É novo » 11.10.2013

Ir ao encontro do que se perde
As grandes alterações não se fazem sem custo. A somar a ganhos há sempre perdas, crepúsculos antecipados, parcelas omitidas, ausências e silêncios que depois pesam. Isso parece inevitável. A questão é saber como lidamos com o que se perde. Com que grau de consciência observamos a vida, a nossa e a dos outros. E se nos conformamos ou não com lógicas implacáveis de substituição, ousando, pelo contrário, dinâmicas de reconhecimento e de reintegração, Talvez a utopia mais necessária esteja aí. Talvez a utopia não seja simplesmente uma pergunta feita ao futuro, mas sim uma interrogação sobre o modo como os nossos passados, remotos e próximos, podem ser convocados para um presente que aceite o risco da inteireza como lugar possível da sua reinvenção.

Novo livro infantil de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada ajuda Leigos para o Desenvolvimento
A organização “Leigos para o Desenvolvimento” apresenta em Lisboa, a 17 de outubro, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, o livro infantil “A ilha do arco-íris”, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. O preço de venda da obra, 9,90 euros, reverte na totalidade para os projetos de desenvolvimento que a organização ligada aos Jesuítas mantém em Portugal, Angola, Moçambique e São Tomé. Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, «autoras tão conhecidas do público infanto-juvenil», criaram uma fábula em que, pela voz de diferentes animais, sensibilizam os leitores para a necessidade de perceberem e aceitarem as diferenças, «num diálogo intercultural constante que passa pela partilha, pela solidariedade, pela necessidade de encontro com o outro e pela riqueza da diversidade».

Fé, cultura, política, economia, educação, ação social e ecologia em encontro sobre espiritualidade inaciana
A 10.ª Sessão de Estudos de Espiritualidade Inaciana, que decorre de 29 de novembro a 1 de dezembro em Fátima, propõe-se abranger vários campos de ação no domínio da fé e da intervenção na sociedade. “Reacreditar na vida e a fé”, por José Frazão Correia, sj, e “Reacreditar na vida e a cultura”, por Joaquim Azevedo, diretor do Secretariado da Pastoral da Cultura da diocese do Porto, constituem as conferências da manhã do dia 30. “Cultura, arte e valores num mundo de globalização e laicismo” é um dos temas dos oito painéis agendados. Conheça o programa.

Prémio Nobel da Literatura: Alice das Maravilhas
Alice Munro, nascida em 1931, demonstra há décadas um talento imenso para aquela que é uma das artes mais difíceis para quem faz literatura: escrever contos. Contos completos, profundos, simplesmente maravilhosos. E é precisamente por ser «mestra das histórias breves contemporâneas» que os académicos de Estocolmo lhe atribuíram o Nobel da Literatura de 2013. A enorme capacidade de escrita – no seu inconfundível inglês, essencial e poético, em que nem uma palavra é escolhida ao acaso – une-se nas suas histórias ao dom de um olhar acutilante e indagador. O resultado é a extraordinária capacidadede chegar ao cerne das histórias e da vida. Com uma atenção irresistível, com uma grande delicadeza, sinais de uma sólida inteligência.

Cair em si: possibilidade de um encontro
Uma comunidade de homens e mulheres que fazem esta experiência de Deus – a de serem acolhidos na sua imensa fragilidade – é uma comunidade que acolhe, que não julga, que aprende a olhar os outros com a ternura de Deus. A Igreja nasce e renova-se aqui. A missão da Igreja – que somos todos nós – é fundamentalmente a disponibilidade para abrir a mesa – símbolo da Eucaristia – a todos, a começar por aqueles que mais sofrem, que se sentem excluídos, tantas vezes por razões morais. Quando nos temos na conta de perfeitos ou dos melhores enfermamos de um farisaísmo que mais não testemunha do que um deus tirano, o deus dos só pretensamente bons e bem comportados. Esse não é o Deus de Jesus Cristo!

Verdi nasceu há 200 anos | VÍDEOS |
O bicentenário do nascimento do compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901), que se assinala esta quinta-feira, 10 de outubro, tem constituído para os editores a ocasião de apresentar parte significativa das suas óperas. O “Requiem” é um caso marginal: a Decca reuniu em torno do maestro argentino Daniel Barenboim, diretor musical do “Scala” de Milão, um quarteto de solistas de grande qualidade, Anja Harteros, Elīna Garanča, Jonas Kaufmann e René Pape, numa gravação ao vivo registada a 27 de agosto de 2012, disponível em “blu-ray” e dvd. Composto entre “Aida” e “Otelo”, poderia pensar-se que a missa pelos defuntos dificilmente encontraria a sua razão de ser no seio de um universo quase exclusivamente dedicado ao teatro lírico. Mas, perdido entre a trintena de obras compostas por Verdi, o “Requiem” é uma peça maior, em que toda a dificuldade, por parte dos intérpretes, está em encontrarem o registo adequado.

Nota:
As atualizações no site da Pastoral da Cultura e esta “newsletter” regressam em novembro.

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É novo » 10.10.2013

Iluminar a razão com a fé: Desafio à ética, economia, política, ciência e Igreja
A pessoa humana está interligada com o seu ambiente cultural de tal modo que se qualquer ação humana tem reflexos na cultura também é igualmente verdade que o desenvolvimento harmonioso da pessoa e da sociedade dependem do seu contexto cultural. Daí a importância que a Igreja dá à cultura na sua relação com o Evangelho. Já no Concilio, no diálogo que este se propôs com o mundo atual, diz-se que «é próprio da pessoa humana necessitar da cultura, isto é, de desenvolver os bens e valores da natureza, para chegar a uma autêntica e plena realização. Por isso, sempre que se trata da vida humana, natureza e cultura encontram-se intimamente ligadas». Se existe o direito de ser respeitado no próprio caminho em busca da verdade, há ainda antes a obrigação moral grave para cada um de procurar a verdade e de aderir a ela, uma vez conhecida. Dada a desorientação da consciência ética do homem, a recuperação da razão iluminada pela fé torna-se num desafio que se levanta atualmente no campo social, económico, político e científico, e exige o agir dos crentes.

Patriarca de Lisboa vai ao Centro Cultural de Belém falar sobre “Arte e Fé”
O patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, participa a 26 de outubro, na capital, no ciclo de palestras sobre Arte e Fé, integrado nos encontros “As encruzilhadas da arte”. A sessão é moderada pela professora universitária Maria Teresa Dias Furtado, membro do júri do Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, atribuído anualmente pela Igreja católica através do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. D. Manuel Clemente foi desde abril de 2002 promotor da Pastoral da Cultura na Conferência Episcopal Portuguesa, organismo a que preside atualmente, tendo dirigido a Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais entre 2005 e 2011.

Em memória de D. António Marcelino, bispo emérito de Aveiro (21.9.1930 – 9.10.2013): Na fé, testemunhar a esperança, num mundo de contradições
Hoje muitos cristãos porque vêem dificuldade em ser coerentes dado o contexto em que vivem, pensam que preservam a sua fé ou que sossegam a sua consciência, não se misturando com os outros que não crêem, ou fugindo do mundo, por formas novas, talvez para se instalarem junto do altar, que não implicam ir para o convento, como em tempos acontecia com alguns. Acontece que a “fuga mundi” não pode mais comportar ou ser expressão correcta de um ideal de vida de um cidadão normal. Para os seus discípulos Jesus rezava ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal (maligno)”. O ideal é estar sempre equipado para saber apreciar todas as coisas com critérios de verdadeira sabedoria, sabendo o que vale e o que vale, decidindo e agindo em consequência do caminho que se abre. O grande desafio que se põe aos cristãos por isso mesmo, comporta a necessidade de uma formação que esclareça os que querem ser verdadeiros discípulos de Cristo, homens e mulheres, os molde pela novidade do Evangelho, e os ajude a viver e agir no seu mundo concreto, com todas as suas potencialidades e oportunidades, contradições e limites, que o mesmo mundo comporta.

Em memória de D. António Marcelino: Leigos, uma novidade conciliar?
Casado, solteiro ou viúvo, e de acordo com a sua vida social e profissional, doente ou saudável, o leigo enriquece a sua espiritualidade diária no contexto em que se processa a sua vida. É da vivência da fé, esperança e caridade que sai a luz e a inspiração para realizar a sua missão de cristão no mundo, evangelizando, renovando pela força do Evangelho a vida temporal, dando como sinal distintivo do cristão, onde quer que se encontre, o mandamento do amor. Tudo isto traduzido em obras que vão desde o esforço de reconciliação ao serviço da defesa dos direitos humanos e do exercício dos deveres próprios, ao empenhamento a favor dos mais pobres e mal-amados da sociedade, sempre em atitude gratuita, solidária e fraterna.

Papa Francisco realça «variedade» na Igreja e diz que «uniformidade» mata «dons do Espírito Santo»
«Aceitamos o outro, aceitamos que haja uma justa variedade, que este seja diferente, que este pense de uma forma ou de outra – mas na mesma fé pode pensar-se de forma diferente -, ou tendemos a uniformizar tudo? A uniformidade mata a vida. A vida da Igreja é variedade, e quando queremos colocar essa uniformidade sobre todos, matamos os dons do Espírito Santo.» «Cada um de nós pode perguntar-se hoje: Como vivo na Igreja? Quando vou à igreja, é como se estivesse ao estádio, a um jogo de futebol? É como se fosse cinema? Não, é outra coisa. Como é que eu vou à igreja? Como acolho os dons que a Igreja me oferece, para crescer, para amadurecer como um cristão? Participo na vida da comunidade ou vou à igreja e fecho-me nos meus problemas, isolando-me do outro? Neste primeiro sentido, a Igreja é católica porque é a casa de todos. Todos são filhos da Igreja e todos estão nessa casa.» Na audiência geral desta quarta-feira, o papa explicou as implicações do termo “católico”, palavra de origem grega que significa “universalidade”, “totalidade”. Excertos da intervenção.

Diretor do Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes distinguido com Prémio Nacional de Saúde
O Prémio Nacional de Saúde de 2013 foi atribuído a Levi Eugénio Ribeiro Guerra, cofundador e atual diretor do Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes, sediado no Porto. O júri considera que Levi Guerra «contribuiu inequivocamente para ganhos em saúde», ao ter um papel fundador e divulgador da diálise renal nas regiões do Norte e Centro de Portugal. Conciliou o ensino com uma «intensa atividade clinica, prestigiou a medicina nacional e a Nefrologia como especialidade, a nível internacional». Segundo o Ministério da Saúde, Levi Guerra contribuiu «significativamente para a cobertura de casos de insuficiência renal aguda, além da assistência a doente em insuficiência renal crónica terminal que, passaram a sobreviver».

A fratura entre a fé e a vida
Com demasiada facilidade, com razão ou sem ela, a fé cristã é identificada, e infelizmente não apenas por quem se diz descrente, com um fundo ideológico ou com uma devoção irrelevante. Compreendida e identificada, para além do limite aceitável, com uma doutrina a saber, com prescrições morais a pôr em prática, com tradições a preservar, com formas de representação hierárquica a obedecer, a fé perde, de facto, a vida elementar dos homens e mulheres do nosso tempo, da qual pretenderia ser a luz e o sal. Ou porque não consegue ou porque não sabe como frequentá-la. Ou porque não vê como suportar e habitar a sua densidade, complexidade e ambiguidade. Ou, então, porque a encara como detalhe supérfluo e impedimento para uma verdadeira vida espiritual. Ou, ainda, e simplesmente, porque a considera totalmente corrompida e incapaz de acolher a verdade pura de que a fé seria depositária. Pelo caminho, Deus deixa de ser evidente. Demasiado grande ou demasiado pequeno, parece não ter nada a ver com a vida. Mais do que ausente é indiferente e inexistente.

Esta é a hora da Igreja
E pode uma sociedade ter o nome de cristã. Se nessa sociedade coexistem, lado a lado não raro, lucros fabulosos e salários de miséria, se nessa sociedade se ostentam espetáculos de luxo inútil em ambientes de extrema pobreza – e hoje é muito difícil guardar compartimentos estanques – o cristianismo real dessa sociedade, como tal sociedade, não existe. Esta é a hora da Igreja. Vivemos no crepúsculo de um mundo des-sacralizado, profanizado, de um mundo em vias de liquidação e que, talvez por isso, se des-sacraliza ainda mais. Simultaneamente, sentimos anunciar-se a aurora. de um mundo outro, diferente. Ora neste tempo intervalar – tempo de crise no significado mais original de ação, discriminadora de valores -, as circunstâncias exigem um valor pessoal irrecusável: intensidade de vida sobrenatural vivida, cultura ampla e sólida, competência profissional, energia de decisão, iniciativa criadora. Só assim as trevas poderão ser iluminadas, só assim se poderá agir junto da frouxa vontade dos homens, só assim se poderá contribuir eficientemente para a modificação das estruturas.

— Agenda para hoje —

Patriarca de Lisboa dialoga com Eduardo Sá e Isabel Stilwell em emissão rádio ao vivo
O patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, participa esta quinta-feira (10 de outubro) numa transmissão de rádio em direto com o psicólogo Eduardo Sá e a jornalista Isabel Stilwell. Esta é uma emissão especial do programa “Dias do avesso”, que de segunda a sexta-feira propõe, na estação de rádio pública, quatro minutos «sobre grandes manchetes e sobre tudo o que não é notícia: os sentimentos, as relações, ou as pessoas que há por trás de quem aparece».

É novo » 9.10.2013

Primeiro Encontro Nacional de Leigos debate «Cultura do Encontro na Igreja e no mundo contemporâneo»
A Conferência Nacional de Associações de Apostolado dos Leigos (CNAL) promove a 16 de novembro, em Coimbra, o primeiro Encontro Nacional de Leigos, dedicado ao tema «Cultura do Encontro na Igreja e no Mundo Contemporâneo». A conferência de abertura do encontro, intitulada “Encontro como Desafio à Igreja e ao Mundo”, vai ser proferida pelo patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente. Cultura, defesa da vida, promoção do matrimónio e da família, desenvolvimento económico social, participação na política e cooperação com vista à paz constituem os temas dos seis grupos de trabalho. Os organizadores da iniciativa convidam os «cristãos leigos, de diversidade de carismas e serviços, a congregarem-se, numa perspetiva de reflexão, de testemunho e de trabalho comum sobre a cultura do encontro, a que o Papa Francisco tem interpelado». Conheça o programa.

Festival de órgão da Madeira apresenta concertos com entrada livre
«Será, mais uma vez, um programa diversificado, inovador. e que tem o mesmo objetivo dos anos anteriores: a divulgação do nosso património organístico e evidenciar as duas dezenas de instrumentos que temos com grande valor histórico e que têm vindo, progressivamente, a ser reparados e retomado o seu funcionamento», disse a secretária da Cultura, Turismo e Transportes. «A programação desta quarta edição do Festival de Órgão da Madeira, que conta mais uma vez com a presença de artistas de indiscutível relevo no panorama nacional e internacional, inclui um repertório que abrange mais de cinco séculos (apresentando o órgão não só na sua vertente solística, como também associado ao canto, ao trompete, ao saxofone ou à percussão), uma conferência sobre o papel do órgão na liturgia atual e um especial enfoque na improvisação – uma arte que esteve sempre associada à prática organística», assinala o diretor artístico do festival, João Vaz.

“Religion Today”: Laboratório de convivência entre fé e cultura
O “Religion Today” é um festival itinerante dedicado ao cinema das religiões que tem como objetivo promover, através da Sétima Arte, a cultura do diálogo e da paz entre as religiões, no reconhecimento das diferenças. Contribuir para a difusão e distribuição do filme religioso como contributo para o desenvolvimento cultural e espiritual, criar um espaço de encontro e intercâmbio para realizadores e operadores dos média de diferentes culturas e religiões e, não menos importante, favorecer a divulgação de uma informação correta sobre as grandes religiões do mundo, constituem também metas deste projeto.

Mudar: do comodismo à ação
Muitos de nós caímos no comodismo, por acharmos que nada podemos fazer para mudar o mundo. Não depende de nós acabar com as guerras (até porque, se calhar, pelos tempos mais próximos, enquanto houver homens, haverá guerra). Se não somos governantes, não depende de nós fazer as reformas que julgamos convenientes. Se não somos juízes, não nos compete ditar a justiça (e mesmo que o sejamos, somos só de algumas causas). Somos impotentes perante quase tudo e desanimamos, com frequência, por vermos que nada acontece como gostaríamos – as famílias separam-se, os idosos são abandonados, os deficientes vivem à margem, a solidariedade não se pratica por falta de tempo, as leis não se cumprem e quem mais as infringe não é punido por isso… Só nos resta o desespero? Claro que não.

Cinema: “Hannah Arendt” | VÍDEO + IMAGENS |
Para a realizadora, Margarethe Von Trotta, não é tanto o cinema que está no coração do filme, mas uma personalidade que realmente existiu, a quem é preciso dar corpo para que os espetadores tenham o desejo de a conhecer melhor. O filme começa com uma discussão entre duas amigas que falam da sua vida conjugal e sentimental. Desde o primeiro momento é visível a grande liberdade desta mulher, mas também o seu amor pela vida, o seu igual prazer em receber flores das suas amigas e os elogios dos seus muitos pretendentes. No burburinho da vida, as perguntas dos seus alunos e as discussões animadas em torno de uma refeição compartilhada levantam as questões intelectuais. É a alemã Barbara Sukowa que dá à personagem de Arendt toda a sua força. Apaixonada, amorosa, cínica e ferozmente independente, a atriz encarna-a com convicção e talento. A qualidade do filme passa também pela fotografia de Caroline Champetier, cujo trabalho é novamente notável, dando à narrativa a atmosfera dos anos de 1960.

É novo » 8.10.2013

Jornada de Teologia Prática discute «teologia da vulnerabilidade»
«Quando me sinto forte é que sou fraco – Para uma teologia da vulnerabilidade» é o tema da 4.ª Jornada de Teologia Prática que decorre a 25 de outubro na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa. A iniciativa organizada pelo Instituto Universitário de Ciências Religiosas (Faculdade de Teologia) conta com intervenções de D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa e magno chanceler da universidade, além de especialistas no domínio da Teologia, Literatura, Ação Social, Saúde, Cinema e Arquitetura. «Outrora a Igreja organizava um solo, ou seja, uma terra estabelecida: no seu interior, tinha-se a garantia de habitar o campo da verdade. Mesmo se a identidade ligada a um lugar, a um solo, não era fundamental para a experiência cristã, nessa terra podiam enraizar-se grupos de militantes que aí encontravam a possibilidade e a necessidade da sua ação», considera Michel de Certeau, citado no desdobrável da iniciativa.

Experiência cristã: especificidades e equívocos
A nova onda de interesse aparentemente religioso elucida-nos sobre a natureza da sociedade em que se desenvolve. O indivíduo vê-se despojado das bases sociais que o ajudariam a construir a própria identidade. Sente-se demasiado entregue a si mesmo, por falta de enquadramento. Tem dificuldade de encontrar respostas para a integração a que aspira. Ora, não se aguenta uma existência fragmentada por muito tempo. Se os enquadramentos tradicionais deixam de funcionar, há que buscar outros que desempenhem idêntico papel. Quando a integração pessoal não é conseguida automaticamente a partir de fora, toma-se a iniciativa de a alcançar por outra via. Tanto a New Age como as seitas aparecem neste panorama a oferecer alternativas de pertença.

Patriarca de Lisboa dialoga com Eduardo Sá e Isabel Stilwell em emissão rádio ao vivo
O patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, participa esta quinta-feira (10 de outubro) numa transmissão de rádio em direto com o psicólogo Eduardo Sá e a jornalista Isabel Stilwell. Esta é uma emissão especial do programa “Dias do avesso”, que de segunda a sexta-feira propõe, na estação de rádio pública, quatro minutos «sobre grandes manchetes e sobre tudo o que não é notícia: os sentimentos, as relações, ou as pessoas que há por trás de quem aparece».

O que resta de Deus
Se alguma coisa resume a consciência que vamos ganhando de nós mesmos é que constituímos um enigmático objeto de pensamento. Somos uma pergunta que se sobrepõe às respostas que existencialmente (e historicamente) vamos encontrando. As nossas sociedades tomaram-se psiquicamente extenuantes para os indivíduos e parece faltar um suporte para as difíceis questões que sopram com maior frequência: «Porquê a mim?»; «Que fazer da minha vida quando estou sozinho a decidir?»; «Para que serve ter vivido se devemos desaparecer sem deixar traço?» Um resto de religião é assim o que se observa nesta dor humana, nunca completamente resolvida. Por isso, mesmo quando parece que de Deus nada resta, persiste e insinua-se sempre mais do que julgamos.

É novo » 3.10.2013

Leitura: “Quando a Igreja desceu à Terra”
O concílio deve ser entendido de forma dinâmica: «O sonho e a ousadia de João XXIII lançaram a Igreja num diálogo aberto com a modernidade». E agora não podemos pensar este impulso como se ele se mantivesse imutável há 50 anos. É no tempo de hoje que temos de ouvir o Papa Francisco a fazer-nos compreender que não podemos responder às pretensões dos nossos netos com as audácias dos nossos avós, como gostava de dizer Emmanuel Mounier. Há pouco tempo, o Papa disse algo que é muito mais importante do que pode parecer à primeira vista: precisamos de pensar teologicamente o papel da mulher na Igreja – uma vez que estamos ainda muito desatentos ao episódio de Marta e de Maria, sendo que o testemunho de ambas é fundamental para o presente e para o futuro. Por outro lado, o tema dos ritos e da diversidade é também de grande premência. Trata-se de conhecer o Evangelho e de comunicá-lo aos diferentes povos, tendo em conta a sua cultura.

“A presença do cristianismo na cultura”: curso pela internet apresenta pessoas e factos
O concílio deve ser entendido de forma dinâmica: «O sonho e a ousadia de João XXIII lançaram a Igreja num diálogo aberto com a modernidade». E agora não podemos pensar este impulso como se ele se mantivesse imutável há 50 anos. É no tempo de hoje que temos de ouvir o Papa Francisco a fazer-nos compreender que não podemos responder às pretensões dos nossos netos com as audácias dos nossos avós, como gostava de dizer Emmanuel Mounier. Há pouco tempo, o Papa disse algo que é muito mais importante do que pode parecer à primeira vista: precisamos de pensar teologicamente o papel da mulher na Igreja – uma vez que estamos ainda muito desatentos ao episódio de Marta e de Maria, sendo que o testemunho de ambas é fundamental para o presente e para o futuro. Por outro lado, o tema dos ritos e da diversidade é também de grande premência. Trata-se de conhecer o Evangelho e de comunicá-lo aos diferentes povos, tendo em conta a sua cultura.

Novo número da “Humanística e Teologia” é dedicado ao “Ano da Fé nos 50 anos do Concílio”
A mais recente edição da revista “Humanística e Teologia”, publicada pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (Porto), é dedicada ao tema “O Ano da Fé nos 50 Anos do Concílio”. Os artigos «refletem sobre a problemática da fé e da sua transmissão na cultura atual, na sociedade portuguesa e na Diocese do Porto, dando espaço também à sua expressão artística, nomeadamente na música». O dossiê apresenta também um estudo sobre a relação entre o Concílio Vaticano II (1962-1965) e a modernidade, que resulta da última lição do professor Arnaldo de Pinho na Faculdade de Teologia. O tema principal conta com estudos de Ángel Galindo García, José Eduardo Borges de Pinho, Alfredo Teixeira, António Couto, Manuel Clemente e Fernando Lapa.

Direito à tristeza
Por diversas razões, há momentos da nossa vida em que, apesar de tudo o que foi dito, apesar de sabermos viver um dia de cada vez, apesar de sabermos não sofrer por antecipação, apesar de sabermos sentir gratidão e valorizar o que temos, apesar de confiarmos que o melhor acontece no melhor momento, apesar de nos sentirmos «donos» de uma fé serena e sólida, apesar de… , não conseguimos evitar a tristeza. E é por isso que temos de saber que, quando, por defesa, nos recusamos a identificá-la e a aceitá-la, estamos a cometer um atentado contra nós próprios.