É novo » 1.4.2014

Leitura: “Jesus, uma boa notícia”
«Identificar Jesus com um conjunto de valores é uma forma muito comum de nos referirmos a ele, entre crentes e até entre não crentes. Trata-se, no geral, de um discurso bastante linear, capaz de gerar amplos consensos à volta de uma figura que desperta os melhores sentimentos. Já bem diferente é o que acontece quando se introduz a questão da possibilidade de uma relação com Jesus vivo, aqui e agora. Entrando no campo específico da fé, não tardam a aparecer as resistências. Que não crentes reconheçam a genialidade humana de Jesus, bem presente no sentido que atribuem aos valores que presidem à sua vida, e que aí colham um exemplo inspirador para o seu viver, só pode ser acolhido pelos cristãos como um sério apelo à autenticidade da sua experiência de fé.» “Jesus, uma Boa Notícia”, do monge cisterciense Carlos Maria Antunes (“Atravessar a própria solidão”, “Só o pobre se faz pão”), e de Gustavo Sousa Cabral, formado em Ciência Religiosas, é a primeira obra editada pela Livraria Fundamentos, em Braga, de que apresentamos um excerto.

Arte é nostalgia de Deus | IMAGENS |
A arte de Mira Schendel «constrói-se como ardente indagação» do «invisível» que atravessa «profundamente»a humanidade e «dos seus processos lentos ou vertiginosos, impercetíveis ou nomeáveis».O «patamar de compreensão» de Mira é este: «Quando nos abandonamos ao silêncio, ele revela-se, torna-se visual. O processo de criação mais não visa do que essa forma de transparência. A irradiação do silêncio age sobre o observador, metamorfoseando tudo em seu redor, dissolvendo as fronteiras entre linguagens, superando a distinção entre material e imaterial, entre direito e avesso, dentro e forte». «A obra de arte é, para usar palavras de Mira, “uma ponte. Temos de atravessá-la. Não fugir dela, não morar nela”. A única habitação real e verdadeira é o próprio acontecer.» O Museu de Serralves, no Porto, apresenta até 24 de junho a primeira grande exposição em Portugal de Mira Schendel, para quem Arte é nostalgia de Deus, não precisa pintar aquilo que se vê, nem aquilo que se sente, mas aquilo que vive em nós»

Impor ou servir?
O evangelho de São Marcos identifica a tentação que tem minado a Igreja ao longo dos tempos. Nada de muito original: para satisfazer a ambição do poder, a vontade de mandar, é preciso saber construir uma carreira e intervir no momento exato. A narrativa não podia ser mais clara. Quando se pergunta que pode a Igreja fazer pela paz, pressupõe-se uma situação grave, atravessada por conflitos nacionais ou internacionais. Não deve tentar substituir o que pertence aos caminhos da política. Mas, sabendo o que perverte as relações económicas, políticas e sociais, tem de mostrar pela sua vida, pelo seu comportamento, pela transformação do poder de dominar em serviço, no seu interior, que existem alternativas ao modo como são governadas as nações. A igreja tornar-se-ia, desse modo, fermento, sal da terra e luz do mundo.

Papa Francisco apela à conversão dos cristãos «turistas existenciais»
O papa Francisco identificou esta segunda-feira três categorias de crentes: cristãos que confiam nas promessas de Deus e o procuram e seguem, aqueles que vivem estagnados, e os que estão convencidos de que fazem progressos mas não são mais do que «turistas existenciais». A essência da vida cristã é «caminhar para a promessa», mas para muitos crentes este é um horizonte longínquo: «Sim, creem que haverá o Céu e tudo ficará bem. Está certo que acreditam nele, mas não o procuram. Cumprem os mandamentos, os preceitos, tudo, tudo, mas estão parados». Destes cristãos, acrescentou Francisco, Deus «não pode fazer fermento no seu povo porque não caminham», o que constitui «um problema». Há também os crentes que se equivocam nas suas opções e que persistem no erro: «Todos nós algumas vezes errámos a estrada, sabemo-lo. O problema não é errar a estrada; o problema é não regressar quando se dá conta do erro».

Jacinto Lucas Pires e Gonçalo M. Tavares conversam com o público na livraria da Universidade Católica
A livraria da Universidade Católica, em Lisboa, promove em abril a terceira edição do “Todos à Uma”, iniciativa «de contacto direto com grandes autores», que começa esta quarta-feira com Jacinto Lucas Pires. Neste dia, nove das obras do autor, entre as quais “Perfeitos milagres”, “Sagrada família”, “Para averiguar do seu grau de pureza” e “Arranha-céus”, estão à venda com 20% de desconto. Das 13h00 às 13h15 são «15 minutos de paragem, 15 minutos de conversa, de cultura, de conhecimento» no piso 0 do edifício da Biblioteca João Paulo II, realça o site da instituição.

José Tolentino Mendonça abre 8.ª Conferência do Turismo da Madeira
O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, que fala sobre o tema “A cidade do Funchal: um olhar”, é o responsável pelo discurso principal da sessão de abertura do encontro. «Um dia, que esperamos não muito distante, a imagem desta baía em ruínas, soterrada hoje em lama e pranto, há-de dar lugar, de novo, à paisagem verdadeira. Passaremos deste inverno intransigente e funesto à clemência de uma estação que devolva ao Funchal a sua luz. As buganvílias voltarão a estender placidamente sobre as ribeiras os seus braços brancos, rosa, cor-de-vinho; a árvore de fogo do Largo do Colégio levantará mais alto o seu deslumbre; os Jacarandás repetirão o assombro colorido; as Tipuanas desdobrarão, nos inícios de Junho, um incrível tapete amarelo frente a São Lourenço ou na subida de Santa Luzia. Esperamos que, num tempo não distante, se possa reconhecer, de novo, a limpidez do traçado atlântico do centro, as ruas confusamente populares, o arabesco do mercado, o mesmo desenho de cheiros, a mesma mescla de sonoridades, o brando silêncio que nas praças tem o seu quê de familiaridade tímida, quase cerimoniosa.»

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Queres ser curado?»

Agenda para hoje

Porto
Documentário: O rosto de Jesus na arte
Centro de Cultura Católica (Casa da Torre da Marca, R. D. Manuel II, 286)
21h00
Entrada livre

Lisboa
Ciclo de conferências “A fé em crise”
Acredito ou não acredito?
Ana Maria Caetano
Paróquia de S. Tomás de Aquino
21h00

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É novo » 31.3.2014

Leitura: “Se não vos tornardes como esta criança”
A posição de Jesus diante da criança é de todo inequívoca. Ninguém entrará no Reino de Deus, que nele se tornou próximo, se não der meia volta e regressar à sua disposição e atitude originária. «Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele» (Mc 10,15). Como é que alguém há de deter-se no seu caminho rumo ao futuro da vida e tomar a direção contrária? – pergunta o mestre judeu, admirado. Mas ainda mais se admira Jesus a seu respeito: «Tu és mestre em Israel e não sabes estas coisas?» (Jo 3,10). E logo isto que é elementar, que é o pressuposto de tudo o mais! «Porventura poderá [alguém] entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?» (Jo 3,4). O pensamento puro parece revelar o absurdo de semelhante exigência. Jesus, porém, não vê nela um absurdo, porque Ele próprio, como homem adulto, é aquele que nunca abandonou o «seio do Pai» (Jo 1,18), mas também agora, feito homem, nele «descansa», e só, como quem nele descansa, pode revelar algo de válido sobre o Pai.

Deus e o bem
Deus criou a realidade a que chamamos «mundo» a partir da sua infinita abundância de ser, realizando o que é o acto paradigmático de amor: o acto que atribui todo o bem real e possível a algo que, sem isso, seria nada. Este acto define para sempre o que é o amor, a caridade: o acto absolutamente gratuito que, através da relação que estabelece, cria isso com que se relaciona. Neste primeiríssimo acto, Deus age com absoluta perfeição, ou não seria sequer merecedor do nome de Deus. Tudo o que sai de suas mãos – há que recorrer a metáforas – é singular e universalmente perfeito. O texto do Génesis é claro: por sete vezes, Deus contempla o absoluto da novidade acabada de criar e proclama a sua bondade (a versão grega dos Setenta fala de «beleza», que é precisamente o esplendor da bondade). Tudo é perfeito, mas nada é estático.

«O teatro sobretudo interroga o ser humano»
O professor e encenador teatral José Miguel Braga considera que «o teatro sobretudo interroga o ser humano», e neste sentido «também propõe e arrisca», pelo que é «arriscado, e amoroso». «A experiência teatral descobre espaços recônditos e pouco conhecidos da alma humana», além de supor «sempre um ir mais além, uma atitude de algum radicalismo», afirmou em entrevista à mais recente edição do semanário digital “Igreja viva”, publicado pela arquidiocese de Braga. Para José Miguel Braga, «a atividade teatral tem consequências profundas na formação do ser humano e na implementação de dinâmicas sociais»: «Revela-nos, e mostra-nos muito daquilo que nós somos, como seres que desejam, que nem sempre atingem aquilo que pretendem». «Há sempre um além no teatro, uma vontade de atingir um ponto máximo de expressão e de emoção, como se fosse possível o ator fazer parte integral do processo do espaço-tempo, sabendo que ficamos sempre aquém», sustenta.

Agenda para hoje

Lisboa
Apresentação do livro “Entre-tanto”
Autor: José Frazão Correia
Apresentação: Mário Avelar, José Tolentino Mendonça
Editora: Paulinas
El Corte Inglés (Av. António Augusto de Aguiar, 31, 7.º piso)
18h30
Para saber mais sobre o livro: Pastoral da Cultura

É novo » 29.3.2014

Papa Francisco confirma cardeal Gianfranco Ravasi, D. Carlos Azevedo e padre Tolentino Mendonça no Pontifício Conselho da Cultura
O papa Francisco confirmou este sábado o cardeal italiano Gianfranco Ravasi como presidente do Pontifício Conselho da Cultura, o bispo D. Carlos Azevedo como delegado do mesmo organismo, e o padre José Tolentino Mendonça enquanto consultor. A nomeação mantém também como secretário o bispo Barthélemy Adoukonou, do Benim, assim como os restantes membros e consultores do Pontifício Conselho da Cultura «até à conclusão dos respetivos mandatos», revelou a Sala de Imprensa do Vaticano. O Pontifício Conselho da Cultura, instituído pelo papa João Paulo II, passa a partir de agora a incluir novos membros, oriundos dos cinco continentes.

Chamados à luz da alegria
Uma carícia de luz na escuridão. Jesus toca e ilumina os olhos de um mendigo que nos representa a todos. É uma dura lição: os fariseus mostram que se pode ser crente sem se ser bom; que se podem se pode ser homem de Igreja e não ter piedade; é possível “trabalhar” em nome de Deus e ir contra Deus. Administradores do sagrado e analfabetos do coração. Nas palavras dos fariseus, a palavra que ocorre com mais frequência é «pecado»: «Sabemos que és pecador; nasceste no pecado; se alguém é pecador, não pode fazer estas coisas»; até os discípulos perguntaram: «Quem pecou? Ele ou os seus pais?». O pecado é elevado a teoria que explica o mundo, que interpreta o homem e Deus. A resposta de Jesus é outra: «Nem ele pecou nem os seus pais». Distancia-se de imediato, com a primeira palavra, desta perspetiva, para declarar como ela causa a cegueira sobre Deus e sobre os homens. Falará unicamente do pecado para dizer que está perdoado.

Agenda para hoje

Lisboa
Exibição e comentário do filme “O cardeal judeu”
P. José Tolentino Mendonça, rabi Eliezer di Martino
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Viana do Castelo
Missa cantada – Domingo IV no Tempo da Quaresma
Schola Cantorum da Catedral de Santarém; David Paccetti Correia, órgão; Pedro rodrigues, direção
Igreja da Misericórdia
12h00

Lisboa
Música: Concerto de órgão e dois coros
Coro Sacra Musica, Coro Santo Inácio; André Correia, Pedro Carvalho (órgão)
Igreja do Colégio S. João de Brito
15h30
Entrada livre

Aveiro
Música: Concerto de órgão
Sinfonia nº 1 (Louis Vierne), Transports de joie d’une âme devant la gloire du Christ qui est la sienne (Olivier Messiaen)
António Mota

16h00
Entrada gratuita

Amora
Concerto cantado e declamado sobre a Paixão de Cristo
Teatro do Ourives, Ensemble Vocal Introitus
Igreja Beato J.B.Scalabrini
16h30

Esposende
Música: Concerto
Obras de Bach, Bartók, mestres do Renascimento português
Capella Duriensis
Igreja da Misericórdia
17h00

Guarda
Música: Concerto de Quaresma
Canto gregoriano; autores dos sécs. XX e XXI (Gabriel Fauré, James MacMillan, Fernando Valente, Alfredo Teixeira, Manuel Faria
Coro Capella Ægitaniensis

17h00

É novo » 29.3.2014

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado.»

O cristianismo é uma religião de pescadores, barca e mar
Na vida de Jesus, que para os cristãos culmina toda a história bíblica, o mar – ainda que seja o pequeno “mar da Galileia” – tem lugar relevante, quer na geografia da sua pregação quer na escolha dos primeiros discípulos, ganhando significados essenciais para o próprio cristianismo. Pouco a pouco, os discípulos foram-se admirando com o que Jesus dizia e fazia, tanto mais que desafiava tudo quanto pensavam e esperavam de Deus. Assim, muito especialmente, no respeitante às águas e ao mar. Em Portugal, país inevitavelmente marinheiro, onde até de avião se «embarca», toda esta imagética se interiorizou como interpretação da história vivida e a viver. No conjunto da sua poesia, Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) nunca abandona esta chave, feita de Bíblia, história e biografia: «O múltiplo nos enebria/ O espanto nos guia/ Com audácia desejo e calculado engenho/ Forçámos os limites –/ Porém o Deus uno/ De desvios nos protege/ Por isso ao longo das escalas/ Cobrimos de oiro o interior sombrio das igrejas».

«Confissão não é tribunal de condenação, mas experiência de perdão e misericórdia»
A misericórdia é o coração do Evangelho! Não esqueçais isto: a misericórdia é o coração do Evangelho! É a boa notícia que Deus nos ama, que ama sempre o homem pecador, e com este amor atrai-o a si e convida-o à conversão. Não esqueçamos que os fiéis consideram difícil aproximar-se do sacramento, seja por razões práticas, seja pela natural dificuldade de confessarem os próprios pecados a outro homem. Por este motivo, é preciso trabalhar muito sobre nós próprios, sobre a nossa humildade, para nunca ser obstáculo, mas favorecer sempre a aproximação à misericórdia e ao perdão. Muitas vezes sucede que uma pessoa vem e diz: «Não me confesso há muitos anos, tive este problema, deixei a Confissão porque encontrei um sacerdote que me disse isto», e vê-se a imprudência, a falta de amor pastoral naquilo que a pessoa conta. E afasta-se por causa de uma má experiência na Confissão. Se há uma atitude de pai, que vem da bondade de Deus, isto nunca mais acontecerá.

Agenda para hoje 

Lisboa
Seminário internacional “Imagens e liturgia em Portugal na Idade Média”
Museu Arqueológico do Carmo
14h00
Entrada livre

Lisboa
Colóquio: Os católicos e o 25 de abril
João Miguel Almeida, Luís Salgado de Matos, Luísa Sarsfield Cabral
15h30
Centro de Reflexão Cristã (Rua Castilho, 61 – 2.º dt.º)
Entrada livre

Porto
Missa cantada – Domingo IV no Tempo da Quaresma
Schola Cantorum da Catedral de Santarém; David Paccetti Correia, órgão; Pedro rodrigues, direção
Igreja de Nossa Senhora da Boavista
19h00

Tavira
Música: Ciclo da Quaresma e Páscoa
Banda Filarmónica de Vila Real de Santo António
Igreja de S. Paulo
21h30
Organização: Paróquia de Santiago e Santa Maria de Tavira

Almodôvar
Música: Festival Terras sem Sombra
Para saber mais: Pastoral da Cultura

É novo » 28.3.2014

Leitura: “Onde estás, Senhor?”
Referência à parte merece também o «paraíso» do amor celebrado pelo Cântico dos Cânticos: «Os teus rebentos», diz o amado à sua mulher, «são um paraíso (pardes) de romãzeiras com frutos deliciosos: alfenas e nardos, nardo e açafrão, canela e cinamomo, com toda a espécie de árvores de incenso, mirra e aloés, com todos os aromas mais preciosos» (Ct 4,13-14). A imagem situa-se no interior de uma estrofe poética (Ct 4,12-5,1), em que predomina o simbolismo do jardim irrigado e rico de uma vegetação luxuriante. Desenvolve-se um diálogo entre Ele e Ela, os dois protagonistas do poema bíblico. Em primeiro lugar, o enamorado canta a beleza da sua mulher e, nas suas palavras, predomina a imagem do jardim irrigado por uma nascente e cheio de vegetação, um símbolo aliás clássico na poesia amorosa. A comparação desenrola-se num crescendo que, no final, transforma o canto do esposo num dueto com a es posa. O jardim está ligado a uma fonte e ambos estão selados, fechados aos estranhos (cf. Ct 4,12). Este tema, alusão bastante clara à castidade da mulher, à sua fidelidade, à exclusividade da posse recíproca dos dois enamorados, também está presente em muitos textos egípcios antigos.

Mistérios da Quaresma e Páscoa em Idanha-a-Nova preservam religiosidade popular cristã | IMAGENS |
O município de Idanha-a-Nova, no interior centro de Portugal, junto à fronteira com Espanha, publicou a agenda dos Mistérios da Páscoa, com a qual se pretende «promover a divulgação das inúmeras e variadas manifestações quaresmais e pascais que ocorrem ao ar livre ou no espaço sagrado». A publicação, que abrange as 17 freguesias da autarquia, visa «valorizar e estimular todos os que se empenham em continuar a preservar e a viver com amor e devoção» tradições «que são património cultural imaterial das comunidades e representam um fator de vitalidade comunitária», sublinha o presidente da Câmara, Armindo Jacinto. «Não é um teatro que se monta. As pessoas participam nos rituais com devoção, cantam as tradições que os seus antepassados lhes legaram. E isso é muito importante numa época de grande globalização – segurarmo-nos a algo que nos dá identidade», vincou o coordenador do projeto e historiador António Catana. A edição deste ano, com mais de 250 celebrações e devoções (cf. “Ligações e contactos”) é dedicada ao tema “As Procissões Corridas e a dos Passos em Alcafozes”, organizadas pela Irmandade da Santa Casa da Misericórdia local durante as sextas-feiras da Quaresma, exceto na Semana Santa.

Leitura: “Voltas que a vida dá”
Das histórias aparentemente simples nascem oportunidades que mudam rumos. De que doença adoeceu aos 18 anos, em concreto, é muito pouco importante detalhar. O que interessa é que disso decorreu o imprevisível, dir-se-ia o impossível – uma viragem para onde ninguém podia imaginar, nem ela mesma; um sonho que se veio a concretizar, mas que, se nada tivesse acontecido, nunca teria passado de sonho. É frequente acharmos, neste mundo de tão fácil acesso, que já se sabe quase tudo, até o que previsivelmente seremos e para onde iremos caminhar. O inesperado, por sê-lo, apanha-nos sempre desprevenidos e, no que de nós depende, podemos chegar a ser impotentes para o defrontar, mas nunca pensamos nisso. Parece impossível que alguém ainda esteja sujeito a este tipo de «súbitos» difíceis de diagnosticar e compreender, sobretudo naquela idade. Agora no casal: há momentos em que as conversas profundas são uma espécie de viagem de carrossel – sabem muito bem, mas não servem para nada. Não perdem tempo a dar lugar a medos. Esta parece ser a grande chave capaz de abrir a porta da felicidade que conquistam todos os dias.

«É uma grande honra para mim. Sou um seu grande admirador», disse Obama a papa Francisco
O papa recebeu esta quinta-feira o presidente dos EUA, Barack Obama, que manifestou a Francisco o seu contentamento pelo encontro: «É uma grande honra para mim. Sou um seu grande admirador. Obrigado por me ter recebido», disse, citado pelo site “Vatican Insider”. Em entrevista publicada no jornal italiano “Corriere della Sera”, Barack Obama sublinhou que não está de acordo com todas as intervenções de Francisco mas elogiou a sua coerência entre teoria e prática: «Ele não se limita a proclamar o Evangelho: ele vive-o». «Quando o papa fala, as suas palavras têm um peso enorme», frisou o presidente norte-americano, acrescentando que se sente inspirado pelo empenho demonstrado por Francisco pela «justiça social», a par da sua «mensagem de amor e compaixão pelas pessoas», especialmente pelas «mais pobres e vulneráveis». O encontro de 50 minutos decorreu após a missa a que o papa Francisco presidiu, com a participação de quase três centenas de deputados e 176 senadores, bem como nove ministros do Governo italiano.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Não estás longe do reino de Deus.»

Espiritualidade, ecumenismo, diálogo inter-religioso e refugiados marcam visita do papa Franciso à Terra Santa
Encontros com líderes religiosos cristãos ortodoxos, judeus e muçulmanos, bem como com crianças e adultos de campos de refugiados, a par da visita a locais emblemáticos do cristianismo, judaísmo e islão marcam a viagem do papa Francisco à Terra Santa. A peregrinação à Jordânia, Palestina e Israel, que decorre de 24 a 26 de maio, assinala o 50.º aniversário do encontro em Jerusalém entre o papa Paulo VI e o patriarca cristão ortodoxo Atenágoras. O programa completo da visita, divulgado esta quinta-feira pelo Vaticano, privilegia a espiritualidade, o ecumenismo, o diálogo inter-religioso e o abraço às pessoas mais desfavorecidas, como são os refugiados e jovens com deficiência. Além das homilias três missas a que preside, estão previstos dez discursos, mais de dois terços dos quais em Israel. Conheça a agenda da viagem.

Cinema: “O Filho de Deus” | VÍDEO + IMAGENS |
Um ano após investir na produção da série televisiva “A Bíblia”, popularizada pela participação do ator português Diogo Morgado, que assume o personagem de Cristo, o produtor Mark Burnett decidiu arriscar a estreia em cinema de parte dessa empreitada, na quota respeitante à vida de Jesus. Na sucessão de cenas é difícil apreender as motivações profundas de “O Filho de Deus”, com um Jesus simpático, amável com as crianças, misericordioso, mas sem que se vislumbre qualquer densidade espiritual. Onde está a construção do personagem? Onde está a sua identidade profunda? Christopher Spencer propõe uma fraca encarnação do Verbo, num Jesus a quem se tenta compensar a falta de carisma pelo estilo à vez declarativo, imperativo ou malandro, numa candura francamente artificial e, por vezes, deslocada do dramatismo que atravessa cada passo da narrativa evangélica.

Agenda para hoje

Roma
Debate sobre o fim da vida
Organização: Átrio dos Gentios
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Lisboa
Seminário: Os Jesuítas, missionários e educadores
Francisco Contente Domingues, Ana Leitão, Henrique Leitão, António Trigueiros SJ, António Matos Ferreira, Mário Simões, Francisca Veiga, Elisabete Francisco, Miguel Corrêa Monteiro
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (anfiteatro 3)
10h00
Entrada livre
Para saber mais: Faculdade de Letras

É novo » 27.3.2014

Leitura: “Começa assim a tua oração”
«A importância da oração não está nas palavras que dizes. A importância da oração está no modo de vida que ela cria em ti, na atitude contemplativa e humilde que vai fazendo nascer no teu interior. Não deixes de desejar este modo de vida, não deixes que esta atitude desapareça dos teus dias… E com este desejo, dá início à tua oração.» “Começa assim a tua oração” é o título do livro que reúne os textos de introdução às orações diárias do “Passo-a-rezar”, projeto que oferece na internet uma proposta de oração e meditação diária, com textos bíblicos e música, que pode ser escutada a qualquer momento num computador, tablet, telemóvel ou leitor de áudio portátil. A publicação em formato de bolso, lançada no âmbito da comemoração do quarto aniversário do projeto do Apostolado da Oração, ligado aos Jesuítas, reúne os textos assinados por Elias Couto, membro da coordenação do projeto, com ilustrações de João Sarmento, sj. Apresentamos os primeiros textos do livro, a que acrescentamos a meditação correspondente ao dia 25 de março, solenidade da Anunciação do Senhor.

Leitura: “Bíblia – A mais fascinante história” | IMAGENS |
Idealizado e coordenado pelo Secretariado Internacional do Apostolado, e publicado simultaneamente em Portugal, Brasil e Itália, “Bíblia – A mais fascinante história” é um novo livro para crianças e jovens com textos de Silvia Zanconato e ilustrações de Abigail Ascenso. «A Bíblia é o maior de todos os livros, mas isso não quer dizer que seja inacessível aos mais pequenos. Pelo contrário. As maravilhosas histórias que a Bíblia conta destinam-se a todos. Há aspetos que só com a idade e o tempo se podem perceber. Mas tantos outros, e eu diria, os mais importantes, podem ser captados na infância e adolescência», realça José Tolentino Mendonça na nota de lançamento. «Para chegar a ti – aponta a introdução -, a Bíblia fez uma longa viagem, atravessando o tempo e o espaço. Por isso, abrir as páginas da Bíblia significa encontrar mundos distantes, línguas antigas, costumes e pensamentos diferentes dos teus. No entanto – como acontece com os livros importantes –, as palavras da Bíblia continuam a ser fascinantes, ricas e cheias de inspiração.»

Viagem ao final da noite
Numa época em que as palavras estão cansadas, já não dizem nada porque “gastas” e reduzidas a “sopro de vento” (Qoelet), é necessário pôr-se à procura de Palavras maiores e mais antigas de que nós e da nossa idade. Algumas destas palavras de vida podem encontrar-se na literatura, na poesia, na arte e mesmo nos grandes mitos e nas narrativas populares que nos salvaram (e continuam a salvar-nos) em guerras e muitas carestias. Mas existem outras Palavras, histórias e narrativas maiores e mais profundas: as palavras bíblicas que alimentaram e inspiraram a nossa civilização; que centenas de gerações releram e reviveram; que se instilaram nas nossas mais belas obras de arte, nos sonhos de crianças e de adultos; que nos deram esperança em tanto exílio e escravidão por que passámos e estamos a passar. Não há histórias de libertação maiores que as do Êxodo; feridas mais férteis que a de Jacob, bênção mais desesperada que a de Isaac, risada mais séria que a de Sara, contrato mais injusto que o de Esaú, obediência mais salvífica que a de Noé, pecado mais torpe que o de David contra Urias, o hitita, desventura mais radical que a de Job, pranto mais fraterno que o de José, paradoxo maior que o de Abraão no monte Moria, grito de parto mais lacerante que o da cruz, desobediência mais amante da vida que a das amas do Egito. E se existirem digam-me: até hoje, nunca as encontrei.

Religião em Portugal: Congresso internacional reúne Teologia, História, Sociologia e jornalismo
A religião constitui hoje «um tema incontornável de investigação em diversas áreas científicas, desde a teologia, enquanto discurso de auto-compreensão, até às ciências que estudam, de várias formas, os comportamentos humanos». É esta convicção que está na origem do congresso internacional “Religião em Portugal”, que o Centro de Estudos Sociais, laboratório associado da Universidade de Coimbra, organiza em abril. Boaventura Sousa Santos, Teresa Toldy, Timóteo Cavaco, Frei Bento Domingues, José Eduardo Franco, Alfredo Teixeira, Juan José Tamayo, Steffen Dix, Paulo Fontes e António Marujo são alguns dos intervenientes nas conferências, que juntam especialistas e investigadores em Teologia, História, Sociologia e jornalismo, entre outras áreas. Conheça o programa.

Dominicanos abrem convento e partilham vida comunitária com quem quer viver Tríduo Pascal em oração
O convento dos Dominicanos, em Lisboa, vai abrir as portas a pessoas que desejem viver em oração o Tríduo Pascal, período nuclear da espiritualidade cristã, que assinala a morte e ressurreição de Cristo. A iniciativa, que propõe a vivência do Tríduo com a participação na vida comunitária dos religiosos da Ordem dos Pregadores, começa na tarde de quinta-feira, quando se celebra a missa da instituição da Eucaristia. «Não se trata de umas férias conventuais, mas uma maior disponibilidade para acolher o silêncio e viver em comunidade e com simplicidade as festas pascais», sublinha uma nota enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, adiantando que o retiro termina no domingo de Páscoa.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Quem não está comigo está contra mim e quem não junta comigo dispersa.»

Agenda para hoje

Fátima
Jantar-conferência: O Segredo de Fátima – uma abordagem histórico-cultural
Marco Daniel Duarte
Hotel Pax
20h00
Inscrição: 20 €
Para saber mais: Museu de Arte Sacra e Etnologia

Braga
Apresentação do livro “A Voz da Catedra(l) – Rumo à Unidade”
Autor: D. Jorge Ortiga
Apresentação: Felisbela Lopes
Auditório Vita
21h00

Santarém
Conferência: A dimensão social da evangelização – Uma Igreja chamada às periferias
Alfredo Bruto da Costa
Seminário de Santarém (Sala dos Atos)
21h30
Entrada livre

É novo » 26.3.2014

A beleza, caminho de diálogo com os não crentes
Identifico o primeiro grau de dificuldades no interior da própria Igreja, enquanto comunidade de crentes. Este diálogo suporia que os cristãos fossem capazes de tornar a beleza presente no diálogo entre eles, na sua maneira de interpretar a vida, considerando a plenitude da vida, à qual aspiram, como uma experiência de fé. Identifica-se facilmente a beleza com a arte, sem que se dê conta que pode haver experiências de beleza que nunca foram materializadas em expressão artística. A beleza deveria ser uma experiência contínua na vida do cristão. A Igreja possui um vasto património de arte religiosa, mas ele é considerado sobretudo como um tesouro a preservar, sem se ser capaz de o integrar nas expressões atuais da vida de fé. A Liturgia, fonte principal e viva da beleza cristã, nem sempre o é, e a Teologia é mais influenciada pelo racionalismo científico e pelas ciências humanas do que pela contemplação simples e profunda da harmonia do mistério. A dimensão mística da compreensão da fé pode revelar-se decisiva para fazer da vida uma experiência de beleza. Há um longo caminho a percorrer na Teologia, na pastoral, na linguagem, para tornar os cristãos capazes de fazer da beleza o lugar de um diálogo com os não crentes.

Primaverar
O nosso juízo de arrumação e remate (e as idealizações que projetamos a esse respeito) é enganador, mais não seja porque a vida é viva, florescente, é uma sucessão infinda de começos. Desde que nascemos estamos não só prontos para morrer, mas estamos sobretudo preparados para nascer, as vezes que forem precisas. Primaverar é persistir numa atitude de hospitalidade em relação à vida. Ao lado do previsto, irrompe o imprevisível que precisamos aprender a acolher. Misturado com aquilo que escolhemos, chega-nos o que não escolhemos e que temos, na mesma, de viver, transformando-o em oportunidade e desafio para a confiança. A primavera não tem uma linha demarcada: transborda sempre e temos de preparar-nos para isso. Ela não fica a alegrar apenas os canteiros muito bem ordenados. A sua floração inédita dá-nos o endereço da torrente, para lá da vida que pensamos domesticada pelos nossos cálculos.

As igrejas de Shigeru Ban, Prémio Pritzker de Arquitetura 2014 | IMAGENS |
A “arquitetura de cartão” é uma das marcas do arquitecto japonês Shigeru Ban, a quem foi atribuído o Prémio Pritzker de arquitetura, distinção considerada o “Nobel” na categoria. Em 1995, um violento sismo destruiu significativamente a cidade japonesa de Kobe, incluindo a igreja da paróquia católica de Takatori. Shigeru Ban (n. 1957) ofereceu o projeto que haveria de substituir temporariamente o espaço. Os materiais foram doados por empresas, e a construção, concretizada por 160 voluntários, ficou concluída em cinco semanas. O projeto incluiu 58 tubos de cartão, dispostos em elipse. A edificação foi desmontada em junho de 2005 e os materiais foram enviados para uma cidade em Taiwan. Em 2007, a igreja foi substituída por outra, também da autoria de Shigeru Ban, que se eleva em forma de cone sobre um complexo de edificações. No mês de fevereiro de 2011, a cidade neozelandesa de Christchurch foi sacudida por um tremor de terra que destruiu praticamente a catedral.

O perdoado que não perdoa
No Antigo Testamento, sobretudo em algumas correntes da Teologia da Prosperidade, a riqueza é valorizada como uma bênção divina. A saga dos patriarcas bíblicos mostra que uma grande família, abundância de rebanhos, ricas colheitas e uma vida longa valem como assinatura da bondade de Deus. O contrário é sinal de castigo. Ser rico é um sinal da graça; ser pobre é uma vergonha, uma miséria. Acontece, porém, que a desigualdade na repartição da riqueza levanta problemas. Ver ricos ao lado de pobres, no seio daquele que se considerava o Povo de Deus, era um escândalo, feria a ordem divina: «não deve haver pobres entre vós». Mas havia. Perante esta situação inaceitável, para não carregar mais, mas abrir o futuro, surgiu uma legislação audaciosa, expressa no ano Sabático, de 7 em 7 anos, e no ano Jubilar, de 49 em 49, destinados ao repouso da terra, ao perdão das dívidas e à libertação dos escravos (Levítico 25; Êxodo 23; Deuteronómio 15). A lição é clara: só uma redistribuição periódica dos bens permite abater a espiral infernal da pauperização.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra.»

Agenda para hoje

Lisboa
Conferência: “O lugar do pensamento social cristão na construção da cidade”
D. Manuel Clemente, Manuela Ferreira Leite, Américo Pereira
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Lisboa
Música: Concerto
O Messias (Händel) (excertos)
Coro de Câmara da Universidade de Lisboa, Coro do Tejo, Orquestra Barroca da Escola Superior de Música de Lisboa
Igreja das Mercês
21h30
Entrada livre