É novo » 30.3.2011

Crer na fronteira como dor e graça
A imagem do cristianismo como fundo ideológico ultrapassado ou como devoção irrelevante, remete a fé cristã para longe da complexidade da existência dos homens e mulheres do nosso tempo. É como se a verdade que professa e o caminho de vida que promete tivessem deixado de ser, afetiva e efetivamente, pertinentes e relevantes, vitais e operativos.

Leitura: “Breve História da Alma”, assinada pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura
«A alma, que precisa de quietude, de serenidade e de afastamento, que se alimenta de reflexão e de silêncio, ficou para atrás, perdida nas brumas das campanhas abandonadas, suspensa nos cumes dos montes, ondulando nas extensões marinhas, onde talvez se encontre por instantes durante as férias estivais.» A editora D. Quixote lançou este mês a obra “Breve História da Alma”, assinada pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura, o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, de que oferecemos a introdução.

Cristãos na fronteira: estranhos ou estrangeiros?
Na «Epístola a Diogneto», nos finais do séc. II, descobrimos a suma da teologia da cidadania cristã que assume o risco de um paradoxo: compatibilizar a dissidência e a integração. As figuras teológicas da dupla pertença, à cidade terrena e à cidade do alto, traduzem essa escolha cristã de participação na construção de uma civilidade comum e a recusa da impermeabilidade própria do gueto, ou da seita.

Fé e cultura: um novo comboio a partir
Recordo sempre com algum humor as aulas de História da Igreja, principalmente no que se refere a Gregório XVI, um Papa do século XIX. Viveu em plena revolução industrial, onde o vapor substituiu vários processos de manufatura. Não gostava particularmente da ideia dos comboios. Dizia: “chemin de fer, chemin d’enfer”. O comboio revelou-se, contudo, sinónimo de transformação, sem desencadear a perda de fé, como talvez receasse o Papa.

Egas Moniz: «Que existe para além da morte?»
«Quando consegui ver pela primeira vez ao raio X as artérias do cérebro, através dos ossos espessos do crânio, tive um dos maiores deslumbramentos da minha vida». Decerto que, na sua consciência, o prof. doutor Egas Moniz continuaria a caminhar ou mesmo a olhar para Alguém que o sossegasse…

Teilhard de Chardin: um filho do Céu e da Terra
Jesuíta, teólogo e paleontólogo, o padre Teilhard de Chardin no livro a “A minha fé” dirá que «A originalidade da minha crença está em possuir as suas raízes em dois domínios de vida habitualmente considerados antagónicos. Por educação e formação intelectual, pertenço aos “filhos do Céu”. Mas, por temperamento e pelos estudos profissionais, sou um “filho da Terra”».

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É novo » 29.3.2011

Leitura: “É este o tempo” (excerto)
«Falo de realidades assim, como podia juntar tantas outras, que assaltam e roubam as pessoas no que têm e no que são, sobretudo porque as apanham sós ou solitárias, mesmo que rodeadas por multidões anónimas.» Leia um excerto do mais recente livro do bispo do Porto e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, D. Manuel Clemente.

Teatro: “Morte de Judas”, entre a liberdade e o medo de ser | IMAGENS |
«Este Judas quis resgatar a sua vida pelo espírito, embora um espírito contrário ao espírito religioso, como um pequenino Fausto, numa competição com Deus, e a competição com Deus é uma vontade de absoluto, e a vontade de ser absoluto corresponde a uma vontade de a Humanidade se ultrapassar a si própria», diz Luís Miguel Cintra deste monólogo, encenado com a colaboração essencial de Cristina Reis, que imaginou o espaço vertical e fechado de onde sai a cabeça de Dinarte Branco, para falar como o homem que trai.

Cinema: “O tio Boonmee que se lembra das suas vidas anteriores” | VÍDEO | | IMAGENS |
O Festival de Cannes abriu-se este ano a narrativas que buscam a essência da vida humana, na sua dimensão mais elevada, com uma muito evidente simpatia pelo registo transcendente, o espiritual, o religioso, atribuindo, não por acaso, dois dos seus principais prémios a dois filmes espiritualmente fecundos: “Dos Homens e dos Deuses” e agora este, de Apichatpong Weerasethakul.

“É importante sermos crentes originais”
“É sagrado tudo aquilo que dá a ver o ser humano no seu estremecimento. Nesta coisa que é quase original de cada um de nós nascer a cada momento. A aflição, o tumulto, a convulsão, que mesmo quando estamos quietos parece que se adivinha, e que um poema tem obrigação de mostrar nitidamente.” Entrevista do padre José Tolentino Mendonça ao jornal “i”.

Olhar para a eternidade | IMAGENS |
“Look into Eternity”: trabalho da artista ukraniana Oksana Mas, composto por 15 mil ovos pintados por 70 pessoas.

É novo » 28.3.2011

Voar
Às vezes perguntam-me onde é que no mundo está a poesia. Acho que todos sabemos como o mundo pode ser um lugar prosaico e violento, sem fulgor nenhum, uma máquina de tortura para as questões do espírito, uma parede implacável que nos derruba. Mas não será apenas isso o mundo. E mesmo quando ele se parece reduzir dolorosamente a isso, não podemos esquecer que todos os dias ele é salvo.

“No centro ou nas margens?”, interroga encontro de fé e cultura
«O bispo, a feminista e o cientista», «a atriz, o cirurgião plástico e a portadora de deficiência», «o político, o publicitário e o advogado», «a freira, o homossexual e os recasados», «o gestor, o sindicalista e a imigrante» constituem as designações que a organização do Centro, ligado aos Jesuítas, atribuiu aos intervenientes. Conheça o programa.

Comissão Diocesana de Cultura de Aveiro organiza sessão de apresentação do novo livro de Bento XVI
A obra vai ser apresentada pelo padre biblista Júlio Franclim Pacheco. O encontro, com entrada livre, conta com a presença do bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos.

Lourdes Castro distinguida com prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte | IMAGENS |
O Júri considerou definitiva (…) a exposição antológica, “À luz da sombra”, realizada no Museu de Serralves em 2010, na qual as grandes qualidades de invenção plástica a partir de valores inefáveis como as linhas, as sombras ou a leveza, de referências como o espaço intimista e o universo relacional e da componente performativa associada ao teatro de sombras (…) ficaram particularmente sublinhados na sua expressividade e eficácia.

Dietrich Bonhoeffer: Ser em Cristo | IMAGENS |
Em Londres Dietrich, é ministro em duas congregações e colabora na organização da Igreja Confessante, que reúne um terço do clero protestante. A Igreja Confessante constituía uma resposta crítica a Hitler e a algumas fações da Igreja luterana que cedo se sujeitou a Hitler. No ano de 1935 Bonhoeffer, regressa à Alemanha, passando a lecionar quer em Berlim quer no seminário da Igreja Confessante em Finkenwalde, cujas atividades foram refreadas pelos nazis em dezembro desse ano.

O regresso de “Os Mistérios da Missa”
A companhia do Teatro do Ourives vai voltar a apresentar a peça “Os Mistérios da Missa”, segundo Calderón de La Barca, com encenação de Júlio Martin, repondo a encenação realizada em maio e junho de 2010. As sessões decorrem em Lisboa, no Convento dos Cardaes (rua do Século, 123), de 31 de março a 17 de abril.

Exposição: “Suave Paisagem”, de Pedro Calapez | IMAGENS |
A mostra integra quatro séries e vai buscar o seu nome à mais extensa, “Suave Paisagem”, um conjunto de dezasseis aguarelas onde se encontra uma complementaridade de diferentes formas e cores que, juntas, criam estruturas complexas.

A Literatura, uma arte entre as artes
O Centro Nacional de Cultura realiza a partir de abril um ciclo de conferências, com entrada livre, dedicada ao tema “A Literatura, uma arte entre as artes”.

É novo » 27.3.2011

A terra de Jesus é o coração humano
Há um drama na narrativa de Jesus, que o prólogo do evangelho de São João diz de forma muito clara: “Ele veio para os que eram seus e os seus não o acolheram”. Isto tem a ver com a terra de Jesus, com o contexto, com o sistema religioso fechado, com o sistema político, mas também com uma questão mais ampla, que é a da humanidade. Porque a terra de Jesus é o coração humano. Jesus encarna, torna-se um de nós. E penso que é a nível da humanidade que essa compreensão da recusa de Jesus tem de ser feita.

“Dá-me de beber”: Evangelho do 3.º Domingo da Quaresma | VÍDEO |
«Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: “Dá-Me de beber”. Respondeu-Lhe a samaritana: “Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?”. Disse-lhe Jesus: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva”.»

É novo » 26.3.2011

Avançar com confiança pela vida
Porreiro! Nada como não ser capaz de ver para onde se vai! Mas não é assim a maior parte da vida? Ano após ano ela leva-nos para moradas onde nunca estivemos, sem mapa nem manual de instruções. Em cada etapa da vida, uma porta que nos é familiar fecha-se e outra abre-se; e diante dela um novo cenário cujos contornos dificilmente conseguimos enxergar.

É novo » 25.3.2011 (2)

Portugal também precisa de um “Átrio dos Gentios”
«O grande desafio é dizer “busquemos conjuntamente”: em vez de vivermos numa cultura de acusação mútua e de suspeição recíproca, confiemos uns nos outros, acreditando que os agnósticos, ateus e não crentes também buscam um sentido da vida e têm muito a ensinar aos crentes», sublinha o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, padre Tolentino Mendonça.

É novo » 25.3.2011

Átrio dos Gentios: fazer dialogar a Esperança e a Espera
Na apresentação entusiasmada que faz do projeto, o Cardeal Ravasi diz que este se destina a construir «uma gramática nova», onde vencidas, de parte a parte, «tanto as apologéticas ferozes como as dessacralizações devastadoras», se possam revelar e mutuamente se ouvir «as razões profundas da esperança do crente e da espera do agnóstico». É, portanto, uma estação de diálogo que a Igreja quer estimular, deixando para trás a lógica do confronto ou o gelo da indiferença. De facto, Deus é uma questão para todos, crentes e não-crentes.

Um “Pátio dos Gentios” em cada paróquia
«Pergunta-se se as pessoas vão ou não fazer o curso, se têm ou não crisma – acho isso horroroso». «A primeira das primeiras exigências nas paróquias é ter gente que ajude as pessoas a caminhar». «Parte-se de um catecismo e de um direito canónico» e «cumpre-se o ritual como se se tratassem de pessoas convertidas», quando o que «elas precisavam era de serem ouvidas.»

Igreja abriu “Pátio dos Gentios”
Os católicos querem convidar os não crentes a «iniciar uma viagem» conjunta, em busca da «verdade», do «sentido da existência» e da «comunhão», afirmou o presidente do Conselho Pontifício da Cultura. Juntando diplomatas, escritores, pensadores e representantes do mundo da cultura, a conferência inaugural deixou apelos ao diálogo.

Igreja católica tem de sair da “sacristia”
Em Portugal já existem «esboços» da relação entre «cultura e evangelização» por parte de congregações religiosas e dioceses, mas é «necessário dar amplidão a esses eventos porque quase parecem atividades semiclandestinas e mais permitidas do que desejadas».

“Pátio dos Gentios”: entre o popular e o intelectual
A única recomendação» do cardeal italiano Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, departamento responsável pelo “Pátio dos Gentios”, foi tentar elaborar um projeto simultaneamente utópico e realista. Rapidamente se sentiu um grande interesse pelo evento mas foi preciso vencer algumas perplexidades.

Encontro inaugural do “Pátio dos Gentios” apresenta-se em site próprio
Para preparar os dois dias de «intercâmbios e diálogos», os organizadores pediram a várias pessoas para partilhar por escrito as suas “interrogações” e pontos de vista acerca do encontro. Os textos, que podem ser lidos na página, detêm-se igualmente nas «questões radicais que tocam as grandes interrogações em torno da vida e da morte, a verdade e a mentira, o amor e a dor, o bem e o mal, a liberdade e a solidariedade, a palavra e o silêncio».