É novo » 18.2.2014

O preço não é justo
A nossa riqueza económica apinhou-se com uma miríade de bens diferentes, que partilham apenas o critério de medida monetário: antibiótico, bilhetes para ver Pirandello e Ibsen no teatro, flores para oferecer a quem amamos, bens relacionais, em conjunto com gastos com ações legais provocadas por litígios e delitos, minas anti-homem, slot-machines, pornografia. Tudo bens, tudo PIB, tudo crescimento. Nem todo o trabalho e nem todos os postos de trabalho, são coisas boas, não o foram nunca. Mas hoje em dia os bens perderam contacto com o Bem, e sem este contacto já não temos categorias culturais para entender que nem sempre o aumento de bens é Bem, que nem todos os bens são coisas boas, que nem todo o crescimento aumenta a felicidade o bem-estar.O contraste entre os nossos bens e o bem surge com toda a sua trágica claridade no ambiente natural, que muito frequentemente apresenta o espetáculo da combinação de bens individuais e mal comum. Que critério ético temos hoje para dizer se um aumento percentual do PIB é um bem ou um mal?

Corpo silente
«É comum as biografias traduzirem as res gestae dos humanos, de atos quase heroicos, das palavras marcantes, das paixões que a memória maturada no final da vida procura legar para a posteridade. Mas uma biografia do silêncio? Do não dito, do não tocado, do impensado, do invisível, da não-correspondência, do incorpóreo, dos não-lugares, dos espaços impossíveis e inenarráveis? Meditar silenciosamente é revelar-se a alguém e ser recebido noutro silêncio, em sinal de profunda comunhão corpórea. É um lugar de interlocução, de atividade e passividade, lugar para buscar e ser escutado. Este movimento que vai da dádiva ao acolhimento é escuta do profundo, de si e dos outros. A passividade do silêncio é ação pura. Aprender a silenciar-se, a sentir-se como alteridade, é respeitar a gestualidade e a transcendência do nosso corpo. Para Pablo d’Ors «o amor – como a arte ou a meditação – é pura e simplesmente confiança. E prática, evidentemente, porque também a confiança se exercita». Nesse sentido, o silêncio é um fenómeno erótico profundo. É a gestualidade pura dos amantes maturados na sua relação sacramental.» Posfácio de “A biografia do silêncio”.

Miguel Ângelo morreu há 450 anos | IMAGENS |
Miguel Ângelo (Michengelo di Lodovico Buonarroti Simoni) nasceu a 6 de março de 1475 em Caprese, então República de Florença, atual Itália, e morreu há 450 anos, a 18 de fevereiro de 1564, em Roma, integrada então nos Estados Pontifícios. Escultor, pintor, arquiteto e poeta, Miguel Ângelo exerceu uma influência sem paralelo na arte ocidental. Os frescos no teto da Capela Sistina, cenário que a Santa Sé escolhe quer para a eleição do sucessor de Pedro quer para encontros com artistas e personalidades do mundo da cultura, constituem hoje, possivelmente, a sua obra mais conhecida. Foi o primeiro artista a ser objeto de biografia – duas, para sermos exatos – enquanto ainda estava vivo. Tornou-se aprendiz aos 13 anos, talvez depois de ultrapassar as objeções do pai, aprendendo do pintor mais proeminente de Florença, Domenico Ghirlandaio. O ensino ficou acordado por um período de três anos, mas Miguel Ângelo saiu no primeiro ano porque não tinha mais nada a aprender, conta um dos biógrafos.

Regressar ao coração
Ouviste o que foi dito, mas eu digo-vos… Jesus anuncia uma nova moral, mais exigente e comprometedora. Estas, que estão entre as páginas mais radicais do Evangelho, são também as mais humanas porque nelas reencontramos as raízes da vida boa. O discurso da montanha quer conduzir-nos às raízes, ao longo de uma dupla diretriz: a linha do coração e a linha da pessoa. O grande princípio de Jesus é o regresso ao coração, que é o laboratório onde se forma aquilo que pode matar e que toma a figura da palavra, do gesto. Por isso é necessário curar o coração para curar a vida. Foi dito: não matarás; mas eu digo-vos: todo aquele que se irar, todo aquele que alimenta dentro de si a raiva e o rancor, já é homicida. Jesus regressa à fonte primordial, ao que gera a morte ou a vida. E que S. João vai exprimir com uma afirmação enorme: «Quem não ama o seu irmão é homicida». Isto é, quem não ama, mata. Não amar alguém é tirar-lhe vida; não amar é um lento morrer. É um salto qualitativo aquele que Jesus propõe, a reviravolta fundamental: passar da lei à pessoa, do exterior ao interior, da religião do fazer à do ser.

É a «paciência» que faz avançar a vida cristã e a Igreja, diz papa Francisco
«A paciência não é resignação» mas faz «amadurecer» a vida, mesmo nos acontecimentos «que não queremos», afirmou hoje o papa Francisco na missa a que presidiu, no Vaticano. O papa, possivelmente recordado da visita que efectuou este domingo a uma paróquia de Roma, lembrou os fiéis «que sofrem, que têm problemas, que têm um filho deficiente ou têm uma doença, mas levam adiante a vida com paciência». Francisco elogiou a «gente que sofre, que sofre muito, muitas coisas, mas não perde o sorriso da fé, que tem a alegria da fé». «E esta gente, o nosso povo, nas nossas paróquias, nas nossas instituições – tanta gente – é aquela que leva adiante a Igreja, com a sua santidade, de todos os dias, de cada dia», apontou o papa.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Ainda não entendeis nem compreendeis? Tendes o coração endurecido? Tendes olhos e não vedes, ouvidos e não ouvis?»

Agenda para hoje

Grijó, Vila Nova de Gaia
Ciclo “O Religioso no Cinema: História(s) e Memória(s)”
“O Nome da Rosa”
Centro Paroquial (Rua de Santo António, 27)
21h30
Para saber mais: Pastoral da Cultura

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