Quem abraça a cruz, tem a força da ressurreição: Meditação sobre o Evangelho do Domingo de Ramos

A cruz é a imagem mais pura e mais elevada que Deus deu se si mesmo. «Para saber quem é Deus, devo apenas ajoelhar-me aos pés da Cruz» – não é um simples devoto que o disse, mas Karl Rahner, um dos maiores teólogos do século XX. E vejo um homem nu cravado e moribundo. Um homem com os braços totalmente abertos num abraço que não renegará pela eternidade. Vejo um homem que nada pede para si, não grita: lembrai-vos de mim, procurai entender, defendei-me… Até ao fim esquece-se de si próprio e preocupa-se por quem morre ao seu lado: hoje, comigo, estarás no paraíso. Estavam lá muitas mulheres, que observavam de longe. Pequeno rebanho assustado e corajoso: a Igreja nasce da contemplação do rosto de Deus crucificado (C.M. Martini), a Igreja nasce naquelas mulheres, que têm para Jesus o mesmo olhar de amor e de dor que Deus tem sobre o mundo. As primeiras «pedras vivas» são mulheres. Para nos tornarmos Igreja, devemos também nós permanecer com estas mulheres junto às infinitas cruzes do mundo, onde Cristo está ainda hoje crucificado nos nossos irmãos, desprezados, humilhados, rejeitados, naufragados. Continuar a ler…

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