselhos evangélicos, que Jesus propõe no sermão da montanha (cf Mt 5-7) e, entre estes, os conselhos, intimamente coordenados entre si, da obediência, pobreza e castidade, a serem vividos na condição própria do presbítero diocesano secular.

É novo » 5.7.2011

Discurso de Bento XVI na inauguração da exposição “O esplendor da verdade, a beleza da caridade”
Caros amigos, gostaria de renovar a vós e a todos os artistas um apelo amigo e apaixonado: nunca separeis a criatividade artística da verdade e da caridade, nunca procureis a beleza longe da verdade e da caridade, mas com a riqueza do vosso génio, do vosso impulso criativo, sede sempre, com coragem, buscadores da verdade e testemunhos da caridade; fazei resplandecer a verdade nas vossas obras e fazei de modo que a sua beleza suscite no olhar e no coração de quem as admira o desejo e a necessidade de tornar bela e verdadeira a existência, toda a existência.

José Tolentino Mendonça apresentou poema a Bento XVI | VÍDEO | | IMAGENS |
O padre e poeta José Tolentino Mendonça apresentou hoje pessoalmente a Bento XVI um poema inédito, ‘O Mistério está todo na infância’, que integra a exposição em honra do Papa, pelo 60.º aniversário da sua ordenação sacerdotal. «Portugal saúda-o, Santidade», disse o sacerdote, que foi apresentado pelo cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura como um dos “maiores poetas portugueses”.

É novo » 4.7.2011

«Tempos de exigência»: Documento do Grupo Sociedade e Política do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura
No dia 5 de junho os Portugueses votaram e no dia 21 de junho assistiram à tomada de posse do seu novo Governo. Os resultados eleitorais e o novo Governo demonstram que os Portugueses decidiram mudar. No entanto, a análise dos resultados eleitorais e a esperança inerente à entrada em cena de um novo Executivo não podem fazer esquecer a abstenção que continua a revelar o descrédito da política e dos seus atuais intervenientes, mesmo considerando as muitas dúvidas que existem quanto à sua real dimensão.

Portugueses estão unidos na insatisfação com Portugal e Governo não tem «margem para erros»
«Os Portugueses estão unidos numa insatisfação séria com a atual situação do País», sendo esta «talvez a única conclusão clara dos resultados eleitorais de 5 de junho», assinala o documento intitulado “Tempos de exigência”. O apelo à cidadania passa pela atenção às atitudes e comportamentos dos membros do Executivo: cada contribuinte deve encontrar «formas de exigir que os líderes políticos e o novo Governo empossado deem o primeiro exemplo de coragem e determinação».

Deus move-se entre os tachos
Santa Teresa fala de pessoas que têm uma vida muito ativa, dispersa numa multiplicidade de empenhos, e que, no entanto, conseguem uma vitalidade espiritual. Há, de facto, um mal-entendido de séculos que opõe, no interior da nossa cultura, para não dizer da nossa própria consciência, a contemplação à ação. Como se a vida ativa necessariamente nos desertificasse, atirando-nos para longe de nós próprios e de Deus.