É novo » 29.8.2012

Oração sem fé vai a pé
Muitos continuam a tentar controlar e manipular um pequeno e não muito simpático Deus com subornos, promessas e observâncias religiosas desprovidas de adesão interior. Aquele pobre cobrador de impostos, permanecendo ao longe, com a cabeça inclinada, compreendeu o que está em jogo na oração e na devoção.

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É novo » 28.8.2012

Santo Agostinho: prece pela compreensão das Escrituras
«Há muito que desejo ardentemente meditar na tua Lei, e nela confessar-te a minha ciência e a minha ignorância, os primeiros vislumbres da tua iluminação e os vestígios das minhas trevas, até que a fraqueza seja devorada pela fortaleza.» A Igreja Católica evoca esta a memória de Santo Agostinho, de quem Bento XVI, na primeira de cinco catequeses que lhe dedicou, disse: «Raramente uma civilização encontrou um espírito tão grande, que soubesse acolher os seus valores e exaltar a sua intrínseca riqueza, inventando ideias e formas das quais se alimentariam as gerações vindouras».

Dormir em mosteiros (III): Carmelo de Bande | IMAGENS |
Dizem os filólogos que Bande significa lugar de passagem. Mas aqui apetece ficar, entre o pequeno bosque de choupos, os terrenos cultivados ou o pomar com uma enorme diversidade de árvores de fruto. E falar de apetite não é despropositado neste mosteiro: «Deus é a eternidade constante, mas a eternidade não é algo estático, é uma novidade que cumula todo o desejo». Cheira ainda a novo, o edifício – mesmo se leva já uma década neste lugar, uma aldeia do concelho de Paços de Ferreira. No resto do espaço, vê-se que foi obra dar ao sítio o aspeto que ele tem hoje. Plantar árvores, cultivar a horta, humanizar o lugar. Dar beleza aos caminhos, com um jardim de oliveiras e cerejeiras, noivas-da-floresta e árvores de folha caduca, ervas aromáticas e plantas medicinais, frutos silvestres e medronhos, morangos e framboesas. Talvez seja também por isso que, veremos adiante, sorriem muito, estas irmãs.

A dignidade da política
O maquiavelismo ficou como uma corrente, de narrativa histórica volumosa, abrangente de procedimentos já não necessariamente militares e violentos, mas do exercício de enganos públicos e privados, de quebras de lealdades, em suma, de falta de autenticidade, isto é, de coerência entre o discurso e a ação. O século XX teve e sofreu exemplos devastadores desta atitude, que tem o êxito como valor, e o desastre ético como resultado final: o nazismo e o sovietismo foram molduras de conceitos estratégicos exercidos por homens que cultivaram minuciosamente o maquiavelismo. Foram essas tragédias, marcadas pelas guerras chamadas mundiais, mas de facto ocidentais, de 1914-1918 e 1939-1945, que fizeram regressar a importância do condicionamento do poder político, na conquista, no exercício, e na defesa, pela ética, e a tentar condicionar o processo da globalização pela ética internacional.

Leitura: A Anunciação à Virgem Maria na religiosidade popular do interior da Beira
«Depois de 100 vezes Ave-Maria rezar/ Depois de 100 vezes Jesus, Maria e José nomear/ Depois de 100 vezes o chão beijar/ Depois de 100 vezes água benta tomar/ Depois de 100 vezes me persignar.» As orações populares à Virgem Maria, naquele que é o mistério fundador do Cristianismo: a Anunciação do Anjo da Sua maternidade divina, retocadas, transformadas e adaptadas no fio do tempo pelos ventos das heresias ou por outros sentimentos religiosos, foram nas povoações da Beira, até à década de 60 do século XX, meio e veículo de expressões e de vivências muito particulares. Conheça algumas das preces marianas recolhidas nesta obra.

É novo » 27.8.2012

Semana Mundial da Água: a água na Bíblia | IMAGENS |
De 26 a 31 de agosto decorre em Estocolmo, na Suécia, a Semana Mundial da Água. Essencial à vida, a água está no centro de inúmeras narrativas históricas da Bíblia e em seu torno foram construídas imagens e alusões. A precipitação média de chuva na Palestina é suficiente para a agricultura, mas o país tem falta de rios, de correntes de água perene e de lagos, sendo, por isso, mais árido do que a Europa ou a maior parte das Américas. A estepe e o deserto são realidades próximas. Daí a Bíblia demonstrar uma clara consciência do valor da água e das terríveis consequências da sua falta. No batismo a imersão na água é a morte do neófito para o pecado e para si mesmo; mas a água é, simultaneamente, água da vida eterna.

A santa sem nome
Era uma vez uma pequena que servia numa quinta – já não se sabe onde… Esta jovem parecia de tal maneira insignificante que só a chamavam por “Ei, tu aí”, “Psst, pequena” ou “Ó miúda”. O seu nome havia sido completamente esquecido e ela própria também já não o recordava.

Música: “Vésperas” de Monteverdi | VÍDEOS |
A música barroca – principalmente a sacra – é para ser fruída em termos de arquitetura, com os templos funcionando como gigantescas caixas de ressonância. As várias naves, transepto, capelas e tribunas altas prestam-se aos mais variados contrastes sonoros. Distribuindo solistas, coros e instrumentistas por diversos planos e níveis, pode-se jogar com os coros à distância (cantar lontano), vindos de todas as direções e alturas, e obter efeitos estereofónicos do tipo sensurround. Na esteira do Sursum corda (“Corações ao alto!”), assiste-se a uma verdadeira levitação sonora. O canto vem do alto dos céus (como deve ser). O ar vibra, reforçado pelas reflexões na pedra da estrutura arquitetónica; a água batismal e as labaredas do Espírito Santo fornecem os restantes elementos. A leitura do cantar Lontano é magistral. Num exercício arrojado de literatura comparada, Mencoboni vai às raízes latinas e hebraicas do texto para encontrar o seu verdadeiro significado e, assim, o tom justo da música.

É novo » 26.08.2012

Albino Luciani nasceu há 100 anos e a 26 de agosto de 1978 tornou-se João Paulo I, o «papa do sorriso» | IMAGENS |
«”Chamar-me-ei João Paulo”. Eu não tenho nem “a sabedoria de coração” do Papa João, nem a preparação e a cultura do Papa Paulo. Estou, porém, no lugar deles e devo procurar servir a Igreja. Espero que me ajudeis com as vossas orações.» «O humilde Vigário de Cristo, que, de ânimo tímido mas cheio de confiança, inicia a sua missão, está inteiramente pronto a servir a Igreja e a sociedade civil, sem qualquer discriminação de raças ou de ideologias, com o objetivo de que para o mundo nasça um dia mais claro e mais suave.» Nasceu há 100 anos (17.10.1912) o cardeal italiano Albino Luciani, que a 26 de agosto de 1978 escolheu o nome de João Paulo I para suceder a Paulo VI. No dia 1 de setembro enviou uma carta ao legado pontifício ao Congresso Mariano do Equador. A personalidade escolhida: cardeal Joseph Ratzinger, então arcebispo de Munique e hoje papa Bento XVI. Recordamos alguns excertos do seu breve pontificado.

Fé, esperança e caridade segundo João Paulo I
Têm surgido de vez em quando no decurso dos séculos afirmações e tendências de cristãos demasiado pessimistas quanto ao homem. Mas tais afirmações foram desaprovadas pela Igreja e esquecidas graças a uma falange de santos alegres e ativos, graças ao humanismo cristão, aos mestres de ascética que Saint-Beuve chamou “les doux” e graças ainda a uma teologia compreensiva. São Tomás de Aquino, por exemplo, coloca entre as virtudes a iucunditas ou seja a capacidade de converter num sorriso alegre — na medida e no modo conveniente — as coisas ouvidas e vistas. Declarando ser virtude gracejar e fazer sorrir, São Tomás encontrava-se de acordo com a “alegre nova” pregada por Cristo, com a hilaritas recomendada por Santo Agostinho. Vencia o pessimismo, revestia de alegria a vida cristã, convidava-nos a tomar ânimo também com os gozos sãos e puros que se nos deparam no caminho”.

A Igreja Católica e a chegada de Neil Armstrong à Lua | VÍDEO + IMAGENS |
«Glória a Deus no alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade»: foram estas as primeiras palavras que o papa Paulo VI dirigiu aos primeiros astronautas a pisar a Lua, entre eles Neil Armstrong, que morreu este sábado aos 82 anos. «O homem tem um impulso natural para explorar o desconhecido, de conhecer o desconhecido; contudo o homem também tem medo do desconhecido. A vossa bravura transcendeu esse medo, e através de vossa intrépida aventura o homem deu mais um passo no sentido de conhecer mais do universo; nas suas palavras, senhor Armstrong, “um salto gigantesco para a humanidade”», disse mais tarde ao receber a tripulação da Apolo 11.

Seja feita a vossa vontade
Se eu peço o que é necessário à salvação, serei sempre acolhido. Mas se eu peço o que me parece necessário à salvação, serei ouvido segundo a substância do meu pedido, e não necessariamente segundo o seu teor explícito. Daí a condição “se é verdadeiramente de acordo com a tua vontade, com o teu amor” deve estar sempre subentendida numa prece dirigida a Deus.

É novo » 25.8.2012

Cinema: Brave-Indomável, uma princesa entre a infância e a idade adulta | VÍDEO + IMAGENS |
“Brave – Indomável”, nascido da aliança dos estúdios Walt Disney e Pixar, é um filme que nada deve ao acaso e o seu argumento foi trabalhado para atrair as crianças e os adultos que as acompanham. Foi dada especial atenção aos cenários e à estética, e o filme, de uma ponta à outra, é um encantamento visual. O cabelo abundante, ruivo, luminoso e quente de Merida que atravessa as florestas sombrias é um regalo para os olhos. Mas os criadores do filme convocaram também a tradição europeia dos contos de fadas. Em torno de Merida as duas principais personagens são a mãe e o urso, dois fundamentos da psicologia do ser humano.

É novo » 24.8.2012

Exposição mostra encontro da fé cristã com arte contemporânea
A mostra “Arte + Fé – Encontro da fé com a arte contemporânea” vai reunir instalações, performances, pinturas e fotografias de criadores católicos, ortodoxos e protestantes dos EUA, Japão, Holanda, Libéria, Austrália e Filipinas, entre outros países, revela uma nota enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. A exposição «resulta de uma rigorosa seleção, entre mais de três mil artistas a nível mundial, escolhidos pela qualidade do seu trabalho na arte contemporânea, cuja linguagem fraturante lança pontes entre a arte e a fé e abre caminhos para o encontro com o Infinito», acrescenta o comunicado.

Presidente da Comissão Episcopal da Cultura dirige pela primeira vez peregrinação aniversária a Fátima
«A programação do Santuário convida (…) a ter presente a situação, em muitos casos aflitiva, da nossa sociedade. Com realismo, a nossa condição de discípulos de Jesus Cristo fundamenta que sejamos cultivadores da esperança. Cada um pode e deve, a todos os níveis, fazer o que estiver ao seu alcance. Só podemos ter a certeza de mudança naquilo que cada um se dispuser a mudar», frisou D. Pio Alves.

Acerca do ócio cristão | IMAGENS |
Pode defender-se que o ócio nos dá uma outra visão de nós mesmos, do outro e do mundo, visão a que se poderá chamar “órfica”, por oposição à atividade laboral que persegue de preferência um princípio prometeico. Orfeu canta Deus, a natureza, o outro. O seu canto não é interessado, não se compraz na vontade de poder e na procura do útil. Orfeu maravilha-se, agradece, rejubila e recebe através do seu canto a plenitude da realidade. Escreve Rilke sobre Orfeu: «O canto que tu mostras não é cobiça, não procura uma meta que seja alcançada ao final. Canto é existência.» Karl Rahner chama ao ócio o tempo das musas, «o tempo musical»: «O tempo musical é relaxamento, algo que não se projeta nem se produz, tornar-se disponível e confiar nas insuperáveis forças da existência, esperar o irromper de algo de incalculável e de oferecido, acolhimento da graça, o sentido sem objetivo.»

Machico, história e encantamento | IMAGENS |
«Machico começa rente ao mar», descreve o poeta e sacerdote Tolentino Mendonça. «A baía é uma forma natural», mas a segunda maior cidade da ilha da Madeira «prolonga-se por um vale que cresce para o interior da terra. O mar é cinzento e de um azul esverdeado. A terra é verde.» Apesar de ser uma «cidade relativamente pequena», a «impressão que temos não é essa», afirma. «Gosto da experiência do tempo que temos ali. Não é que esteja suspenso, mas é mais amplo.» Machico é o palco da lenda, a lenda de Machim e de Ana e do seu amor infortunado», associa Tolentino Mendonça. Recorda, assim, a história do nobre inglês e de Anne d’Arfet que, fugidos de Bristol por amor e afastados da costa francesa pela tempestade, terão «descoberto» a baía que é hoje Machico oito décadas antes de os portugueses a terem reclamado. «Essa disponibilidade para conjugar história e encantamento como que se mantém».

É novo » 23.8.2012

Cinema: Júri católico do Festroia vai ser composto por jornalista da Renascença e padre de Setúbal
A jornalista Maria João Costa, da Renascença, e o padre Daniel Nascimento, da diocese de Setúbal, vão integrar o júri católico do Festroia 2012, em representação da Signis, Associação Católica Mundial para a Comunicação, que atribui um prémio no festival. «É um desafio e uma oportunidade para ver e apreciar uma cinematografia independente que se demarca do “cinema-pipoca”», afirmou Maria João Costa. O sacerdote, por seu lado, vai com expectativas «elevadas» para o Festroia, «festival prestigiado» que decorre de 21 a 30 de setembro. Referindo-se ao diálogo dos católicos com a arte e o pensamento, Maria João Costa considera que «a cultura é um veículo privilegiado para a Igreja se relacionar com o mundo, levando a mensagem aos outros e trazendo os outros para dentro da Igreja».

Dormir em mosteiros (II): Singeverga | IMAGENS |
Tomem-se 45 litros de álcool mais 10 litros de água, junte-se o açúcar e, no final, as especiarias e as plantas aromáticas. Coloque-se o caramelo como corante. Deixe-se depois quatro dias em maceração. A mistura irá envelhecer em pipas. Nos intervalos, preparem-se as garrafas, colando os rótulos. O licor a engarrafar é aquele que há mais tempo está nas pipas. Pode haver tempo, por isso, para rezar um salmo enquanto se contempla o prodígio que é ver surgir um licor aromático a partir de tais ingredientes. «É o que eu gosto mais, é rezar um salmo, algumas frases que fixo», diz o padre Albino Nogueira, 67 anos, que desde 1989 trabalha na produção do licor de Singeverga – que atualmente já é mesmo vendido em algumas grandes superfícies.

Saltar no escuro… e não olhar para trás
Há uma antiga expressão que diz: Trabalha como se tudo dependesse de ti, e reza como se tudo dependesse de Deus. É precisamente o que é necessário, mas não é fácil aplicá-lo porque não conseguimos ver Deus, e demasiadas vezes não conseguimos ver os nossos dons.

A Pietà da Catedral de Bragança: poema-oração de José Tolentino Mendonça
Carregas a nossa humanidade até ao fundo do teu colo/ As cidades íngremes por onde passamos, as sirenes empastadas de alarme,/ O peso do corpo anoitecido