É novo » 28.1.2014

Cristãos e judeus, crentes de boa memória
O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é um momento privilegiado de ética partilhada, uma ocasião que a humanidade se dá para exercitar o discernimento entre o que é bem e o que é mal, para reconhecer que nas negras épocas de barbárie, a responsabilidade das próprias ações – e dos pensamentos que as movem – é pessoal. Um dia, por isso, em que faz bem a todos recordar: a quem pretenderia esquecer, porque a dor sofrida é demasiado grande, e a quem pretenderia fazer-se esquecer, porque foi cúmplice dessa dor. E recordar faz bem igualmente, e sobretudo, a quem não viveu o inferno da Shoah, nem diretamente nem através de pessoas queridas. «Fazer memória em conjunto» significa também admitir que infelizmente, por mais de 19 séculos, a atitude dos cristãos quanto aos judeus foi modelada pela emulação, pela condenação, pelo desprezo, pela perseguição, ou seja, foi um antijudaísmo que perdurou, nunca contradito de forma decisiva por parte das instituições, dos magistérios, das vozes autorizadas das diversas Igrejas.

Medo e Utopia
Esvaziar significaria soltar o que no tempo trancámos dentro e fora de nós, e tornámos refém, prisioneiro, impedindo que partes de um hipotético Bem Comum pudessem assim chegar e circular por todos – nutrindo-os como seiva que tudo permeia e vitaliza, alegre, livre, sem dono. Mas à imagem do que o espaço Schengen se propôs alcançar, também aqui, para que a anulação de paredes, de portas e janelas, de chaves e fechaduras se tornasse real e efetiva sustentabilidade individual, seria estritamente necessário que todos decidissem ser não amealhadores e proprietários de riqueza, mas seus distribuidores, canais por onde esta circulasse, sem interrupção. Falou-se tanto de cidadania em 2013, mas a verdade é que o medo de abruptamente se ficar em Portugal, na Europa, no mundo, sem família, casa, trabalho, saúde, dinheiro… reflete o quão a sociedade, no seu todo, é incapaz de acomodar e respeitar a dignidade de cada um.

Que as lágrimas do Holocausto se convertam em compromisso para que o horror não se repita: Papa evoca Dia da Memória
O papa Francisco enviou uma carta ao rabino Abraham Skorka, seu amigo desde o tempo em que habitava em Buenos Aires, onde expressa o desejo de que as lágrimas causadas pelo Holocausto se convertam em compromisso para que acontecimentos semelhantes não se repitam. A missiva vai ser lida na tarde desta segunda-feira, em Itália, durante o concerto “Os violinos da esperança”, organizado para recordar as vítimas da “Shoah”, revela a Rádio Vaticano. O público, escreve Francisco, vai ouvir música de Vivaldi, Beethoven e outros grandes compositores, «mas o coração de cada um dos presentes sentirá que por trás do som da música vive o som silencioso das lágrimas históricas, lágrimas daqueles que deixam traços na alma e no corpo dos povos».

S. Tomás de Aquino: homem de cultura para quem há «harmonia natural» entre fé e razão
Em última análise, Tomás de Aquino mostrou que entre fé cristã e razão subsiste uma harmonia natural. E foi esta a grande obra de Tomás, que naquele momento de desencontro entre duas culturas – naquele momento em que parecia que a fé devia render-se perante a razão – demonstrou que elas caminham a par e passo, que quanto parecia ser razão não compatível com a fé não era razão; e aquilo que parecia ser fé não era tal, enquanto se opunha à verdadeira racionalidade; deste modo, ele criou uma nova síntese, que veio a formar a cultura dos séculos seguintes. Ele foi denominado o Doctor Angelicus, talvez pelas suas virtudes, de modo particular pela sublimidade do pensamento e pureza da vida. A Igreja evoca a 28 de janeiro o autor da Suma Teológica.

“Terra Seca”: Mário Laginha Novo Trio convoca piano, contrabaixo e guitarra portuguesa | ÁUDIO |
Um piano, um contrabaixo e uma guitarra portuguesa: assim nasceu o Mário Laginha Novo Trio. O pianista de jazz juntou-se a um dos seus habituais cúmplices, o contrabaixista Bernardo Moreira, e convocou uma guitarra portuguesa, tocada por Miguel Amaral. «A presença que à partida seria estranha é a da guitarra portuguesa; e esta estranheza não é apenas a da instrumentação, mas do tipo de música que tocamos. Quando se fala em guitarra portuguesa, as pessoas pensam em fado. Eu continuo a acreditar que ela pode ir além do fado, e atraiu-me muito experimentar», explica Mário Laginha. «A terra seca é, por norma, uma zona pouco habitada, onde é preciso fazer um esforço para a tornar fértil. E eu achei que, musicalmente, estávamos a ir para uma região pouco habitada. E isso tem um lado fascinante porque é preciso ir à procura, é preciso torná-la fértil.»

Papa Francisco elogia padres e bispos que dão a vida no anonimato e são esquecidos pelos média
O papa Francisco salientou esta segunda-feira a ação silenciosa que padres e bispos realizam todos os dias no anonimato e no silêncio, e lamentou que os média deem mais realce aos maus exemplos do que ao trabalho positivo realizado pela maioria do clero. «Na história conhecemos uma mínima parte, mas quantos bispos santos, quantos sacerdotes, quantos padres santos que deixaram a sua vida ao serviço das dioceses, da paróquia; quanta gente recebeu a força da fé, a força do amor, a esperança, destes párocos anónimos, que não conhecemos. São tantos», afirmou o papa no Vaticano. «“Mas, padre, li num jornal que um bispo fez tal coisa ou que um padre fez aquilo!”. “Sim, eu também li; mas, diz-me, nos jornais vêm as notícias daquilo que fizeram tantos sacerdotes, tantos padres em tantas paróquias de cidade e do campo, tanta caridade que fizeram, tanto trabalho que fazem para levar por diante o seu povo?”. Ah, não! Isso não é notícia», apontou o papa.

O Evangelho das imagens | IMAGENS |
«Quem é minha Mãe e meus irmãos?» E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: «Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe.»

A Igreja em Portugal e no mundo: síntese de 27.1.2014

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