É novo » 29.9.2013

O pobre Lázaro, o rico e a (in)justa distribuição da riqueza
Não se trata apenas de vencer a fome, nem tampouco de afastar a pobreza. O combate contra a miséria, embora urgente e necessário, não é suficiente. Trata-se de construir um mundo em que todos os homens, sem exceção de raça, religião ou nacionalidade, possam viver uma vida plenamente humana, livre de servidões que lhe vêm dos homens e de uma natureza mal domada; um mundo em que a liberdade não seja uma palavra vã e em que o pobre Lázaro possa sentar-se à mesa do rico. Isto exige, da parte deste último, grande generosidade, muitos sacrifícios e esforço contínuo. Estará o rico pronto a dar do seu dinheiro, para sustentar as obras e missões organizadas em favor dos mais pobres? Estará disposto a pagar mais impostos, para que os poderes públicos intensifiquem os esforços pelo desenvolvimento? A comprar mais caro os produtos importados, para remunerar com maior justiça o produtor?

Sobre a parábola de Lázaro e do rico: Manifestemos uns para com os outros a bondade de Deus
Depois de tantos benefícios recebidos e de tantos outros que esperamos ainda, não teremos vergonha de Lhe negar a única retribuição que pede, o amor para com Ele e para com o próximo? Não nos preocupemos em acumular e conservar riquezas, enquanto outros sofrem necessidade, para não merecermos aquelas duras e ameaçadoras palavras do profeta Amós: “Escutai, vós que dizeis: ‘Quando passará a lua nova para vendermos o trigo, e o sábado para abrirmos os celeiros?’”

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É novo » 28.9.2013

Evangelho e 2.º leitura do 26.º domingo (29 de setembro): pistas para meditação
É duplamente terrível a última frase do Evangelho: «Tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos». Primeiro porque ela parece desesperada, como se nada pudesse forçar um coração de pedra a mudar. Mas é ainda mais terrível na boca de Jesus. Podemos perguntar se ele estaria a pensar nele próprio ao proferi-la – «Se alguém ressuscitar dentre os mortos»… E quando Lucas escreveu o seu evangelho, sabia muito bem que a ressurreição de Cristo não converteu toda a gente, longe disso; chegou mesmo a endurecer alguns. Centremo-nos na história do rico e do pobre Lázaro: do rico não sabemos muito, nem sequer o nome. Não se refere que era especialmente malvado; pelo contrário, dado que chega a pensar, mais tarde, em salvar os seus irmãos da infelicidade no além. Simplesmente, ele está no seu mundo, no seu conforto, «na sua torre de marfim», poder-se-ia dizer, como os samaritanos de quem falava Amós na primeira leitura. De tal forma estava encerrado na sua torre de marfim que nem sequer chega a ver, através do seu portão, o mendigo que morre de fome e que bem se contentaria com os seus restos.

Patriarca de Lisboa apela à participação nas eleições e diz que financiamento à economia portuguesa está a falhar
O patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, apelou esta sexta-feira aos eleitores para não se absterem de votar no domingo, tendo-se também pronunciado sobre os problemas causados pela falta de financiamento à economia. «Que participem, isso é que eu espero. Deles e de mim próprio. Como cidadãos, que participem todos, porque a vida política é fundamental em qualquer sociedade. É onde ativamos a nossa responsabilidade, é onde decidimos o nosso futuro a nível local e a nível nacional», vincou o prelado sobre as eleições autárquicas. Em declarações aos jornalistas, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa referiu-se também à situação económica em Portugal. «O que está a falhar é o financiamento à economia, esse é que é o grande problema, nós como povo, como sociedade, contraíamos uma dívida muitíssimo grande, neste momento não digo que estamos nas mãos dos nossos credores, mas quase, e isso condiciona necessariamente a disponibilidade para reconstruir o país», frisou.

Livros novos para o outono (atualização com mais títulos)
“Mente aberta, coração crente” (Jorge Bergoglio, papa Francisco), “O Pensamento Bioético de Daniel Serrão” (Carlos Costa Gomes), “S. Sebastião” (da coleção “Santos e Milagres na Idade Média em Portugal”, editada pelo Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), “Sobre a morte e o morrer” (Walter Osswald) e “Vida de S. Domingos” (Henri-Dominique Lacordaire) são os títulos que se juntam à lista de livros publicados recentemente, numa cortesia da Livraria Fundamentos (Braga).

Sou cristão cultural e do bem-estar, ou vou até à cruz?, questiona papa Francisco
O papa Francisco afirmou esta sexta-feira no Vaticano que a prova para cada pessoa saber se se é cristão está na capacidade de «suportar as humilhações com alegria e paciência». «É esta a tentação do bem-estar espiritual: Temos tudo: temos a igreja, temos Jesus Cristo, os sacramentos, a Virgem Maria, tudo, um belo trabalho para o Reino de Deus; somos bons, todos. (…) Mas não basta o bem-estar espiritual até certo ponto», sublinhou Francisco na homilia da missa a que presidiu. «Como aquele jovem que era rico: queria andar com Jesus, mas até um certo ponto. Falta esta última unção do cristão, para ser cristão verdadeiro: a unção da cruz, a unção da humilhação», apontou.

“A lista de Bergoglio”: Testemunhas relatam ação do papa Francisco durante ditadura argentina
“A lista de Bergoglio” é um livro que relata, ao longo de quase 200 páginas, o testemunho de dezenas de perseguidos políticos pela ditadura argentina salvos pelo papa Francisco quando era padre. «É difícil fazer uma estimativa precisa, sobretudo porque o padre Bergoglio nunca quis falar sobre isto. Recolhemos uma vintena de testemunhos, todos em períodos diferentes entre si, de pessoas que não se conhecem e que conheceram Bergoglio em épocas diferentes», explicou o autor. «Cada uma destas pessoas, por sua vez, diz-se testemunha de, pelo menos, vinte salvamentos. Prudentemente, podemos afirmar que são mais de cem as pessoas que o padre Jorge Mário Bergoglio salvou naquele tempo», acrescentou.

É novo » 27.9.2013

Livros novos para o outono
“A oração de Jesus – Caminho para a intimidade dom Deus”, “A vida de Ana Catarina Emmerich”, “Ciberteologia – Pensar o cristianismo na era da internet”, “Concidadãos dos santos e membros da família de Deus”, “Emtregar-se, acolher e comungar”, “Filosofias”, “Gerontologia, gerontagogia – Animação sociocultural em idosos”, “Histórias de Saúde na Bíblia”, “Inventário do Arquivo da Venerável Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco da cidade de Coimbra”, “Leve Deus no coração – Reflexões jesuítas para todo o ano”, “Ó Jesus, é por vosso amor”, “Paulo de Tarso – A última viagem”, “Porquê batizar o meu filho?”, “Portugal contemporâneo – Estudos de História”, “Princípios de Doutrina Económica da Igreja”, “Quando a Igreja desceu à terra – Testemunho de memória e futuro nos 50 anos do Concílio Vaticano II”, “Quem é Jesus?”, “Santa Hildegarda de Bingen” e “Um olhar luminoso – Beata Chiara Badano”: apresentação de algumas das edições publicadas desde o verão até estes primeiros dias de outono.

“Ciberteologia”: A internet entre teologia e espiritualidade
Sabemos que o progresso tecnológico pode «induzir à ideia da autossuficiência da própria técnica, quando o homem se pergunta somente o como e não considera os muitos porquês que o levam a agir»: o absolutismo da técnica «tende a produzir uma incapacidade para perceber aquilo que não se explica com a simples matéria». Todavia, se bem entendida, ela consegue exprimir uma forma de desejo ardente de «transcendência» em relação à condição humana assim como é vivida atualmente. E isto deve também ser dito daquele «espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias informáticas», isto é, o chamado «ciberespaço». O teólogo Tom Beaudoin notou, de facto, como esse espaço tão peculiar pela rapidez das suas conexões representa o desejo do homem de uma plenitude que sempre o supera tanto ao nível de presença e relacionamento como de conhecimento: «O ciberespaço ressalta nossa finitude», «espelha o nosso desejo de infinito, de divino.» Procurar tal plenitude significa, pois, operar num campo «em que a espiritualidade e a tecnologia se cruzam».

Onde está o teu tesouro?
«Depois de anos e anos de dura miséria que, no entanto, não tinham beliscado a sua confiança em Deus, Eisik teve em sonhos a ordem de ir a Praga buscar um tesouro que estava enterrado debaixo da ponte do palácio real. Como o sonho se repetiu por três vezes, pôs-se a caminho e andou, andou, andou até que chegou a Praga. Mas a ponte era vigiada dia e noite pelas sentinelas que guardavam o palácio… E Eisik não teve coragem de escavar no local indicado. Todavia, voltava à ponte todas as manhãs e ficava ali às voltas até ao entardecer. Um dia, o capitão da guarda, que tinha notado as suas idas e voltas, aproximou-se e perguntou-lhe simpaticamente se tinha perdido alguma coisa ou se estava à espera de alguém. Eisik contou-lhe então o sonho que o tinha trazido da sua longínqua terra até ali. E o capitão desatou a rir: “E tu, pobre homem, por dar crédito a um sonho vieste a pé até aqui? Ah, ah, ah! Estás arrumado se te fias em sonhos!» A Cáritas Portuguesa lançou este mês o segundo número da segunda série da sua revista, onde lemos a história de um homem que deixa tudo à procura de um tesouro e que acaba por ser surpreendido…

O que escreveram os bispos portugueses sobre as primeiras eleições autárquicas
«Em regime democrático, abster-se de votar significa sempre, no fundo, uma grave atitude de recusa em assumir as responsabilidades próprias, deixando apenas a um certo número de cidadãos o papel, que a todos pertence, de definir os rumos da vida nacional. No caso das presentes eleições, a gravidade de uma tal recusa deverá avaliar-se, simultaneamente, pela difícil situação actual do País, pela força das ideologias em presença e, ainda, pela importância dos órgãos do poder local, através dos quais as comunidades paroquiais e concelhias são chamadas a fazer ouvir a sua voz e a dar expressão aos seus direitos e agravos.» As primeiras eleições autárquicas em Portugal realizaram-se há 37 anos, a 12 de dezembro de 1976. Foram as últimas de um ciclo que começou com a transição para o regime democrático, com a revolução de 25 de abril de 1974. Recordamos alguns excertos de um comunicado do episcopado português sobre as eleições para o “Poder Local”, expressão então usada para designar as autarquias, seguindo-se dois editoriais do jornal “Nova Terra”, semanário ligado à Igreja editado entre 1975 e 1977.

Não se pode conhecer Jesus apenas na biblioteca: é preciso ação e oração, diz papa Francisco
O papa Francisco frisou esta quinta-feira que conhecer Jesus implica um envolvimento existencial que causa sempre contrariedades, e que se baseia no estudo, na oração e na ação. «Se tu queres ter um problema, vai pela estrada do conhecimento de Jesus. Não um, mas terás muitos», disse Francisco na homilia da missa a que presidiu na Casa de Santa Marta, onde reside, no Vaticano, refere a Rádio Vaticano. Para o papa, «não se pode conhecer Jesus em primeira classe»: «Jesus conhece-se no caminhar quotidiano de todos os dias. Não se pode conhecer Jesus na tranquilidade, nem na biblioteca». «Não se pode conhecer Jesus sem o envolvimento com Ele, sem apostar a vida por Ele», vincou Francisco, antes de apontar: «Esta é a estrada. Cada um deve fazer a sua escolha».

Presidente do Pontifício Conselho da Cultura prefacia reedição de “O tesouro escondido”, de José Tolentino Mendonça
«Quando Deus concedeu fé a José Tolentino Mendonça, sacerdote, teólogo e poeta português, concedeu-lhe também a capacidade de cantá-la. Não se estranhe, portanto, que estas páginas sejam um límpido testemunho da fé e da poesia fortemente entrelaçadas. De facto, elas confiam-se às iridescências das imagens, ao frémito das palavras escolhi das e exatas, à frescura do estilo, à força da poesia. Porém, haurem e inspiram-se na nascente da Bíblia, na raiz da fé, como que remontando ao Além e ao divino que é sempre Outro. O próprio título refere-se a uma das 35 parábolas de Jesus, a do tesouro escondido no campo (Mateus 13,44). Contudo, é no subtítulo que descobrimos o fio condutor mais robusto deste livro: “Para uma arte da procura interior”.» O biblista e presidente do Pontifício Conselho da Cultura, o cardeal Gianfranco Ravasi, assina o prefácio da sétima edição, revista e aumentada, do livro “O tesouro escondido”.

É novo » 26.9.2013

Existem sacramentos na internet?
«O reverendo Tim Ross, ministro metodista inglês, tinha imaginado ser possível um communion service no Twitter. A celebração nunca aconteceu, porque as autoridades da sua comunidade eclesial lhe pediram que a cancelasse, embora considerassem válida a motivação que tinha levado o reverendo Ross a pensar nela, isto é, uma «expressão renovada da fé e do culto no contexto das novas formas de media sociais eletrónicos». A celebração fora pensada como uma remote communion («comunhão à distância»), que acontece quando aqueles que recebem as espécies eucarísticas o fazem no mesmo instante, mas não no mesmo local físico do celebrante, como explica o reverendo Ross, citando também o caso de uma paróquia da Church of Scotland, que realiza celebrações on-line para reunir de modo constante os fiéis que, esparsos em várias ilhazinhas, de outra forma não teriam como manter-se unidos.» Prosseguimos a pré-publicação de excertos do livro “Ciberteologia – Pensar o Cristianismo na era da Internet”, do padre italiano Antonio Spadaro, que a Paulinas Editora lança nas livrarias esta quinta-feira.

Uma fenda no mundo. Do espiritual na arte contemporânea (III) | IMAGENS |
«Os caminhos da arte são múltiplos, e se podemos dizer que toda a obra de arte é espiritual porque resulta de uma ação espiritual, de um ato humano superior, procurámos investigar obras que abrem mundos ou fendem este. Que refletem sobre o segredo inviolável do real. E, nos poucos exemplos aqui apresentados, foi possível perceber como são tantas as possibilidades abertas neste último século: desde o regresso à renúncia primitiva – que nunca é um verdadeiro regresso, senão seria esvaziado de alma; passando pela atenção redentora ao quotidiano – experimentar a intensidade da vida nos gestos simples, nos objetos ou atos comuns; até à apresentação de uma arte apofática, que da negatividade faz caminho e não muro, aproximando alguns percursos artísticos contemporâneos da mística tradicional. Há quase um século, Wassily Kandinsky, nosso guia nesta deambulação, escreveu que as boas obras “defendem a alma de toda a vulgaridade. Mantêm-na numa certa tonalidade, como o diapasão às cordas de um instrumento”. Se o mundo quotidiano nos pode enquistar, tornar desafinados – para usar essa metáfora musical fundamental para o pintor russo e para a sua arte abstrata – a obra de arte deve esticar as cordas da alma para que o som correto, espiritual, se mantenha e nos mantenha. Afinar-nos, é esse o objetivo da arte.» Terceira e última parte do ensaio “Uma fenda no mundo. Do espiritual na arte contemporânea”.

Um bispo que não saiba mexer-se no ambiente dos «nativos digitais» está fora da sua missão, diz cardeal
O presidente do Pontifício Conselho da Cultura afirmou esta quarta-feira que os bispos que desconhecem o alfabeto das gerações juvenis, rodeadas de tecnologia, não estão a ser fiéis ao seu ministério. «A língua italiana conta com 150 mil vocábulos, enquanto que os jovens, hoje, utilizam entre 800 a mil», explicou o cardeal Gianfranco Ravasi no encontro que reúne jornalistas crentes e não crentes em Roma. O prelado mencionou o «modelo antropológico dos “nativos digitais”» para salientar que «um bispo que não sabe mexer-se nessa nova atmosfera coloca-se fora da sua missão». O diretor do diário italiano “La Stampa” frisou que «um limite na relação entre a Igreja e os média é o de ter uma agenda comum»: «É um erro dos jornais analisar a Igreja como as mesmas coordenadas da política». «O papa é de esquerda se no domingo fala dos imigrantes, e torna-se de direita se na quarta-feira condena o aborto ou reitera os princípios inegociáveis da bioética».

Conhece bem a Bíblia? (5): tradução e composição
A quantas perguntas consegue responder acertadamente?

Sou católico aberto a toda a Igreja ou “privatizo” a fé?, pergunta papa Francisco
«Perguntemo-nos todos: eu, como católico, sinto esta unidade? Eu, como católico, vivo esta unidade da Igreja? Ou não me interessa porque estou fechado no meu pequeno grupo ou em mim próprio? Sou daqueles que “privatizam” a Igreja para o próprio grupo, a própria nação, os próprios amigos?» «É triste encontrar uma Igreja privatizada por este egoísmo e esta falta de fé. É triste. Quando oiço que tantos cristãos no mundo sofrem, sou indiferente ou é como se sofresse um membro da família? Quando penso ou oiço dizer que muitos cristãos são perseguidos, e até dão a vida pela sua fé, isso toca o meu coração ou não me afeta? Estou aberto àquele irmão ou àquela irmã da família que está a dar a vida por Jesus Cristo?» O papa Francisco acentuou esta quarta-feira a importância da unidade dentro de uma Igreja formada por muitas línguas e culturas, e perguntou aos católicos se são sensíveis aos fiéis em dificuldades ou se se fecham no seu grupo e privatizam a fé.

É novo » 25.9.2013

Pré-publicação: “Ciberteologia – Pensar o Cristianismo na era da Internet”
«Esta é a maior contribuição da Igreja à Rede, ao menos do seu ponto de vista: ajudar o homem a entender melhor o significado profundo da comunicação e dos media, sobretudo porque eles «influem na consciência dos indivíduos, formam a sua mentalidade e determinam a sua visão das coisas» (Ibid.). No desenvolvimento da comunicação, a Igreja vê a ação de Deus que conduz a humanidade para uma realização plena. A Internet, com a sua capacidade de ser, ao menos potencialmente, um espaço de comunhão, faz parte do caminho do homem para esta consumação em Cristo. É preciso, então, ter uma visão espiritual da Rede, vendo Cristo que chama a humanidade a estar cada vez mais unida e ligada.» A Paulinas Editora lança esta quinta-feira nas livrarias o livro “Ciberteologia – Pensar o Cristianismo na era da Internet”, do padre italiano Antonio Spadaro, autor da primeira grande entrevista ao papa Francisco. Iniciamos hoje a apresentação de alguns excertos da obra com extratos do texto introdutório.

«Um deus que fertiliza a polpa azul da sombra»: metáforas para a inclusão de Deus em António Ramos Rosa
«Há um deus que fertiliza a polpa azul da sombra / e extenso no silêncio está como o olvido no olvido. / Recolhe-se num movimento para o centro / onde permanece côncavo e completo. / Na sua enamorada eternidade / o corpo é asa, pedra e nuvem. / O mundo por vezes é um instante de amêndoa / em que ele transparece em carícias de regaço. / Movimento de plácida e redonda consciência, / não a imagem mas a visão nua do âmbito pleno, / em que estamos com ele em sequência natural. / A sua vida é o sono da luz e da sombra em aberta órbita / sempre no seu próprio círculo em sucessivas ondas / de sossegada incandescência. / Ele está no mundo, o mundo está nele / sempre como no princípio num fulgor cumprido / na radiosa concavidade azul.» Várias palavras deste poema, sem definirem Deus, falam-nos metaforicamente de propriedades e valores que a revelação e a teologia nos habituaram a atribuir-lhe. Com esta vantagem: são palavras dinâmicas, de sentido aberto para novas buscas e significados.

Uma fenda no mundo. Do espiritual na arte contemporânea (II) | IMAGENS |
A enorme escuridão que a obra de arte nos abre, coloca o homem no exílio, em lugar inóspito, inabitável, inseguro. A obscuridade da arte é a daqueles que não têm onde inclinar a cabeça e descansar. Um fundamento abissal e originante, antes de tudo, para o qual as palavras faltam. “Luminosidade que desfaz o mundo”, luz negra que o remete à sua origem murmurante. Assim a obra desenraíza o homem do seu mundo, abana a sua morada, retira-o ao hábito e às certezas, e retorna-lhe a sua condição de nómada, peregrino. Também o reino da obra de arte não é deste mundo. Vem trazer a espada e não a paz. Destrói o mundo e recria-o. Rasga uma fenda e abre uma porta para a noite. “A arte, longe de iluminar o mundo, deixa experimentar a obscuridade da qual emerge todo o mundo.” A arte pode refletir o mistério. Apresenta-nos a alteridade enquanto tal. Uma alteridade essencial. Um Outro absoluto. A sedução do infigurável por oposição ao corpo tangível do Deus cristão. Outros, ainda, pensam as disciplinas artísticas como “um pensamento irreligioso do sagrado”. Um regresso às origens mais puras da relação com os mitos e a nostalgia das origens, a comunhão com a matéria, a simplicidade das formas originais, o cosmos e as suas forças sagradas, o fascínio pelo informe e o caos.

Igrejas, capelas e ermidas acolhem Jornadas Europeias do Património
Dezenas de igrejas, capelas e ermidas acolhem esta sexta-feira, sábado e domingo as Jornadas Europeias do Património, iniciativa comum do Conselho da Europa e da Comissão Europeia a que aderem 50 estados. A Santa Sé volta este ano a participar na iniciativa com o programa “As imagens da fé do património europeu”, elaborado pelo Pontifício Conselho da Cultura e pelos Museus do Vaticano, que no domingo podem ser visitados gratuitamente. Conheça as atividades previstas para Portugal, segundo os dados fornecidos pelo Igespar.

«Deus espera sempre», lembra papa Francisco
O papa sublinhou esta terça-feira que Deus aguarda sempre pelo ser humano, e salientou que os sacramentos são um meio privilegiado para o encontro com Cristo. Francisco salientou igualmente a identidade dos sete sacramentos: «O Senhor Jesus acompanha-nos também na nossa vida pessoal: com os sacramentos. O sacramento não é um rito mágico: é um encontro com Jesus Cristo». «E se Ele entrou na nossa história, entremos também nós um pouco na história dEle», convidou.

Migrantes: papa Francisco pede criação de emprego e diz que é preciso passar do «medo» à «hospitalidade» | IMAGENS |
A mensagem do papa Francisco para o próximo Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que a Igreja assinala a 19 de janeiro, apela a «um espírito de profunda solidariedade e compaixão» por quem deixa a sua terra em busca de uma vida melhor. «É necessário passar de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização – que, no final, corresponde precisamente à “cultura do descartável” – para uma atitude que tem por base a “cultura do encontro”, a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno, um mundo melhor», frisa Francisco. No documento, intitulado “Migrantes e refugiados: rumo a um mundo melhor”, o papa vinca que «criar oportunidades de emprego nas economias locais impediria (…) a separação das famílias e garantiria condições de estabilidade e de serenidade para os indivíduos e comunidades».

Em cada dia, deixa-te tocar por alguém ou alguma coisa
Falamos pouco do Evangelho da Alegria e, entre tudo aquilo que assumimos como dever, como tarefa, raramente ele está. O dever da alegria, estarmos quotidianamente hipotecados à alegria, enviados em nome da alegria, não nos é tantas vezes recordado quanto devia. As nossas liturgias, pregações, catequeses e pastorais abordam a alegria quase com pudor. Definimo-nos culturalmente como homo faber, homem artesão, fabricante, aquele que se realiza na própria ação. E distanciamos da nossa própria vida o horizonte do homo festivus, isto é, o que é capaz de celebrar, aquele que conduz a criação à sua plenitude.

— Agenda para hoje —

Átrio dos Gentios promove encontro com jornalistas
O próximo encontro do Átrio dos Gentios, plataforma da Igreja católica para o diálogo entre crentes, agnósticos e ateus, vai decorrer a 25 de setembro, em Roma, e será dedicado aos jornalistas. “Ética da sociedade e ética da comunicação”, “Liberdade e responsabilidade na informação. Objetividade e verdade” e “Jornalismo, cultura e fé. Crer e comunicar” vão ser os temas em análise. O programa prevê o diálogo, seguido de debate, entre o presidente do Pontifício Conselho da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, e o fundador do jornal italiano “La Reppublica”, Eugenio Scalfari, que recentemente trocou publicamente correspondência com o papa Francisco. A paragem seguinte do Átrio dos Gentios será em Berlim, no fim de novembro.

É novo » 24.9.2013

António Ramos Rosa: P. Tolentino Mendonça preside a Celebração da Palavra
O padre José Tolentino Mendonça preside esta terça-feira a uma celebração baseada na Palavra de Deus durante o velório do poeta António Ramos Rosa, que faleceu esta segunda-feira, em Lisboa, aos 88 anos. O corpo do poeta, considerado uma das maiores figuras da poesia portuguesa do século XX, vai estar em câmara ardente a partir de terça-feira, na Capela do Rato, espaço que está à responsabilidade do sacerdote poeta, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. Já muito fragilizado, em consequência de uma pneumonia, o poeta, que estava hospitalizado desde quinta-feira no Hospital Egas Moniz, teve ainda forças para escrever esta manhã os nomes da sua mulher, a escritora Agripina Costa Marques, e da sua filha, Maria Filipe. E depois de Maria Filipe lhe ter sussurrado ao ouvido aquele que se tornou um dos versos mais emblemáticos da sua obra – «Estou vivo e escrevo sol» –, o poeta, conta a filha, escreveu-o uma última vez, numa folha de papel, revela o jornal “Público”.

Papa Francisco: «Cultura do conflito, não; cultura do encontro, sim»
O papa considera que a Igreja deve seguir uma rota que privilegie o encontro e a abertura, evitando uma visão apocalíptica da história marcada pelo conflito, isolamento, fuga e resignação, à maneira do «lavar das mãos» de Pilatos. As palavras de Francisco foram pronunciadas no «encontro com o mundo da cultura», em Cagliari, na aula magna da Pontifícia Faculdade de Teologia da Sardenha, ilha italiana que o papa visitou este domingo. Francisco vincou o papel das universidades na renovação da sociedade, realçou as perspetivas dos políticos jovens e afirmou que «toda a crise, mesmo a atual, é uma passagem, o trabalho de um parto que compreende fadiga, dificuldade, sofrimento, mas que traz em si o horizonte da vida, de uma renovação, traz a força da esperança». A intervenção do papa foi guiada pelas palavras «desilusão», «resignação» e «esperança».

Uma fenda no mundo. Do espiritual na arte contemporânea (I) | IMAGENS + VÍDEO |
Há cerca de cem anos, o pintor Wassily Kandinsky – percursor da arte abstrata – refletia sobre a arte do seu tempo e sobre as suas próprias experiências pictóricas, reflexões que dariam origem ao livro Do espiritual na arte, terminado em 1910 e publicado no ano seguinte. Esta obra teórica, uma das mais importantes da história da arte e porta para as novas expressões artísticas do século XX, começa assim: “Toda a obra de arte é filha do seu tempo e, muitas vezes, a mãe dos nossos sentimentos.”. Logo nesta primeira afirmação encontramos, pelo menos, dois temas para reflexão. Por um lado, fica claro que cada época tem de encontrar a sua forma de expressão, porque a imitação de fórmulas ou modelos anteriores torna-se vazia, “sem alma”. A obra é filha do seu tempo porque a Vida exige uma plasticidade própria em cada época histórica – porque é a Vida que se manifesta na obra de arte. Por outro lado, a obra de arte não pode ser apenas um resultado, um mero espelho do “espírito do tempo”, porque ela é a raiz, a origem, “a mãe dos nossos sentimentos” e do ambiente dessa mesma época. Neste sentido, Oscar Wilde tinha razão: não é a arte que imita a vida, é a vida que imita a arte. A obra antecipa, ou melhor, cria o seu próprio contexto, o seu e o nosso mundo.

Dois novos livros de José Tolentino Mendonça em outubro e novembro
Outubro e novembro são os meses previstos para o lançamento de dois novos livros do padre José Tolentino Mendonça, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. “Os rostos de Jesus”, em coautoria com Duarte Belo (Lisboa, 1968), é o primeiro volume a sair, editado pela “Temas & Debates” chancela do grupo Bertrand Círculo, revela o jornal “Público”. Paralelamente à atividade inicial em Arquitetura, especialidade em que se licenciou, Duarte Belo, filho do poeta Ruy Belo, desenvolve projetos em fotografia. Está representado em diversas coleções públicas e privadas, em Portugal e no estrangeiro, foi professor e participa regularmente em seminários, congressos e mesas redondas.

É novo » 23.9.2013

Manuel Fúria, Luís Miguel Cintra, Lídia Jorge, D. Manuel Clemente e Antonio Spadaro na Semana Cultural da Universidade Católica
A Universidade Católica Portuguesa organiza de 30 de setembro a 6 de outubro uma “Semana Cultural” que vai decorrer na sede, em Lisboa, e nos seus três centros regionais, em Porto, Braga e Viseu. A iniciativa, que pretende congregar «alunos, professores, investigadores e funcionários», pretende «aprofundar a identidade e a missão» da universidade, «num diálogo criativo com as várias dimensões do presente, e investindo, ao mesmo tempo, em linhas e linguagens de futuro», explica a nota de apresentação assinada pela reitora. Maria da Glória Garcia lembra que a Universidade Católica «é um projeto cultural que expressa, no domínio específico da produção do conhecimento e do ensino, a perspetiva cristã sobre a pessoa humana e a existência no seu todo». Conheça o programa.

Alfredo Teixeira vence Prémio de Composição Fernando Lopes-Graça com “O Menino Jesus numa história aos quadradinhos”
O português Alfredo Teixeira (n. 1965) venceu o 3.º Prémio Internacional de Composição Fernando Lopes-Graça, com a obra “O Menino Jesus numa estória aos quadradinhos”, rimance para coro infantojuvenil e piano a partir do poema “Hino de Amor”, de João de Deus. O antropólogo, investigador, teólogo e docente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica reuniu a unanimidade do júri, constituído pelos compositores Sérgio Azevedo e Luís Tinoco, e a maestrina Erica Mandillo. Nesta edição do prémio instituído pela Câmara Municipal de Cascais em 1994 para homenagear o compositor Fernando Lopes-Graça (1906-1994), o tema proposto foi o Natal. «O poema de João de Deus [1830-1896] transcreve o maravilhoso cristão numa cena bucólica do quotidiano do Deus Menino. À frugalidade descritiva da infância de Jesus nos Evangelhos canónicos cristãos, respondeu o imaginário popular com a efabulação miniatural da história sagrada. João de Deus recolhe, neste poema, toda essa plasticidade.»

Teste: conhece bem a Bíblia? (4): literatura sapiencial
Após os profetas, centramos agora a nossa atenção nos livros sapienciais. A quantas perguntas consegue responder acertadamente?

Papa Francisco aos jovens: Não vendais a vossa juventude aos mercadores da morte | IMAGENS |
«Nunca cesseis de voltar ao jogo, como bons desportistas que sabem enfrentar a fadiga do treino para alcançar resultados: a dificuldade não deve assustar-nos, mas impulsionar-nos a avançar mais.» «Sois chamados a tornar-vos pescadores de homens; não hesiteis a gastar a vossa vida a testemunhar com alegria o Evangelho, especialmente aos vossos contemporâneos: o vosso contributo é indispensável para a missão da Igreja, que é a evangelização, os jovens apóstolos dos jovens.» «Tantos anos após ter ouvido a vocação junto do Senhor, não me arrependo; não porque me sinto forte – mas pensais que sou o Tarzan? Não, sinto-me forte porque nos momentos mais escuros, no pecado, na fragilidade, eu olho Jesus e ele nunca me deixou só; confiai nele, que nunca vos desiludireis.»

Papa Francisco aos desempregados: clamar por trabalho é uma «oração necessária»
«Deus quis que no centro do mundo não esteja um ídolo, mas o homem, o homem e a mulher, que com o próprio trabalho fazem avançar o mundo. Mas agora, neste sistema sem ética, ao centro está um ídolo e o mundo tornou-se idólatra deste “deus dinheiro”.» «Para defender este ídolo amontoam-se todos ao centro e caem os últimos, caem os idosos, porque neste mundo não há lugar para eles. (…) E caem os jovens que não encontram o trabalho, a dignidade. (…) Este mundo não tem futuro.» «Esta é a oração que gritais: “Trabalho”, “trabalho”, “trabalho”. É uma oração necessária. Trabalho quer dizer dignidade, trabalho quer dizer levar o pão para casa, trabalho quer dizer amar!» O papa Francisco deslocou-se este domingo à cidade de Cagliari, na ilha italiana da Sardenha, tendo centrado a sua primeira intervenção na «tragédia» do desemprego, causada pelo «deus dinheiro». Visivelmente emocionado pelo testemunho de três desempregados, Francisco falou de improviso, tendo entregado o discurso previamente escrito ao bispo local.