É novo » 5.2.2014

Quando se é pobre, então é que se é rico: Papa Francisco apela à justiça, igualdade, sobriedade e partilha na mensagem para a Quaresma
Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos autossuficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus. O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Prudência (e para além dela…)
Quem no nosso tempo está em contacto com as muitas periferias morais e antropológicas do mundo, se não tocar e por vezes ultrapassar a fronteira da justiça traçada pelas leis da cidade, não poderá ser verdadeiramente justo. Quando certa noite bateu Alí à porta de um meu amigo pároco siciliano, se ele se tivesse prudentemente detido no limiar da justiça e não o tivesse acolhido na sua casa (pensando nas consequências penais que poderia ter e que depois veio a ter), não teria sido verdadeiramente virtuoso. Uma dinâmica paradoxal conhecida por quem trabalha em comunidades de recuperação, em prisões de menores, e por muitos que continuam a arriscar carreira, bens, volume de vendas, postos de trabalho, falência de empresas. Não é pedido a todos e a cada momento que vivam esta dimensão paradoxal da virtude. Mas se não respondermos quando o apelo soa, comprometeremos a qualidade ética e espiritual da nossa existência, porque não se trata de atos extraordinários de super-heróis, mas de ações de que todos somos potencialmente capazes.

«Fez-se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza»: Apresentação da primeira mensagem do papa Francisco para a Quaresma
O Vaticano divulgou hoje a primeira mensagem do papa Francisco para a Quaresma, intitulada «Fez-se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza», excerto inspirado na segunda carta de S. Paulo aos Coríntios (8,9). O «conceito da pobreza é muito caro ao papa Francisco, que desde o início do seu pontificado quis colorar ênfase particular sobre esta dimensão da vida do cristão», afirmou esta terça-feira o cardeal Robert Sarah, presidente do Pontifício Conselho Cor Unum. «A história da Igreja está cheia de exemplos de pessoas que, por amor de Cristo pobre, escolheram a pobreza para combater a miséria», testemunho que nada tem a ver com «uma ideologia» e que continua hoje através de «pessoas concretas», destacou o prelado em conferência de imprensa. O texto do papa enumera «três tipos de miséria» – material, moral e espiritual -, sendo a primeira aquela que afeta as pessoas que «vivem numa condição indigna da pessoa humana».

Luta contra o cancro: Entre a esperança e a serenidade
«Uma das mais intensas formas de sofrimento que a pessoa humana, a nível psicológico pode experimentar, deriva da tentação de renunciar à esperança: esperança numa eventual ou possível cura, esperança na capacidade de superar uma doença em particular, esperança na possibilidade de regressar a uma vida normalmente feliz e produtiva.» «Não se pode esquecer que o homem é um ser limitado e mortal. É preciso, por isso, aproximar-se do doente com realismo são, que evite gerar em quem sofre a ilusão da omnipotência da medicina. Há limites que não são humanamente superáveis; nestes casos, é preciso saber acolher com serenidade a própria condição humana, que o crente sabe ler à luz da vontade divina. Esta manifesta-se também na morte, termo natural do curso da vida sobre a terra. Educar as pessoas a aceitá-la serenamente faz parte da vossa missão.» Assinala-se a 4 de fevereiro o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro.

Deus também chora pelos filhos, diz papa Francisco
As lágrimas derramadas pela morte de uma pessoa próxima, narradas em dois dos três excertos bíblicos proclamados nas missas de hoje, levaram o papa Francisco a afirmar que Deus também chora. Na primeira leitura, o rei David chora a morte do filho Absalão, quando combatia num exército oposto ao do monarca: «Este é o coração de um pai, que nunca renega o seu filho», ainda que ele seja inimigo, sublinhou o papa na homilia da missa a que presidiu, no Vaticano. A alguém que diga «mas padre, Deus não chora», a resposta é esta: «Mas como não? Recordemos Jesus, quando chorou ao olhar para Jerusalém», salientou Francisco, acrescentando: «Deus chora. Deus chora por nós. E aquele choro de Jesus é precisamente a figura do choro do Pai, que quer todos consigo». Faz-nos lembrar na primeira coisa que dizemos a Deus no Credo: “Creio em Deus Pai…”. Faz-nos lembrar na paternidade de Deus. Deus é assim. Deus é assim connosco», frisou.

“Os católicos na luta contra a ditadura”: Testemunhos evocam 40 anos do 25 de abril
Música, intervenções, testemunhos, debate e convívio fazem parte do programa da tertúlia “Os católicos na luta contra a ditadura”, que decorre a 22 de fevereiro, em Lisboa. O encontro, promovido pelo movimento Não Apaguem a Memória e pelo Instituto São Tomás de Aquino, conta com intervenções de Francisco Fanhais, frei Bento Domingues, Nuno Teotónio Pereira (testemunho), Fernando Abreu, Cesário Borga, Luísa Sarsfield Cabral e José Ribeiro.

A Igreja em Portugal e no mundo: síntese de 4.2.2014
Portugal, Espanha, França, EUA, Alemanha, Suíça, Vaticano.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa». E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando.

— Agenda para hoje —

Lisboa
Visita guiada: Azulejaria da igreja de S. Roque
13h15
Participação gratuita mediante marcação prévia pelos telefones 213 235 233/824/065/444
Duração: 45 minutos

Aveiro
Conferência: Com que olhos devemos ver a TV?
José Alberto de Azeredo Lopes, ex-presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social
Centro Universitário Fé e Cultura (Universidade de Aveiro, ao lado do Seminário Santa Joana Princesa)
21h00
Entrada livre

Lisboa
Debate: A situação social em Portugal
D. Manuel Clemente, Pedro Mota Soares
Para saber mais: Pastoral da Cultura

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