É novo » 31.3.2014

Leitura: “Se não vos tornardes como esta criança”
A posição de Jesus diante da criança é de todo inequívoca. Ninguém entrará no Reino de Deus, que nele se tornou próximo, se não der meia volta e regressar à sua disposição e atitude originária. «Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele» (Mc 10,15). Como é que alguém há de deter-se no seu caminho rumo ao futuro da vida e tomar a direção contrária? – pergunta o mestre judeu, admirado. Mas ainda mais se admira Jesus a seu respeito: «Tu és mestre em Israel e não sabes estas coisas?» (Jo 3,10). E logo isto que é elementar, que é o pressuposto de tudo o mais! «Porventura poderá [alguém] entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?» (Jo 3,4). O pensamento puro parece revelar o absurdo de semelhante exigência. Jesus, porém, não vê nela um absurdo, porque Ele próprio, como homem adulto, é aquele que nunca abandonou o «seio do Pai» (Jo 1,18), mas também agora, feito homem, nele «descansa», e só, como quem nele descansa, pode revelar algo de válido sobre o Pai.

Deus e o bem
Deus criou a realidade a que chamamos «mundo» a partir da sua infinita abundância de ser, realizando o que é o acto paradigmático de amor: o acto que atribui todo o bem real e possível a algo que, sem isso, seria nada. Este acto define para sempre o que é o amor, a caridade: o acto absolutamente gratuito que, através da relação que estabelece, cria isso com que se relaciona. Neste primeiríssimo acto, Deus age com absoluta perfeição, ou não seria sequer merecedor do nome de Deus. Tudo o que sai de suas mãos – há que recorrer a metáforas – é singular e universalmente perfeito. O texto do Génesis é claro: por sete vezes, Deus contempla o absoluto da novidade acabada de criar e proclama a sua bondade (a versão grega dos Setenta fala de «beleza», que é precisamente o esplendor da bondade). Tudo é perfeito, mas nada é estático.

«O teatro sobretudo interroga o ser humano»
O professor e encenador teatral José Miguel Braga considera que «o teatro sobretudo interroga o ser humano», e neste sentido «também propõe e arrisca», pelo que é «arriscado, e amoroso». «A experiência teatral descobre espaços recônditos e pouco conhecidos da alma humana», além de supor «sempre um ir mais além, uma atitude de algum radicalismo», afirmou em entrevista à mais recente edição do semanário digital “Igreja viva”, publicado pela arquidiocese de Braga. Para José Miguel Braga, «a atividade teatral tem consequências profundas na formação do ser humano e na implementação de dinâmicas sociais»: «Revela-nos, e mostra-nos muito daquilo que nós somos, como seres que desejam, que nem sempre atingem aquilo que pretendem». «Há sempre um além no teatro, uma vontade de atingir um ponto máximo de expressão e de emoção, como se fosse possível o ator fazer parte integral do processo do espaço-tempo, sabendo que ficamos sempre aquém», sustenta.

Agenda para hoje

Lisboa
Apresentação do livro “Entre-tanto”
Autor: José Frazão Correia
Apresentação: Mário Avelar, José Tolentino Mendonça
Editora: Paulinas
El Corte Inglés (Av. António Augusto de Aguiar, 31, 7.º piso)
18h30
Para saber mais sobre o livro: Pastoral da Cultura

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