Em memória de D. Eurico Dias Nogueira: Apontamentos do Vaticano II

Afirmei e mantenho que as intervenções portuguesas, excluídas as do bispo da Beira, não foram brilhantes, passando quase despercebidas. A razão é simples: elas representam um esforço grande, mas inglório, pois eram obra de um bispo que tomava a iniciativa e, sozinho, redigia o texto, sem colaboração visível. Geralmente as dos demais bispos – sobretudo da Europa e Estados Unidos, muito numerosos – eram obra de uma equipa: em geral de padres conciliares, mas sobretudo de teólogos, canonistas e sociólogos. Estes eram escolhidos nas melhores universidades e faculdades católicas do mundo e acompanhavam as sessões com toda a atenção. Comissionados pelos bispos, estudavam e redigiam os textos que eram entregues àqueles agrupados. Se aprovados, encarregava-se um deles de o apresentar no plenário. Portugal não tinha nada disso. Apenas me apercebi da lacuna, referi-a a um dos nossos prelados, que respondeu: «Na nossa modéstia, não dispomos de homens destes.» Em parte é verdade; mas não seria difícil encontrar uma dezena de sacerdotes ou mesmo leigos, embora, ao tempo, se sentisse a falta de uma universidade católica entre nós; ou, ao menos, uma faculdade de Teologia. Continuar a ler…

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