Ateliê de iconografia: Arte e espiritualidade

O traço é minucioso, exige-se exato, preciso, cirúrgico, mas por trás dos contornos dos desenhos dos ícones está a fé, algo bem diferente da racionalidade científica, porque é do domínio do coração e da crença em algo maior. «A comunhão permanente com Deus.» Os ícones são, para quem os labora, a palavra viva da presença de Deus. É assim a arte de Tânia Pires, 33 anos, a única iconógrafa da região [de Bragança], das poucas do país. A jovem brigantina, residente em São Pedro dos Sarracenos, dedica-se no século XXI a uma arte monástica que, há uns séculos, estaria enclausurada entre os muros de mosteiros, onde, pacientemente, monges dedicados à contemplação e à oração traduziam o amor a Deus na escrita do que chamam ícones. A técnica da iconografia é antiga. Tânia Pires segue quase à risca as velhas técnicas dos iconógrafos cristãos. O método original. Utiliza uma emulsão, que é a têmpera, feita com gema de ovo junta com vinho; mais os pigmentos, cujas cores são feitas por ela; pinta sobre madeira, com uma preparação à base de tela e gesso. «É um processo demorado, extenso e paciente», conta. Continuar a ler (com vídeo)…

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