É novo » 13.3.2014

O filme da eleição do papa Francisco contado pelo cardeal que lhe pediu para não se esquecer dos pobres
«Os votos convergiam nele: estava a interiorizar muito naquele momento, silencioso. Comentei com ele a possibilidade de poder alcançar o número necessário para se tornar papa. Quando as coisas começaram a estar um pouco mais perigosas para ele, confortei-o. Depois houve o voto definitivo, e houve um grande aplauso. A contagem prosseguiu até ao fim, mas eu abracei-o e beijei-o logo. E disse-lhe aquela frase: “Não te esqueças dos pobres”. Não tinha preparado nada, mas naquele momento veio do meu coração, com força, dizer-lhe isso, sem me dar conta de ser a boca através da qual falava o Espírito Santo. Ele disse que aquelas palavras lhe tinham com força, que foi naquele momento que pensou nos pobres e lhe veio à ideia o nome de S. Francisco. Foi interpelado, foi-lhe pedido se aceitava e com que nome desejava ser chamado. O nome que pronunciou, Francisco, foi uma enorme surpresa para todos. Quem teria imaginado que um papa poderia chamar-se Francisco! Porque é uma figura exigente, e ele escolheu-a com coração feliz e leve.» O testemunho do cardeal brasileiro D. Cláudio Hummes.

«Quando estás com Bergoglio, tens a impressão de que ele conhece Deus Pai pessoalmente»
Falar a sós com o papa Francisco constitui uma experiência espiritual. Estar com ele durante um longo período de tempo deu-me a impressão de ver um homem profundamente mergulhado em Deus. Um seu amigo, Luis Palau, conhecido líder mundial dos cristãos evangélicos, disse certo dia acerca dele: «Quando estás com Bergoglio, tens a impressão de que ele conhece Deus Pai pessoalmente.» É isso mesmo. Sente-se sobretudo que se está diante de um homem livre, de uma liberdade espiritual que, no entanto, está plenamente envolvida na vida, nas suas dinâmicas, nos seus afetos. As características fundamentais da sua oração são simples: ele diria «normais». São as de qualquer sacerdote. Reza com o seu breviário, um livro em latim, já gasto pelo uso, e reza «mentalmente», ou seja, num diálogo interior silencioso com Deus. Gosta da oração que acompanha a vida e os seus momentos, e também gosta da adoração silenciosa, durante a qual por vezes dormita. No passado, já se tinha detido sobre essa adoração silenciosa que faz parte da sua vida, desde há muito tempo: «Sinto-me como se estivesse nas mãos de outro, como se Deus me estivesse a dar a mão».

Coragem, papa Francisco, coragem!
Passados os primeiros momentos de encantamento, o papa Francisco começou logo a mostrar o seu estilo, o seu jeito latino-americano, o seu desejo de servir a Igreja Católica e a humanidade de corpo e alma. Tantos detalhes chamaram a atenção, como residir na Casa de Santa Marta, em vez do palácio apostólico; a dispensa de muitos protocolos; o seu jeito de pastor de almas; a forma direta e simples de falar… Muitos, talvez, esperavam imediatas e até espetaculares reformas na Cúria Romana e nos organismos de governo, que ajudam o Papa na sua missão universal. Francisco começou por pedir reformas nas atitudes e nas disposições de todos os filhos da Igreja; as reformas administrativas da Santa Sé chegam aos poucos e as da Cúria Romana ainda devem chegar. Ninguém tenha a ilusão de que, na Igreja, tudo depende só da Cúria Romana; Francisco tem falado mais vezes da necessária participação de todos e que cada membro da Igreja faça bem a sua parte, em vista da saúde do corpo inteiro.

D. José Policarpo: O timoneiro sábio da normalidade
Partiu hoje uma grande figura da Igreja e da cultura. Quando, com a distância necessária, se fizer a história destes anos, compreenderemos porventura melhor o enorme e difícil papel que lhe coube e a generosa sabedoria com que o viveu. Cedo percebeu que os grandes desafios para a Igreja eram, por assim dizer, de natureza cultural: como construir uma experiência cristã autêntica no seio de uma sociedade livre e heterogénea; como assegurar a pertinência antropológica da mensagem cristã; como acolher a modernidade e as suas instigações como oportunidades para o Evangelho; como tornar as comunidades cristãs parceiras ativas num diálogo cultural que mantenha elevada a fasquia dos grandes valores humanistas. D. José Policarpo foi o rosto de uma Igreja que conjuga a inteligência e a fé, que coloca em diálogo a tradição com a modernidade, que não desiste de entender e iluminar o presente do mundo. Uma das frases que repetia muitas vezes era que nada é tão prático como uma ideia clara, e isso também o define.

D. José Policarpo foi «uma das mais importantes referências éticas e espirituais» de Portugal: Reações à morte do patriarca emérito de Lisboa
«Portugal foi tristemente surpreendido pela notícia da morte do patriarca emérito de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo. Todos os portugueses, crentes e não crentes, lamentam a perda de uma personalidade ímpar, que pela lucidez serena e pela luminosa inteligência da sua palavra constituiu, ao longo de décadas, uma das mais importantes referências éticas e espirituais da nossa sociedade. Dedicou a sua vida à causa da Igreja, sendo um dos principais responsáveis pela concretização, no nosso País, da renovação eclesial iniciada pelo Concílio Ecuménico do Vaticano II. (…) Norteou a sua presença na vida pública pelos ideais da tolerância, da autenticidade e da fidelidade aos valores em que acreditava, assumindo o serviço aos outros, em especial aos mais carenciados, com exemplar generosidade e admirável espírito de entrega.» A mensagem do presidente da República é uma das que nas últimas horas foram divulgadas por responsáveis políticos e eclesiais em reação à morte do patriarca emérito de Lisboa.

A «grande marca» de D. José Policarpo em Portugal «é a evidência de que a fé vive em diálogo e a fecundar a cultura»
O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, padre José Tolentino Mendonça, considera que a «grande marca» do cardeal D. José Policarpo em Portugal «é a evidência de que a fé vive em diálogo e a fecundar a cultura». O patriarca emérito de Lisboa, que morreu esta quarta-feira, foi «no contexto português um grande homem de Igreja» e um «grande vulto» da «cultura», qualidades que também eram «reconhecidos para além das fronteiras portuguesas», afirmou à RTP. «D. José Policarpo é alguém que na sua formação apanha os ares do Vaticano II [1962-1965]. A sua tese de doutoramento é sobre um tema desse concílio, a noção dos sinais dos tempos, e de certa forma esse trabalho marca muito do que será o seu percurso», recordou. O prelado distinguiu-se pela «abertura aos novos caminhos, com um olhar reconciliado com a modernidade, com grande sabedoria na leitura da realidade, a que estava sempre muito atento», a par de «grande olhar espiritual», salientou o vice-reitor da Universidade Católica.

Em memória de D. José Policarpo (1936-2014): Povo de missionários em contexto de secularização
Enfrentar uma cultura hostil à sua missão e à sua perspectiva de vida não é uma novidade para a Igreja. Foi assim no Império Romano e em todos os continentes onde a Igreja levou a mensagem de Jesus. No Ocidente habituámo-nos a um enquadramento cultural profundamente marcado pelo cristianismo, por que, apesar de todos os erros, a fé cristã transformou a cultura, tornou-se cultura. Esta mudança é muito brusca para que a ela nos habituemos com facilidade; é semelhante à agitação sentida pela Igreja aquando da queda do Império Romano e ao enfraquecimento do quadro cultural que o sustentava. Apenas a ousadia do Espírito nos permitirá recomeçar. Um novo tempo, que não é o retorno ao tempo da Idade Média, mas a um tempo novo. (…) Falemos do espírito de missão, uma das linhas de força da identidade cultural dos católicos portugueses. Como é que ele resiste numa cultura secularista? (…) Um aspecto muito importante da missão num ambiente cultural secularizado é a acção dos cristãos leigos no coração das realidades terrestres.

Conciliar vida familiar e profissional
As transformações sociais resultantes dos novos modelos de estrutura e vivência familiar, com crescimento dos núcleos familiares monoparentais, e os aspetos demográficos, derivados da baixa natalidade e do envelhecimento, dificultam a conciliação entre a vida familiar e a vida laboral, enquanto as tecnologias de informação e a economia digital abrem crescentes perspetivas sobre uma organização de trabalho, mais flexível, na gestão de tempos e horários. Um ano dedicado ao tema poderá resultar num maior apoio às medidas de conciliação entre o trabalho e a família e permitirá às mulheres e aos homens, em todos os modelos familiares, terem mais possibilidades de escolha para equilibrar o emprego e a vida familiar em função das suas necessidades e preferências individuais, provocar respostas a desafios prementes, como as alterações demográficas, a crise económica e financeira, o desemprego, a pobreza e a exclusão social.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Pedi e dar-se-vos-á, procurai e encontrareis, batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque todo aquele que pede recebe, quem procura encontra e a quem bate à porta abrir-se-á.»

Agenda para hoje

Areias, Santo Tirso
Debate: Papa Francisco: quem é este homem que está a mudar o mundo?
Júlio Magalhães, João Miguel Tavares, P. Vasco Pinto Magalhães, sj
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Santarém
Debate: O papa que veio do fim do mundo
D. António Marto (bispo de Leiria-Fátima): “As linhas de força da exortação apostólica ‘Evangelii gaudium'”
Joaquim Franco (jornalista): “O fenómeno sociológico com o papa Francisco”
Convento de S. Francisco
21h30
Entrada livre

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