É novo » 13.2.2014

Pré-publicação: “A biografia do silêncio”
«Para meditar não importa sentir-se bem ou mal, contente ou triste, esperançado ou desiludido. Qualquer estado de alma que se tenha é o melhor estado de alma possível nesse momento para fazer meditação, pois é precisamente o que se tem. Graças à meditação, aprende-se a não querer ir a nenhum lugar diferente daquele em que se está; quer-se estar onde se está, mas plenamente. Para explorá-lo. Para ver o que nos oferece de si.» «A nós, seres humanos, caracteriza-nos um desmedido afã por possuir coisas, ideias, pessoas… Somos insaciáveis! Quanto menos somos, mais queremos ter. Ao contrário, a meditação ensina que, quando nada se possui, mais oportunidades se dão ao ser.» «Fazer meditação é colocar-se justamente nesse preciso instante: tens sido um vagabundo, mas podes converter-te num peregrino. Queres?»

“Categorias e outras paisagens”: Um modo de ler o último livro de Fernando Echevarria
Em toda a obra de Echevarria, desde os próprios títulos – Introdução à Filosofia, Fenomenologia, Epifanias – há uma espécie de exercício ou ofício que consiste em captar as coisas e a sua própria manifestação, conduzindo-a de si para si. O novo livro subentende quase sempre, a difícil questão do tempo. O tempo como limite mas também como porta: «Estamos perto de ver/ o que não pode ser visto/ mas se promete. Através/ desse recuo infinito/ que entrega a ausência/ (…)/ E o arroubo arrouba ver./ E ver abre-se ao não visto». A poesia de Echevarria situa-se longe do nihilismo numa espécie de permanente recriação ontológica do real correspondendo aquilo que em Kant pretendia ser a tarefa da imaginação produtiva entre eros e memória, configuradora de imagens simbólicas, capaz de desenhar e configurar o próprio futuro naquilo que já representa. Esta síntese de eros e memória constituindo uma das melhores chaves de compreensão do ser humano.

Palavras para o nosso tempo
Durante estes anos, demasiados foram os danos, não apenas económicos, provocados por quem apresentou ‘males’ sob forma de ‘bens’, custos como benefícios, vícios mascarados de virtudes. Danos que continuamos a produzir, nem sempre intencionalmente. Todos nós – cidadão comum, economistas, instituições, media, políticos – precisamos de instrumentos para dar vida a uma linguagem económica e civil que nos ajude a dar às coisas o nome certo, para amá-las e melhorá-las. Em todas as épocas de renascimento as palavras envelhecem muito rapidamente, e nenhuma época da história desgastou palavras e conceitos mais rapidamente que a nossa. Se verdadeiramente quisermos recriar trabalho, concórdia civil, cooperação e riqueza, é necessário saber antes pronunciá-los, dar-lhes nome. Quando do caos se quer passar ao cosmos (ordem), o primeiro ato humano fundamental é dar nome às coisas, conhecê-las, protegê-las, cultivá-las. Mas o nome mais importante que hoje precisamos de reaprender a reconhecer e a pronunciar é o nome do outro.

Papa Francisco: Diz-me como te dás aos excluídos, dir-te-ei como celebras a missa
O papa Francisco realçou hoje que há «sinais muito concretos» que permitem discernir se a missa é bem vivida e tem reflexos fora da igreja, nomeadamente no cuidado com as pessoas mais excluídas, ou se não passa de uma «tradição consolidada». «O primeiro indício é o nosso modo de olhar e considerar os outros», frisou na audiência geral semanal, realizada na Praça de S. Pedro. Depois de recordar os estragos causados pela chuva intensa que caiu nos últimos dias em Roma e o desemprego, causado pela «crise social», o papa questionou: «Pergunto-me, todos nós nos perguntamos: eu que vou à missa, como vivo isto? Preocupo-me em ajudar, aproximar-me, rezar por eles, que têm este problema? Ou sou algo indiferente?». «Ou talvez me preocupe em cochichar: “Viste como estava vestida aquela, ou como está vestido aquele?”. Às vezes faz-se isto depois da missa, ou não? Sim, faz-se. E não se deve fazer. Devemos preocupar-nos pelos nossos irmãos e irmãs que têm uma necessidade, uma doença, um problema», apontou.

A arte enquanto voz para o anúncio
A arquidiocese de Milão está a propor pelo sétimo ano consecutivo o curso “Arte, fé, cultura: a arte voz para o anúncio”, que nesta edição é inspirado nas indicações da carta pastoral do arcebispo milanês, cardeal Angelo Scola: «O campo é o mundo. Caminho a percorrer ao encontro do humano». O espírito da formação está também presente na imagem escolhida para o representar, uma obra do jovem artista Nicola Villa, extraída do novo Evangeliário da arquidiocese ambrosiana (2011), que retrata o encontro do Ressuscitado com o apóstolo Pedro no lago da Galileia. O curso, organizado em parceria com a Faculdade de Teologia, visa explicitar as riquezas dos recursos com que as diferentes linguagens da arte e da teologia penetram no mistério da revelação divina, desde a criação a Cristo, valorizando a compreensão ocidental e oriental.

“Amar as diferenças”: Cinema de Marco Martins e instalações de Michelangelo Pistoletto contemplam a humanidade
Algumas das obras do italiano Michelangelo Pistoletto, que recebeu em 2003 o Leão de Ouro na Bienal de Veneza pelo seu percurso artístico, dialogam com o documentário “Twenty one twelve, the day the world didn’t end” (“21/12, o dia em que o mundo não acabou”), do cineasta português Marco Martins. O documentário pretende reunir «a maior diversidade possível» da humanidade. «Interessa-me sobretudo o outro», acentuou o realizador, que quis vincar uma segunda perspetiva no seu documentário: «Nós temos uma ideia de “crise” que é muito ocidental, mas noutros lugares do mundo, e apesar de tudo, a vida das pessoas melhorou muito». “Love difference” (“Amar a diferença”) define-se como um movimento artístico para uma política intermediterrânica. A iniciativa foi apresentado por Michelangelo Pistoletto na Bienal de Veneza, em 2003, um ano após o seu início. No manifesto «Uma política que conduza as pessoas a “amar as diferenças” é vital para o desenvolvimento de novas perspetivas em todo o domínio social», destacou Pistoletto no manifesto que dá nome à iniciativa.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Deixa primeiro que os filhos estejam saciados, pois não está certo tirar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos.» «Senhor, também é verdade que os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas das crianças».

— Agenda para hoje —

Lisboa
Colóquio internacional: Livros de Horas – O imaginário da devoção privada
Biblioteca Nacional de Portugal
Dias 13 e 14
Para saber mais: Biblioteca Nacional de Portugal

Lisboa
Colóquio “Falar de Jesus”
P. Joaquim Carreira das Neves, Tiago Cavaco, António Marujo, Anabela Mota Ribeiro
Para saber mais: Pastoral da Cultura

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