É novo » 12.12.2012

«Continuemos a caminhar na esperança!»
«É importante saber: eu posso sempre continuar a esperar, ainda que pela minha vida ou pelo momento histórico que estou a viver aparentemente não tenha mais qualquer motivo para esperar. Só a grande esperança-certeza de que, não obstante todos os fracassos, a minha vida pessoal e a história no seu conjunto estão conservadas no poder indestrutível do Amor e, graças a isso e por isso, possuem sentido e importância, só uma tal esperança pode, naquele caso, dar ainda a coragem de agir e de continuar»: palavras de Bento XVI na encíclica “Spe salvi”. E ao deixar Portugal, a 14 de maio de 2010, o papa deixou o convite: «Continuemos a caminhar na esperança». Um apelo que recordamos neste Advento, talvez o tempo litúrgico onde mais se acentua a espiritualidade da espera. A psicóloga Helena Marujo e o teólogo católico João Manuel Duque consideram que cultivar a esperança é uma atitude essencial para resistir às consequências da crise económica, sustentar a confiança e acolher o Natal.

Relação entre fé e cultura é essencial numa sociedade onde Deus «não entra nos indicadores de bem-estar»
A Igreja Católica precisa de «novas escolhas culturais, pastorais, teológicas» capazes de «interagir» com a sociedade. O papa Paulo VI realçou que «se a fé não é capaz de elaborar cultura, arrisca-se a ser tangencial à vida», não incorporando «elementos significativos na existência», lembrou Carmelo Dotolo na intervenção intitulada “Novas linguagens na transmissão da fé”. O professor leigo referiu a necessidade de este tempo «pós-cristão» ser avaliado «não com um juízo negativo» mas na convicção de que o «Espírito Santo» oferece aos católicos a possibilidade da «conversão cultural do crer». A escuta das palavras do quotidiano e de Deus, a redescoberta da «fraternidade eclesial» que se abre à «colaboração na diversidade», o alargamento dos ministérios (serviços) na Igreja, a contribuição para a «transformação do mundo» e a «coragem de alimentar a interioridade de espiritualidade» constituem os desafios que, segundo Carmelo Dotolo, os católicos são chamados a responder.

O número 12 na Bíblia
Hoje é dia 12.12.2012, data prevista em alguns círculos para o fim do mundo. Na Bíblia, onde os números têm significados que diferem do aritmético e oferece, um alcance que não tem qualquer relação com a quantidade que representam, que interpretações são dadas ao 12? «O 12 é o número da universalidade. Por isso é que no Evangelho de S. Lucas, no capítulo 10, se diz que havia não apenas 12 discípulos mas mais» [72], explicou o biblista Joaquim Carreira das Neves ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Nuno Teotónio Pereira e o Movimento de Renovação de Arte Religiosa: um reencontro «emocionante» | IMAGENS |
O arquiteto Nuno Teotónio Pereira, que a Igreja Católica distinguiu em 2012 com o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, qualificou de «emocionante» o reencontro que teve esta terça-feira com alguns dos fundadores do Movimento de Renovação de Arte Religiosa, e disse ter «saudades» desse tempo. «Fizemos o trabalho muito entusiasmados. Havia dificuldades e opositores mas isso estimulava-nos porque estávamos muito crentes na necessidade do nosso trabalho; não podíamos ficar de braços cruzados», afirmou ao recordar o movimento criado nos anos 50 do século XX. Para Nuno Teotónio Pereira «a construção de igrejas «estará sempre muito ligada a um espírito vanguardista, que enalteça e favoreça a missão da Igreja», favorecendo a «funcionalidade», isto é, proporcionar aos fiéis «boas condições para os congregar e acentuar os seus laços de fraternidade».

Para ser verdadeiro homem, Jesus tinha de viver como pobre
Para ser verdadeiro homem, Jesus tinha de viver como pobre. Por ser verdadeiro Deus ensinou-nos que só o amor torna possível a justiça e a paz. Todo o homem e, por maioria de razão, todo o cristão, precisa de lutar contra esta injustiça que envenena o mundo. E ainda tratar todo o ser humano como pessoa, igual a si na dignidade de homem e de filho de Deus, e nunca como um escravo, como uma coisa, como um meio. Tratar o trabalhador como irmão. Saber que a amizade e o amor são partilha e comunhão, mas não são servidão nem sujeição. Tomar consciência de que o mundo está cheio de seres humanos carentes de cuidados e de diálogo – crianças e adolescentes, idosos, pobres, doentes, pessoas diminuídas ou a arrastar vidas cinzentas, até criminosos –, mas ter o discernimento de não colocar essas pessoas na dependência, não lhes incutir falsas esperanças, não ter um tipo de presença que as deforme.

“A vida de Pi”: da Índia ao Pacífico, uma aventura entre Deus e as feras | VÍDEO |
Aprendendo as primeiras leis da vida com os animais do zoo, Pi desde cedo se interroga sobre a sua identidade religiosa, retirando de cada uma das influências aquilo que lhe parece fazer sentido. À revelia de um pai agnóstico auto proclama-se cristão. Quando a viabilidade do zoo é ameaçada e a família decide partir para o Canadá, o barco em que seguem sofre uma violenta tempestade. Desde o anúncio de adaptação de “A Vida de Pí”, do escritor canadiano Yann Martel, ao cinema, sob direção do oscarizado Ang Lee (“O Segredo de Brokeback Mountain”, “O Tigre e o Dragão”), paira no ar a interrogação sobre a sua capacidade de transpor ou reinterpretar a maior riqueza da obra literária: as interrogações e reflexões de um rapaz na passagem à idade adulta sobre o sentido da vida e da existência. Reflexões que surgem de forma mais evidente ou subliminar na relação fabulosa de Pi com os animais e inevitavelmente nos momentos de maior tragédia e espanto, ante a experiência do desespero ou da solidão. Na ausência e na magnânima presença de Deus.

— Agenda para hoje —

3.ª edição do ciclo de cinema católico “Revelar-Te” propõe quatro filmes e quatro comentadores | VÍDEOS |
O anterior reitor da Universidade Católica Portuguesa, Manuel Braga da Cruz, e o jornalista Francisco Sarsfield Cabral são duas das personalidades convidadas para comentar filmes em cartaz na terceira edição do ciclo de cinema “Revelar-Te”, que decorre de 12 a 15 de dezembro. “La Strada”, “A Árvore dos Tamancos”, “A Última das Guerras” e “Joyeux Noël” são as películas a apresentar. As sessões têm entrada gratuita.

“RevelAr-Te”: Igreja Católica leva perspetiva cristã do cinema ao centro da cidade
Mostrar a perspetiva cristã sobre filmes marcantes da história do cinema num espaço referencial de uma das maiores cidades portuguesas é um dos objetivos do “RevelAr-Te”, que começa esta terça-feira em Almada. «Por escolha deliberada não fazemos este ciclo num salão paroquial nem num colégio católico, mas naquela que é, talvez, a principal sala da programação cultural da Câmara Municipal de Almada», o Fórum Romeu Correia, explicou ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura o padre Pedro Quintella, mentor da iniciativa. «Reconhecemos na arte do cinema essa grande capacidade de revelar e dizer a presença de Deus», realçou o sacerdote.

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