É novo » 27.4.2012

IndieLisboa: Igreja Católica começa hoje a ver os filmes que concorrem ao prémio Árvore da Vida | IMAGENS |
A Igreja Católica começa hoje a ver os filmes do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema Independente que concorrem ao Prémio Árvore da Vida, no valor de dois mil euros, atribuídos pelos Secretariados Nacionais da Pastoral da Cultura e Comunicações Sociais. Apresentamos os títulos e sinopses oficiais das 25 curtas e cinco filmes inscritos na Competição Nacional que até quarta-feira vão ser avaliados pelo júri. A decisão sobre o filme vencedor é tomada na quinta-feira e a 5 de maio, sábado, realiza-se a cerimónia de encerramento, na Culturgest, onde vai ser entregue o prémio Árvore da Vida, juntamente com os restantes galardões do festival.

Pastoral da Cultura do Algarve revela programa do primeiro Fórum
O Setor da Pastoral da Cultura da diocese do Algarve revelou o programa do seu primeiro Fórum, que decorre a 11 e 12 de maio em Tavira com personalidades do mundo da cultura, artes e pensamento. Entre os participantes do encontro, designado “Cultura e Identidade: ‘a fidelidade à verdade’”, incluem-se o bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, e Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura. A iniciativa «surge como primeira ação evangelizadora» do Setor, «pretendendo ser um espaço oportuno de reflexão e de partilha de várias experiências culturais a partir da fé cristã ou por ela marcadas», escreve o diretor do departamento.

Pré-publicação: “O que é o homem? – Sentimentos e laços humanos na Bíblia”
Propomos, antes de tudo, uma série de rostos ou perfis do amor ao próximo, segundo os seus diversos traços. Ao comentar a primeira carta de João, Santo Agostinho interrogava-se: «Que rosto tem o amor? Que forma, que estatura, que pés, que mãos? […] O amor tem pés que o conduzem à Igreja, tem as mãos que dão aos pobres, tem os olhos com que se descobre quem está em necessidade.» Portanto, há um perfil muito variegado que corresponde à gama das dimensões da caridade. Gostaríamos de elencar uma série de tipologias com as respetivas figuras, confiando-nos a um só procedimento «impressionista», evocativo e intuitivo. A nossa lista recorrerá a um septenário, como a um modelo simbólico de plenitude que, na realidade, compreende outras possibilidades.»
O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura apresenta, em pré-publicação, um excerto da obra “O que é o Homem? Sentimentos e laços humanos na Bíblia”, do cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura. O volume assinado pelo biblista italiano vai ser lançado pelas Paulinas a 2 de maio, antecedendo a sua visita a Portugal, no âmbito da peregrinação de 12 e 13 de maio ao Santuário de Fátima, a que preside. O livro, que integra a coleção “Poéticas do Viver Crente”, dirigida pelo padre José Tolentino Mendonça, é prefaciada pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.

Espiritualidade e Teologia católicas na Feira do Livro
A Feira do Livro de Lisboa é uma ocasião para descobrir obras antigas que não deixaram de ser novas, ainda que a iniciativa possa comprometer o futuro de algumas livrarias, consideram responsáveis católicos de editoras presentes no evento. A encosta do Parque Eduardo VII, que até 13 de maio acolhe o evento, é também o ponto de encontro entre a persistência dos pequenos livreiros e a satisfação dos leitores que esperam meses pelos descontos. A Feira «permite ao cliente ter acesso ao fundo editorial», uma «espécie de jardim secreto cada vez mais difícil de expor». «O modelo de gestão de hoje é assente na novidade – publicam-se anualmente 16 mil livros novos em Portugal – pelo que o prazo de vida de um livro no ponto de venda é equivalente à validade de um iogurte».

“Dar corpo à graça”: retrospetiva sobre o 2.º encontro “Fé e Arte”
“Dar corpo à graça”, mote da edição II do Colóquio “Fé e Arte”, congregou-nos, artistas e pensadores, mestres e aprendizes, falantes e ouvintes, para reparar na força espiritual deste nosso mundo sensível e progredirmos na arte de habitar humanamente os tempos, os lugares e as relações, dando forma tangível e vivível à irresistível atração de sentido que, sempre, nos invoca e nos provoca. Seria já tanto se esta ocasião favorecesse a graça do encontro, antes de mais, pela humana benevolência e pelo mútuo reconhecimento entre artistas e teólogos. O ato de “dar corpo à graça” parece implicar, desde logo, um estilo que não quer ser sem o outro. Não será, seguramente, um estilo triunfal.

É novo » 22.4.2012

Agricultura, cigarros, crise, emigração, ensino superior, Europa e praxes: a atualidade vista por um olhar cristão
«Estamos todos interessados em darmo-nos as mãos para, em conjunto, podermos responder às novas situações sociais emergentes, com a resposta própria da Igreja que é a caridade fraterna, a solicitude pelos irmãos em necessidade. Interessa-nos aprofundar tudo o que possa ajudar a construir esta rede de solidariedade. Esta é a resposta própria da Igreja, que congrega neste esforço todos aqueles e aquelas que também aprenderam “a ver com o coração”. Outros têm as suas respostas próprias: os políticos, as associações de empresários e de trabalhadores, a comunicação social e os fazedores de opinião. A todos pedimos, na especificidade do contributo próprio de cada um, a coragem da verdade, a generosidade das soluções propostas, a prioridade dada ao bem comum, a busca da justiça e da paz social.» A atualidade da semana comentada por uma perspetiva cristã.

«Fé cristã é fermento de cultura» e Evangelho pode «orientar» solução de problemas graves
«A fé cristã é fermento de cultura e luz para a inteligência, estímulo para desenvolver todas as potencialidades positivas, para o bem autêntico do Homem», considera Bento XVI através de mensagem assinada pelo secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Tarcisio Bertone. O Evangelho tem a capacidade de «iluminar e orientar a solução de questões vitais para o futuro da humanidade», depositado «nas mãos daqueles que são capazes de transmitir às gerações de amanhã razões de vida e de esperança».

O Dia da Terra é a 22 de abril mas pode ser todos os dias | IMAGENS |
«Proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz é dever de toda a pessoa. Trata-se de um desafio urgente que se há-de enfrentar com renovado e concorde empenho; é uma oportunidade providencial para entregar às novas gerações a perspectiva de um futuro melhor para todos. Disto mesmo estejam cientes os responsáveis das nações e quantos, nos diversos níveis, têm a peito a sorte da humanidade: a salvaguarda da criação e a realização da paz são realidades intimamente ligadas entre si.», escreveu Bento XVI na mensagem para o Dia Mundial da Paz, a 1 de janeiro de 2010. Assinala-se este domingo, 22 de abril, o Dia da Terra. O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura evoca a ocasião com 100 fotografias – mas podiam muito bem ser 100 mil…

Leitura: Domingo, Dia da Ressurreição
O livro “Domingo Dia da Ressurreição – Uma abordagem a partir da literatura cristã anterior a Constantino”, de Isabel Maria Alçada Cardoso, é apresentado este domingo na Sé Patriarcal de Lisboa. O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, assina o prefácio: «Celebrado no “dia a seguir ao sábado”, o Domingo concentra e difunde a vida que agora nos toca e define como “cristãos”, com tudo o que daí resulta de civilização e cultura. Nas palavras da autora, «celebrar o Domingo é celebrar a ressurreição do Senhor Jesus, o Seu Mistério Pascal, é desejar ser salvo. A vida pessoal e comunitária dos primeiros cristãos está determinada por este facto que transformou as suas vidas. O Domingo é a sua expressão máxima, a marca distintiva que lhes dá e lhes faz irradiar uma identidade».

É novo » 21.4.2012

Música: “A Child’s Prayer”, de James MacMillan | VÍDEO |
Em MacMillann, encontramos o resultado inesperado de vários encontros: a herança musical escocesa, o lirismo celta, a modalidade do canto litúrgico romano, o colorido da politonalidade e a especulação atonal, os mais simples procedimentos canónicos e a inventividade polirrítmica. É, portanto, uma linguagem composicional que junta «mundos». Na sua música orquestral, os sopros e a percussão emergem com uma energia visceral. Mas a sua música vocal e coral prima pela transparência lírica. Em qualquer dos registos, os procedimentos por contraste estão entre os catalisadores mais importantes do seu processo criativo.

“Dar corpo à graça” é o tema do 2.º encontro “Fé e Arte”
O escritor Jacinto Lucas Pires, a coreógrafa Joana Providência, os escultores Alberto Carneiro e Marko Rupnik, o encenador Nuno Carinhas e o compositor Sérgio Azevedo são algumas das personalidades que vão participar na segunda edição do “Fé e Arte”. Para lá da sempre interessante questão acerca dos processos criativos, havia que perguntar aos artistas de que modo o corpo lhes comunica graça, leveza, sublimidade? E como interpretam que, na revelação cristã, a luz inacessível queira resplandecer, como graça, no corpo e no estilo de um homem?

Documentário: Um Dia na Terra | VÍDEO |
A Plataforma Portuguesa das ONGD e o Centro Regional de Informação das Nações Unidas estreiam este domingo, 22 de abril, Dia da Terra, um ciclo de cinema que pretende debater o tema “Direitos e Desenvolvimento”. O primeiro filme, “Um Dia na Terra/One day on earth”, foi produzido por Brandon Litman a partir de mais de três mil horas de imagens captadas em todo o mundo, com a colaboração de milhares de pessoas.

É novo » 20.4.2012

Igreja e Cultura: na planície do desassossego
Porquê a gente da cultura e da fé, afora as exceções, tem de reverenciar-se antes dos diálogos para diluir as reservas que os diversos subconscientes escondem? Porquê, muita gente da cultura, da Igreja conhece a Inquisição, a censura e certos proclamas morais ou disciplinares que vão sempre à frente de qualquer considerando ou abraço de tolerância? Ou gente da Igreja que à frente da ciência ou da arte coloca o código e a moral e abraça a gente da cultura com o gesto paternalista da misericórdia em vez da fraternidade? Tudo isto será apenas subjetivo ou viciado pelo ângulo estreito da parte que pretende abranger o todo.

Catolicismo e outras identidades religiosas em Portugal: coordenador do estudo propõe interpretação dos resultados
O sociólogo Alfredo Teixeira, coordenador e relator do estudo “Identidades religiosas em Portugal: representações, valores e práticas”, cujos resultados o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura publicou, propõe um interpretação resumida dos dados. «Se os católicos são 80% do total da população inquirida, a sua posição relativa muda substancialmente se temos como universo os inquiridos que residem numa localidade de dimensão urbana – 66,6%. Na composição da população que constitui cada uma das outras identidades, o conjunto dos que habitam em localidades de tipologia rural constitui sempre a minoria. A população pertencente a outras denominações religiosas é sobretudo urbana e semiurbana. O mesmo se diga dos não crentes ou crentes sem religião.»

Religião e cultura: procurar o Absoluto na contingência do provisório
A procura do Absoluto inclui obrigatoriamente uma profunda meditação acerca do relativo, ou seja, sobre os condicionamentos histórico-culturais da presença do ser humano e da própria religião no mundo. É no concreto da história, no meio de todas as potencialidades, fragilidades e condicionalismos de uma cultura que pode irromper a presença, muitas vezes só intuída, da transcendência. Esta realidade mostra como para o ser humano o transcendente só pode acontecer e tornar-se presente na seu viver como «transcendente encarnado». Trata-se sem dúvida de uma experiência paradoxal. Experimenta-se a transcendência, mas sempre através e no concreto da história; procura-se o Absoluto e o infinito, mas só se pode chegar a ele através de realidades finitas e relativas.

Leitura: Falsos deuses
«[No mundo greco-romano,] cada cidade adorava as suas divindades preferidas e construía santuários à volta de imagens de culto. Quando Paulo foi a Atenas, viu que esta estava literalmente cheia de imagens dessas divindades (Atos 17,16). O Pártenon de Atenas ofuscava tudo o resto, mas havia outras divindades representadas em cada espaço público. Havia Afrodite, a deusa da beleza; Ares, o deus da guerra; Ártemis, a deusa da fertilidade e da riqueza; Vulcano, o deus forjador e do fogo. A nossa sociedade contemporânea não é fundamentalmente diferente dessas sociedades antigas. Cada cultura é dominada pela sua própria série de ídolos. Cada uma tem os seus «sacerdócios», os seus totens e os seus rituais. Cada uma tem os seus santuários – quer se trate de torres de escritórios, de spas e ginásios, de estúdios ou de estádios –, onde têm de se fazer sacrifícios, a fim de obter as bênçãos de uma boa vida e de afastar as catástrofes. Não serão esses os deuses da beleza, do poder, do dinheiro e da realização pessoal, precisamente aquelas coisas que assumiram proporções míticas na nossa vida individual e na nossa sociedade?»

Paróquia de Arronches organiza 1.º Festival de Música Sacra
A iniciativa organizada pela paróquia de Arronches, diocese de Portalegre-Castelo Branco, «pretende ser o emergir de um conjunto de atividades culturais centradas no plano da música sacra, procurando tornar-se referência musical» no concelho. No próximo concerto vão ser interpretadas peças «que remetem para a Paixão e a ressurreição de Cristo, além de repertório sacro mais conhecido», tecendo um percurso até ao século XX com obras de Vivaldi, Handel, Bach, Pergolesi, Haydn, Mozart, Schubert, Gounod e Fauré, entre outros.

Bento XVI recebe os parabéns com hino de louvor de Mendelssohn | ÁUDIO |
O Coro e a Orquestra Gewandhaus, da cidade alemã de Leipzig, executam esta sexta-feira no Vaticano um concerto por ocasião dos 85 anos de Bento XVI, celebrados a 16 de abril. «Mendelssohn desejava uma composição baseada nos textos das sagradas escrituras, inclusive porque lhe tinham pedido uma obra por ocasião do quarto centenário da invenção da imprensa e, como se sabe, o primeiro livro a ser impresso foi a Bíblia», explicou o maestro italiano, Riccardo Chailly, que vai conduzir o concerto.

Círculo de Espiritualidade e Cultura organiza viagem a Guimarães
O percurso, acompanhado pelo padre Carlos Vasconcelos, vai ter “um acompanhante creditado” na Capital Europeia da Cultura.

É novo » 19.4.2012

Catolicismo e outras identidades religiosas em Portugal: todos os resultados do estudo da Universidade Católica
O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura oferece o relatório do estudo “Identidades religiosas em Portugal: representações, valores e práticas”, apresentado na assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa que decorre de 16 a 19 de abril e divulgado à Comunicação Social esta quarta-feira. Nesta página publicam-se todos os quadros e gráficos da investigação conduzida pela Universidade Católica Portuguesa, sem outros elementos que não as legendas e a descrição técnica. No fim da página há uma ligação que permite fazer a transferência do relatório de onde foram extraídos os quadros e gráficos aqui apresentados. O documento inclui um estudo interpretativo dos dados assinado pelo sociólogo Alfredo Teixeira, coordenador e relator do estudo.

Guia para a leitura da obra de Joseph Ratzinger – Bento XVI
«Uma fé que gera cultura é, de facto, essencial para abraçar, transformar e enriquecer as realidades do mundo. Se a cultura “é aquilo pelo qual o homem, enquanto homem, se torna mais homem”, é claro que também para a Igreja (sacerdotes e leigos, famílias, paróquias, escolas católicas, mass media, etc.), a responsabilidade de educar coincide com o empenho de tornar as pessoas capazes de viverem a sua vida em plenitude e darem o seu contributo para o bem da comunidade.» No dia em que se assinalam sete anos da eleição de Bento XVI, oferecemos um extrato da obra “Guia para a leitura da obra de Joseph Ratzinger”.

“Dias da Música”: oportunidade para ouvir dezenas de peças cristãs antigas e contemporâneas
Os “Dias da Música”, que decorrem de 27 a 29 de abril no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, propõem 60 concertos dedicados ao tema “O canto através dos tempos”. «Na tradição ocidental, o canto começou por ser a expressão coletiva de um estado de espírito, essencialmente ligado ao culto divino», explica o site do CCB, que escolheu um programa que abrange vários concertos com assonâncias religiosas, na maior parte relacionadas com o cristianismo.

É novo » 18.4.2012

Átrio dos Gentios em Braga e Guimarães
O cónego José Paulo Abreu, da arquidiocese de Braga, é o responsável operacional pela realização do primeiro Átrio dos Gentios em Portugal. A plataforma para o diálogo entre crentes e não crentes estabelecida pelo Conselho Pontifício da Cultura junta-se a 16 e 17 de novembro ao programa das Capitais Europeias da Juventude e da Cultura, que decorrem em 2012 nas cidades de Braga e Guimarães. O também presidente da Comissão Arquidiocesana para os Bens Patrimoniais, Cultura e Comunicação Social revelou as linhas essenciais do programa dedicado à Vida, que inclui conferências, “workshops” e uma festa conclusiva com teatro, música e poesia.

A arte, alma da cultura, caminho da transcendência
A arte religiosa é o prolongamento da revelação de Deus e o acolhimento desta revelação por parte do homem. Quando a arte é religiosa, as formas, as imagens, as cores e os sons não se colocam ao serviço deles mesmos mas ao serviço da fé. Por este motivo é frequente a arte com motivos religiosos mas é difícil chegar à arte religiosa como tal. A arte religiosa converte-se em espaço privilegiado de diálogo entre o Deus criador e o homem criado.

A cultura como dimensão específica do humano
Não ainda há muito tempo a construção da identidade pessoal, se bem que era um processo dinâmico não possuía a mobilidade e provisionalidade tão características dos nossos dias. De certo modo, após um necessário e indispensável processo de amadurecimento as pessoas eram o que eram de uma vez para todas, de tal maneira que, salvo raras exceções, eram capazes de manter a sua consciência identitária de uma forma bastante harmónica ao longo da sua vida. Neste processo a própria situação de cada um, no momento do nascimento, acabava por ter um peso que hoje de todo não tem. A importância ainda hoje dada ao ‘eu’, como critério único e último para refletir a identidade, está claramente marcada por uma cultura que promove a individualidade e o indivíduo. Por outro lado, a enorme fragmentarização, a que crescentemente vamos assistindo a todos os níveis do viver e do pensar, ajuda igualmente a compreender a cada vez maior multiplicidade de propostas a este nível.

A poesia de Pessoa é um diagnóstico espiritual certeiro da Modernidade
A essência da cultura moderna não determinou, ao contrário do que se diz, a ausência do sentimento religioso ou da metafísica, da ética ou da estética. O que define a Modernidade mais do que o vazio é o excesso. As antigas esferas subsistem, aquilo que funda a certeza ou a crença permanece. Mas sob um regime novo: o de uma radical autonomização que confere à cultura e ao homem um perfil estilhaçado. A partir de agora somos fragmentos de uma unidade perdida, dispersão incontrolável, orfandade e ficção. Como o poeta enuncia numa passagem de um dos seus poemas mais conhecidos, “Tabacaria”: «Fiz de mim o que não soube/ E o que podia fazer de mim não o fiz.»

Pontes sobre o Tejo
Ainda que pareçam manifestamente exageradas as notícias da obsolescência e morte da cidade tradicional, assente num sistema de relações de ruas, praças e quarteirões, de espaços abertos e fechados, públicos e privados, e da escala da necessidade do corpo humano, hoje, numa propalada e, de certa forma equívoca, condição urbana global, a cidade genérica, os instrumentos tradicionais do planeamento – e podemos já considerar também tradicionais as próprias categorias urbanas de Le Corbusier: habitação, trabalho, lazer, circulação – são necessariamente motivo de reflexão por parte dos intervenientes na construção das cidades. Para evitar quer a evidente ditadura do mercado, quer as múltiplas e contraditórias opções individualistas, que possam aproveitar as brechas no edifício do bem comum da polis, importa, com abrangência e apoio em múltiplos saberes, pensar a condição urbana como uma das circunstâncias da contemporaneidade. Por esta razão, importa revisitar “Lisboa em vésperas do Terceiro Milénio” (Assírio & Alvim, 2002) do fotógrafo Luís Pavão.

É novo » 17.4.2012

Arte, beleza, transcendência: Barcelona é a próxima paragem do Átrio dos Gentios
A cidade espanhola de Barcelona vai receber a 17 e 18 de maio a próxima sessão do Átrio dos Gentios, plataforma para o diálogo entre crentes e não-crentes estabelecida pelo Conselho Pontifício da Cultura, da Igreja Católica. O encontro, dedicado ao tema “Arte, beleza, transcendência”, vai ser presidido pelo cardeal Luís Martínez Sistach, arcebispo da diocese catalã. O diretor executivo do Átrio dos Gentios, padre Laurent Mazas, explicou que o Conselho Pontifício da Cultura, dirigido pelo cardeal italiano Gianfranco Ravasi, tinha pensado realizar duas sessões por ano, mas decidiram aumentar para seis dado que «chovem os pedidos».

Bíblia e Cultura cruzaram-se na Sé de Lisboa
«Nisto chegam sua mãe e seus irmãos que, ficando do lado de fora, o mandam chamar. A multidão estava sentada em volta dele, quando lhe disseram: “Estão lá fora a tua mãe e os teus irmãos que te procuram.” Ele respondeu: “Quem são minha mãe e meus irmãos?” E, percorrendo com o olhar os que estavam sentados à volta dele, disse: “Aí estão minha mãe e meus irmãos. Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”» Esta passagem foi ouvida pelas 300 pessoas que no domingo se reuniram na Sé de Lisboa para assistir à leitura do Evangelho segundo São Marcos pela voz de artistas e jornalistas. A ideia, explicou o diretor do Secretariado da Ação Pastoral do Patriarcado de Lisboa, foi apresentar o evangelho «não na forma tradicional na vida da Igreja, que é a sua leitura na liturgia, mas com caráter cultural», para se perceber «que é na vida que essa palavra pode transformar os cristãos e ser fermento no mundo».

A experiência religiosa e as suas múltiplas expressões culturais: a tensão Estrutura-História
A estrutura e a história, são expressões do mesmo ser humano, ainda que em planos diferentes. A primeira destaca o que é comum, a segunda o que é próprio, mas o que é comum só se pode concretizar através do que é próprio. No âmbito da religião, a dimensão histórica e cultural jamais se acha ausente, ainda que não se possa confundir com a intenção mais profunda e religiosa da própria religião. A dimensão histórica e cultural pertence à ordem do expressivo e culturalmente modificável, que possibilita a concretização da dimensão religiosa como «maneira peculiar de existir própria exclusivamente do homem».

Leitura: A obra religiosa de Marcos António Portugal
Este catálogo temático mostra, antes de mais, a vasta produção sacra do compositor, as suas estruturas e temas, e o paradeiro das fontes conhecidas. Revela, contudo, muito mais ainda. Através dos dados fornecidos tornou-se possível estudar, escolher, transcrever, executar e gravar obras sacras de Marcos Portugal, porque agora sabemos exatamente o que existe e onde se encontram as fontes. Agora podemos afirmar com convicção, com base num conhecimento muito real, que a música religiosa deste compositor é de grande valor em termos absolutos, em tudo comparável à dos mais destacados autores europeus da sua época.

Bispos do Porto e Bragança-Miranda intervêm em conferência para políticos e autarcas
O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, e de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, são dois dos oradores da conferência anual que integra a formação em Administração Pública dirigida a autarcas e políticos organizada pela Universidade Católica Portuguesa. D. Manuel Clemente vai ser o presidente da conferência de encerramento, em que participa o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas. A mesa-redonda “Políticas públicas e centros históricos” vai ser presidida por D. José Cordeiro, enquanto que o padre Américo Aguiar, vigário-geral da diocese do Porto, modera a conferência “Clérigos como ilustração de um tempo”.

Cinema: Capitães da areia | VÍDEO + IMAGENS |
Diria Jorge Amado, a propósito desta e de toda a sua obra que «não é traindo a adolescência e a juventude, suas ânsias, suas revoltas, sua necessidade de destruir para afirmar-se (…) que o escritor levanta, na experiência viva, sua medida de homem, aprendendo aos poucos, numa longa marcha, a estimar e a compreender, amadurecendo em riqueza espiritual». E é este o verdadeiro toque que sentimos ao ler a sua obra: o toque espiritual que o coloca a ele como criador e a nós leitores no mesmo plano humano, na miséria e grandiosidade que a transcende das suas personagens. Leva-nos longe esta adaptação, mesmo sobrevivendo em ampla escala do original literário, ao trazer-nos com os seus meninos atores, amadores, uma brisa fresca de inocência.

Novos selos dos CTT destacam Bíblia e catedrais portuguesas | IMAGENS |
A emissão filatélica que os CTT dedicam à “Rota das Catedrais” vai ser lançada na Sé de Viseu a 18 de maio, e no mesmo dia decorre na Sé de Santarém a cerimónia de obliteração do carimbo de 1.º dia. Os CTT lançaram recentemente em Fátima o livro “A Palavra e a Imagem”, onde Paulo Mendes Pinto reúne «dois dos elementos mais fortes e presentes na cultura da Europa Ocidental: a Bíblia e a pintura». «A partir de cinquenta episódios bíblicos e da sua representação em obras-primas da arte portuguesa, o autor elabora um texto que entrelaça e enriquece esta relação». «Sejamos “praticantes” ou não – escreve Paulo Mendes Pinto – durante dois milénios a nossa herança foi-se construindo nesta articulação entre um texto tido como sagrado e as suas representações que acompanhavam os momentos de culto, de introspeção, de regozijo ou de desespero».

O dia em que Bento XVI completou 85 anos | IMAGENS |