É novo » 12.3.2014

Pré-publicação: “Entre-tanto”, «um dos mais belos livros de teologia que se escreveram em Portugal»
«No centro está a fronteira, lugar de passos e de passagens, de perdas e de paixão. Se nos custa reconhecer como a fé se tornou irrelevante para tantos e como, por vezes, faltam às comunidades cristãs a força dos gestos e a unção das palavras que sejam capazes de dar um corpo vivo à graça do Evangelho, poderemos chegar a receber esta experiência de prova como bênção de um tempo favorável. A pobreza do momento instaurará coisas novas. O custo do caminho revelará a surpresa d’O sempre presente. Talvez de outros modos, apontando noutras direções. A fronteira que nos tirou do centro poderá ser o lugar que nos convém como casa, a nós, discípulos de Jesus que não teve lugar onde reclinar a cabeça. E, porém, amou todo o mundo como sua casa e todos os homens como seus irmãos.» A Paulinas Editora lança esta segunda-feira nas livrarias o mais recente livro do padre José Frazão Correia, recentemente eleito superior da Companhia de Jesus em Portugal, intitulado “Entre-tanto – A difícil bênção da vida e da fé”.

Nesta Quaresma, não deixemos que a habituação ao mal nos deixe indiferentes ao sofrimento
Uma das coisas mais desgastantes que nos pode acontecer é cair nas garras da habituação. Tanto ao bem como ao mal. Quando o marido ou a mulher se habituam ao carinho e à família, então deixa-se de valorizar, de dar graças e de cuidar delicadamente do que se tem. Quando nos acostumamos ao dom da fé, a vida cristã torna-se rotina, repetição, não dá sentido à vida, deixa de ser fermento. A habituação é um travão que aprisiona o coração. Estamos em risco! Como sociedade, habituámo-nos pouco a pouco a ouvir e a ver, através dos meios de comunicação, a crónica negra de cada dia; e o que ainda é pior, também nos habituámos a tocá-la e a senti-la à nossa volta sem que nos produza nada ou, quanto muito, um comentário superficial e descomprometido. A habituação diz-nos sedutoramente que não faz sentido tratar de mudar algo, que não podemos fazer nada frente a esta situação, que foi sempre assim e, todavia, sobrevivemos. Através da habituação deixamos de resistir, permitindo que as coisas “sejam o que são”, ou que alguns decidiram que “sejam”.

Acreditemos nos mansos: Têm a chave do futuro
Palavras que não se gastam são as que morrem e ressuscitam em todas as épocas. A mansidão é uma delas; era já enorme nos salmos, no Evangelho e nas antigas civilizações orientais; os grandes mansos da história fizeram-na ainda mais sublime: o Padre Kolbe, muitos mártires de ontem e de hoje, Gandhi…; e tantos outros desconhecidos dos noticiários que com a sua mansidão humilde todos os dias tornam melhor a terra de todos nós. A mansidão de poucos cura e acode à ira de muitos. Bastaria isto para mostrar como é preciosa e indispensável a existência dos mansos que são a primeira minoria profética que eleva o mundo, a mãe de todos os fermentos, o sal primário da terra. São eles os verdadeiros não-violentos porque, com a sua fortaleza, impedem que a violência domine o mundo e os mundos que habitamos. Além disso, a mansidão faz viver – e por vezes viver com alegria – os doentes crónicos; faz envelhecer e morrer bem; dá resistência em longas e duras provas da vida sem ira ou azedume para com os outros e consigo mesmo, mas deixando docilmente que lhes acariciem a cabeça.

Mário Soares e Guilherme d’Oliveira Martins apresentam arquivo pessoal de José da Felicidade Alves | IMAGENS |
A Fundação Mário Soares apresentou esta terça-feira, em Lisboa, o arquivo pessoal de José da Felicidade Alves, padre que foi afastado pelo então patriarca lisboeta, cardeal Cerejeira, devido às suas posições políticas no tempo da ditadura. O programa do encontro referia as intervenções do ex-presidente da República e ex-primeiro-ministro Mário Soares, do presidente do Centro Nacional de Cultura, Guilherme d’Oliveira Martins, da historiadora Paula Borges Santos, e Abílio Tavares Cardoso, um dos principais companheiros sacerdotais de Felicidade Alves. O acervo, entregue à Fundação Mário Soares por Elisete Alves, viúva de José Felicidade Alves, inclui documentação sobre o seu percurso sacerdotal, em particular enquanto pároco de Santa Maria de Belém (no mosteiro dos Jerónimos), de onde proferiu parte significativa das intervenções que o viriam a afastar. O fundo abrange ainda a edição conteúdos sobre a prisão pela PIDE (polícia política da ditadura) e julgamento, assim como material sobre o casamento civil e documentos dirigidos à hierarquia católica em que pede o matrimónio canónico, celebrado pelo patriarca D. José Policarpo quase três décadas depois.

Restauro de património é operação «complexa» e a sua responsabilidade deve ser «partilhada»
A diretora da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (Porto) considera que o restauro patrimonial exige conhecimentos multidisciplinares adquiridos por especialistas, embora o cuidado pelo património é uma tarefa que cabe a todos os portugueses. A posição de Laura Castro, apresentada no jornal “Público”, enquadra-se no trabalho que teve por objetivo dar nova aparência a 13 esculturas do Santuário de Nossa Senhora das Preces, em Oliveira do Hospital, operação que deixou satisfeito o tesoureiro da irmandade homónima e deixou orgulhoso o responsável pelo trabalho, mas foi alvo de crítica por parte de especialistas. «O restauro – e tenho testemunhado inúmeros estudos e intervenções levadas a cabo na Escola das Artes – envolve uma série de operações complexas, desde as de teor conceptual às eminentemente técnicas e requer contributos de diferentes disciplinas», sublinha Laura Castro. A «prática abrangente e multifacetada do conservador-restaurador» implica o domínio de conhecimentos como «a química e a biologia, a história da arte e a estética, a iconografia e a antropologia, o desenho e a pintura».

O desporto na vida e na mensagem do papa Francisco
Na esteira sobretudo de Pio X e Pio XII, Francisco I encontra no desporto um veículo privilegiado de transmissão de valores. A este respeito, escolheu, e bem, o Movimento Olímpico para o seu discurso de referência: perante dirigentes do Comité Olímpico Internacional e dos Comités Olímpicos Europeus, associou o «crescente interesse da Igreja ao mundo do desporto» àquilo que este encerra e proporciona: «espírito de sacrifício»; «lealdade nas relações interpessoais»; «amizade»; «respeito pelas regras»; «justiça»; «educação»; «solidariedade», «paz»; «harmonia»; «partilha»; «coexistência harmoniosa entre pessoas». Tudo isto, afirmou, «(…) é possível porque o desporto é uma linguagem universal que ultrapassa fronteiras, linguagens, raças, religiões e ideologias. Tem a capacidade de juntar pessoas, encorajar o diálogo e a aceitação. Trata-se de um precioso recurso!». Percebe-se aqui uma influência do barão Pierre de Coubertin, a mesma que, noutro momento, terá levado o Papa a frisar que «o desporto é um meio, e não um fim em si mesmo», no âmbito da formação do corpo e do carácter da pessoa humana. Dificilmente um agnóstico ou ateu fica indiferente…

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«No juízo final, os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração e hão de condená-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; e aqui está quem é maior do que Jonas.»

Agenda para hoje 

Braga
3.ª Jornada da Cultura: “Para um novo modelo social”
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Coimbra
Ciclo “Cinema e Espiritualidade
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Évora
Inauguração da exposição “A cenografia barroca e as imagens de vestir”
Igreja do Salvador
18h00
Patente até 30 de abril

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Um pensamento sobre “É novo » 12.3.2014

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