É novo » 25.12.2013

O espírito do Natal, segundo o papa Francisco
Numa banda desenhada recentemente publicada, uma menina contava à sua amiga que, para este Natal, tinha pedido aos pais que não lhe dessem presentes, mas apenas “espírito natalício”, e que os pais tinham ficado desconcertados, sem entender nem saber que fazer. A mensagem parece-me muito pertinente e coloca-nos certamente a pergunta: o que é o espírito natalício? Ao longo dos tempos, a arte procurou expressá-lo de mil maneiras e conseguiu avizinhar-nos muito do significado desse espírito natalício. Quantos contos de Natal nos oferecem histórias que nos aproximam dele! As belíssimas narrativas de Andersen, Tilich, Lenz, Böll, Dickens, Gorki, Hamsun, Hesse, Mann e muitos outros conseguiram abrir horizontes de significado que nos fazem entrar por este caminho de compreensão do mistério, porém são insuficientes.

O Natal dos primeiros cristãos, segundo os Padres da Igreja | IMAGENS |
«Esta é a nossa festa, proclama S. Gregório de Nazianzo, isto celebramos hoje: a vinda de Deus ao meio dos homens, para que, também nós cheguemos a Deus… celebremos, pois, a festa: não uma festa popular, mas uma festa de Deus, não como o mundo quer, mas como Deus quer; não celebremos as nossas coisas mas as coisas daquele que é nosso Senhor…». Como fazê-lo? Pergunta este bispo de Constantinopla do século IV. E responde sem hesitar: «Não embelezemos as portas das casas, não organizemos festas, nem adornemos as estradas, não dêmos banquetes em nosso proveito nem concertos para mero agrado dos ouvidos, não exageremos nos adornos nem nas comidas… e tudo isto enquanto outros padecem fome e necessidades, esses que nasceram do mesmo barro que nós».

O Natal dito na música e na poesia: um vagido que atravessa o coração | VÍDEOS |
«Deus abandonou a sua glória e veio até mim. / Viveu entre tipos insignificantes como eu / Por mim, e em meu lugar, entregou-se / tomando sobre si vergonha e humilhação. / Perante atenções tais dou comigo a pensar: / Quem sou eu? / Se um Rei derramou o seu sangue por mim. / Quem sou eu? / Ele rezou toda a noite por mim». Não, não foi um autor espiritual quem assinou estes versos dedicados ao tema teológico da Incarnação. Talvez constitua uma surpresa, mas estes versos fazem parte do reportório de um mito (e não apenas americano) do rock’n roll, Elvis Presley, morto há mais de trinta anos, mas que continua a ser celebrado, amado e até idolatrado. O seu universo poético e musical não unia apenas transgressões exasperadas, convenções e esteriótipos, protesto e felicidade rápida, mas combinava também o country branco com o rythm and blues negro, cujos temas tinham frequentemente uma espessura espiritual.

Natal: Trazemos por viver ainda uma infância
Se olharmos para o enredo natalício, mesmo no modo sóbrio como os Evangelhos o relatam, percebemos que nada é cor-de-rosa. O que os seus atores vão viver é uma história de instabilidade, perturbação e desconcerto. “O que é que nos aconteceu?” – ter-se-ão perguntado repetidas vezes Maria e José, mas também os pastores acordados em sobressalto ou os magos vindos de longe. “O que é que nos aconteceu?”. E não tinham à mão (como nós não temos) tranquilizantes respostas, mas sim um caminho que lhes era proposto na surpresa, na maturação paciente e na confiança. O próprio local onde a cena se desenvolve, um modestíssimo piso térreo que servia de refúgio aos animais, mostra bem a implacável dureza das circunstâncias. Mas doutra maneira como é que esta divina história poderia servir de modelo para todas as histórias humanas?!

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