É novo » 30.1.2014

Caminhos para Deus (2): Independência
Aqueles que trilham o caminho da independência tomaram a decisão consciente de se separar da religião organizada, mas continuam a acreditar em Deus. Talvez considerem que as celebrações e serviços oferecidos nas igrejas não fazem sentido, são ofensivos, maçadores, ou tudo isto ao mesmo tempo. Talvez tenham sido magoados. Talvez tenham sido insultados (ou abusados) por um padre, pastor, rabino, ministro ou imã. Ou então sentem-se ofendidos por certos dogmas da religião organizada. Ou pensam que os líderes religiosos são hipócritas. Um ponto forte das pessoas que percorrem este caminho é a sua saudável independência, que os torna aptos a ver as coisas de maneira nova e refrescante, algo que por vezes as suas antigas comunidades de fé necessitam desesperadamente. O principal perigo deste grupo, contudo, é um perfecionismo que rejeita qualquer tipo de religião organizada.

“O lugar de Deus no mundo”: Novo livro sintetiza pensamento de Bento XVI sobre poder, política e lei moral
«O pontificado de Bento XVI chegou ao fim mas o seu magistério sobre a liberdade perdurará enquanto os corações humanos se acenderem com a centelha da liberdade humana e desejarem ardentemente o fogo do amor divino.» É com estas palavras que Paul Ryan, candidato católico do Partido Republicano para o cargo de vice-presidente dos EUA nas últimas eleições, conclui o prefácio ao livro “Joseph Ratzinger/Benedetto XVI. Il Posto di Dio nel mondo. Poter, politica, legge” (O lugar de Deus no mundo. Poder, política, lei), coordenado por Stefano Fontana. «Na minha experiência, os católicos que assumem cargos de governo são tentados a relegar a sua consciência pessoal para compartimentos separados das suas tomadas de posições públicas, como se a consciência fosse uma questão privada sem relevância para o bem comum. Mas cada decisão política deve ser avaliada com base em normas morais objetivas, não com base nas sondagens», acentua o responsável.

Nos 100 anos do nascimento de Etty Hillesum
Amigos seus que haviam passado à resistência expuseram-lhe todos os perigos que corria, queriam que ela fugisse enquanto era tempo, ameaçaram mesmo forçá-la, mas a todos respondeu que não a entendiam. O que Ettty intui fulgurantemente é que a experiência daquele inferno exige uma reinvenção humana radical. “Vou ter de achar uma linguagem nova”, escreveu ela. Olhamo-la no campo de concentração, primeiro como voluntária e feita depois prisioneira, atravessando o lamaçal, esgotando-se em atenções aos deportados, ela própria ferida por dores violentas, mas sempre à procura de uma janela donde se alcance um fragmento de céu. A sua escrita aparece povoada de dilacerantes interrogações, é verdade: “Às vezes pergunto-me, num momento difícil como esta noite, quais são os planos que tens para mim, ó Deus”. Mas o traço mais forte é o de uma inexplicável confiança: “Quando ontem, às duas da manhã, finalmente cheguei lá acima e me ajoelhei quase nua, no meio do quarto, totalmente deprimida, eu disse de repente: ‘Hoje, vendo bem, vivi coisas grandiosas'”.

Um fim de semana com Eugénio de Andrade e Tolentino Mendonça
Siza Vieira salientou que o “ostinato rigore” perseguido na escrita de Eugénio de Andrade é também o desígnio fundamental demandado pela Arquitetura. Considerou que, sem este modo de depuração, nenhuma obra de arte suscitará a vibração estética que permita transcender-se acima da sua materialidade. Tolentino Mendonça elogiou no autor de “Os sulcos da sede” o pertinaz esforço de rigor, que elevava os seus poemas até à vizinhança da perfeição. Concordou que a sensualidade ciciada na sua poesia sugere uma ressonância que vai para lá do corpo e lembrou que, não obstante assumir um pessoal anticlericalismo, o poeta ocidental que mais admirava era S. João da Cruz. No dia seguinte, também no Porto, Rosa Maria Martelo analisou o livro “A papoila e o monge”, do padre e poeta madeirense.

Papa Francisco apela aos pais para fazerem «todos os possíveis» para que os filhos recebam o Crisma
O papa Francisco convidou na quarta-feira os católicos a darem mais atenção ao sacramento do Crisma e a pedirem-no para os seus filhos, quando chega a idade de o receberem, para que não fiquem apenas pelo Batismo. «Todos nós nos preocupamos para que [as crianças] sejam baptizadas; e isso é bom. Mas talvez não tenhamos tanta preocupação que recebam o Crisma: ficam a meio caminho», afirmou Francisco na audiência geral que decorreu esta manhã no Vaticano. Tirando os olhos do discurso que preparou, o papa lançou um apelo: «Se em vossa casa tiverdes crianças, jovens, que ainda não o receberam e estão em idade de o receber, fazei todos os possíveis para que se complete esta iniciação cristã e que recebam a força do Espírito Santo».

A Igreja em Portugal e no mundo: síntese de 29.1.2014
Acompanhe a atualidade da Igreja católica através dos principais títulos das agências de notícias.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Quem traz uma lâmpada para a pôr debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não se traz para ser posta no candelabro? Porque nada há escondido que não venha a descobrir-se, nem oculto que não apareça à luz do dia. Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça».

Pete Seeger, um homem de fé | VÍDEO |
Não há muitos anos, quem passasse por uma das estradas que sai de Beacon, perto de Nova Iorque, poderia ter-se cruzado com um homem postado na berma, de pé, segurando um cartaz com a palavra “Paz”. Esse homem era Pete Seeger. Mesmo após os 90 anos, costumava sair de casa durante cerca de uma hora, quando o tempo estava bom, para segurar o seu cartaz, simplesmente porque era uma coisa boa de ser feita.Toda a minha vida gostei da música de Pete Seeger. Gostava da sua guitarra e do seu banjo. Gostava dos convites que lançava para cantarmos com ele. Gostava das coisas sobre as quais ele cantava. E a partir do que fui conhecendo da sua vida, gostava da sua lealdade. Pete cantou em muitas igrejas, mas não era crente numa religião organizada. Acreditava na humanidade e no nosso poder de permanecermos juntos e fazermos do mundo um lugar melhor.

— Agenda para hoje —

Lisboa
Ciclo de debates: “Uma Igreja despojada”
Auditório da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (R. Saraiva de Carvalho)
21h30
Entrada livre
Para saber mais: Pastoral da Cultura

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