É novo » 28.2.2014

Bíblia não é comunista, embora possa parecer, diz papa, que alerta: Cristãos incoerentes afastam ateus da fé
Francisco citou a passagem bíblica proclamada nas missas desta quinta-feira, que diz: «Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras. O seu salário clama; e os brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo». «Se alguém ouve isto, pode pensar: “Mas isto foi dito por um comunista”. Não, não, disse-o o apóstolo Tiago. É palavra do Senhor. É a incoerência. E quando não há a coerência cristã e se vive com esta incoerência, faz-se o escândalo. E os cristãos que não são coerentes fazem escândalo», afirmou o papa. «Muitas vezes ouvimos dizer: “Mas padre, eu creio em Deus, mas não na Igreja, porque vós, os cristãos, dizeis uma coisa e fazeis outra”», ou «Eu creio em Deus, mas em vós não», disse o papa, que apontou a origem destas posições: «É por causa da incoerência». A seguir, Francisco propôs um caso de vida: «Se tu estás diante de um ateu – imaginemos – e ele te diz que não acredita em Deus, tu podes ler-lhe toda uma biblioteca, onde se diz que Deus existe, e até provar que Deus existe, e ele não ficará com fé».

“Ao lado dos pobres” reúne textos do “pai” da Teologia da Libertação e do prefeito da Doutrina da Fé: A voz de Gerhard Müller
Em minha opinião, o movimento eclesial e teológico que, depois do Concílio Vaticano II, na América Latina, sob o nome de «Teologia da Libertação», encontrou eco mundial, inclui-se entre as mais significativas correntes da teologia católica no século XX. (…) O teólogo profissional, como perito em religião, não se contrapõe aos fiéis ou aos não especialistas. Ele entende-se, tal como todos os discípulos, como ouvinte e aprendiz diante do único Mestre e Palavra de Deus, isto é, Cristo. Desse modo, ele penetra no contexto da experiência da fé e da religiosidade da vida do povo, ou seja, da comunidade daqueles que professam a fé em Jesus Cristo e ousam percorrer o caminho do seu seguimento na existência – para os outros. Participa dos seus sofrimentos e das suas esperanças. Desse modo, Teologia da Libertação, no melhor sentido da palavra, é teologia contextual, amadurecida a partir da comunidade. Assim também se supera a fissura entre uma teologia universitária erudita e uma reflexão da fé a partir das experiências concretas das comunidades.

“Ao lado dos pobres” reúne textos do “pai” da Teologia da Libertação e do prefeito da Doutrina da Fé: A voz de Gustavo Gutiérrez
Desde o início, na Teologia da Libertação, tiveram-se em consideração as diversas dimensões da pobreza. Dizendo-o com outras palavras – como o faz a Bíblia –, prestou-se atenção a não reduzir a pobreza ao seu aspeto económico, certamente fundamental. Isso levou à afirmação de que o pobre é o «insignificante», aquele que é considerado como uma «não pessoa», alguém a quem não se reconhece a plenitude dos seus direitos na condição de ser humano. Pessoas sem peso social ou individual, que contam pouco na sociedade e na Igreja. Assim são vistos, ou mais exatamente não são vistos, porque são bem mais invisíveis na medida em que são excluídos dos nossos dias. As razões disso são diversas: as carências de ordem económica, sem dúvida, mas tam bém a cor da pele, ser mulher, pertencer a uma cultura desprezada (ou considerada interessante somente pelo seu exotismo, o que equivale ao mesmo). A pobreza é, com efeito, um assunto complexo e multifacetado; há decénios, ao falar dos «direitos dos pobres», referíamo-nos a esse conjunto de dimensões da pobreza.

Mercado e reciprocidade: Aliança a reconstruir
O nosso melhor passado remoto e próximo é fruto da mescla de mercados e reciprocidade. O movimento cooperativo, os distritos industriais, as empresas familiares são filhos de encontros entre as linguagens do mercado com as do dom. As famílias sempre souberam que as empresas são assunto muito importante e essencial para o seu bem. É delas que vem trabalho e salário; é nesses lugares abertos e duros que se alimentam sonhos e vida verdadeiros. As pessoas sempre habitaram e viveram os mercados reais como lugares humanos, praças e lojas cheias de gente, de odores, sabores e palavras; não esqueçamos ainda que, durante décadas, os mercados foram dos pouquíssimos lugares de vida pública, soberania e protagonismo de muitas nossas mães e avós. A grande e longa história da relação entre mercados e vida civil é sobretudo uma história de amizade e aliança.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Pode um homem repudiar a sua mulher?»

“Nem só de pão”: Santa Sé escolheu tema do pavilhão na Expo Milão 2015
O tema geral do pavilhão que a Santa Sé vai ter na exposição universal de Milão, que decorre entre 1 de maio de 2015 e 31 de outubro, será “Not by bread alone – Nem só de pão”, revelou esta quinta-feira o presidente do Pontifício Conselho da Cultura. A presença tem como objectivo «realçar sobretudo a dimensão interior, religiosa e cultural que não só afeta a pessoa como também as suas relações a todos os níveis», explicou o cardeal Gianfranco Ravasi em conferência de imprensa realizada no Vaticano. A «alimentação interior é tão necessária como aquela que corresponde às necessidades mais imediatas», frisou o responsável, citado pelo portal de notícias news.va.

«Renúncia e sacrifício» fazem parte da missão dos bispos: Papa aponta critérios para nomeações episcopais
«A coragem de morrer, a generosidade de oferecer a própria vida e de consumir-se pelo rebanho estão inscritos no ADN do episcopado», vincou esta quinta-feira o papa Francisco no Vaticano, em discurso à Congregação para os Bispos. O papa apontou oito critérios que devem presidir à nomeação dos bispos, tendo sublinhado que «a renúncia e o sacrifício são conaturais à missão episcopal». «Dado que a fé vem do anúncio, precisamos de bispos kerigmáticos[anunciadores das verdades fundamentais da fé]. (…) Homens guardiães da doutrina não para medir quanto o mundo vive distante da verdade que ela contém, mas para fascinar o mundo, para o encantar com a beleza do amor, para o seduzir com a oferta da liberdade dada pelo Evangelho.» «A Igreja não precisa de apologistas das próprias causas nem de cruzados das próprias batalhas, mas de semeadores humildes e confiantes da verdade (…).»

Agenda para hoje 

Lisboa
Apresentação do livro “A esperança do perdão”
Autor: Pedro Valinho Gomes
Apresentação: Maria da Conceição Azevedo
Editora: Universidade Católica
Universidade Católica (auditório A1)
15h30
Evento integrado nas Jornadas de Estudos Teológicos
Para saber mais sobre o livro: Pastoral da Cultura

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