É novo » 19.12.2013

Vaticano II: O cristão distingue-se no mundo, não para o castigar mas para o acolher
Como autênticos discípulos de Cristo, somos assim chamados a viver aquela que eu gosto de definir como “diferença cristã”, ou seja, uma existência diferente no que diz respeito àquela de quem não se define cristão. E isto não por uma obstinada vontade de distinção, mas porque a vida dos cristãos, sendo modelada sobre a de Jesus Cristo, é efetivamente diferente da vida mundana. Esta atitude, repito-o, decorre com grande simpatia por todos os homens, dado que a fidelidade ao espírito do concílio ensina-nos que só na condição de ser vivido e narrado sob o sinal da misericórdia é que o cristianismo saberá ser eloquente; só uma Igreja que saiba usar misericórdia, que prefira sempre a “medicina da misericórdia” à vara do castigo, que tenha horror a esconder-se atrás do esplendor de uma verdade que cega e fere, só esta Igreja será capaz de narrar os traços do seu Senhor Jesus e de ser assim escutada pelos homens.

Sem amor não há verdadeira fé
Nos seus Labirintos (1964), o escritor Jorge Luis Borges observava com realismo que não raro «é mais fácil morrer por uma religião do que vivê-la absolutamente» numa doação e numa fidelidade diárias. A propósito desta religiosidade extrema – que na realidade é uma degeneração da fé autêntica, quando não é uma contrafação política, e que tem a sua trágica comprovação nos massacres contemporâneos pelos denominados «motivos religiosos» e nas guerras santas do passado –, merece ser citado um belo testemunho daquele grande místico e poeta muçulmano do século XIII que foi Gialal al-Din Rûmî, o fundador dos dervixes rodopiantes de Konya, na Turquia. Na sua obra-prima poética e espiritual, o Mathnaví, um grandioso poema, afirmava: «Uma vez que um homem rigoroso vê um erro cometido por outro, fará sair um fogo directamente do inferno e fá-lo-á arder. Ele chama a este seu orgulho a defesa da fé, não se apercebendo de que é o espírito da arrogância que age nele. A verdadeira defesa da fé tem um sinal diferente: o seu fogo, com efeito, torna verdejante o mundo inteiro».

Pedro Fabro: Novo santo da Igreja esteve em Portugal e o papa Francisco admira a sua capacidade de «diálogo com todos»
A capacidade de dialogar com opiniões diferentes e a doçura são dois dos traços que o papa Francisco mais aprecia em Pedro Fabro, (Le Villaret, França, 1506 – Roma, 1546), que desde esta terça-feira foi inscrito no Livro dos Santos da Igreja católica. «O diálogo com todos, mesmo os mais afastados e os adversários; a piedade simples, talvez uma certa ingenuidade, a disponibilidade imediata, o seu atento discernimento interior, o facto de ser um homem de grandes e fortes decisões e ao mesmo tempo capaz de ser assim doce, doce», foram realçados por Francisco na entrevista publicada em setembro pelas revistas dos Jesuítas. Fabro, escreve o padre jesuíta Antonio Spadaro, «incarnou uma abertura mental e espiritual em relação aos desafios da sua época, sobretudo a reforma protestante. Se algumas das suas regras ecuménicas tivessem sido acolhidas e postas em práticas no seu tempo, talvez a história religiosa da Europa tivesse sido diferente. Não era um sonhador, mas um místico de profunda doçura».

Calendário de Advento: Para uma audição teológica: “Magnificat”, de Arvo Pärt | VÍDEO |
Gostava de propor uma audição comparada de diversas recriações musicais do “Magnificat”. Começo pela obra de Arvo Pärt, que renuncia a qualquer euforia festiva. A palavra “Magnificat” enuncia-se num plano de interioridade, envolvida pelo jogo de “tintinnabuli” em campos harmónicos muito estáveis. O diálogo antifónico entre naipes convive com a luminosidade do “tutti”, mas sempre num clima de êxtase, em que Maria, a protagonista, parece esvaziar-se de si. Trata-se de uma página muito singular na longa cadeia de transmissão musical deste texto cristão.

Natal é festa da esperança que supera o pessimismo, diz papa Francisco, que critica cristãos que se pavoneiam e recusam servir
Deus quis compartilhar a nossa condição humana ao ponto de fazer-se uma coisa só connosco na pessoa de Jesus, que é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Mas há qualquer coisa de ainda mais surpreendente. A presença de Deus entre a humanidade não se realizou num mundo ideal, idílico, mas neste mundo real, marcado por muitas coisas boas e más, marcado por divisões, crueldade, pobreza, prepotência e guerra. Ele escolheu habitar a nossa história como é, com todo o peso dos seus limites e dos seus dramas. (…) É uma coisa bruta quando se vê um cristão que não quer abaixar-se, que não quer servir, um cristão que se pavoneia por todo o lado: é bruto, hã? Esse não é cristão: esse é pagão. O cristão serve, abaixa-se. Façamos de maneira que estes nossos irmãos e irmãs nunca mais se sintam sós. A nossa presença solidária ao seu lado exprima não só com as palavras, mas com a eloquência dos gestos, que Deus está próximo de todos.

Peregrinação de Advento: dia 19
Começar uma longa viagem sem dinheiro, seguro de saúde, reservas de hotel, telemóvel ou cartão multibanco será uma decisão irresponsável? Há cinco séculos, quando Inácio de Loyola decidiu que esta seria uma das experiências de teste a que os candidatos à sua ordem religiosa se deviam submeter, os críticos pensavam da mesma maneira – e hoje continua a ser assim. A providência é a crença de que Deus vai proporcionar o que é preciso para aqueles que nele confiam. Deus não impede os peregrinos de apanharem bolhas nem garante que não vão ter frio, ficar molhados ou não terem o que comer, tal como, numa escala maior, Deus não intervém diretamente para prevenir a guerra, fome ou desastres naturais. Mesmo assim, as pessoas de fé confiam que Deus vai, no fim, providenciar o que precisam, mesmo quando essa confiança é dificilmente conquistada e perante muitas evidências em contrário.

— Agenda para hoje —

Mire de Tibães, Braga
Ciclo de conferências: “Mosteiros: do passado ao futuro”
Fr. Geraldo Coelho Dias, OSB, José Carlos Peixoto, Maria João Dias Costa, Salvador Magalhães Mota, Luís de Oliveira Ramos, Ana Líbano Monteiro, Albertino Gonçalves, Paulo Oliveira, Aurélio de Oliveira, D. José Manuel Cordeiro, Elisa Lessa, Eduardo Pires de Oliveira, Paulo Oliveira, Anabela Ramos, Luís Carlos Amaral, Aida Mata, Mário Brito, António Sá Pereira, Gabriel Andrade
Mosteiro de Tibães
Para saber mais: Mosteiro de Tibães

Lisboa
Colóquio sobre a pintura “Pentecostes”
Ilda David’, P. José Tolentino Mendonça
Sociedade Nacional de Belas Artes
18h30
Entrada livre
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Vila Nova de Gaia
Concerto de Natal
Coro do Espaço Corpus Christi
Capela do Convento Corpus Christi
21h30

Castro Verde
Concerto de Natal
Obras de Haydn e Mozart
Quinteto de Cordas e Clarinete da Orquestra Clássica do Sul
Igreja dos Remédios
21h30

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