É novo » 20.2.2014

A incerteza como bem-aventurança
Pergunto-me às vezes se a dúvida é boa companhia para as minhas procuras ou se não passa dum espinho que se atravessa na tranquilidade da chegada a uma espécie de Tabor onde tudo se vê claro com a luz inquestionável que vem de cima. E que depois se reflete cá por baixo na quietude, no aconchego da amizade, na partilha dos dons, na comunhão com o belo ou na experiência de tantos santos que todos os dias se atravessam no nosso caminho. No silêncio íntimo dum livro, na comunhão duma imagem, ou na vibração de sons sublimes que nos tocam a fibra da vida e nos transpõem a um espaço transcendente que não sabemos definir. Não sei. Penso que no meu percurso, até ao Concilio privilegiava as certezas, as seguranças, os argumentos imbatíveis, as conclusões como que feitas óbvias porque já se tinham instalado antes das premissas e do vai-vem dos que estavam contra e a favor. Com o tempo, que não sei precisar, deu-me mais para ouvir, tentar compreender o outro lado, investigar outros caminhos de lógica, que de mim não fizeram nem herege nem apologista do relativo.

A profecia e a injustiça
A pobreza é uma dimensão da condição humana, é uma realidade básica da vida de toda a gente. Grave erro da nossa civilização é considerá-la um problema típico de algumas categorias sociais ou povos que de vez em quando se assumem como “empreiteiros” da pobreza: um modo de nos imunizarmos sempre mais dos pobres, banindo-os, como bode expiatório, para fora das fronteiras da convivência civil. Já não conhecemos a pobreza; e não a reconhecemos porque não recordamos que nascemos na mais absoluta pobreza e que terminaremos a vida numa pobreza não menos absoluta. Sem a opção de ser pobre de poder, de riqueza, de si mesmo, não é possível conduzir longas e extenuantes lutas pela justiça que podem ir ao ponto de empenhar a própria vida e até mesmo morrer por aqueles ideais. Apenas estes pobres podem doar a sua vida pelos outros porque não consideram possuí-la ciosamente. Quem não for capaz de doar a sua vida pelos ideais em que crê, considera bem pouca coisa tais ideais e a própria vida.

Deus abraça-nos quando nos confessamos, diz papa Francisco
O papa Francisco afirmou hoje, na audiência geral das quartas-feiras realizada na Praça de S. Pedro, no Vaticano, que o sacramento da Reconciliação (confissão) é «um abraço» de Deus a quem o recebe. A Reconciliação, à semelhança da Unção dos Doentes, «é um sacramento de cura»: «Quando vou confessar-me, é para me curar: curar-me a alma, curar-me o coração por alguma coisa que fiz que não está bem», salientou Francisco, citado pela Rádio Vaticano. «Celebrar o sacramento da Reconciliação significa ser envolvido num abraço caloroso: é o abraço da infinita misericórdia do Pai», realçou. Francisco também acentuou a dimensão comunitária da Reconciliação, contrapondo os argumentos de quem defende que o perdão de Deus obtém-se numa relação direta, sem mediações. «Alguém pode dizer: “Eu confesso-me apenas a Deus”. Sim, podes dizer a Deus: “Perdoa-me”, e dizer os teus pecados. Mas os nossos pecados são também contra os irmãos, contra a Igreja, e por isto é necessário pedir perdão à Igreja e aos irmãos, na pessoa do sacerdote», apontou.

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