O mistério do sofrimento

A linguagem realista e vibrante do profeta obriga-nos a fazer face ao sofrimento de Cristo por causa dos nossos pecados: é por nós que Ele sofreu, a sua dor é o preço da nossa paz. É o Cristo de Grünewald, o corpo batido, torturado, que somos obrigados a olhar – e não gostamos. Eu, pelo menos, não gosto. Suporto mal ver o sofrimento de outra pessoa, sobretudo de um ser amado, como Cristo. Forma-se em mim um sentimento de indignação, e mesmo, por vezes, um sentimento de revolta contra Deus, porque é a justiça de Deus que exige que este homem seja torturado. Com Job, sou tentado a perguntar o que é que os nossos pecados miseráveis, as nossas pequenas falhas, podem fazer a Deus, que é tão grande, tão transcendente, tão imutável. E se há ofensa, não será Ele mais magnânimo, mais nobre, para perdoar sem nada exigir? Não é Ele o Amor? Porque há de vingar-se sobre os homens, sobretudo neste homem, que é totalmente inocente? Porquê vingar-se? Continuar a ler…

Anúncios