É novo » 27.11.2013

“A alegria do Evangelho”: Papa Francisco assina a sua primeira exortação apostólica e diz que quer mais «descentralização» na Igreja
“Evangelii gaudium” (“A alegria do Evangelho”) é o título da primeira exortação apostólica do papa Francisco, que recolhe a «riqueza» dos trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, realizado no Vaticano em outubro de 2012. «Consultei também várias pessoas e pretendo, além disso, exprimir as preocupações que me movem neste momento concreto da obra evangelizadora da Igreja», explica o papa. Depois de referir que não pretende abordar todas as «inumeráveis» questões relacionadas com a evangelização, Francisco salienta que «não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao mundo». «Não convém que o Papa substitua os episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que sobressaem nos seus territórios. Neste sentido, sinto a necessidade de proceder a uma salutar “descentralização”», aponta.

Igreja não pode continuar como está, avisa papa Francisco
O papa Francisco considera que «todas as comunidades» da Igreja católica têm de se esforçar por «atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão». «Neste momento, não nos serve uma «simples administração», sendo preciso um «estado permanente de missão» em todo mundo, frisa o papa na exortação apostólica “A alegria do Evangelho”. «Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação», vinca Francisco. O papa volta a declarar que prefere «uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças», e lança um apelo: «Ousemos um pouco mais no tomar a iniciativa».

Primeira exortação apostólica do papa Francisco lembra Átrio dos Gentios e insiste no diálogo com não crentes
O Átrio dos Gentios, plataforma da Igreja católica para o diálogo com os não crentes, é lembrada pelo papa na sua primeira exortação apostólica, “Evangelii gaudium” (O Evangelho da alegria). «Como crentes, sentimo-nos próximo também de todos aqueles que, não se reconhecendo parte de qualquer tradição religiosa, buscam sinceramente a verdade, a bondade e a beleza, que, para nós, têm a sua máxima expressão e a sua fonte em Deus. Sentimo-los como preciosos aliados no compromisso pela defesa da dignidade humana, na construção duma convivência pacífica entre os povos e na guarda da criação», assinala Francisco. O texto acentua que a evangelização implica «um caminho de diálogo» em que a Igreja deve marcar presença, «cumprindo um serviço a favor do pleno desenvolvimento do ser humano e procurando o bem comum». «A fé não tem medo da razão; pelo contrário, procura-a e tem confiança nela, porque a luz da razão e a luz da fé provêm ambas de Deus», e não se podem contradizer entre si», nota o papa.

Papa Francisco quer «beleza» na evangelização e pede às dioceses para incentivarem «uso das artes»
«É bom que toda a catequese preste uma especial atenção à “via da beleza (via pulchritudinis)”, dado que «anunciar Cristo significa mostrar que crer nele e segui-lo não é algo apenas verdadeiro e justo, mas também belo, capaz de cumular a vida dum novo esplendor e duma alegria profunda, mesmo no meio das provações», refere o texto. O documento explica que «não se trata de fomentar um relativismo estético, que pode obscurecer o vínculo indivisível entre verdade, bondade e beleza, mas de recuperar a estima da beleza para poder chegar ao coração do homem e fazer resplandecer nele a verdade e a bondade do Ressuscitado». O papa frisa que se torna «necessário que a formação na “via pulchritudinis” esteja inserida na transmissão da fé», pelo que é desejável que cada diocese «incentive o uso das artes na sua obra evangelizadora, em continuidade com a riqueza do passado, mas também na vastidão das suas múltiplas expressões atuais, a fim de transmitir a fé numa nova “linguagem parabólica”».

«Há uma necessidade imperiosa de evangelizar as culturas», aponta papa Francisco
«Há uma necessidade imperiosa de evangelizar as culturas para inculturar o Evangelho», vinca o papa Francisco na exortação apostólica “A alegria do Evangelho”. «Se for bem entendida, a diversidade cultural não ameaça a unidade da Igreja», aponta o papa. Referindo-se ao contexto urbano, o papa considera que a Igreja precisa de «identificar a cidade a partir dum olhar contemplativo, isto é, um olhar de fé que descubra Deus que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças». «A presença de Deus acompanha a busca sincera que indivíduos e grupos efetuam para encontrar apoio e sentido para a sua vida. Ele vive entre os citadinos promovendo a solidariedade, a fraternidade, o desejo de bem, de verdade, de justiça. Esta presença não precisa de ser criada, mas descoberta, desvendada. Deus não se esconde de quantos o buscam com coração sincero, ainda que o façam tateando, de maneira imprecisa e incerta», sublinha. «É necessário chegar aonde são concebidas as novas histórias e paradigmas, alcançar com a Palavra de Jesus os núcleos mais profundos da alma das cidades. Não se deve esquecer que a cidade é um âmbito multicultural», vinca Francisco.

Papa Francisco pede cristãos sem «cara de vinagre»
O papa pede aos cristãos que resistam à tentação da «sensação de derrota» antecipada quanto aos frutos da sua missão evangelizadora, que lhes «sufoca o fervor e a ousadia», além de os transformar em «pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre». «Quem começa sem confiança, perdeu de antemão metade da batalha e enterra os seus talentos», frisa Francisco na exortação apostólica “A alegria do Evangelho”, publicada esta terça-feira. Na secção dedicada às «tentações dos evangelizadores», Francisco constata que o cansaço e a desmotivação dos católicos «não está sempre no excesso de atividades, mas sobretudo nas atividades mal vividas, sem as motivações adequadas, sem uma espiritualidade que impregne a ação e a torne desejável».

Evangelização é «essencialmente» anúncio a quem desconhece Cristo ou àqueles «que sempre o recusaram», lembra papa
O papa sublinha na sua primeira exortação apostólica, “Evangelii gaudium” (A alegria do Evangelho), que «a evangelização está essencialmente relacionada com a proclamação do Evangelho àqueles que não conhecem Jesus Cristo ou que sempre o recusaram». «Todos têm o direito de receber o Evangelho. Os cristãos têm o dever de o anunciar, sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte maravilhoso, oferece um banquete apetecível. A Igreja não cresce por proselitismo, mas “por atração”, frisa Francisco. Por isso, os cristãos não podem «ficar tranquilos, em espera passiva» dentro das igrejas, «sendo necessário passar de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária», naquela que é uma missão que «continua a ser a fonte das maiores alegrias para a Igreja».

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