A alma visível

O trabalho meticuloso que Agnes Martin (1912-2004) desenvolveu a partir de 1960 revela a imaterialidade que habita o interior do sujeito que cria. Os seus textos revelam a alma como sendo o único elemento necessário para a criação. Agnes Martin acreditava que através dos meios mais simples poderia atingir uma possibilidade de revelação. Martin utilizava várias palavras para descrever a experiência ilimitada que a arte poderia indicar: ‘infinity’, ‘joy’, ‘bliss’, ‘the sublime’. E identificava o seu trabalho com a tradição metafisica de Rothko e Newman – nascida em 1912 estes eram os artistas da sua geração. Para criar, Martin acreditava ser necessário viver experiências profundas e intensas. Depois de viver em Nova Iorque Agnes Martin mudou-se para o Novo México onde passou a viver quase como eremita – e ai dava sobretudo importância ao lado espiritual e reflexivo da arte. Acreditava que a alma se revelava através da matéria sendo independente dela e que a alma ao libertar-se do corpo do sujeito poderia ser devolvida à sua origem divina. Assim Agnes Martin conseguia criar uma alma visível nas suas telas através do uso de retângulos, linhas horizontais, o branco e o preto. Continuar a ler…

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