É novo » 10.4.2014

Igreja tem de dar tempo a quem procura Deus, diz bispo do Porto
O novo bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, considera que «o diálogo entre a razão e a fé merece e exige da Igreja lugar de escuta e tempo dado aos que procuram Deus». As palavras do prelado foram proferidas este domingo na catedral do Porto, durante a homilia da missa que assinalou a sua entrada na diocese, em que se mostrou aberto à colaboração entre a Igreja e as restantes instâncias da sociedade. «O diálogo será timbre do meu viver e caminho do meu encontro com todos», vincou D. António Francisco dos Santos, anterior bispo de Aveiro, ao saudar as autoridades civis que participaram na celebração. Para o responsável, «há uma conexão íntima entre a evangelização, a promoção humana e o desenvolvimento dos povos, de modo a que a verdadeira esperança cristã gere história, dê sentido à hora que vivemos e apresse um futuro melhor». «Que não haja entre nós nenhum momento em que o bem comum seja proibido ou não seja procurado», apelou o prelado, que pediu ousadia, criatividade e decisão «sobretudo quando e onde estiverem em causa os frágeis, os pobres e os que sofrem»: «Esses devem ser os primeiros porque os pobres não podem esperar».

Diocese de Angra desafiou artistas a criar nova Via-sacra na catedral | IMAGENS |
Desde a reabertura da Sé (1985), após o impacto de sucessivas calamidades, a igreja do Salvador não dispõe de um conjunto pictórico evocando os passos de Jesus na sua Paixão. Surge agora, por feliz iniciativa do Serviço Diocesano da Pastoral da Cultura, a ideia de convidar artistas locais, naturais, residentes ou ligados aos Açores, que, generosamente, abraçaram o projeto, doando e dotando a Sé de uma Via-sacra fiel à narrativa evangélica e às marcas do nosso tempo. Conscientes de que Angra tem uma catedral sebástica, da Renascença, talhada pela arte e engenho de cada século, na luta humana contra forças destrutivas de uma natureza sísmica e vulcânica que faz doer, erigimos no século XXI, com direito próprio, na senda dos nossos antepassados, uma nova Via-sacra suspensa em cada uma das colunas que suportam o edifício e aqueles que o habitam. É um conjunto novo, que nada pretende imitar, a não ser dizer a Paixão de Cristo, conjunto saído das mãos e do lado de catorze artistas distintos, nas tendências, linguagens e processos criativos contemporâneos, para uma Catedral que se vai construindo ao longo dos séculos, e que agora tem muito gosto em acolher a marca do nosso tempo.

Um país não é um convento
A pobreza voluntária, a «dama pobreza» de São Francisco de Assis, só tem sentido como afirmação de liberdade. Quem se faz pobre ou se mantém pobre, por vontade própria, diz a si mesmo e aos outros que não são as coisas, nem o desejo de possuir que mandam na sua vida. As austeridades são apenas instrumentos para moderar a desagregação dos apetites e aprender a hierarquizar os desejos. O culto da austeridade pela austeridade é uma doença. A escolha de uma vida moderada é uma sabedoria. Como dizia Santo Agostinho, mais vale precisar de pouco do que possuir muito. Noutro registo muito diferente, em alguns países, foi imposto, como castigo, um regime de austeridade cada vez mais violento. Teve um momento de expressão estético-medicinal, cortar nas gorduras do Estado e das organizações, mediante um rigoroso programa de emagrecimento. Estas receitas tentavam corrigir erros – despesas sem sustentação – com outros maiores, paralisando e insultando as populações.

A Fachada da Paixão da basílica da Sagrada Família: Em memória de Josep Maria Subirachs | IMAGENS |
O artista catalão Josep Maria Subirachs, autor do conjunto sobre a Paixão de Cristo esculpido numa das fachadas da basílica da Sagrada Família, em Barcelona, morreu esta terça-feira, 8 de abril, aos 87 anos. Estudante da Academia das Belas Artes em Barcelona entre 1951 e 1953, permaneceu depois em Paris e Bruxelas. Trabalhou durante mais de vinte anos no templo expiatório de Gaudí. O arquiteto Jordi Faulí, atual responsável pelas obras na catedral, redigiu no dia a seguir à morte do escultor um artigo que foi publicado no jornal “La Vanguardia”, de Barcelona: «Foi um privilégio colaborar com ele». «A sua última obra – recordou – foram as portas do Pai-nosso; tinha um estúdio no interior da Sagrada Família e era habitual para nós vê-lo na obra às primeiras horas da manhã, sempre cordial e disponível com os operários e com todos nós, correto e generoso». «Duras e retilíneas, não sem momentos de grande doçura», as esculturas de Subirachs, que não reuniram a unanimidade, exprimem bem o drama do sacrifício e da morte», acrescentou Jordi Faulí.

Concertos de música sacra propõem meditação sobre morte e consolação
O coro Capela Nova vai apresentar em abril e maio o concerto “Lux aeterna”, com um programa composto por música sacra britânica sobre a morte, o luto e a consolação que integra autores de diferentes épocas e estilos. «Apesar da morte e do sofrimento estarem cada vez menos à vista na vida quotidiana, o confronto com a morte constitui, sempre, uma incontornável oportunidade de pensar sobre o sentido da vida. A arte tem aqui um espaço e uma voz de imensa força. Cantar a morte, o luto e a consolação em plena Páscoa é apenas uma ideia, uma proposta, uma leitura, entre outras possíveis, para que essa oportunidade não nos seja (tão) estranha». Conheça o programa dos concertos e a relevância dos compositores antigos e contemporâneos selecionados no âmbito da espiritualidade e música cristã.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
Disseram-lhe então os judeus: «Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?!» Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Antes de Abraão existir, “Eu sou”». Então agarraram em pedras para apedrejarem Jesus.

Universidade Católica apoia novo filme de Manoel de Oliveira
A Universidade Católica Portuguesa (Porto) é uma das entidades que apoia o novo filme do cineasta Manoel de Oliveira, “O velho do Restelo”, que começou a ser rodado esta quarta-feira, revela a Agência Lusa. As filmagens, que se prolongam até domingo junto à casa de Manoel de Oliveira, na Cidade Invicta, junto à Foz, conta com a participação dos atores Luís Miguel Cintra, Ricardo Trepa, Diogo Mória e Mário Barroso, a partir do argumento assinado pelo realizador de 105 anos. De acordo com a produtora, “O Som e a Fúria”, as dificuldades de financiamento foram ultrapassadas com o «patrocínio do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que reconheceu o mérito cultural» do projeto, e com apoio da ministra da Cultura e Comunicação de França, Aurélie Filippetti. “O Velho do Restelo” inspira-se na personagem pessimista e derrotista de “Os Lusíadas” e associa-lhe uma leitura pessoal de textos de Miguel de Cervantes, Teixeira de Pascoaes e Camilo Castelo Branco, além de excertos de filmes anteriores do próprio realizador, assinala o “Público”

Via-sacra inspira peça sonora e cénica | IMAGENS |
É do pároco da Sé do Porto, padre João Carrapa, o convite que vai resultar na peça sonora e cénica “Sancta Viscera Tua”, inspirada nos passos da via-sacra, que vai ser apresentada em abril na Cidade Invicta e em Guimarães. Cerca de 120 artistas vão dar voz e movimento à peça de Jonathan Uliel Saldanha, que convida o espetador a escutar e a circular livremente pelas igrejas onde vai ser exibida, revela o site “Porto24”. O compositor explica na sua página que “Sancta Viscera Tua” é uma «peça sonora e cénica construída a partir dos arquétipos presentes na estrutura de uma Via Sacra – literalmente percurso sacro – que na sua génese propõe a re-encenação do sacrifício; numa celebração que é também vestígio dos mais primordiais ritos de transformação e mediação entre materiais e sentidos».

Primeiro número de revista dedicada aos livros apresenta «grande entrevista» a José Tolentino Mendonça
O padre José Tolentino Mendonça, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, é o protagonista da «grande entrevista de fundo» do primeiro número da revista “Estante”, que a “Fnac” apresenta esta quinta-feira, em Lisboa. A comemoração dos 800 anos da Língua Portuguesa é o tema de capa do número de estreia da publicação trimestral dedicada aos livros editada pela “Fnac”, e que conta com a colaboração do escritor Valter Hugo Mãe, autor do editorial. A revista, que na primeira edição dá também destaque aos 40 anos do 25 de Abril, está dividida em quatro secções, revela o site do “Diário Digital”: «A vírgula (introdução, breves, etc), os parênteses (grande entrevista e temas de fundo), a reticência (novidades do mundo dos livros) e o ponto de interrogação (secção infantil)».

Agenda para hoje

Lisboa
Conferência: Os tons da Paixão: a singularidade portuguesa
José Maria Pedrosa Cardoso
Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal
18h00

Porto
Música: Concerto
Stabat Mater (Vivaldi), Cantata BWV 4 (Bach)
Igreja de S. José das Taipas
21h30
Entrada livre

Alcácer do Sal
Música: Concerto
Suite para Orquestra nº 2 em Si menor, BWV 1067, Oratória da Páscoa, BWV 249 (Bach)
Orquestra XXI
Igreja da Pousada
21h30
Entrada livre

Porto
Música: Concerto
Obras de Victoria, Palestrina, D. Pedro de Cristo, Bach, Mozart
Comentários de contextualização do programa do ponto de vista histórico e musical
Coro de S. Bento
Quinta da Bonjóia
21h15

Évora
Música: Concerto
Edinburgh University Renaissance Singers
Convento dos Remédios
21h30

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