O céu não está sobre Babel

A história de Babel encerra uma crítica radical a todo o império e, por isso, ao poder. Do fundador de Babel (Nimerod), o Génesis diz: foi o primeiro grande chefe que existiu (10,8). Babel é símbolo da cidade fortificada; mas sobretudo é símbolo do império. Não é uma crítica radical a todo e qualquer poder (também o Adam e Noé têm poder), mas ao poder que não é usado para salvar. Ainda hoje o poder salvífico de Noé e o poder dos impérios de Babel continuam a conviver lado a lado, a entrelaçar-se nas cidades e instituições. Há quem use o poder que recebeu dos cidadãos ou dos acionistas dentro de um pacto-aliança (político, económico, familiar, educativo…) com vista a uma salvação e, há quem, pelo contrário, o use para dominar e para obter rendas e privilégios: o império. Há um poder que salva e um poder que mata; e muitas vezes, quase sempre, eles coabitam nas mesmas organizações, instituições, empresas; por vezes no mesmo departamento e, até, na mesma sala, onde construtores de arcas se sentam ao lado de construtores de Babel. Continuar a ler…

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