É novo » 5.3.2014

Quaresma, tempo para renascer
«O ser humano é uma casa de hóspedes; cada manhã, um novo recém-chegado, uma alegria, uma tristeza, uma maldade, que vem como um visitante inesperado. Diz-lhes que são bem-vindos, e recebe-os a todos, ainda se são um coro de penúrias que esvaziam a tua casa violentamente. Trata cada hóspede com todas as honras; ele pode estar a criar-te um espaço para uma nova delícia. O pensamento obscuro, a vergonha, a malícia, recebe-os à porta sorrindo e convida-os a entrar. Agradece a quem quer que venha, porque cada um foi enviado como um guia do Além.» A Quaresma não são 40 dias para tentarmos fazer rituais mais ou menos arcaicos. A Quaresma é um tempo de revitalização, um tempo para nos colocarmos as perguntas-chave que vão favorecer o renascimento do que somos. E Deus sabe como cada um de nós precisa de renascer. Por isso este é o tempo de voltar a si.

Pré-publicação: “Um mundo que falta nascer”, antologia de crónicas de frei Bento Domingues
«Uma das coisas que impressiona em frei Bento Domingues é, precisamente, a sua capacidade de perscrutar sinais do porvir no presente que nos envolve. desde há muito que a sua voz lúcida, livre e bem‐humorada nos habituou a esse exercício – seja nas suas crónicas semanais, seja em livros ou em intervenções públicas. O seu modo de fazer teologia na praça pública há muito que o converteu numa voz original e incontornável na sociedade portuguesa e na Igreja Católica, em particular. Seria, assim, uma lacuna grave para a cultura portuguesa e a teologia cristã se não pudéssemos voltar a reler muitas das crónicas que, desde há mais de vinte anos e de mil semanas completadas neste final de 2013, frei Bento Domingues nos dá a ler no Público, domingo a domingo.» A editora Temas & Debates lança esta sexta-feira, 7 de março, nas livrarias o livro “Um mundo que falta fazer”. Do novo livro avançamos em pré-publicação a introdução, além de uma das crónicas e o índice.

Sermão de Quarta-feira de Cinzas do Padre António Vieira, lido por Luís Miguel Cintra | VÍDEO |
Esta é a melhor devoção e mais útil penitência, e mais agradável a Deus, que podeis fazer nesta quaresma. Tomar uma hora cada dia, em que só por só com Deus e connosco cuidemos na nossa morte e na nossa vida. E porque espero da vossa piedade e do vosso juízo que aceitareis este bom conselho, quero acabar deixando-vos quatro pontos de consideração para os quatro quartos desta hora. Primeiro: quanto tenho vivido? Segundo: como vivi? Terceiro: quanto posso viver? Quarto: como é bem que viva? Torno a dizer para que vos fique na memória: Quanto tenho vivido? Como vivi? Quanto posso viver? Como é bem que viva?

O jejum que me agrada
Não se trata da partilha do que me sobra, mas daquilo que é fundamental para a manutenção da vida. O jejum, enquanto experiência sentida no corpo, toca zonas muito profundas da existência. Abre-nos, por isso, ao que pode ser o sentido mais autêntico da solidariedade. A minha carência aproxima-me do outro na sua carência. Só o homem ou a mulher pobre que existe em mim pode encontrar o outro na sua pobreza. O jejum não induz em mim uma experiência artificial, ao contrário: cria um espaço que amplia a capacidade de visão, liberta-me da irrealidade das máscaras, permitindo um encontro com a minha nudez. O que é artificial é viver na ausência de contacto com o que efetivamente somos. O encontro com o outro, e o outro que é pobre, convoca-me para o encontro com a minha pobreza. O jejum é um instrumento possível ao serviço de um olhar mais consciente sobre nós próprios. O mesmo se pode dizer da oração, das vigílias e de outros instrumentos da arte espiritual: estão ao serviço de um despertar interior. Desbravam caminhos.

Da Quaresma à Páscoa: Textos, imagens e vídeos para meditação diária | VÍDEO + IMAGENS |
Neste tempo da Quaresma ecoa a profecia que convida insistentemente para um encontro com Deus, de todo o coração. É um processo de reconfiguração qualificada da própria vida que inclui todas as circunstâncias do tecido da sociedade. O ápice da qualificação de qualquer vida pessoal é a consistência da própria interioridade como fonte sustentadora da paixão pela verdade, o gosto pela solidariedade e a coragem de lutar pela justiça. É cultivar a honestidade na palavra dada, no respeito aos outros e, particularmente, na condução da coisa pública e do bem comum. Quem percorre o caminho quaresmal escutando a Palavra de Deus, falando menos, contemplando mais, sensibilizando-se sob o impulso da caridade fraterna, alcança uma qualificação ancorada na força de valores. Fazem a diferença no que são, onde estão e no exercício de suas responsabilidades.

Festival Terras Sem Sombra de música sacra: 10.ª edição começa a 29 de março
A 10.ª edição do Terras Sem Sombra, festival de música sacra do Baixo Alentejo, promovido pela diocese de Beja, vai começar a 29 de março em Almodôvar, terminando a 5 de julho, em Sines, com a cerimónia de atribuição de prémios. A revelação foi feita à Rádio Planície por Sara Fonseca, coordenadora da iniciativa organizada pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da diocese, que em 2014 assinala o 30.º aniversário. Segundo o calendário publicado no site “visitalentejo”, o festival vai manter a vertente da salvaguarda da biodiversidade, agendando eventos neste domínio no domingo a seguir a cada concerto, em parceria com organismos de proteção da natureza. Assim, no dia 30 de março está prevista a atividade “Tesouros ocultos da natureza: preservar os invertebrados da Ribeira do Vascão”, em Almodôvar, seguindo-se Grândola (13 de abril), Santiago do Cacém (27 de abril) e Beja, onde o festival regressa, com uma ação a 11 de maio centrada no montado de azinho.

Quaresma: História e espiritualidade
A Quaresma é o tempo do ano litúrgico preparatório da Páscoa, a grande celebração da salvação operada pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. Começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina na Quinta-Feira Santa, excluindo a Missa da Ceia do Senhor, que já pertence ao Tríduo Pascal. A Quaresma surgiu no séc. IV, a seguir à paz do imperador romano Constantino, quando multidões de pagãos quiseram entrar na Igreja. Duas venerandas instituições a ela estão ligadas, a penitência pública e o catecumenado, preparação para o Batismo, o primeiro dos sete sacramentos. Daí o seu duplo caráter penitencial e batismal. Haja ou não catecúmenos, os fiéis de cada comunidade são convidados a viver a Quaresma em espírito catecumenal, preparando-se para a renovação das promessas do Batismo na Vigília Pascal. Fazem esta experiência recorrendo às tradicionais práticas do jejum, da esmola e da oração, entendendo-as num sentido amplo de ascese cristã (luta contra as más inclinações, seduções mundanas e tentações, e exercício das virtudes cristãs), de caridade fraterna (pela prática das obras de misericórdia) e de intimidade com Deus (escutando a palavra de Deus e dando-se às várias formas de oração).

Perseguições aos cristãos são causadas por mundo que «não tolera o anúncio do Evangelho», aponta papa Francisco
O papa Francisco frisou esta terça-feira no Vaticano que as «perseguições» aos cristãos acontecem atualmente «porque o mundo não tolera a divindade de Cristo», «não tolera o anúncio do Evangelho» nem «tolera as bem-aventuranças». «Pensemos em tantos cristãos, há 60 anos, nos campos, nas prisões nos nazis, dos comunistas: tantos. Por serem cristãos. Ainda hoje. “Mas hoje temos mais cultura e não existem essas coisas”. Existem! E eu digo-vos que hoje há mais mártires do que nos primeiros tempos da Igreja», vincou Francisco. «[Os cristãos] são condenados porque têm uma Bíblia. Não podem fazer o sinal da cruz. E esta é a estrada de Jesus. Mas é uma estrada de alegria, porque o Senhor nunca nos prova para além das nossas capacidades. A vida cristã não é lucro comercial, não é fazer carreira: é simplesmente seguir Jesus», apontou.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo.»

Vaticano organiza debate sobre o fim da vida na Câmara de Deputados italiana
O Átrio dos Gentios, estrutura do Vaticano para o diálogo entre crentes e não crentes coordenada pelo Pontifício Conselho da Cultura, vai organizar na Câmara de Deputados italiana um debate sobre questões relacionadas com o fim da vida. O convite para a participação na iniciativa intitulada “Os confins dos territórios no final da vida”, marcada para 28 de março, em Roma, parte do presidente da Sociedade Italiana de Anestesia Analgésica, Reanimação e Terapia Intensiva, Massimo Antonelli. A iniciativa marcada para uma das salas da Câmara realiza-se igualmente sob a égide do presidente da Fundação Átrio dos Gentios, Giuliano Amato, ex-primeiro ministro, jurista e membro da Associação Italiana de Constitucionalistas, que modera o encontro.

Agenda para hoje

Coimbra
Ciclo “Cinema e Espiritualidade
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Lisboa
Visita guiada: Tetos pintados da igreja de S. Roque
13h15
Participação gratuita mediante marcação prévia pelos telefs. 213 235 233 / 824 / 065 / 444

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