Domingo de Ramos: Da Cruz avista-se a manhã de Páscoa

A festa hoje é a Ressurreição mas com uma multidão que aclama um Homem humilhado, aparentemente submetido ao poder da morte e aos poderes deste mundo. Fazer do fracasso um êxito, converter a Cruz em esperança foi o que fizeram os primeiros cristãos, isto é, aqueles que reconheceram em Cristo o seu estandarte, o seu caminho, a sua Cruz. Esta festa coloca-nos nos antípodas dum cristianismo militante, também chamado social, e que traz com ele a tentação de esquecer a Cruz para restaurar uma imagem carnavalesca de um Cristo Rei dominador. Para esquecer a fragilidade de Deus e o escândalo que marca o Cristianismo, impedindo que nele se revelasse o invisível. A festa de Ramos traz consigo a inquietante questão: «Onde está o teu Deus?», e as contradições que a nossa vida conhece: nós somos os crucificados pascais, marcados pela assinatura da alegria-triste que está em tudo, pela treva luminosa em que se faz a vida. Continuar a ler…

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