Delicado corpo da voz: “O Novo Testamento de Jesu Christo segundo S. João”

É na reescritura do corpo da voz através do corpo das imagens que se inscreve O Novo Testamento de Jesu Christo segundo S. João. Traduzido em portuguez, da Vulgata latina, por Antonio Pereira de Figueiredo, obra cinematográfica de Joaquim Pinto e Nuno Leonel, estreou no Festival de Cinema de Roma 2013, e exibido recentemente no festival internacional de cinema IndieLisboa 2014. Luís Miguel Cintra dá voz à narrativa bíblica. Um narrar não pelo movimento das imagens, essência clássica do cinema, mas pelo movimento timbrico e ressonante da corpo-vocal presente, dilatação possível do conceito de cinema. Uma narrativa nada fácil para quem pretende positivar Deus no culto, na natureza ou nas estruturas. Este filme não é para ver mas para escutar, para “aprender a ouvir com os olhos”! O aparato multimedial é quase nulo. O mínimo dispensável para ser visível. A sonoridade é mínima, essencialmente de respiros humanos ora dramáticos ora sussurrados, de ritmo infalível, de cenário único e de um só tempo, do amanhecer ao entardecer. Um campo entre-aberto atravessada pela voz da palavra semeada. É o intenso eterno num instante fluido. Continuar a ler…

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