É novo » 1.2.2014

Queda, ressurreição, contradição: Meditação sobre o Evangelho do Domingo da Apresentação do Senhor
Quando Maria e José levavam o recém-nascido Jesus ao templo para o apresentar a Deus, os braços de um homem e de uma mulher disputam-no: Jesus não pertence ao templo, mas ao ser humano. É nosso, de todos os homens e mulheres sequiosos, daqueles que nunca deixam de procurar e sonhar, como Simeão; daqueles que sabem ver mais além, como Ana, e se encantam diante de um bebé, porque sentem Deus como futuro. Simeão esperava a consolação de Israel. Sabia esperar, como quem tem esperança. Como ele, o cristão é o contrário de quem não espera mais nada, mas que crê tenazmente que algo pode acontecer. Espera, os olhos, mesmo velados, tornam-se atentos, penetrantes, vigilantes, e veem: eu vi a luz preparada para os povos. A luz é Jesus, luz incarnada, carne iluminada, história fecundada. A salvação é Deus que vem e se deixa abraçar pelo homem, entretece a sua vida com a nossa. E com a vida de todos os povos, de todas as gentes.

Papa pede «diálogo» e «paciência» à Congregação para a Doutrina da Fé, que não deve basear-se em «teorias abstratas»
O papa recebeu hoje no Vaticano os participantes na assembleia plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, a quem pediu que tivessem sempre presente «as exigências do diálogo construtivo, respeitoso e paciente com os autores». «Se a verdade exige a fidelidade, esta cresce sempre na caridade e na ajuda fraterna para quem é chamado a maturar ou aclarar as próprias convicções», afirmou Francisco, citado pela Rádio Vaticano. Proteger «a integridade da fé é uma tarefa muito delicada», que o dicastério deve desempenhar «sempre em colaboração com os pastores locais e com as comissões doutrinais das conferências episcopais». A intervenção também alertou para o perigo de se procurar “converter” Deus ao pensamento dominante: «É grande, com efeito, a tentação de nos apropriarmos dos dons da salvação que vem de Deus para os domesticar – talvez até com boa intenção – à mentalidade e ao espírito do mundo. E esta é uma tentação que se repete continuamente».

Ateu em Wall Street, crente entre os últimos
Definindo-se ateu desde os 16 anos, desde sempre admirador da prosa cáustica de Richard Dawkins, Arnade reconsiderou a sua posição, impelido pela fé que encontrou entre os “left behind”, os últimos. Aqueles que na sua perspetiva deveriam ser os mais convictos defensores da não existência de Deus, dado o inferno em que se encontravam. E no entanto… «Sarah, 15 anos passados na rua, traz sempre uma cruz ao pescoço. Sempre. Michael, 30 anos nas ruas, traz um terço no bolso. Sempre. E em cada casa de consumidores de crack, no prédio mais abjeto e desolado, pode encontrar-se uma Bíblia aberta entre seringas, isqueiros e cachimbos de crack.» Takeesha, uma infância de abusos e uma vida que acabou no mercado do sexo, pediu ao seu entrevistador para ser apresentada assim: «Prostituta, mãe de seis filhos e filha de Deus». Escreve Arnade: «Somos todos pecadores. Nas ruas os viciados, os últimos, com as suas batalhas e a proximidade com a morte diárias, compreenderam-no visceralmente. Muitas pessoas de sucesso não. O seu sentido de si e a sua frieza emotiva anestesiaram a perceção da sua falibilidade».

Papa Francisco critica «perda do sentido do pecado» e «mediocridade cristã»
«Todos somos pecadores e todos somos tentados, e a tentação é o pão nosso de cada dia. Se algum de nós dissesse “nunca tive tentações”, ou é um anjo ou é um pouco tolo, não?», disse o papa. «Quando o Reino de Deus diminui, um dos sinais é que se perde o sentido do pecado», vincou Francisco, que se referiu à oração do Pai-nosso, na parte em que se pede «venha a nós o teu reino”», o que significa «cresça o teu reino». «O poder do homem no lugar da glória de Deus. Este é o pão de cada dia. Por isso, a oração de todos os dias a Deus “Venha o teu reino, cresça o teu reino”, para que a salvação não venha da nossa esperteza, da nossa astúcia, da nossa inteligência», afirmou. «[Há] muitos (…) que sofrem a nossa mediocridade cristã quando perdemos o sentido do pecado, quando deixamos que o Reino de Deus caia. Estes são os mártires dos nossos pecados não reconhecidos.»

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Eles deixaram a multidão e levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado. Iam com Ele outras embarcações. Levantou-se então uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água. Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Eles acordaram-no e disseram: “Mestre, não te importas que pereçamos?”.»

Ilustrarte 2014: Quando as imagens contam uma boa história | IMAGENS |
«Há muito que o sabemos. Quando se juntam imagens fabulosas a uma boa história, o resultado pode ser surpreendente. Os livros ilustrados podem ser objetos sedutores. Criam com os “leitores” uma empatia que perdura e os torna ávidos de mais e melhores imagens.» A 6.ª edição da Ilustrarte, Bienal Internacional de Ilustração para a Infância, apresenta no Museu da Eletricidade, em Lisboa, os trabalhos de 50 artistas de 17 países, selecionados a partir de dois mil ilustradores de 72 nações. Um júri internacional apurou os artistas, entre os quais se encontram os portugueses Bernardo Carvalho, Teresa Lima, André da Loba, Marta Monteiro, João Vaz de Carvalho e Ana Ventura.

— Agenda para hoje —

Lisboa
Visita guiada: Os edifícios históricos da Companhia de Jesus
Igreja de S. Roque, Museu Nacional de História Natural (antigo Noviciado da Cotovia), Hospital de S. José (antigo Colégio de Santo Antão-o-Novo), Colégio de Santo Antão-o-Velho (Coleginho)
Ponto de encontro: Museu de S. Roque
10h00
Participação gratuita, sujeita a inscrição prévia obrigatória (telef. 213 235 824/233/065/444)

Golegã
Conferência: A Alegria do Evangelho: os direitos das gerações futuras
Helena Pereira de Melo
Centro do Graal (Rua do Saldanha, 1)
10h30
Para saber mais: Graal – Movimento Internacional de Mulheres

Lisboa
Música: Concerto com a liturgia da Apresentação do Senhor no Templo
Coro Gregoriano de Lisboa

21h30

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É novo » 31.1.2014

Átrio dos Gentios debate moralidade, economia e sociedade secular no século XXI
A próxima edição do Átrio dos Gentios, instância da Igreja católica para o diálogo entre crentes e não crentes, que decorre em Budapeste a 4 e 5 de fevereiro, vai debater a moralidade, a economia e a sociedade secular no século XXI. A iniciativa é organizada localmente pela Conferência Episcopal da Hungria, em parceria com a Universidade Corvinus e a Universidade Católica Pazmány Péter, entidades que acolhem o evento. “Rumo a um regime totalitário da lei?”, “Questões morais na tecnologia de informação e biónica”, “O desencantamento da Economia, ou: Sentimentos morais em contexto secularizado”, “Dignidade humana, direitos e obrigações e ética ambiental” e “Pegada celestial” são os títulos de algumas das conferências.

Pontifício Conselho da Cultura lança inquérito sobre o estado da música sacra
O Pontifício Conselho da Cultura e a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, organismos da Igreja católica sediados no Vaticano, lançaram um inquérito sobre o estado da música sacra. A iniciativa, que tem uma «perspetiva pastoral», visa «todos» os aspetos ligados à música sacra, como liturgia, formação e concertos, com o propósito de refletir sobre os desenvolvimentos nos últimos 50 anos, após o Concílio Vaticano II (1962-1965). As 40 perguntas estão divididas em sete partes: “Formação dos cultores da Música para um serviço ministerial”, “Património musical”, “Cultura musical contemporânea” (a secção mais curta, com três questões), “Celebrações da Eucaristia, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas”, “Composição” (o capítulo com mais perguntas, dez), “Coro” e “Instrumentos”.

Universidades católicas devem mostrar «harmonia entre fé e razão» e resistir à diluição da sua identidade, diz papa
As universidades católicas, «pela sua própria natureza, estão empenhadas em mostrar a harmonia entre fé e razão, e a evidenciar a relevância da mensagem cristã para uma vida humana vivida em plenitude e autenticidade», frisou hoje o papa. No encontro que teve no Vaticano com uma delegação da universidade norte-americana de Notre Dame, Francisco vincou que é «essencial um testemunho corajoso das universidades católicas no que diz respeito ao ensinamento moral da Igreja e à defesa da liberdade de manter esses ensinamentos». «Isto é importante: a identidade própria, como foi desejada desde o início. Defendê-la, conservá-la, fazê-la avançar», afirmou.

Patriarca de Lisboa pede aos «servidores da justiça» para se deixarem iluminar pela «inspiração bíblica»
«Deixai-vos iluminar, de facto, pela inspiração bíblica, cada vez mais acolhida no coração e na inteligência, donde promane uma justíssima vontade», pediu esta quarta-feira o patriarca de Lisboa aos «servidores da justiça». As palavras de D. Manuel Clemente, publicadas no site do Patriarcado, foram proferidas na sé patriarcal lisboeta, durante a missa de abertura do novo ano judicial. O prelado mostrou-se convicto de que os agentes judiciais são «especiais colaboradores» do «Deus da justiça e da paz», para que estas «se pratiquem no mundo». O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa lembrou que «a Igreja serve a sociedade como “inspiração” e aproxima-se da justiça humana para lhe oferecer o que acredita convictamente ser uma divina potenciação».

Papa Francisco diz que «amar Cristo sem a Igreja» é uma «dicotomia absurda»
O papa Francisco afirmou hoje, no Vaticano, que é uma «fantasia» pensar que se pode manter uma relação próxima com Cristo ao mesmo tempo que se ignora ou menospreza a pertença à Igreja. «Não se compreende um cristão sem Igreja. E por isso o grande [papa] Paulo VI dizia que é uma dicotomia absurda amar Cristo sem a Igreja, escutar Cristo sem a Igreja, estar com Cristo à margem da Igreja. Não se pode», vincou na homilia da missa a que presidiu, segundo a Rádio Vaticano. O primeiro dos três pilares da pertença à Igreja é a «humildade»: «Uma pessoa que não é humilde, não pode sentir com a Igreja, sentirá aquilo que lhe agrada», apontou o papa. O segundo alicerce da pertença eclesial é a «fidelidade» à Igreja, «ao seu ensinamento», ao «Credo» e à «doutrina», que deve ser protegida: «Humildade e fidelidade». Por fim, o papa vincou a importância de «rezar pela Igreja».

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita.»

Maupal, criador do grafito do “SuperPapa”: Não vou à igreja mas gosto de Francisco; é o único a usar o poder para o bem
Na segunda-feira, com a escuridão a seu favor («em teoria é uma ação ilegal, faz-se sempre de noite»), Mauro Pallota, pintor de profissão, artista de rua por paixão, desenhou na parede de uma das ruas de Roma, a dois passos do Vaticano, o “SuperPapa”. «Precisamente pela empatia que consegue criar à sua volta, o papa é muito pop, e quis desenhá-lo pop, como numa banda desenhada. Os superpoderes de que o dotei representam o enorme poder de que dispõe, que ele usa, o único líder no mundo, para fazer o bem. É o único que faz aquilo que diz e diz aquilo que faz.» «Os heróis das bandas desenhadas americanos descendem dos da mitologia grega, e eu quis interpretá-lo nessa chave, mas com toques de humanidade, como o cachecol da equipa argentina do San Lorenzo, por quem ele torce, os sapatos velhos e aquela mala preta de que nunca se separa.»

“À procura de Deus”: Fotógrafo segue rituais e orações de cristãos, muçulmanos e sikhs | IMAGENS |
“À procura de Deus” é um «trabalho fotográfico subordinado ao tema religião e à forma como três religiões diferentes promovem as suas celebrações», explica o fotógrafo Duarte Silva na sua página. Ao longo de três meses, o autor acompanhou no Porto as orações, gestos, e rituais de crentes muçulmanos, sikhs e cristãos da Igreja ortodoxa, bem como os seus espaços e símbolos. A série de 21 imagens, que constituiu o trabalho final no curso profissional do Instituto Português de Fotografia, procura «estabelecer semelhanças e diferenças na busca de alguma proximidade a Deus», diz Duarte Silva, psicólogo clínico, citado pelo jornal “Público”.

— Agenda para hoje —

Porto
Música: Concerto
Coro de S. Veríssimo
Igreja do Corpo Santo de Massarelos
21h30
Entrada livre

É novo » 30.1.2014

Caminhos para Deus (2): Independência
Aqueles que trilham o caminho da independência tomaram a decisão consciente de se separar da religião organizada, mas continuam a acreditar em Deus. Talvez considerem que as celebrações e serviços oferecidos nas igrejas não fazem sentido, são ofensivos, maçadores, ou tudo isto ao mesmo tempo. Talvez tenham sido magoados. Talvez tenham sido insultados (ou abusados) por um padre, pastor, rabino, ministro ou imã. Ou então sentem-se ofendidos por certos dogmas da religião organizada. Ou pensam que os líderes religiosos são hipócritas. Um ponto forte das pessoas que percorrem este caminho é a sua saudável independência, que os torna aptos a ver as coisas de maneira nova e refrescante, algo que por vezes as suas antigas comunidades de fé necessitam desesperadamente. O principal perigo deste grupo, contudo, é um perfecionismo que rejeita qualquer tipo de religião organizada.

“O lugar de Deus no mundo”: Novo livro sintetiza pensamento de Bento XVI sobre poder, política e lei moral
«O pontificado de Bento XVI chegou ao fim mas o seu magistério sobre a liberdade perdurará enquanto os corações humanos se acenderem com a centelha da liberdade humana e desejarem ardentemente o fogo do amor divino.» É com estas palavras que Paul Ryan, candidato católico do Partido Republicano para o cargo de vice-presidente dos EUA nas últimas eleições, conclui o prefácio ao livro “Joseph Ratzinger/Benedetto XVI. Il Posto di Dio nel mondo. Poter, politica, legge” (O lugar de Deus no mundo. Poder, política, lei), coordenado por Stefano Fontana. «Na minha experiência, os católicos que assumem cargos de governo são tentados a relegar a sua consciência pessoal para compartimentos separados das suas tomadas de posições públicas, como se a consciência fosse uma questão privada sem relevância para o bem comum. Mas cada decisão política deve ser avaliada com base em normas morais objetivas, não com base nas sondagens», acentua o responsável.

Nos 100 anos do nascimento de Etty Hillesum
Amigos seus que haviam passado à resistência expuseram-lhe todos os perigos que corria, queriam que ela fugisse enquanto era tempo, ameaçaram mesmo forçá-la, mas a todos respondeu que não a entendiam. O que Ettty intui fulgurantemente é que a experiência daquele inferno exige uma reinvenção humana radical. “Vou ter de achar uma linguagem nova”, escreveu ela. Olhamo-la no campo de concentração, primeiro como voluntária e feita depois prisioneira, atravessando o lamaçal, esgotando-se em atenções aos deportados, ela própria ferida por dores violentas, mas sempre à procura de uma janela donde se alcance um fragmento de céu. A sua escrita aparece povoada de dilacerantes interrogações, é verdade: “Às vezes pergunto-me, num momento difícil como esta noite, quais são os planos que tens para mim, ó Deus”. Mas o traço mais forte é o de uma inexplicável confiança: “Quando ontem, às duas da manhã, finalmente cheguei lá acima e me ajoelhei quase nua, no meio do quarto, totalmente deprimida, eu disse de repente: ‘Hoje, vendo bem, vivi coisas grandiosas'”.

Um fim de semana com Eugénio de Andrade e Tolentino Mendonça
Siza Vieira salientou que o “ostinato rigore” perseguido na escrita de Eugénio de Andrade é também o desígnio fundamental demandado pela Arquitetura. Considerou que, sem este modo de depuração, nenhuma obra de arte suscitará a vibração estética que permita transcender-se acima da sua materialidade. Tolentino Mendonça elogiou no autor de “Os sulcos da sede” o pertinaz esforço de rigor, que elevava os seus poemas até à vizinhança da perfeição. Concordou que a sensualidade ciciada na sua poesia sugere uma ressonância que vai para lá do corpo e lembrou que, não obstante assumir um pessoal anticlericalismo, o poeta ocidental que mais admirava era S. João da Cruz. No dia seguinte, também no Porto, Rosa Maria Martelo analisou o livro “A papoila e o monge”, do padre e poeta madeirense.

Papa Francisco apela aos pais para fazerem «todos os possíveis» para que os filhos recebam o Crisma
O papa Francisco convidou na quarta-feira os católicos a darem mais atenção ao sacramento do Crisma e a pedirem-no para os seus filhos, quando chega a idade de o receberem, para que não fiquem apenas pelo Batismo. «Todos nós nos preocupamos para que [as crianças] sejam baptizadas; e isso é bom. Mas talvez não tenhamos tanta preocupação que recebam o Crisma: ficam a meio caminho», afirmou Francisco na audiência geral que decorreu esta manhã no Vaticano. Tirando os olhos do discurso que preparou, o papa lançou um apelo: «Se em vossa casa tiverdes crianças, jovens, que ainda não o receberam e estão em idade de o receber, fazei todos os possíveis para que se complete esta iniciação cristã e que recebam a força do Espírito Santo».

A Igreja em Portugal e no mundo: síntese de 29.1.2014
Acompanhe a atualidade da Igreja católica através dos principais títulos das agências de notícias.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Quem traz uma lâmpada para a pôr debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não se traz para ser posta no candelabro? Porque nada há escondido que não venha a descobrir-se, nem oculto que não apareça à luz do dia. Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça».

Pete Seeger, um homem de fé | VÍDEO |
Não há muitos anos, quem passasse por uma das estradas que sai de Beacon, perto de Nova Iorque, poderia ter-se cruzado com um homem postado na berma, de pé, segurando um cartaz com a palavra “Paz”. Esse homem era Pete Seeger. Mesmo após os 90 anos, costumava sair de casa durante cerca de uma hora, quando o tempo estava bom, para segurar o seu cartaz, simplesmente porque era uma coisa boa de ser feita.Toda a minha vida gostei da música de Pete Seeger. Gostava da sua guitarra e do seu banjo. Gostava dos convites que lançava para cantarmos com ele. Gostava das coisas sobre as quais ele cantava. E a partir do que fui conhecendo da sua vida, gostava da sua lealdade. Pete cantou em muitas igrejas, mas não era crente numa religião organizada. Acreditava na humanidade e no nosso poder de permanecermos juntos e fazermos do mundo um lugar melhor.

— Agenda para hoje —

Lisboa
Ciclo de debates: “Uma Igreja despojada”
Auditório da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (R. Saraiva de Carvalho)
21h30
Entrada livre
Para saber mais: Pastoral da Cultura

É novo » 29.1.2014

Caminhos para Deus (1): Crença
Há tantos caminhos para Deus como pessoas na Terra. Pode acontecer que já tenha percorrido mais do que um ao longo da sua vida, ou até sentir que já andou por vários ao mesmo tempo. Para as pessoas deste caminho, a crença em Deus fez sempre parte das suas vidas. Nasceram em famílias religiosas ou foram introduzidas na religião desde cedo. Passam pela vida com mais ou menos confiança na sua crença em Deus. A fé foi sempre um elemento essencial das suas vidas. Rezam regularmente, vão a celebrações religiosas frequentemente e sentem-se à vontade a falar de Deus. As suas vidas, tal como todas as vidas, não estão isentas de sofrimento, mas a fé dá-lhes a capacidade de enquadrar a dor num contexto de sentido. Nenhum dos caminhos para Deus está livre de perigos. Uma das armadilhas de quem percorre a via da crença é a incapacidade de perceber as pessoas que viajam noutras estradas, a par de uma tentação para as julgar pelas suas dúvidas ou falta de crença.

Relação entre fé e verdade deve ser procurada não só com a mente, mas também com o coração, aponta papa Francisco
O «amor» é um critério essencial para apurar a relação entre fé e verdade, considera o papa, que esta terça-feira revelou os vencedores da edição de 2013 dos prémios das academias pontifícias, a que concorreram trabalhos centrados na obra de S. Tomás de Aquino. A relação entre fé e verdade deve ser procurada «não só com os olhos da mente, mas também com os do coração, isto é, na perspetiva do amor», sublinha Francisco. «A fé conhece na medida em que está ligada ao amor, já que o próprio amor traz uma luz. A compreensão da fé é aquela que nasce quando recebemos o grande amor de Deus, que nos transforma interiormente e nos dá olhos novos para ver a realidade», assinala. A «”oculata fides”, uma fé que vê», que o doutor da Igreja assinala, implica «consequências importantes seja para o agir dos crentes, seja para o método de trabalho dos teólogos», frisa Francisco.

Nova “Brotéria”: S. Bernardo e Barnett Newman, Afeganistão, Caminho de Santiago, educação para os valores
A ascese em S. Bernardo e no artista contemporâneo Barnett Newman, uma experiência de ensino à distância em campos de refugiados, o mosaico do Afeganistão, a importância do Caminho de Santiago para a Europa e o ensino dos valores constituem alguns dos temas da mais recente edição da revista “Brotéria” (dezembro/2013). Na primeira parte do artigo “A estética de S. Bernardo e a poética de Newman”, identificam-se as principais características do pensamento estético do primeiro, «com o objetivo de verificar os pontos de contacto com o ascetismo no pensamento e na prática artística». Num segundo momento, a autora, Sofia Arez, procura «a ressonância» dos princípios enunciados pelo impulsionador dos cistercienses (1090-1153) na realização da obra “The Stations of the Cross: Lema Sabachtani”, do pintor norte-americano Barnett Newman (1905-1970).

Dia Mendel: Filósofos, cientistas, médicos e historiadores debatem fé e ciência
O monge agostiniano austríaco Gregor Mendel (1822-1884), autor de importantes descobertas na área da genética e enunciador as leis da hereditariedade, é o patrono de debates que vão decorrer em mais de duas dezenas de cidades italianas. A segunda edição do “Mendel Day”, que decorre entre fevereiro e março, reúne historiadores, filósofos, médicos, engenheiros e cientistas que pretendem contribuir para «uma leitura da relação entre ciência e fé fundada, e não ideológica», revela a agência de notícias SIR. Recordar que «a genética penetra a inteligência do Criador colocada no criado», que a vida é uma realidade «que obedece a leis e ao mesmo tempo aprofunda o Mistério», perspectivar o ser humano enquanto «religioso» e estranho a todo o «reducionismo materialista» constituem algumas das convicções que sustentam a iniciativa.

Leitura: “A bibliotecária de Auschwitz”
Oito livros, apenas, fizeram aquela que terá sido, talvez, a mais pequena biblioteca infantil do mundo. Existiu num local insuspeito, de forma clandestina, e serviu de janela aberta ao mundo para um grupo de crianças. As obras escondidas no barracão 31 foram como que a liberdade, ainda que condicional, do campo de concentração: «Nesse lugar horrível, onde quando olhas para fora apenas vês chaminés que deitam as cinzas das pessoas queimadas, vês lama, gente armada e cães a ladrar, de repente entras num barracão, abres um livro, e esse livro leva-te para as pirâmides do Egito, para a Revolução Francesa ou para a conquista da América», diz o autor de “A bibliotecária de Auschwitz”. «O livro acaba por ser uma janela, uma espécie de passaporte, de helicóptero que te tira dali por um instante», salientou Antonio Iturbe: «Os livros não podem mudar a realidade atroz ou transformá-la de forma mágica. Mas, no mínimo, podem permitir um momento de pausa. É como se a escrita fosse um parêntesis para que a vida não nos caia em cima».

Mais depressa nos entusiasmamos com um golo no futebol do que no louvor a Deus, diz papa, que convida à alegria na oração
O papa Francisco vincou hoje, no Vaticano, a importância da oração de louvor a Deus, que muitas vezes causa menos estímulo do que a alegria provocada pelos golos marcados num desafio de futebol. «A oração de louvor é uma oração cristã para todos nós. Na missa, todos os dias, quando cantamos o “Santo”. Louvamos Deus pela sua grandeza, porque é grande. E dizemos-lhe coisas belas, porque a nós nos agrada que seja assim, afirmou, citado pela Rádio Vaticano. «“Mas, padre, eu não sou capaz…” Mas és capaz de gritar quando a tua equipa marca um golo, e não és capaz de cantar o louvor ao Senhor? De sair um pouco da tua compostura para o cantar? Louvar Deus é totalmente gratuito. Não pedimos, não agradecemos: louvamos», afirmou na homilia da missa a que presidiu.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Escutai: Saiu o semeador a semear. Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram as aves e comeram-na. Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; logo brotou, porque a terra não era funda. Mas, quando o sol nasceu, queimou-se e, como não tinha raiz, secou. Outra parte caiu entre espinhos; os espinhos cresceram e sufocaram-na e não deu fruto. Outras sementes caíram em boa terra e começaram a dar fruto, que vingou e cresceu, produzindo trinta, sessenta e cem por um.»

— Agenda para hoje —

Porto
Encontros Veritati: A arte de ser professor
José Tolentino Mendonça
Universidade Católica (Foz, Auditório Carvalho Guerra)
11h30
Entrada livre, sujeita a inscrição

Padrão de Légua, Matosinhos
Música: Concerto
Coro Gregoriano do Porto
Igreja paroquial
21h30

É novo » 28.1.2014 (2)

Ator Nicolau Breyner e escritora Sara Rodrigues intervêm em ação formativa do clero do Sul
O Instituto Superior de Teologia de Évora (ISTE) convidou o ator Nicolau Breyner e a escritora Sara Rodrigues para o encontro formativo do clero da Província Eclesiásistica do Sul, que decorre desde esta segunda-feira em Portimão. O painel “O que esperamos e desejamos da Igreja”, agendado para o último dia de trabalhos, quinta-feira, conta também com a participação de António Marujo, jornalista especialista em temas de religião, revelou ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura o presidente do Conselho Geral do ISTE, cónego José Morais Palos. «Vamos ter um painel onde ouviremos sensibilidades do mundo da cultura, da literatura ou do espectáculo”, explicou em declarações à Renascença: «São áreas que hoje em dia envolvem muitas pessoas e afetam as suas vidas, daí ser importante ouvir estes setores”, acrescentou.

É novo » 28.1.2014

Cristãos e judeus, crentes de boa memória
O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é um momento privilegiado de ética partilhada, uma ocasião que a humanidade se dá para exercitar o discernimento entre o que é bem e o que é mal, para reconhecer que nas negras épocas de barbárie, a responsabilidade das próprias ações – e dos pensamentos que as movem – é pessoal. Um dia, por isso, em que faz bem a todos recordar: a quem pretenderia esquecer, porque a dor sofrida é demasiado grande, e a quem pretenderia fazer-se esquecer, porque foi cúmplice dessa dor. E recordar faz bem igualmente, e sobretudo, a quem não viveu o inferno da Shoah, nem diretamente nem através de pessoas queridas. «Fazer memória em conjunto» significa também admitir que infelizmente, por mais de 19 séculos, a atitude dos cristãos quanto aos judeus foi modelada pela emulação, pela condenação, pelo desprezo, pela perseguição, ou seja, foi um antijudaísmo que perdurou, nunca contradito de forma decisiva por parte das instituições, dos magistérios, das vozes autorizadas das diversas Igrejas.

Medo e Utopia
Esvaziar significaria soltar o que no tempo trancámos dentro e fora de nós, e tornámos refém, prisioneiro, impedindo que partes de um hipotético Bem Comum pudessem assim chegar e circular por todos – nutrindo-os como seiva que tudo permeia e vitaliza, alegre, livre, sem dono. Mas à imagem do que o espaço Schengen se propôs alcançar, também aqui, para que a anulação de paredes, de portas e janelas, de chaves e fechaduras se tornasse real e efetiva sustentabilidade individual, seria estritamente necessário que todos decidissem ser não amealhadores e proprietários de riqueza, mas seus distribuidores, canais por onde esta circulasse, sem interrupção. Falou-se tanto de cidadania em 2013, mas a verdade é que o medo de abruptamente se ficar em Portugal, na Europa, no mundo, sem família, casa, trabalho, saúde, dinheiro… reflete o quão a sociedade, no seu todo, é incapaz de acomodar e respeitar a dignidade de cada um.

Que as lágrimas do Holocausto se convertam em compromisso para que o horror não se repita: Papa evoca Dia da Memória
O papa Francisco enviou uma carta ao rabino Abraham Skorka, seu amigo desde o tempo em que habitava em Buenos Aires, onde expressa o desejo de que as lágrimas causadas pelo Holocausto se convertam em compromisso para que acontecimentos semelhantes não se repitam. A missiva vai ser lida na tarde desta segunda-feira, em Itália, durante o concerto “Os violinos da esperança”, organizado para recordar as vítimas da “Shoah”, revela a Rádio Vaticano. O público, escreve Francisco, vai ouvir música de Vivaldi, Beethoven e outros grandes compositores, «mas o coração de cada um dos presentes sentirá que por trás do som da música vive o som silencioso das lágrimas históricas, lágrimas daqueles que deixam traços na alma e no corpo dos povos».

S. Tomás de Aquino: homem de cultura para quem há «harmonia natural» entre fé e razão
Em última análise, Tomás de Aquino mostrou que entre fé cristã e razão subsiste uma harmonia natural. E foi esta a grande obra de Tomás, que naquele momento de desencontro entre duas culturas – naquele momento em que parecia que a fé devia render-se perante a razão – demonstrou que elas caminham a par e passo, que quanto parecia ser razão não compatível com a fé não era razão; e aquilo que parecia ser fé não era tal, enquanto se opunha à verdadeira racionalidade; deste modo, ele criou uma nova síntese, que veio a formar a cultura dos séculos seguintes. Ele foi denominado o Doctor Angelicus, talvez pelas suas virtudes, de modo particular pela sublimidade do pensamento e pureza da vida. A Igreja evoca a 28 de janeiro o autor da Suma Teológica.

“Terra Seca”: Mário Laginha Novo Trio convoca piano, contrabaixo e guitarra portuguesa | ÁUDIO |
Um piano, um contrabaixo e uma guitarra portuguesa: assim nasceu o Mário Laginha Novo Trio. O pianista de jazz juntou-se a um dos seus habituais cúmplices, o contrabaixista Bernardo Moreira, e convocou uma guitarra portuguesa, tocada por Miguel Amaral. «A presença que à partida seria estranha é a da guitarra portuguesa; e esta estranheza não é apenas a da instrumentação, mas do tipo de música que tocamos. Quando se fala em guitarra portuguesa, as pessoas pensam em fado. Eu continuo a acreditar que ela pode ir além do fado, e atraiu-me muito experimentar», explica Mário Laginha. «A terra seca é, por norma, uma zona pouco habitada, onde é preciso fazer um esforço para a tornar fértil. E eu achei que, musicalmente, estávamos a ir para uma região pouco habitada. E isso tem um lado fascinante porque é preciso ir à procura, é preciso torná-la fértil.»

Papa Francisco elogia padres e bispos que dão a vida no anonimato e são esquecidos pelos média
O papa Francisco salientou esta segunda-feira a ação silenciosa que padres e bispos realizam todos os dias no anonimato e no silêncio, e lamentou que os média deem mais realce aos maus exemplos do que ao trabalho positivo realizado pela maioria do clero. «Na história conhecemos uma mínima parte, mas quantos bispos santos, quantos sacerdotes, quantos padres santos que deixaram a sua vida ao serviço das dioceses, da paróquia; quanta gente recebeu a força da fé, a força do amor, a esperança, destes párocos anónimos, que não conhecemos. São tantos», afirmou o papa no Vaticano. «“Mas, padre, li num jornal que um bispo fez tal coisa ou que um padre fez aquilo!”. “Sim, eu também li; mas, diz-me, nos jornais vêm as notícias daquilo que fizeram tantos sacerdotes, tantos padres em tantas paróquias de cidade e do campo, tanta caridade que fizeram, tanto trabalho que fazem para levar por diante o seu povo?”. Ah, não! Isso não é notícia», apontou o papa.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Quem é minha Mãe e meus irmãos?» E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: «Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe.»

A Igreja em Portugal e no mundo: síntese de 27.1.2014

É novo » 27.1.2014

Papa Francisco pede à Igreja para não ter medo de se misturar com os «gentios»
O papa Francisco afirmou hoje, no Vaticano, que os católicos não devem ceder à tentação de se isolar do mundo, como se estivessem refugiados numa fortaleza, e lembrou que Cristo escolheu pessoas e lugares da periferia para começar a sua missão. A Igreja encontra-se hoje numa situação análoga: «Também nós estamos imersos a cada dia numa “Galileia dos gentios”, e neste contexto podemos ter medo e ceder à tentação de construir recintos para estar mais seguros, mais protegidos». «Mas Jesus ensina-nos que a Boa Nova, que Ele traz, não é reservada a uma parte da humanidade, é para comunicar a todos. É um anúncio feliz destinado a quantos o esperam, mas também a quantos talvez não esperam mais nada e não têm sequer a força de procurar e de pedir», assinalou. Ao partir de uma região remota, Jesus «ensina que ninguém é excluído da salvação de Deus», que «prefere partir da periferia, dos últimos, para chegar a todos», o que impõe à Igreja «sair da própria comunidade e ter a coragem de chegar a todas as periferias».

Procura-se um deserto
É necessário, de quando em vez, fazermos uma paragem na vida. Paragem semelhante à daqueles que, andando pelo deserto, ficam algum tempo no oásis que encontram. Saem dali refeitos, enriquecidos e animados. Também nós sairemos enriquecidos dos momentos de deserto que criarmos. Depois disso, teremos melhores condições de enfrentar a vida de cada dia, com os seus problemas, desafios e solicitações. Sairemos de nossos desertos convictos de que nesses tempos que periodicamente nos concedemos, longe de nos isolarmos num egoísmo estéril, estaremos a criar melhores condições para estabelecer um encontro leal, profundo e sincero connosco mesmos, com os outros e com Deus.

Educar para a virtude e beleza
Os nossos jovens querem ver os ideais do Evangelho vividos na nossa vida. Uma das piores consequências do escândalo de pedofilia na Igreja é que, nela, se possa instalar um cinismo em relação ao chamamento à santidade. Corremos o risco de sermos soterrados pelo mau exemplo de padres e bispos, e é preciso que lembremos as pessoas que sempre houve santos e pecadores na Igreja. A missão da Igreja é chamar todos à conversão. Temos os nossos sucessos e os nossos fracassos. Os santos são a história de sucesso que os nossos jovens precisam de conhecer. E como até os santos foram pecadores, a sua história ajuda os jovens a ver que nós, seus mentores, nos debatemos no mesmo caminho de santidade.Queremos partilhar com as gerações futuras aquilo que descobrimos: nomeadamente, que quem é católico tem uma vida boa e vive com a certeza de ter uma vocação pessoal e uma missão comunitária. A nossa tarefa é ajudar as pessoas a entrever a Beleza que salva e ajudar a alimentar esse desejo de Beleza.

“Invisíveis”: Cáritas produziu documentário após curso audiovisual com pessoas sem-abrigo | VÍDEO |
A Cáritas da diocese espanhola de Cádis e Ceuta apresentou a curta-metragem “Invisíveis”, fruto de um curso audiovisual que decorreu no último trimestre de 2013, no qual participaram sete pessoas sem-abrigo. O documentário, que reflete a trajetória pessoal dos protagonistas e como encaram o futuro, torna presente o trabalho que a instituição católica de apoio social através dos seus voluntários e profissionais.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão.