É novo » 27.2.2014

Mais instruídos mas menos solidários
Ao que parece temos criado um contexto de vida e uma cultura onde nos educamos apenas e só para ter, partindo do princípio que o processo será sempre numa lógica ascendente. Educamo-nos e formamo-nos no pressuposto de que somos invulneráveis e tornamo-nos de facto insensíveis à vulnerabilidade – bebemos para esquecer, engordamos para nos satisfazer, endividamo-nos para bem estar, medicamo-nos para não deprimir, suicidamo-nos no desespero de possuir tudo o anterior mas não ter sentido para viver. Centrados numa visão individual, e em fuga face aos pontos mais frágeis, limitamo-nos também na nossa capacidade de viver plenamente a alegria e a consciência de gratidão e de amor que nos torna vulneráveis, mas nos confere a esperança e o sentido porque é na vulnerabilidade e na relação que nos tornamos mais humanos! O mais que temos conseguido é para o menos que estamos a viver? Afinal que mais queremos Ser?

O futuro não é um clube
Para pôr em movimento uma ação ecológica na cidade, para fazer nascer uma forma de economia partilhada, para deixar de pagar o imposto às máfias, para salvar da morte um bosque ou uma associação, para assinalar e mapear os caminhos de montanha, é necessário que exista um grupo de cidadãos, ainda que pequeno, que faça de motor de arranque, que comece a comprometer-se sem garantia de reciprocidade nem de sucesso. Nestes “cidadãos starter” entra em ação um tipo especial de lógica que podemos chamar do “melhor eu só, do que ninguém”. Sabem que a sua doação é de risco, muitas vezes posta em ridículo, considerada ingénua, talvez até explorada por oportunistas; mas, tomando a peito esse bem comum e o Bem comum, preferem ocupar-se sozinhos daquele bem a vê-lo morrer, esperando (sem o exigir) que amanhã a sua ação seja imitada.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.»

Unção dos Doentes não é presságio de morte, mas Cristo que dá a mão a quem sofre, sublinha papa Francisco
«No momento da dor e da doença não estamos sós», vincou esta quarta-feira o papa Francisco durante a audiência geral desta quarta-feira, no Vaticano, dedicada ao sacramento da Unção dos Enfermos, que que não é a antecâmara do funeral. Perante 50 mil pessoas reunidas na Praça de S. Pedro, o papa sublinhou que a Unção dos Doentes permite a quem a recebe «tocar com a mão a compaixão de Deus pelo homem», refere a Rádio Vaticano. «Há um pouco a ideia de que quando alguém está doente e vem o sacerdote, depois dele chegam as cerimónias fúnebres; e isso não é verdade. O sacerdote vem para ajudar o doente ou o idoso. Por isso é muito importante a visita dos sacerdotes aos doentes», frisou. Com a Unção dos Doentes, «é Jesus que chega para o erguer, para lhe dar força, para lhe dar esperança, para o ajudar. E também para lhe perdoar os pecados. E isto é belíssimo».

“Tratado dos olhos”: As desconhecidas pinturas escritas de Júlio Pomar
O Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, inaugura esta quinta-feira a exposição “Tratado dos olhos”, centrada numa «parte fundamental» e «desconhecida de muitos» do artista que dá nome ao espaço: escritos sobre arte que tem vindo a publicar desde os anos 40. A mostra «é um (auto)retrato do artista enquanto vidente», uma «apresentação do seu modo próprio de olhar», explica o curador, Paulo Pires do Vale. Os textos de Júlio Pomar (n. 1926) constituem «uma reflexão profunda e continuada sobre o ofício de pintor e o trabalho no atelier, uma análise crítica da obra de outros artistas e da sua própria obra, uma procura exigente de maior compreensão, pela palavra, da relação entre a arte e a vida». «”Tratado dos olhos” questiona o que é ver e propõe uma relação íntima entre o olhar, a mão e a palavra na obra – escrita e artística – de Júlio Pomar», assinala Paulo Pires do Vale.

“Her (Uma história de amor)”: O estranho mundo de Theodore | VÍDEO + IMAGENS |
É inevitável a empatia imediata com o mundo solitário de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix). Na volubilidade de um processo de divórcio, ensimesmado, voltado para si e para o seu mundo que rui, Theodore vagueia entre o trabalho como escritor, que providencia aos seus clientes eloquentes cartas que exprimem o amor e o afeto que eles mesmos são incapazes de pôr em palavras, durante o dia, e as noites ocupadas entre jogos de vídeo, redes sociais e as memórias dolorosas da separação. Não é um filme sobre a solidão, mas propõe um mundo onde cada um de nós é desencontro, desconhecimento e reclusão. “Her” não configura, na aparência de uma fotografia de cores quentes e quase tácteis, a distopia de um mundo desumanizado e sob regulação totalitária, mas mergulha-nos num universo onde cada indivíduo é um átomo isolado, à mercê do isolamento emocional, afetivo e humano.

Em louvor do Porto
«Temos visto muitas coisas belas na Europa que estamos a percorrer, mas o panorama que estamos a contemplar no Porto e em Gaia é, de longe, o mais belo que temos visto nesta nossa digressão. Temos a impressão de que os portugueses não sabem apreciar devidamente a beleza do Porto com o seu casario, com o seu rio e as suas belas margens, as suas pontes, os seus monumentos, numa palavra, de toda a panóplia de coisas belas que o Criador espalhou entre vós.» Penso que estas palavras laudatórias são, para nós, motivo de orgulho e alegria. Finalmente, o Porto consegue vencer as barreiras dum cinzentismo antipático e injusto, que não deixava ver o que ele tinha de belo e bom.

Agenda para hoje

Guimarães
Apresentação do livro “A desumanização”
Autor: Valter Hugo Mãe
Apresentação: D. Jorge Ortiga
Para saber mais: Pastoral da Cultura

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