Presente e futuro dos “Media”

Como jornalista, nunca imaginei adormecer a sonhar com poupanças nos custos nem acordar a pensar em patrocínios. Mas isso acontece agora com uma frequência assustadora. Também não me via a concorrer com essa figura híbrida do “jornalista-cidadão”, meio interprete, meio protagonista, que hoje invadiu as redes sociais, constituindo-se nalguns casos como uma ajuda preciosa aos verdadeiros repórteres, e noutros agindo como uma espécie de narcotraficante, fornecedor de uma espécie de veneno viciante na espuma dos dias que nos intoxica de informação irrelevante e opinião interesseira e manipuladora. Prometedor e pronunciador das mais diversas “primaveras”. Trata-se decerto da maior turbulência de que tenho memória, mas não estou segura de que não seja apenas um processo de aterragem (do próprio setor) algures, num mundo diferente, mas não necessariamente pior nem com menores possibilidades de crescimento. Nos dias em que acordo otimista, acredito mesmo que ninguém melhor do que o jornalista pode continuar a fazer o papel cada vez mais necessário de polícia sinaleiro sobre a informação “relevante” e “irrelevante”, credível e desprezível. No tempo marcado por viciados em “espetáculo” e afogados em informações contraditórias, a desorientação tende a ser ainda maior do que a gerada pela falta delas. Continuar a ler…

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