É novo » 20.11.2013

Leitura: “Ressuscitarão os mortos?”
Numa sociedade que se julga omnipotente e é poderosíssima nos meios, mas sem finalidades humanas, de tal modo a morte é problema, o único problema para o qual não tem solução que a solução é precisamente ignorá-lo, viver como se ele não existisse. As razões do tabu são múltiplas. Fundamentalmente, o que se passou é que a razão esqueceu as suas múltiplas dimensões, ficando reduzida à razão instrumental, à eficiência, ao cálculo, à técnica, e o que importa é o sucesso imediato, o êxito, a juventude, o prazer, a eficácia, o consumismo sem fim. Por outro lado, vai-se impondo a desafeição face à religião, a fé vai rareando. Ora, perante a morte, o Homem faz a experiência de que não é omnipotente, de que não pertence a si mesmo, mas ao Mistério. Assim, perante a erosão da fé, cada vez se acredita menos na vida eterna. Vivemos, pois, numa sociedade sem Eternidade. Ora, sem eternidade, desfaz-se o tecido do tempo, que já não faz texto, pois só ficam instantes que se devoram, na imediatidade do gozo do momento, que se segue a outro momento, na voragem da repetição, do tédio e do sem sentido.

Patriarca diz que Portugal é um país de «desencontros» e defende que «desagregação contemporânea só foi possível com mais dinheiro para alguns»
«Se olharmos agora para a realidade portuguesa que nos toca, muito mais repararemos em desencontros do que em encontros», afirmou o patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, na primeira assembleia nacional da Conferência Nacional de Apostolado de Leigos. Os desencontros na sociedade abrangem as «famílias – feitas, refeitas ou rarefeitas» e os «grupos que sucessivamente se combinam, descombinam ou recombinam», e passam por «conflitos sociais de vária ordem», assim como «pela dificuldade em encontrar e manter políticas combinadas», sublinhou o prelado este sábado, em Coimbra. «A desagregação contemporânea só foi possível com mais dinheiro para alguns – e apesar de tudo muitos mais do que alguma vez tínhamos sido, quando eramos gregários pela força das circunstâncias», assinalou.

Revista teológica “Eborensia” assinalou 25 anos
A revista “Eborensia”, publicada pelo Instituto Superior de Teologia de Évora (ISTE), completou em 2012 as bodas de prata, tendo sido lançado em abril deste ano a edição que assinala a efeméride. No texto de abertura desse número (46), o arcebispo de Évora, D. José Alves, recorda que esteve «pessoalmente implicado na origem» da revista e acompanhou a sua evolução durante os 25 anos de «publicação sem interrupções». «Pensando nos modestos recursos do ISTE, não posso deixar de manifestar a minha satisfação e felicitar os sucessivos responsáveis e colaboradores que engenhosamente souberam conjugar a falta de meios com a generosidade, a multiplicidade de afazeres com o amor à cultura, o serviço docente com a investigação de forma a garantir a publicação de cerca de 6.000 páginas», destaca.

Um povo que não respeita os avós, não tem futuro, diz papa Francisco
«Um povo que não protege os avós, um povo que não respeita os avós, não tem futuro, porque não tem memória, perdeu a memória», vincou o papa Francisco esta terça-feira, no Vaticano. «Far-nos-á bem pensar em muitos idosos e idosas, muitos que estão nas casas de repouso, e também muitos – é uma palavra bruta, mas digamo-la – abandonados pelos seus. São o tesouro da nossa sociedade», sublinhou na homilia da missa a que presidiu. Num tempo em que os idosos «não contam», o papa vincou a ação das pessoas mais velhas na transmissão da fé. «Os anciãos são aqueles que nos trazem a história, que nos trazem a doutrina, que nos trazem a fé e a dão em herança. São aqueles que, como o bom vinho envelhecido, têm esta força dentro de si para nos dar uma herança nobre», apontou.

Trabalhar sobre a debilidade
A maior parte desta humanidade identifica-se acriticamente com os modelos culturais e sociais dominantes. Modelos assumidamente inatingíveis para manter o habitante deste tempo insatisfeito, frustrado, para estar sempre pronto a consumir, a competir para reduzir o sofrimento. Nós, pelo contrário, deveríamos dar valor à nossa conatural impotência, à nossa debilidade. Quando erra, uma pessoa sadia sabe que é o momento de reconhecer as suas limitações. Esta atitude levá-la-á a errar cada vez menos, porque a pessoa cresceu em humanidade e não em perfeição. Nesta minha visão de vida, os papéis, os trabalhos realizados, o dinheiro ou o poder só ganham significado quando se inserem numa visão precisa de vida que provenha da sua interioridade, que deve ser produzida pela consciência do saber que tem de morrer, na sua aceitação e, por conseguinte, em pô-la ao serviço do outro, dos outros, da humanidade inteira.

Vaticano recuperou catacumbas de Priscilla | IMAGENS |
A Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra, do Vaticano, apresentou esta terça-feira. os resultados obtidos com os trabalhos realizados nos últimos cinco anos nas catacumbas de Priscilla, em Roma. Foram realizadas escavações arqueológicas e restauros para preservar as pinturas, além da reestruturação e reorganização de um dos espaços mais emblemáticos: a basílica onde o papa Silvestre foi sepultado. Conhecido por “rainha das catacumbas”, por causa da quantidade de sepulcros de mártires, julga-se que este cemitério terá sido escavado entre os séculos II e V. As suas galerias têm cerca de 13 km de comprimento, em vários níveis de profundidade. Priscilla guarda um nicho com aquela que é a mais antiga imagem da Virgem Maria, com o Menino sobre os joelhos, juntos a um profeta que aponta para uma estrela.

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