É novo » 9.12.2013

Peregrinação de Advento: dia 9
Há uma tendência no cristianismo tradicional que olha para o céu, a vida eterna com Deus, como a nossa verdadeira casa, e o tempo que passamos aqui na Terra como uma viagem e preparação para esse estado. Nessas circunstâncias, a saudade de casa por uma situação que ainda não experimentámos e que pode ser apenas parcialmente vislumbrada, é, apesar de tudo, possível. Com efeito, o facto de eu experimentar um intenso desejo por esses estado, e o reconhecimento de que é a ele que eu verdadeiramente pertenço, pode tornar-se um forte argumento para a verdade da mensagem do evangelho. «A caminho para casa, gostaria de estar», cantavam Paul Simon e Art Garfunkel, descrevendo a sua experiência de concertos intermináveis em viagem. Há alguma coisa na sua vida, passada ou presente, que a ajude a perceber o que eles sentiam?

Papa Francisco pede aos políticos católicos para que «saibam pensar segundo o Evangelho» e não fechem portas ao diálogo
O papa considera que «é necessário um trabalho de sensibilização e formação para que os fiéis leigos, em quaisquer condições, e especialmente aqueles que se comprometem no campo político, saibam pensar segundo o Evangelho», e de acordo com «bússola» da doutrina social da Igreja». Em intervenção que proferiu este sábado no Vaticano, Francisco sublinhou também a necessidade de os católicos saberem «agir coerentemente, dialogando e colaborando com quantos, com sinceridade e honestidade intelectual, partilhem, se não a fé, pelo menos uma visão do homem e da sociedade e a sua consequência ética.

Leitura: “Somos pobres mas somos muitos”
De repente, naquela figura simplesmente vestida com o fato oficial sem adornos nem atavios de circunstância, estava uma alma franciscana, no corpo de um jesuíta, vestido de dominicano! Quem ali tínhamos diante de nós e o que ali tínhamos diante de nós, não era uma perso­nagem de palco para consumo público – e para consumo do público – para responder a uma urgência de comunicação mediática, mas um homem igual a si próprio, igual ao que sempre tinha sido no seu ser padre, bispo e cardeal de Buenos Aires, que nunca teve tiques nem ademanes de poder nem de vaidade, mas que sempre havia pautado a sua vida por uma normalidade normal de relações, das tais solidárias dos afetos redimidos. Como que em jeito de «ícone» reencontrado, naquele homem Bergoglio / Francisco que se apresentava à cidade e ao mundo, estavam reunidas três tradições fundamentais na vida e na missão da Igreja: a alma de Francisco de Assis na sua simplicidade de ser, a capacidade de comunicar com palavras inteligíveis de Domingos de Gusmão, e a tenacidade missionária de Francisco Xavier.

A Imaculada Conceição e o pecado original, segundo o papa Francisco
O papa Francisco explicou este domingo o significado da Imaculada Conceição e do pecado original, perante dezenas de milhares de pessoas reunidas para a oração mariana do Angelus, no Vaticano. Tendo em vista a maternidade, «Maria foi preservada do pecado original, isto é, daquela fratura na comunhão com Deus e com os outros, e com o que foi criado, que fere profundamente todo o ser humano», afirmou. «Contemplando a nossa Mãe Imaculada, bela, reconhecemos também o nosso destino mais verdadeiro, a nossa vocação mais profunda: sermos amados, sermos transformados pelo amor, sermos transformados pela beleza de Deus», apontou. Francisco lançou depois um convite: «Deixemo-nos guardar por ela, para aprendermos a ser mais humildes, e também mais corajosos no seguimento da Palavra de Deus; para acolhermos o terno abraço do seu Filho Jesus, um abraço que nos dá vida, esperança e paz».

Papa une as palavras aos gestos, diz António Guterres, alto comissário da ONU para os refugiados  | VÍDEO |
Penso, antes de mais, que desde sempre a Igreja católica foi absolutamente impecável ao inserir na agenda a necessidade de respeitar os direitos dos refugiados, os direitos dos migrantes, a necessidade de a sociedade ser tolerante, de respeitar a diversidade. Esta foi uma linha constante da Igreja. Mas penso que o papa Francisco deu uma nova dimensão a isto, porque não só o expressou de modo muito claro em várias ocasiões – recordo a sua declaração por ocasião da Dia Mundial do Migrantes e do Refugiado, e esta questão foi igualmente sublinhada na [exortação] “Evangelii gaudium” do Santo Padre -, mas também na sua própria presença em Lampedusa [ilha italiana no Mar Mediterrâneo], num momento trágico, quando muitas pessoas morreram no naufrágio, bem como na sua visita a um dos centros para refugiados em Roma, o Centro Astalli, do Serviço Jesuíta aos Refugiados Por isso, há um testemunho pessoal: não é só uma doutrina, mas um empenho pessoal.

“A alegria do Evangelho”: Palavra de Cristo chamado Pedro chamado Francisco chamado Jorge
Como se tudo isto não fosse já um enorme murro no estômago e um espetar de dedos nos olhos, segue-se depois um puxar de orelhas a um certo historicismo em voga. Sim, garante o Papa, estamos ainda longe do chamado “fim da história”, porquanto as condições de um desenvolvimento sustentável e em paz não estão devidamente garantidas. E depois disto um grito de alma: tudo se torna ainda mais “irritante” (sic) quando os excluídos vêem crescer o cancro social da corrupção, profundamente arreigada em muitos países, independentemente da ideologia política. Por fim, uma nota pessoal. É certamente possível não se acreditar no que diz o Papa Francisco. Mas parece francamente impossível não acreditar em tudo quanto diz e faz. Para uma ovelha tresmalhada como é o meu caso não é sem comoção que se ouve um pastor assim.

Presença da Igreja na internet é «indispensável», mas «relações humanas autênticas» são mais importantes, sublinha papa
A presença da Igreja católica na internet é importante, mas o essencial é a relação pessoal, afirmou este sábado o papa aos participantes na assembleia plenária do Pontifício Conselho para os Leigos, dedicada ao tema “Anunciar Cristo na era digital”. «O anúncio requer relações humanas autênticas e diretas para desaguar num encontro pessoal com o Senhor. Portanto a rede não basta, a tecnologia não é suficiente. Isto, porém, não quer dizer que a presença da Igreja na Internet seja inútil; pelo contrário, é indispensável estar presente, sempre com estilo evangélico», apontou. O papa considera que a internet tornou-se «para muitos, especialmente jovens», uma «espécie de ambiente de vida, para despertar as perguntas que não se podem suprimir do coração sobre o sentido da existência, e indicar o caminho que leva àquele que é a resposta, a misericórdia divina feita carne», que é Cristo.

Oração do papa Francisco a Maria Imaculada
Ajuda-nos a permanecer na escuta atenta da voz do Senhor: / o grito dos pobres nunca nos deixe indiferentes, / o sofrimento dos doentes e de quem passa por necessidade não nos encontre distraídos, / a solidão dos idosos e a fragilidade das crianças nos comovam, / toda a vida humana seja por todos nós sempre amada e venerada.

— Agenda para hoje —

Coimbra
Debate: Doação de óvulos
Daniel Serrão
Faculdade de Farmácia (Sala Garcia d’Orta)
18h30

Lisboa
Lançamento do calendário “Celebração do Tempo 2014”
Apresentação: Pedro Barbas Homem, Nuno Rogeiro, Paulo Mendes Pinto
Editora: Paulinas
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (auditório 4)
18h30

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