É novo » 8.12.2013

«Vós que destes claro a tanto escuro»: Persistência da Imaculada no texto poético
A maior pertinência de se escolher a poesia para sondar o modo como a figura de Maria e da sua Imaculada Conceição atravessam a cultura portuguesa, está nessa espécie de conaturalidade entre representado e expressão que representa. A própria poesia vive de uma tensão de transcendência que conduz as palavras, ou melhor a realidade, a um processo de transfiguração: o tempo aí inaugurado acende-se «cintilante, como nácar ou neve», torna-se «instante milagroso, como se todas as dissonâncias se resolvessem harmoniosamente em silêncio». A permanência, desde os primeiros cancioneiros medievais até à última modernidade, de fundamentais categorias semânticas como claridade, pureza, vida intacta, ação da Graça permitem-nos perceber como, para lá de uma persistência explícita da figura da Imaculada, há, inerente à própria poesia, uma abertura, um rasgo fundo para essa formulação do Mistério. E o facto de, muitos séculos antes da definição dogmática, já o sentido crente referir ousadamente na criação poética esse dado de fé, constitui uma silenciosa forma de confirmação.

Peregrinação de Advento: dia 8
Para a maior parte de nós, na maior parte do tempo, há pouca dificuldade em ter o suficiente para comer. Por isso não faz mal partilhar, por um curto período de tempo, alguma coisa da experiência daqueles que têm de gastar muitas das suas horas à procura do que precisam. E, uma vez mais, a consequência é ampliar a nossa gratidão pelas coisas que no dia a dia podemos simplesmente dar por garantidas. Quando é que foi a última vez que passou mesmo fome? Houve alguma vez quando, literalmente, não soube de onde viria a próxima refeição? Ao ponderar nestas perguntas, será elas que sugerem alguma coisa a que queira dar resposta, quer no que diz respeito à sua relação com os alimentos que come, quer em relação às pessoas que conhece diretamente ou através dos média, que têm de lutar para encontrar tudo o que precisam para viver?

Maria e Portugal: Uma devoção nacional?
Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Tal verdade mariana era há muito confessada em Portugal e era mesmo a inovação da padroeira do reino. Mas agora vinha de Roma a definição, e, para o nacionalismo de muitos influentes, Roma era o estrangeiro e mesmo a ameaça, já que Pio IX não se cansava de levantar objeções à teoria e à prática dos regimes liberais. Estava novamente em uso o beneplácito, pelo qual as decisões pontifícias só se executariam entre nós depois da aprovação das Cortes. Teve de esperar-se até março do ano seguinte… Estes quatro meses de demora em reconhecer para Portugal o dogma da Imaculada Conceição levantaram reparos nos meios católicos mais ativos. A demora era dos poderes públicos e não da piedade portuguesa, afirmava A Nação de 17 de abril de 1855: «Portugal, que sempre se distinguiu pelo seu zelo religioso, e pela pureza da sua fé, Portugal, que nas suas cortes e universidades jura há séculos a defesa da Imaculada Conceição, não podia, apesar de todas as desgraças, deixar de associar-se à alegria universal de todos os católicos ao ser definido pela Igreja como dogma, o que para ele era uma crença religiosa, e um princípio de nacionalidade».

As derrapagens do papa Francisco
As críticas dos padres demonstram que, para acolher a novidade trazida pelo Evangelho, não apenas os leigos, mas também as suas lideranças, precisam da sabedoria do coração, que só vinga em pessoas que colocam o bem da Igreja e da humanidade acima de seus interesses e traumas. Foi o que advertiu o próprio Jesus: «É inútil colocar vinho novo em barris velhos: os barris se arrebentam, o vinho se derrama e os vasilhames se perdem. Vinho novo se põe em barris novos, pois ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo. Para ele, o velho é melhor» (Lc 5,37-39). A grande tentação do cristão é tentar conciliar o “novo” do Evangelho com esquemas mentais mundanos. Quando isso acontece, ele prefere ficar com o vinho velho, pois o novo exige um desapego heroico das falsas seguranças construídas ao longo dos anos e uma fé inquebrantável no projeto de Deus.

A Imaculada Conceição e a história de Portugal
A espiritualidade que brotava da devoção a Nossa Senhora da Conceição foi novamente sublinhada no gesto que D. João IV assumiu ao coroar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal nas cortes de 1646. Esta espiritualidade imaculista foi igualmente assumida por todos os intelectuais, que na prestigiada Universidade de Coimbra defenderam o dogma da Imaculada Conceição sob a forma de um juramento solene. De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de dezembro foi celebrado como “Dia da Mãe” e João Paulo II incluiu no seu inesquecível roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho.

— Agenda para hoje —

Fátima
Inauguração de exposição: Presépios de Luís Alenquer
28 presépios concebidos maioritariamente em xisto e madeira
Momento musical com alunos do Colégio de São Miguel (Fátima) e do Conservatório de Música de Ourém e Fátima; a seguir, conversa com o artista e visita guiada à exposição
Museu de Arte Sacra e Etnologia
15h00
Patente até 2/2

Lisboa
Música: Concerto de Natal
Coro Polifónico da Academia Sénior dos Olivais Sul, Coro Regina Coeli
Igreja paroquial de Olivais Sul
16h00

Santarém
Música: Música para o Advento e o Natal
Schola Cantorum da Catedral de Santarém, Academia de Música de Santa Cecília
Concerto de inauguração do restauro da igreja catedral de Santarém

16h00

Lisboa
Música: Concerto
Coro de Câmara de Lisboa
Basílica dos Mártires
16h00

Lisboa
Música: Ciclo de concertos de Natal nas igrejas
Mater Dei
Igreja de S. Nicolau
16h00
Entrada livre
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Estremoz
Inauguração da 7.ª Exposição de Presépios de Artesãos do Concelho de Estremoz
40 peças
Galeria Municipal D. Dinis
16h00
Patente até 6/1

Lisboa
Visita guiada: Advento/Anunciação no retábulo-mor da Igreja de São Roque
Igreja de S. Roque
16h30
Entrada gratuita, sujeita a inscrição prévia (máximo de 30 pessoas) pelos telefones 213 235 824 / 233 / 065 / 444

Lisboa
Música: Concerto de Natal
Coro Regina Coeli de Lisboa
Música de Britten, Carrapatoso e outros autores
Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Olivais Sul)
17h00
Entrada livre

Estremoz
Inauguração da exposição “Presépios do Mundo”
Peças da coleção particular do Major-General Fernando Canha da Silva
Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte
17h00
Patente até 6/1

Lisboa
Música: Hino mariano “Akhatistos” (Rito Bizantino)
Coro da Catedral de Lisboa
Sé Patriarcal
18h00
Entrada livre

Santarém
Música: Cânticos romenos de Natal
Grupo Coral Theoforos

19h00
Para saber mais: Instituto Cultural Romeno

Lisboa
Música: Ciclo de missas para coro uníssono e órgão
Monodia XXI (Sérgio Silva, órgão; Fernando Pinto, direção)
Solenidade da Imaculada Conceição
Peter Maxwell Davies (n. 1934): Missa Parvula
Igreja de S. Tomás de Aquino
19h30

Povoação, Açores
Inauguração do “Presépio das Caldeiras das Furnas”
500 figuras
Atuação do grupo coral da igreja de Nossa Senhora da Alegria
20h00
Patente até 6/1

Lisboa
Oficina de diários gráficos
Monjas Dominicanas do Lumiar
Para saber mais: Pastoral da Cultura

Bragança
Inauguração da exposição “O Presépio – Coleção de Maria Cavaco Silva”
Peças de diversas proveniências, desde Chile e Tailândia até aos centros de produção presepista nacional, como Barcelos e Estremoz
Museu do Abade de Baçal
Terça a sexta: 10h00 – 17h00; sábado e domingo: 10h00 – 18h00
As receitas dos ingressos revertem a favor do Lar de S. Francisco
Patente até 26/1

Penela
Inauguração do presépio animado
Mais de 150 peças distribuídas por 700 m2
Castelo
Patente até 5/1
Para saber mais: Município de Penela

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