Retiro de diários gráficos “O espiritual no desenho”: Os vendilhões

Limpar e deixar apenas o fundamental é, talvez, demasiado perigoso para nós mesmos, já que não se pode camuflar nada. As linhas que ficam têm de estar certas. Não contente com a minha falta de coragem para a limpeza, avancei para o terceiro desenho, focando-me apenas nas linhas limite das volumetrias e foi aqui que percebi que a montanha do fundo não era apenas uma montanha, mas um conjunto de cordilheiras. Escrevi logo no desenho anterior a frase «todos os dias». Jesus ensinava todos os dias no templo, talvez por isso se tenha apercebido que a sua casa estava transformada num covil de ladrões. Este fazer quotidiano convida-nos a um olhar mais sábio e depurado. Foi por insistir que me dei conta que as várias cordilheiras estavam lá desde o início, até quando eu queria desenhar tudo com o máximo detalhe. Queria tudo e não vi nada. Fiquei como que «suspenso dos seus lábios»… Quando olho para o primeiro desenho e para o último, sinto mesmo que «o que nos enfraquece não é a escassez». Continuar a ler (com imagens)…

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