É novo » 24.2.2014

Zaqueu… simplesmente… ou talvez não…
O facto é que gosto do Zaqueu. Gosto mesmo! Gosto de o imaginar pequenito e sem complexos; a correr, a empurrar meio mundo, a acotovelar os basbaques da multidão amorfa, a saltitar de quando em vez procurando descortinar um ponto alto à procura de ver, acima de tudo, a si próprio. E lá está ele, o sicómoro do seu contentamento, o lugar onde pode finalmente subir sem pisar ninguém; o ponto alto a partir do qual pode descortinar o que procura, onde se pode encontrar consigo mesmo, para depois encontrar os outros no caminho do seu encontro com Deus. Ah! Grande Zaqueu que foste capaz de ir à procura de ti próprio, grande ao ponto de, na tua pequenez, te reconheceres um biltre, mas capaz de ser amado por Deus; que subiste acima da tua altura, sem te pores em bicos de pés por cima de ninguém, mas à custa do teu esforço foste capaz de te ver.

Regenerar as virtudes subvertidas
Ultrapassámos por certo o ponto crítico da vida exterior (consumos, mercadorias, técnica), e assim parece-nos normal a grande carestia e incapacidade de interioridade, de meditação, de oração em que gradualmente precipitámos. A mesma sorte coube à imunidade. A boa conquista moderna de espaços e momentos de vida privada imune de poderosos e patrões, transformou-se numa “cultura da imunidade” na qual já não se abraça, nem sequer se toca, ninguém, cultura que está a fazer murchar tudo e todos; e assim uma maré cheia de solidão está inundando cidades e vidas. Habituamo-nos a sofrer sozinhos, a morrer sós, a crescer sozinhos em quartos fechados, vazios de pessoas amigas; mas cheias de demónios que nos roubam os filhos. Falar destes grandes temas civis é um primeiro passo decisivo para tomar deles consciência e para não ultrapassar outros pontos críticos que surgem no horizonte. Para nos determos ou mesmo voltar atrás: em alguns raros mas luminosos casos os povos foram capazes de fazê-lo.

Revista “Didaskalia” apresenta análise multidisciplinar ao inquérito “Identidades religiosas em Portugal”
A mais recente edição da revista “Didaskalia”, publicada pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica (Lisboa), centra-se na análise pluridisciplinar ao inquérito “Identidades religiosas em Portugal”, encomendado pela Conferência Episcopal Portuguesa e apresentado no fim de 2012. O itinerário proposto na revista, dirigida desde esta edição pelo Fr. Isidro Lamelas, está dividido em duas partes, «orientadas por um tópico de pesquisa unificador: o problema hodierno da articulação entre crer e pertencer na recomposição das identidades religiosas». Em “A secularização da sociedade portuguesa no contexto das modernidades múltiplas”, Teresa Martinho Toldy propõe «uma reflexão acerca da viabilidade de aplicar algumas das teorias da secularização à realidade portuguesa», a partir do inquérito. «Conclui-se que a sociedade portuguesa pode ser considerada secularizada nalguns aspetos, mas não em todos, o que parece confirmar a tese da existência de modernidades múltiplas», assinala a teóloga. Leia os resumos dos restantes artigos.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«”Se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e socorre-nos.” Jesus disse: “Se posso?… Tudo é possível a quem acredita”. Logo o pai do menino exclamou: “Eu creio, mas ajuda a minha pouca fé”.

Boa ética e boa ciência: o percurso da investigação em células estaminais
Vivemos numa época de importante viragem no paradigma da relação entre a ética e a investigação em saúde. O hiato temporal entre as descobertas científicas e a concomitante reflexão ética desvanece-se progressivamente; a ética, ou talvez mais corretamente a bioética, encontrou o seu ritmo. Hoje, a ciência vai acontecendo e a bioética vai refletindo; refletindo sobre as possibilidades, equacionado os riscos, avançando propostas que, sem serem científicas, imprimem matizes importantes no ritmo do desenvolvimento científico. A mais recente descoberta na área das células estaminais, as designadas células STAP, células de pluripotência induzida por estímulo ambiental, ilustram, uma vez mais, como o facto de se trazer, por parte da ética, dúvidas e desafios à ciência, de modo a resolver objeções ou incertezas éticas se tornou num saudável exercício de boa ética e boa ciência. Talvez se deva saudar esta evolução como promissora do futuro relacionamento entre ética e investigação, comprovado o estímulo (e não o bloqueio) que a reflexão ética pode trazer ao engenho do investigador.

Papa Francisco apela aos cardeais para fugirem das «intrigas» e pede-lhes para amarem quem é hostil à Igreja
O papa afirmou este domingo, no Vaticano, que cada cardeal «entra na Igreja de Roma, não entra numa corte», pelo que deve evitar «hábitos e comportamentos de corte», nomeadamente «intrigas», «falatório» ou «favoritismos». «A nossa linguagem seja a do Evangelho: “sim, sim, não não”», frisou na missa a que presidiu na basílica de S. Pedro com 18 dos 19 novos cardeais e a maior parte dos membros do Colégio Cardinalício, refere a Rádio Vaticano. Francisco vincou a necessidade de um comportamento exemplar por parte dos cardeais e do próprio papa: «O Senhor Jesus e a mãe Igreja pedem-nos para testemunhar com maior zelo e ardor estas atitudes de santidade». «Por isso – prosseguiu, amemos aqueles que nos são hostis; bendigamos quem diz mal de nós; saudemos com um sorriso quem talvez não o mereça; não aspiremos a fazermo-nos valer, mas contraponhamos a mansidão à prepotência; esqueçamos as humilhações sofridas.»

Patriarca de Lisboa apresenta livro sobre Santo Adrião, Santa Natália e S. Manços | VÍDEO |
O patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, vai apresentar a 6 de março o livro “Santo Adrião, Santa Natália e S. Manços”, de Paulo Farmhouse Alberto, oitavo volume da coleção “Santos e Milagres da Idade Média em Portugal”. A coleção editada pelo Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa propõe-se disponibilizar ao público «os textos matriciais e mais antigos sobre mártires e santos com culto na Antiguidade Tardia e Alta Idade Média em território que viria a ser Portugal». «São textos de deslumbrante vivacidade e qualidade literária, traduzidos com o maior rigor científico, que farão o leitor curioso (vi)ver o quotidiano com outros olhos.»

“Saber ouvir”: Curso enriquece audição de música clássica
O compositor português João Madureira vai orientar o curso presencial “Saber ouvir”, que em março e abril «pretende dar ao ouvinte de música clássica os instrumentos necessários à identificação das formas musicais mais comuns». A formação, que decorre durante seis encontros semanais, em Lisboa, visa enriquecer a audição do ouvinte e refinar a sua «fruição das interpretações que ouve», explica o desdobrável da iniciativa organizada pela “Appleton Square”. «Em cada sessão, após uma exposição teórica breve sobre a gramática e as formas musicais da música europeia dos séculos XVIII e XIX», os participantes consolidam a formação «através de pequenos jogos e outras atividades sobre obras de referência», refere a organização.

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