É novo » 31.8.2013

Evangelho do 22.º Domingo: história, teologia e espiritualidade
À primeira vista, os conselhos dados por Jesus durante a refeição sobre a escolha dos lugares e a escolha dos convidados poderiam limitar-se a regras de etiqueta e filantropia. Em Israel, como noutros lados, os sábios escreveram belíssimas máximas sobre estes assuntos; por exemplo, no livro dos Provérbios: «Não te louves na presença do rei, nem te ponhas no lugar dos grandes. É melhor que te digam: “Sobe para aqui” do que seres humilhado diante de um príncipe» (25,6-7); e no de Ben-Sirá: «Quando um poderoso te chamar, retira-te, e ele, com maior insistência, te chamará. Não sejas importuno, para não seres afastado, mas não te afastes muito para não seres esquecido» (13,9-10). Mas o propósito de Jesus vai muito mais longe: à maneira dos profetas, ele procura veementemente abrir os olhos dos fariseus antes que seja demasiado tarde; o excessivo contentamento de si pode conduzir à cegueira.

Leituras do 22.º Domingo: pistas de reflexão
Ben-Sirá previne-nos: «Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te». E acrescenta: «A desgraça do soberbo não tem cura». Nada se opõe tanto a Deus como o orgulho prático ou intelectual. Aqueles que sabem e pensam que os outros não são tão sábios como eles, distanciam-se tanto da verdade como da caridade: «Não tomes o primeiro lugar» (Lucas 14, 8). Se é necessário reconhecer os dons de Deus em nós, é também preciso que os reconheçamos no nosso próximo. A palavra de Jesus «quem se humilha será exaltado» ficará gravada na memória dos apóstolos, que compreenderam que ela era a realidade fundamental da vida de Cristo, ele que se humilhou até morrer como um escravo, sobre uma cruz. O que foi vivido por Cristo torna-se um princípio essencial da vida de todo o crente. A parábola do convite para o banquete nupcial não é uma banal proposta de refeição; é uma pregação do Reino de Deus e da revelação do caminho obrigatório para nele entrar. O caminho que o próprio Cristo seguiu. «Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu».

Séamus Heaney, Nobel da Literatura: a arte é como o sinal que Cristo desenhou na areia
Séamus Heaney, poeta irlandês distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, morreu esta sexta-feira num hospital de Dublin, aos 74 anos. «Beleza lírica e profundidade moral, que exalta os milagres quotidianos e o passado vivente», lia-se nas motivações do comité de Estocolmo, em 1995. Com efeito, tanto para Heaney como para o “colega” Patrick Kavanagh, irlandês e católico como ele, nenhum detalhe podia ser considerado banal, mas toda a realidade era fonte de uma profundidade insondável, plena de mistério. «Não que os artistas sejam profetas, mas frequentemente encontram maneiras de ver e dizer, de novo, chegam a imagens que avançam. Uma nova metáfora que seja verdadeira em relação à realidade faz avançar as coisas», afirmou.

É novo » 30.8.2013

Evocação do cardeal Carlo Maria Martini: Tempestades coletivas e tempestades ideológicas
Na medida em que aceitemos fazer parte da massa, ser conformistas e dirigidos do exterior – ou seja, deixarmo-nos dirigir por um persuasor oculto (como a televisão, por exemplo) -, nessa medida aumenta o número de pessoas conformistas e em debandada. Se nessa situação também se nega o valor religioso, verifica-se como que uma alienação do divino e a negação da ideia de pecado: Deus, portanto, aparece fora do interesse do homem, e o homem deixa de ser reconhecido na sua perpétua dignidade. Então, a aceitação deste mundo já não é a aceitação da vontade de Deus, mas a busca de um equilíbrio em conformidade com os próprios interesses particulares ou de grupo. Se pusermos entre parêntesis as grandes verdades sobre Deus e sobre o homem, se desistirmos de aceitar o mundo como aquele que Deus escolheu («seja feita a tua vontade, assim na Terra como no Céu»), então tudo se confunde e tudo parece lícito, desde que seja útil para mim.

Documentário e livro sobre o cardeal Carlo Maria Martini apresentados no Festival de Cinema de Veneza | VÍDEO |
O documentário “Un uomo di Dio” (Um homem de Deus), e o livro “Il silenzio della parola” (O silêncio da palavra), sobre o cardeal Carlo Maria Martini, foram apresentados esta quinta-feira no Festival de Cinema de Veneza, um dos mais importantes eventos a nível mundial sobre a Sétima Arte. O dvd, realizado por Salvatore Nocita, e o livro, das Edições San Paolo, foram lançados poucos dias antes do primeiro aniversário da morte do biblista e arcebispo de Milão (31.8.2012), cujo funeral juntou personalidades ligadas ao cinema, como atores e realizadores.

Precisamos é de bicicletas
Muitas vezes parecemos estar à espera de um qualquer sinal espetacular para tomar uma decisão de vida sempre adiada. E queixamo-nos de falta de meios para, então sim, levar a cabo aquela transformação necessária ou aquela viragem desejada ou, mais adiante ainda, aquela concretização que indefinidamente protelamos. Contudo, as verdadeiras transformações inventam os meios próprios para se expressarem, e estes, regra geral, começam por ser espantosamente modestos.

Cinema: Júri ecuménico no Festival de Locarno distingue “Short Term 12” | VÍDEO |
O júri ecuménico presente no 66.º Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, que se realizou em agosto, distinguiu o filme “Short Term 12”, do realizador norte-americano Destin Cretton, que também assina o argumento. O filme, sobre «adolescentes à margem da sociedade», mostra como Grace (Brie Larson), personagem principal, «encontra a coragem de se confrontar com um passado problemático e perspetivar um futuro despido de violência», assinala a declaração dos jurados.

É novo » 29.8.2013

Neutralizações salomónicas do humano
Sob o olhar vago e eticamente indiferente, há uma cortina de fogo aparentemente intransponível que consome em geral o humano contemporâneo. Na atual ordem internacional verificam-se, no dizer de Brueggemann, três tipos de neutralizações salomónicas: neutralização da igualdade com a economia da abundância; neutralização da política de justiça com o crescimento da política de opressão e escravização; neutralização da religião da liberdade de Deus com a religião da acessibilidade de Deus (modalidade escolhida pelo império globalizado do consumo tecnológico e multimedial). Embora as duas primeiras neutralizações sejam bastante atuais, a terceira é bem mais subtil e legitima de alguma forma as duas primeiras. Ilustra esta posição a passagem bíblica do livro dos Reis: “Disse então Salomão: “O Senhor decidiu habitar em nuvem escura// Por isso é que eu te edifiquei um palácio, um lugar onde habitarás para sempre” (1 Re 8, 12-13). Nesta construção imperial Deus torna-se acessível, demasiadamente acessível, ao ponto do humano fundar uma teocracia ilegítima de opressão.

Papa Francisco lembra conversão de Santo Agostinho e pede «inquietude» permanente a crentes e não crentes
Inspirado pela frase de Santo Agostinho «Tu nos fizeste para ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em ti», o papa Francisco afirmou: «Queria dizer a quem se sente indiferente perante Deus, perante a fé, a quem está longe de Deus ou que o abandonou, e também a nós, com as nossas “distâncias” e os nossos “abandonos” face a Deus, talvez pequenos, mas que são tantos na vida quotidiana: olha para o profundo do teu coração, olha para o interior de ti mesmo, e pergunta-te: é um coração que deseja algo de grande, ou um coração adormecido pelas coisas?». «O teu coração conservou a inquietude da procura, ou deixou-se sufocar pelas coisas, que acabam por o atrofiar? Deus espera-te, procura-te: o que respondes?»

Para uma cultura cristã na Europa
Pede-se, sem dúvida, uma adequada pastoral da cultura nas Igrejas europeias. A elas diz respeito o dever de formar uma “mentalidade cristã” nos vários sectores da vida ordinária: no da família, da escola, do trabalho, da economia, da política, dos meios de comunicação social, etc; quer dizer, em todas as realidades de que é formada a vida comum do homem moderno, em particular do europeu. Um capítulo importante desta pastoral deve ser a promoção de um verdadeiro e sincero diálogo, de um confronto crítico com a situação cultural europeia de hoje, “avaliando as tendências salientes, os factos e as situações de maior relevância do nosso tempo à luz da centralidade de Cristo e da antropologia cristã”. E para que este diálogo e confronto atinjam o seu fim, é necessário que eles tenham sempre na devida conta, a causa da sua relevância no campo da cultura e da sociedade da Europa, das ciências e das realizações tecnológicas. No confronto com elas, a Igreja deve ter uma atitude positiva e propositiva. Não há, de facto, nenhuma oposição entre fé e razão, entre a Igreja e o mundo científico. Nem poderia haver.

O sonho de Martin Luther King continua vivo | VÍDEO |
O sonho de Martin Luther King (1929-1968) «ainda vive cinco décadas mais tarde». O arcebispo de Washington, cardeal Donald William Wuerl, recordou o famoso discurso de King, pronunciado há 50 anos (28.8.1963), acentuando o compromisso que a Igreja católica nos EUA também concretiza em favor da justiça racial e social. «A estátua majestosa de King no seu novo memorial em Washington lembra-nos o seu feito grandioso em conduzir a nossa nação a uma consciência mais plena da igualdade de todos perante Deus. O seu sonho, com profundas raízes na oração e na Sagrada Escritura, continua a desafiar-nos a ver uns aos outros como irmãos e irmãs, filhos do mesmo Deus de amor “, escreveu o prelado no “National Catholic Reporter”. Com Luther King no Memorial Lincoln», recordou o prelado, esteve o seu predecessor como arcebispo de Washington, arcebispo Patrick O’Boyle: «Pronunciou a invocação e rezou para que os ideais de liberdade, abençoados pela nossa fé e pela nossa herança de democracia, prevaleçam no país».

Se queres seguir Cristo, não abandones as coisas – abandona-te a ti próprio
Quando dizemos que as pessoas deviam fugir disto e buscar aquilo, seja estes lugares e estas pessoas, sejam estes modos ou a multidão, ou esta atividade – não é isso que tem a culpa de os modos ou as coisas te impedirem: és tu próprio (pelo contrário) que te encontras nas coisas que te impedem, pois tu relacionas-te de modo errado com as coisas. Por isso começa primeiro por ti próprio e abandona-te! Na verdade, se tu não fugires primeiro de ti próprio, seja para onde for que tu fujas, encontrarás aí obstáculos e insatisfação, seja onde for.

A Igreja em Portugal e no mundo: síntese (28.8.2013)
Luís Miguel Cintra lê “Sermão do bom ladrão”, do Padre António Vieira | Papa Francisco exorta jovens a construírem futuro de «beleza, bondade e verdade» | Jesuítas em Portugal planeiam linhas de ação para os próximos seis anos | Festas de Nossa Senhora do Castelo valorizam cante alentejano | Procissão de Nossa Senhora da Praia vai até ao mar | Concerto angaria fundos para a basílica do Sameiro | Encíclica “Lumen fidei” vendeu 200 mil exemplares num mês em Itália.

É novo » 28.8.2013

“A grande recusa”: evocação de Bento XVI nos seis meses de renúncia ao pontificado | IMAGENS |
«A 11 de fevereiro de 2013, o mundo católico preparava-se para celebrar a festa litúrgica da Bem-aventurada Virgem Maria de Lurdes, no aniversário da sua aparição de 1858 a Bernadette Soubirous. Este ano, coincidia ainda com o XXI Dia Mundial do Doente. Ao mesmo tempo, no Vaticano, reunia-se o consistório convocado para proclamar oficialmente a santidade dos oitocentos habitantes de Otranto, massacrados pelos turcos muçulmanos em 1480, e, por conseguinte, considerados mártires. Três ocasiões que, por si só, eram mais do que suficientes para carregar esse dia de símbolos. No entanto, perante uma assembleia de cardeais atónitos, pois eram certamente muito poucos os que tinham conhecimento do anúncio que estava prestes a ser feito, no fim do consistório, Bento XVI, o antigo cardeal Joseph Ratzinger, comunicava a sua decisão de renunciar ao Papado.» Apresentamos o prólogo da obra “A grande recusa”.

Poesia de Daniel Faria no congresso de teologia católica europeia sobre «linguagem religiosa e linguagens do mundo»
“A experiência mística da ausência. Uma reflexão teológica sobre a poesia de Daniel Faria” é o tema que José Pedro Angélico vai abordar no congresso da Associação Europeia de Teologia Católica, que começa esta quinta-feira em Itália. A intervenção do professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (Porto), marcada para sexta-feira, integra um dos painéis do encontro internacional, que até domingo debate em Bressanone o tema “Deus em questão: A linguagem religiosa e as linguagens do mundo”. O congresso, que reúne teólogos provenientes de mais de 20 países do Velho Continente, abre com a conferência “A fé e o diálogo com os não crentes”, proferida pelo arcebispo italiano Bruno Forte.

O essencial sobre Santo Agostinho, por Bento XVI
«Gostaria de falar do maior Padre da Igreja latina, Santo Agostinho: homem de paixão e de fé, de grande inteligência e incansável solicitude pastoral, este grande santo e doutor da Igreja é muito conhecido, pelo menos de fama, também por quem ignora o cristianismo ou não tem familiaridade com ele, porque deixou uma marca muito profunda na vida cultural do Ocidente e de todo o mundo. Pelo seu singular relevo, Santo Agostinho teve uma influência vastíssima, e poder-se-ia afirmar, por um lado, que todas as estradas da literatura latina cristã levam a Hipona (hoje Annaba, à beira-mar da Argélia), o lugar onde era Bispo e, por outro, que desta cidade da África romana, da qual Agostinho foi Bispo de 395 até à morte em 430, se ramificam muitas outras estradas do cristianismo sucessivo e da própria cultura ocidental.» A Igreja católica evoca a 28 de agosto a memória de Santo Agostinho (354-430), e neste mesmo dia do ano de 2013 completam-se seis meses da resignação de Bento XVI, cujo pensamento teológico foi substancialmente influenciado pelo bispo de Hipona. Recordamos as cinco catequeses que Bento XVI dedicou ao doutor da Igreja, que, além do testemunho de proximidade, constituem uma síntese da vida, fé e obra agostiniana.

Santarém, a cidade dos órgãos
Com a exceção do órgão da catedral escalabitana, de construção inglesa, e do pequeno órgão da igreja de Nossa Senhora de Jesus do Sítio, cujo autor se desconhece, os outros instrumentos das igrejas da cidade foram concebidos, há aproximadamente dois séculos, por Machado e Cerveira ou por Joaquim António Peres Fontanes (a quem foi encomendado o conjunto de Mafra) e são representativos da escola de organaria portuguesa, que a partir do século XVIII elaborou especificidades que a distinguiriam do tipo de construção ibérica. A sua recuperação deveu-se a iniciativa da diocese e da Santa Casa da Misericórdia de Santarém (proprietárias dos instrumentos), da Câmara Municipal e do Igespar, tendo subsequentemente sido criado uma estrutura de gestão com vista à manutenção e utilização dos órgãos na liturgia e em recitais – prática que, embora sem a regularidade de apresentações de Mafra, colheu, desde o primeiro ciclo de concertos, na temporada de 2010-2011, o crescente interesse do público.

Santo Agostinho: Prece pela compreensão das Escrituras
Há muito que desejo ardentemente meditar na tua Lei, e nela confessar-te a minha ciência e a minha ignorância, os primeiros vislumbres da tua iluminação e os vestígios das minhas trevas, até que a fraqueza seja devorada pela fortaleza. E não quero que se percam em outra coisa as horas que me ficam livres das necessidades do alimento do corpo, e da aplicação do espírito, e do serviço que devemos aos homens, e que não devemos, e todavia, lhes prestamos.

Dar sem medo
O que não presta para nós, não presta, decerto, para ninguém. Por isso, a dádiva tem de ser incondicional, tem de ser uma partilha genuína. Tem de ser uma atitude de continuidade, adotada por cada um como uma forma de estar na vida. Não damos tudo, mas damos do que é bom, do que é útil, do que faz bem, ainda que nos possa vir a fazer falta. Damos sem medo. Damos sem esperar nada em troca, sabendo, contudo, que quanto mais dermos, mais viremos a receber.

É novo » 27.8.2013

Leitura: “O desassossego do pensamento”
O viver humano, para ser humano, não se pode resumir só ao viver. Começar um prefácio com esta afirmação pode parecer estranho, mas a verdade é que ela traduz bem o exercício que o Paulo Caetano faz nas belas páginas que nos oferece nesta publicação. Mais do que um simples exercício de escrita, julgo que o que aqui podemos encontrar é verdadeiramente este exercício de humanização da vida, do mundo e da história. A um ritmo que acompanha os grandes acontecimentos da vida, o Paulo Caetano oferece-nos, como o próprio diz, «um espaço que pretende ser lugar de tranquilidade, de palavras cheias de luz, de amizade e de força».

Bispo de Lamego dedicou igreja da Imaculada Conceição | IMAGENS |
Este novo espaço litúrgico, localizado junto do aglomerado populacional da vila, é um espaço moderno, amplo, acolhedor e preparado com as mais modernas tecnologias para proporcionar as melhores condições de serviço litúrgico. Este é também um espaço arejado quer ao nível interior quer exterior. Um espaço bastante iluminado interiormente, com luz natural que nos faz sentir em simultâneo em comunhão com a terra e o céu. Um espaço que nos permite estar sempre em comunhão com o mundo exterior, sem deixar de nos projetar para o mais alto. Uma escultura de Cristo ressuscitado irá marcar significativamente a nova igreja, quer pelo seu tamanho, quer pelo seu significado, quer pela importância do seu autor – Mestre José Rodrigues, escultor de renome nacional e até internacional. É também da autoria do mesmo escultor a via-sacra que preenche a galeria lateral e nos convida a percorrer os caminhos do mistério pascal de Cristo.

Revista “Lusitania Sacra” analisa formação do clero e capacitação para desempenhar funções na sociedade
A mais recente edição da revista “Lusitania Sacra”, editada semestralmente pelo Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, é dedicada ao tema “Formação de lideranças e modernidade”. O volume publica artigos cujos temas foram propostos numa jornada de estudo, realizada em fevereiro de 2012, centrada na formação do clero contemporâneo, «não só em termos da natureza dos estudos, mas também da tipologia possível da formação de lideranças, isto é, a capacitação para o desempenho de funções na sociedade», lê-se na apresentação da revista, enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. «A educação assumiu-se progressivamente como um terreno de disputa ideológica e de concorrência institucional, envolvendo as funções do Estado e as de outras instâncias no controlo dos espaços de aprendizagem e de transmissão de valores.»

Ser para os outros: uma prioridade realista e justa
Viver não é uma arte, mas uma escolha. A arte fica para os que sabem usar o estético de um modo especial e, esses, são os particularmente dotados, aqueles aos quais não deveria restar outra alternativa, se não a de porem os seus evidentes talentos a render. E será que esta não é uma responsabilidade de todos sem exceção – a de descobrirmos os nossos talentos (desde os mais simples aos mais raros e elaborados) e os rentabilizarmos ao serviço dos outros, da natureza e de nós próprios?

É novo » 15.8.2013

Tempo livre, tempo de graça | IMAGENS |
Este tempo gratuito é por excelência o tempo da relação, daquela que nos liga profundamente com as pessoas, com a realidade no tempo e para além do tempo, que nos liga no espaço e para além do espaço, aqui e agora e libertos de cada momento e lugar. O tempo livre só por si pode tornar-se um tempo vazio. Tempo de isolamento em casa e na rua, de isolamento não porque não estejam com outras pessoas – até estarão muitas vezes com gente demais – não porque não façam isto e aquilo, não porque não pairem sem conversar, mas porque não têm com quem crescer. Saber estar, saber conversar à vontade, ser capaz de meditar, saber até observar e também relaxar são dimensões da vida, vivida connosco, com Deus e com os outros que é preciso voltar a desenvolver.

Papa Francisco tem «medo de cristãos sossegados» porque «acabam como a água estagnada»
«Vós sabeis que tenho medo dos cristãos sossegados. Acabam como a água estagnada», escreveu o papa por ocasião do 50.º aniversário da diocese argentina de Concepción. Em missiva redigida ao bispo diocesano, Francisco diz recordar «os rostos» dos padres que há anos o ouviram pregar os exercícios espirituais, e, como que a retomar o retiro, aponta três orientações: «caminhar, fazer discípulos e anunciar». O papa também diz temer aqueles que «acreditam saber tudo»: «Sem se darem conta, aos poucos fecham o seu coração ao Senhor, e acabam por ficar centrados apenas sobre si próprios», adverte.

Sobre a morte de Maria
O mesmo grande Anjo que outrora / lhe trouxera a mensagem da conceção, / ali estava, aguardando a sua atenção, / e disse: o tempo do teu aparecimento é agora. / E ela perturbou-se como antes e mostrou / ser de novo a serva, assentindo profundamente. / Mas ele irradiava e, aproximando-se infinitamente, / desapareceu como que no rosto dela e mandou / aos Apóstolos que se tinham afastado / que se juntassem na casa da encosta, / a casa da Ceia derradeira. Eles vieram a passo pesado / e entraram cheios de temor: ali se encontrava posta / sobre estreito leito, aquela que tinha mergulhado / misteriosamente no declínio e na eleição, / imaculada, como criatura de indiviso coração, / escutando o coro angelical com ar maravilhado.

O cristão e a cultura dos ídolos
Cada cultura é dominada pela sua própria série de ídolos. Cada uma tem os seus «sacerdócios», os seus totens e os seus rituais. Cada uma tem os seus santuários – quer se trate de torres de escritórios, de spas e ginásios, de estúdios ou de estádios -, onde têm de se fazer sacrifícios, a fim de obter as bênçãos de uma boa vida e de afastar as catástrofes. Não serão esses os deuses da beleza, do poder, do dinheiro e da realização pessoal, precisamente aquelas coisas que assumiram proporções míticas na nossa vida individual e na nossa sociedade? Podemos não nos ajoelhar fisicamente frente à estátua de Afrodite, mas muitas jovens mulheres de hoje caem na depressão e em distúrbios alimentares devido a uma preocupação obsessiva com a sua imagem física. Podemos não queimar incenso a Ártemis, mas, quando o dinheiro e a carreira são elevados a proporções cósmicas, fazemos uma espécie de «sacrifício de crianças», negligenciando a família e a comunidade para alcançar um posto mais elevado na empresa, e para ganhar mais dinheiro e prestígio.

Nota: As atualizações no site da Pastoral da Cultura regressam nos últimos dias de agosto.

É novo » 14.8.2013

Subamos às alturas para respirar o ar puro da vida sobrenatural e contemplar a beleza maior | IMAGENS |
Peçamos a Maria que nos conceda hoje o dom da sua fé, a fé que nos faça viver já nesta dimensão entre o finito e o infinito, a fé que transforma também o sentimento do tempo e do transcorrer da nossa existência, aquela fé na qual sentimos intimamente que a nossa vida não se encontra encerrada no passado, mas orientada para o futuro, para Deus, aonde Cristo e, depois dele, Maria nos precederam. Contemplando Nossa Senhora da Assunção no céu compreendemos melhor que a nossa vida de todos os dias, não obstante seja marcada por provações e dificuldades, corre como um rio rumo ao oceano divino, para a plenitude da alegria e da paz. Entendemos que o nosso morrer não é o fim, mas o ingresso na vida que não conhece a morte. O nosso crepúsculo no horizonte deste mundo é um ressurgir na aurora do mundo novo, do dia eterno.

Quando Maria dá Cristo à luz em nós
Maria dará Cristo à luz em nós, na medida em que os pobres forem nossos prediletos; quando os pobres deste mundo forem atendidos com preferência, será sinal de que estamos na Igreja verdadeiramente messiânica; quando vivermos como Cristo, com as mãos e o coração abertos para os pobres, com uma simpatia visível por eles, partilhando a sua condição e solucionando a sua situação: na medida em que a nossa atividade for preferentemente, mas não exclusivamente, dedicada a eles, na medida em que chegarmos a eles com esperança e sem ressentimentos… Maria será verdadeiramente Mãe na medida em que nos ajudar a encarnar em nós, esse Cristo dos pobres.

Férias: Dar tempo à natureza, repouso, renovação, espiritualidade e cultura | IMAGENS |
As férias são dias durante os quais nos podemos dedicar mais prolongadamente à oração, à leitura e à meditação acerca dos significados profundos da vida, no contexto sereno da própria família e das pessoas queridas. O tempo das férias oferece oportunidades únicas para parar diante dos espetáculos sugestivos da natureza, maravilhoso “livro” que está ao alcance de todos, grandes e pequeninos. No contacto com a natureza, a pessoa reencontra a sua justa dimensão, redescobre-se criatura, pequena mas ao mesmo tempo única, “capaz de Deus” porque interiormente aberta ao Infinito. Estimulada pela busca de sentido que se torna urgente no seu coração, ela percebe no mundo que a circunda a marca da bondade, da beleza e da providência divina e quase naturalmente se abre ao louvor e à oração.

A Senhora do Monte no coração dos madeirenses
Todos estes espaços religiosos dedicados à Virgem Maria, falam de cinco séculos de fé e devoção, dum povo que desde a primeira hora, comandados por Zarco, se colocaram sob a sua protecção: Nossa Senhora do Calhau, Nossa Senhora da Conceição. Com maior ou menor fé, com maior ou menor solenidade sobem continuamente hinos de louvor e acção de graças a Maria pelo que ela é em si mesma, e pela intercessão feita em favor da humanidade. Mas a Senhora do Monte é excepção. Mesmo as comunidades que celebram outros títulos, nunca a esquecem. É também certamente por isso, que todos os caminhos vão dar ao Monte a 14 e 15 de Agosto.

A freira da Pop Art | IMAGENS |
Bruscamente, neste verão de 2013, duas paredes da Caixa Geral de Depósitos [Culturgest, Lisboa] transformam-se numa improvável catedral. Não se espantem. Na exposição ali patente, “Tell It To My Heart”, que reúne a coleção de Julie Ault, há uma secção fora do formato, em muitos sentidos. É a oportunidade imperdível para contactar com um conjunto radical de arte sacra assinada por uma freira de olhar doce, a irmã Corita Kent [1918-1986]. Contemporânea de Andy Warhol e de Rauschenberg, ela foi talvez a primeira artista a trazer uma dimensão religiosa à pop art. Enquanto Warhol celebrava em Nova Iorque (com mais ironia do que reverência, é verdade) a cultura de consumo e os seus ícones, Corita, numa escola de freiras em Los Angeles, utilizava a tipografia comercial e o grafismo da publicidade para comunicar outros ideais: a fé, a paz, a participação das mulheres na vida social, os direitos civis, a luta contra o racismo.