É novo » 20.3.2014

Porque é que os jornalistas gostam tanto do Papa Francisco?
O que tem, afinal, Jorge Bergoglio para ser tão popular? Claro que se trata de uma pessoa encantadora, de trato muito fácil e bastante atraente pela sua simpatia, simplicidade e frontalidade mas a Igreja de Bergoglio é a mesma de Pedro, de João XXI, Pio XII, João XXIII, de João Paulo II ou de Bento XVI. Será, então, uma questão de estilo, de personalidade? Talvez mais do que isso. Penso que atualmente se vivem tempos em que as pessoas estão perante uma necessidade enorme de Esperança. Sinto que o Mundo, de uma forma ou de outra, receia cair num caos de valores. Estou convencido de que a Esperança que mora nos corações das pessoas vai no sentido de desejarem que a Igreja seja ainda e sempre uma luz no Mundo e não se afunde, também ela, na corrente predominante das instituições e dos valores que vingam atualmente na sociedade.

Não é utopia uma alternativa à economia de domínio
A comunhão é felicidade, bem-estar, bem-viver. Mas dentro de nós e à nossa volta a vida mostra-nos continuamente um espetáculo de não-comunhão. Dizer – e recordá-lo sempre – que a comunhão é vocação da humanidade significa ter uma ideia acerca da saúde e da doença das sociedades humanas. O humanismo hebraico-cristão, por exemplo, fala-nos de um início da humanidade na comunhão, um início que é também o fim último da história, a meta para a qual tendemos. A não-comunhão não é nem a primeira nem a última palavra sobre o destino do homem. Dizer que a comunhão é a saúde e a não-comunhão a doença, significa ter uma ideia da terapia necessária. A cultura dominante, pelo contrário, está a inverter esta ordem e transformou a doença em saúde. É o que faz quando diz que a rivalidade, a inveja e a prepotência são os principais agentes de crescimento económico; e que a concórdia, a gratuidade e a igualdade não fazem crescer o PIB.

Não serão possíveis os valores de abril sem um pós-capitalismo
A felicidade, reduzida, ainda hoje, à satisfação de necessidades e desejos, e a uma desenfreada e gananciosa procura e acumulação de riqueza, à qual, em tempo de crise económico-financeira, se seguiu a ditadura dos números e a chacina humana que dela foi resultando, exige, no entender de grupos tremendamente descontentes e indignados, que se pense e construa a partir da centralidade da pessoa humana, o que possa significar, para lá do arbitrário, viver bem, ter uma vida boa (ética), e uma moral, ou como devem tratar-se os outros, que o respeito próprio e a autenticidade de cada um implicam em si mesmos. Temo, no entanto, que diante da ilusão de uma economia que parece dar sinais positivos de si, os inúmeros tempos de antena, artigos de jornal, seminários e workshops não tenham sido capazes, no final, de inaugurar um novo tempo, com novos paradigmas, capazes de colocar no centro de toda a governação o ser humano, o seu incondicional valor e dignidade para lá da economia, e os valores da liberdade, do trabalho, da habitação, da saúde, da proteção social, da educação e tantos outros, pelos quais o 25 de abril de 1974, em Portugal, se tornou uma revolução urgente e necessária.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, também não se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dos mortos.»

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