É novo » 7.3.2014

Universidade Católica, Renascença e Agência Ecclesia assinalam primeiro ano do papa Francisco
Quatro personalidades das áreas da psicologia, apoio aos refugiados, economia e música vão analisar o mesmo número de frases emblemáticas proferidas pelo papa Francisco no primeiro ano do seu pontificado. A iniciativa integra o programa da conferência “Francisco: um papa do fim do mundo” que a Renascença, a Agência Ecclesia e a Universidade Católica Portuguesa organizam esta terça-feira, 11 de março, em Lisboa. «Ir às periferias», pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres (depoimento em vídeo), «Esta economia mata», pelo presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, Alfredo Bruto da Costa, «Peço que se rebelem», pelo cantautor Manuel Fúria, e «Com licença, desculpa, obrigado», pela psicóloga Margarida Neto, constituem as frases e respetivos comentadores. Conheça o programa integral do encontro.

Pré-publicação: “A noite do confessor”
«Uma fé minúscula não tem de ser necessariamente apenas o fruto da pecaminosa falta de fé. Por vezes, a «pouca fé» pode conter mais vida e confiança do que a «grande fé». Será que não podemos aplicar à fé aquilo que Jesus disse na parábola acerca da semente, que tem de morrer a fim de produzir grandes benefícios, porque desapareceria e não prestaria para nada se permanecesse imutável? Será que a fé não tem de passar também por um tempo de morte e de radical diminuição na vida do homem e ao longo da história? E se nós apreendermos esta situação segundo o espírito da lógica paradoxal do Evangelho, em que o pequeno prevalece sobre o grande, a perda é lucro e a diminuição ou redução significa abertura ao avanço da obra de Deus, não será porventura esta crise o «tempo da visitação», o momento oportuno?» Oferecemos em pré-publicação um excerto de “A noite do confessor”, correspondente ao segundo capítulo, intitulado «Dá-nos um pouco de fé».

Nesta Quaresma aprende a ser pobre
Se nos perguntarem «hoje, o que é que te tocou?», ficamos por vezes sem saber o que responder, porque nada nos tocou. Vivemos muita coisa mas nada nos tocou. Porquê? E somos capazes de viver assim durante dias, semanas e meses. Falta-nos a disponibilidade de entrarmos em diálogo, de sermos simples, de aprendermos como as crianças, que quando dão a mão a alguém têm o coração e o espírito livre para saborear o caminho, que para elas não é, como para nós, um corredor noturno e sonâmbulo em que só se vê uma coisa: a meta. E quem só vê a meta, não caminha. «Agradece a quem quer que venha, porque cada um foi enviado como um guia do Além.» Agradecer, agradecer, agradecer. É esta a pobreza de coração. É estar grato por aquilo que vem, que brota, que germina.

Sem mercado não há liberdade. O mercado por si só não dá felicidade
Não se trata de pôr em dúvida a importância destes novos bens, mas apenas de usar o sentido crítico e tomar consciência de que as grandes multinacionais usam as inovações tecnológicas não para aumentar a criatividade e a autonomia dos cidadãos, mas para criar sempre mais conforto e consumidores que substituam rapidamente aqueles bens que devem envelhecer ainda mais rapidamente. Precisamos, pois, de tudo fazer para que a revolução das novas tecnologias não nos prenda dentro de casa ‘entretidos’ e cómodos. A qualidade das democracias dependerá muito da nossa capacidade de não confiar as novas tecnologias apenas ao capitalismo para o lucro, mas de considerá-las como novos direitos de cidadania, acessíveis a todos, principalmente aos mais pobres, e de regular o seu uso e gestão, como acontece hoje com os bens de utilidade pública.

«Há tanta gente ferida… Nós, padres, devemos estar lá, próximos…»
«À imagem do Bom Pastor, o padre é homem de misericórdia e de compaixão, próximo da sua gente e servidor de todos. Este é um critério pastoral que desejo sublinhar muito: a proximidade. A proximidade e o serviço; mas a proximidade! Todo aquele que se encontre ferido na sua vida, de que modo seja, pode encontrar no padre atenção e escuta.» «Em particular, o padre demonstra um interior de misericórdia ao administrar o sacramento da Reconciliação; demonstra-o em toda a sua atitude, na maneira de acolher, de escutar, de aconselhar, de absolver… Mas isto deriva de como ele mesmo vive o sacramento na primeira pessoa, de como se deixa abraçar por Deus Pai na Confissão, e permanece dentro deste abraço… Se alguém vive isto em si, no próprio coração, pode também dá-lo aos outros no ministério. Como me confesso? Como? Deixo-me abraçar?» «O padre é chamado (…) a ter um coração que se comove. Os padres – seja-me permitido dizer assim – “asséticos”, “de laboratório”, tudo imaculado, tudo bonito… não ajudam a Igreja.»

Sem a cruz de cada dia não pode haver estilo de vida cristão, sublinha papa Francisco
O papa Francisco vincou esta quinta-feira, no Vaticano, que «o estilo cristão» de vida passa por ter diante dos olhos e do coração a cruz de cada dia, na seguindo e imitando a vida de Jesus. «Não podemos pensar a vida cristã fora desta estrada. Há sempre este caminho que Ele fez primeiro: o caminho da humildade, o caminho também da humilhação, de se aniquilar a si próprio, e depois ressurgir», vincou Francisco, citado pela Rádio Vaticano. Na missa a que presidiu, o papa frisou que «o estilo de vida cristão sem cruz não é cristão, e se a cruz é uma cruz sem Jesus, não é cristã»: «O estilo cristão toma a cruz com Jesus e segue em frente. Não sem cruz, não sem Jesus». Na eucaristia de Quarta-feira de Cinzas, início da Quaresma, a que presidiu na basílica de Santa Sabina, em Roma, o papa realçou a vertente penitencial deste tempo de preparação para a Páscoa, tendo recordado o sentido da oração, do jejum e da esmola. «A Quaresma recorda-nos que é possível realizar em nós e à nossa volta qualquer coisa de novo, porque Deus é fiel e pronto a perdoar e a recomeçar do início.»

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