É novo » 16.12.2013

É sempre possível recomeçar
Por muito grandes que sejam os nossos limites e a nossa desorientação, não nos é consentido ser fracos e vacilantes diante das dificuldades e das nossas próprias fragilidades. Pelo contrário, somos convidados a robustecer as mãos, a tornar firmes os joelhos, a ter coragem a não temer, porque o nosso Deus mostra-nos sempre a grandeza da sua misericórdia. Ele dá-nos a força para avançar. Ele está sempre connosco para nos ajudar a avançar. É um Deus que nos quer muito bem, que nos ama, e por isso está connosco, para nos ajudar, para nos fortalecer e fazer andar para a frente. Coragem! Sempre para a frente! Graças à sua ajuda, podemos sempre recomeçar do princípio. Como? Recomeçar do princípio? Alguém me pode dizer: «Não, padre, não posso fazer tanto… Sou um grande pecador, uma grande pecadora… Não posso recomeçar do princípio!». É um engano! Tu podes recomeçar do princípio! Porquê? Porque Ele te espera, Ele está próximo de ti, Ele ama-te, Ele é misericordioso, Ele perdoa-te, Ele dá-te força para recomeçar do princípio! A todos!

O espiritual no desenho | IMAGENS + VÍDEO |
O tema surge associado ao desafio a que me tenho proposto resolver nos últimos anos, como forma de dar resposta aos dois grandes temas que me interessam: as artes (especificamente o desenho), e a espiritualidade cristã. Não sendo possível despir a minha visão artística, assim como a minha história pessoal e formação académica, sempre ouvi e li os evangelhos com esta vontade imensa de os cruzar com o desenho mas, por muito que me esforçasse, não conseguia fazer a ponte, parecia faltar algo que me ajudasse a fazer a relação. Quando é que tudo se tornou mais fácil? Quando o conceito de diário gráfico se enraizou no meu quotidiano. Um caderno de folhas lisas para registar o dia a dia fez toda a diferença. A partir deste momento, a ponte concretizou-se no imediato. O Deus de Abraão que é presença diária constante começava a entrar nos desenhos que fazia no caderno.

Porque vieste incomodar-nos? | IMAGENS + VÍDEO |
A presente nostalgia dos tempos originários – veja-se o retorno constante ao medievo ou ao gótico –, talvez pela áurea mitológica de que o que está na origem é que é autêntico e verdadeiro, é o resultado de um abaixamento da esfera celeste. O céu desceu demasiado à terra, diz-se! O peso da gravidade é real! Mas não é o tempo presente um dom de Deus? Porquê uma nostalgia revivalista que nos faz esquecer o tempo e o espaço presente como kairós de transfiguração segundo a potência do Espírito? Da epifania à diafania é o caminho da vida profunda do humano, da interioridade, que recebe o hálito do Espírito criador. A matéria do corpo é trans-formada pela presença do Espírito de Deus. A incarnação de Cristo é diafania, “imagem do Deus invisível”.

A alegria dos outros
Não é certamente por acaso que, em algumas parábolas de Jesus, o pedido a que a alegria seja acompanhada se confunda com as possibilidades de a própria alegria tomar-se o que ela é: júbilo, canto, riso, estremecimento feliz que se expande. «Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha perdida» (Lc 15.6); «Alegrai-vos comigo, porque encontrei a moeda perdida» (Lc. 15.9). E, na mesma linha o pai do filho pródigo explicando ao filho mais velho, perplexo com o perdão concedido àquele seu irmão desencaminhado: «Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e encontrou-se» (Lc 15,32). Uma alegria que não se possa partilhar parece uma alegria que a meio caminho se rompe, que não chega sequer a consumar-se.

Calendário de Advento: Para uma audição teológica: «O Senhor nos dará a felicidade» | VÍDEO |
Trata-se do motete de comunhão do I Domingo do Advento, segundo o “Graduale Romanum”: “Dominus dabit benignitatem: et terra nostra dabit fructum” (O Senhor nos dará a felicidade, e a nossa terra produzirá o seu fruto). A obra transcreve o espírito de bênção da antífona litúrgica numa linguagem estática e extática. Os baixos, os tenores e os altos repetem uma marcha harmónica lenta, cuja reiteração visa o aprofundamento místico da experiência da ritualidade litúrgica. Sobre esse chão floresce o canto melismático do soprano – onde encontramos o rasto da vocalidade gaélica. O carácter litânico desta construção adensa-se com o desdobramento da voz do soprano até ao Ámen final. Mas esse ponto culminante renuncia à apoteose, abaixando-se até à simplicidade da mudez própria do “bocca chiusa”. No fim está o repouso e o silêncio.

Peregrinação de Advento: dia 16
Tropeçar, ir ao chão, levantar-se e prosseguir pode não ser muito difícil da primeira ou da segunda vez, quando nos persuadimos de que com mais um empurrão, com mais um pouco de esforço, nunca mais voltaremos a cair. Mas cada um de nós tem tropeços – faltas e falhas – que acontecem uma e outra vez e de que parece que nunca nos vamos livrar. É então que a tentação de desistir se faz sentir com a maior das intensidades. Se eu sei que vou cair, não importa o quanto eu lute para o evitar, porque hei de me incomodar com esse esforço? Se esta viagem para Deus parece, de onde me encontro hoje, como um labor duro e contínuo, porque não hei de escolher um caminho mais fácil. Outros parecem prosperar sem sequer se aproximarem do esforço que faço. Porque é que devo escolher ser diferente?

Cinema: “Mandela, longo caminho para a liberdade” | IMAGENS + VÍDEO |
Uma semana após a sua morte, estreou nas salas de cinema portuguesas o primeiro filme baseado na autobiografia de “Tata”: “Mandela. Longo caminho para a liberdade”. Um “timming” que tem tanto de pertinente como de arriscado, tendo em conta a envergadura do líder africano – também física mas sobretudo psicológica, espiritual e moral, a emoção geral provocada pela sua perda e a multiplicidade de informação que circula sobre a sua vida e obra, o que garantirá um público mais atento e crítico a esta versão. Uma espécie de “panorâmica”, útil e cativante para quem procure uma ilustração cinematográfica do que está já sobejamente disponível nos media e redes sociais, ou para os mais novos que ficarão com uma ideia geral de quem foi Nelson Mandela. Mais pela matéria que pela essência. Para todos os efeitos, para uma figura política fortemente empenhada no bem comum e apostada na defesa da paz, mesmo em modo panorâmico e nos tempos que correm, sobretudo para os mais novos, não será pouco…

— Agenda para hoje —

Lisboa
Colóquio: Crer e pertencer: a sociedade portuguesa no início do século XXI
Lançamento da revista “Didaskalia” (2013)
Francisco Sarsfield Cabral, Alfredo Teixeira, José Tolentino Mendonça
Capela do Rato (Calçada Bento da Rocha Cabral)
21h30
Entrada livre

Coimbra
Colóquio: Arquitetura: espiritualidade e solidariedade
Rui Fernandes, Helena Freitas, António José Bandeirinha, Margarida Pedroso Lima, Nuno Martins (membros da associação  «Building for  Humanity»  –  Arquitectura  Social  em  cenários críticos)
Colégio das Artes (sala CA3)
21h30
Entrada livre
Iniciativa integrada no ciclo “Tear – Tecer a Espiritualidade com a Arte e a Reflexão”

Estoril, Cascais
Teatro: Auto da Fé (de Gil Vicente)
Três pastores entram numa igreja durante a celebração da noite de Natal. Não fazem ideia do que se passa nem de que lugar é aquele. Nada sabem sobre a fé. Porém, no seu falar, repetidamente juram «por Deus».
Versão cénica e encenação: Joana Liberal
Igreja de Santo António
21h30
Entrada livre

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