É novo » 6.3.2014

Quando os deuses cantam
O problema da comunidade pumé-yaruro não é a suposta descaracterização dos seus imaginários. Esse processo está bem ativo, capaz de integrar novas realidades e idealidades (de uma língua diz-se que está morta por não poder integrar, através de falantes, a contínua reinvenção do mundo). O que os ameaça verdadeiramente é um sistema socioeconómico incapaz de os integrar na sua diferença. Como observava o filósofo Olivier Abel – discípulo de Paul Ricœur –, a criatividade de uma cultura, para além da sua capacidade de resistência e de absorção dos novos fluxos, descobre-se não tanto na sua capacidade de organizar a repetição, mas antes nesse desafio de se «enraizar para inventar». O mais singular e arcaico na memória das culturas pode ser o lugar em que se descobre o mais inédito e ressoa o mais universal.

Papa Francisco em entrevista, um ano após a eleição
O papel de Bento XVI, que «não é uma estátua num museu», a normalidade da vida de um papa, um homem «normal» e que, por isso, não gostou de se ver representado como “super-homem”, as próximas viagens intercontinentais e os abusos sexuais do clero constituíram alguns dos temas abordados por Francisco na entrevista publicada esta quarta-feira no jornal italiano “Corriere della Sera” e no argentino “La Nación”. A poucos dias de completar um ano da eleição (13 de março de 2013), o papa refere-se também às acusações de marxismo que lhe foram dirigidas, reafirma a sua posição sobre a pobreza, critica o atual modelo de globalização económica e financeira, revela que o tema para o sínodo surgiu após um processo de discernimento e constata a crise das famílias. A intervenção do cardeal Walter Kasper no último consistório, a moral sexual, o papel da mulher na Igreja, a encíclica “Humanae vitae” e a regulação dos nascimentos, o prolongamento da vida quando o doente está em estado vegetativo, a relação com os cristãos ortodoxos, a China e o “não assunto” que tem sido a Europa foram também questões abordadas na entrevista, que transcrevemos na íntegra.

Os novos desafios do diálogo entre moral e ciência
Após os radicalismos positivistas e apologéticos do passado, e de algum epígono contemporâneo, a tendência atual é cada mais o respeito recíproco e coerente entre os dois campos: a ciência dedica-se aos factos, aos dados, ao “como”; a metafísica e a religião consagram-se aos valores, aos significados últimos, ao “porquê”, segundo protocolos de investigação específicos. É o que o cientista norte-americano Stephen J. Gould, falecido em 2002, sistematizou na fórmula dos Non-Overlapping Magisteria (NOMA), ou seja, da não sobreposição dos itinerários do conhecimento filosófico-teológico e do conhecimento empírico científico. Reconhecida a legitimidade desta formulação, que rejeita concordismos fáceis e atribui igual dignidade aos diferentes traçados de análise da realidade, há que acrescentar contudo uma reserva que é evidente, a partir da mesma experiência histórica. Ambas, ciência e teologia (ou filosofia), têm em comum o objeto da sua investigação (o homem, o ser, o cosmo), e – como observa perspicazmente o filósofo da ciência Michal Heller na sua obra “Nova física e nova teologia” – «provavelmente existem alguns tipos de afirmações que se podem transferir do campo das ciências experimentais para o filosófico sem confundir os níveis», mas ainda, com resultados fecundos».

Papa Francisco apela à «conversão» e pede novo olhar para as «tristes realidades» do mundo
O papa Francisco apelou esta quarta-feira, primeiro dia da Quaresma, ao regresso a Deus, atitude essencial a partir da qual se pode transformar realidades que desvirtuam a dignidade do ser humano e que hoje são encaradas com indiferença. «Há o risco de aceitar passivamente certos comportamentos e de não nos surpreendermos diante das tristes realidades que nos rodeiam. Habituamo-nos à violência como se fosse uma notícia habitual tomada como certa; habituamo-nos aos irmãos e irmãs que dormem na rua, que não têm um teto para se protegerem. Habituamo-nos aos refugiados à procura de liberdade e dignidade, que não são acolhidos devidamente. Habituamo-nos a viver numa sociedade que pretende viver sem Deus, na qual os pais deixaram de ensinar aos filhos a rezar e a fazer o sinal da cruz.»

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Se alguém quiser seguir-me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, tem de perdê-la; mas quem perder a vida por minha causa salvá-la-á.»

Agenda para hoje

Póvoa de Santo Adrião, Loures
Apresentação do livro “Santo Adrião, Santa Natália e S. Manços”
D. Manuel Clemente
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Coimbra
Curso de ícones (3.ª sessão)
Susana Braguês
Capela do Centro Universitário Justiça e Paz
21h15

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