É novo » 14.11.2013

Leitura: “Dois dedos de conversa sobre o dentro das coisas – Um crente, um ateu e a verdade como provocação”
«Claro que o facto de se admitir – é este o teu caso, parece-me – que existem, para além da ciência, outras formas legítimas de abordar a realidade não é suficiente para tirar conclusões acerca da abordagem religiosa. Parece-me, contudo, que é um bom ponto de partida. Tudo o que até agora escrevi seria apenas uma espécie de propedêutica para o debate. Precisaria, agora, de iniciar um longo percurso com vista a deixar patente a razoabilidade da fé cristã. Com efeito, o Cristianismo não é, a meu ver, irracional, nem fere a razão. Não é, sequer, carente de rigor, mas cultiva todo o rigor necessário. Além disso, a nossa vida, e mesmo a prática da ciência, não dispensa, parece-me, algum tipo de fé. E a fé cristã parece-me, apesar de tudo, aquela que oferece ao homem os horizontes mais vastos.» “Dois dedos de conversa sobre o dentro das coisas – Um crente, um ateu e a verdade como provocação” (ed. Frente e Verso) apresenta a correspondência entre dois jovens doutorados em Física – um, cristão católico, outro não crê na existência de Deus. Leia as duas primeiras cartas.

A fé, questão de vida que faz viver
Maravilhados ou temerosos pelo mistério inacessível dos inícios e do fim que nos envolve, não podemos deixar de viver entre a memória e a esperança, de estremecer diante da ingovernabilidade dos acontecimentos, de nos admirarmos diante do milagre da vida sempre, de novo, restituída. Com toda a sua complexidade e ambiguidade, é nestes lugares do nosso quotidiano que sempre se joga a existência de cada homem, de cada mulher e de cada grupo humano. Por isso, é também este o húmus da imagem que possamos ter de Deus – ajustada ou distorcida – e do ato de crer – realizado ou recusado – enquanto experiência densamente humana. Bem longe de ser um vago e cego arrepio da alma ou o resultado, claro e distinto, de uma demonstração lógica, a fé é sempre questão de vida – e de morte do medo de confiar num outro e de se lhe confiar. É disposição vital e contacto corpóreo, por vezes dramático e doloroso, com Deus, Origem e Destino, que se nos expõe, também Ele, no corpo de carne de seu Filho.

Em memória de Jerome Murphy-O’Connor (1935-2013): São Paulo: missionário e fabricante de tendas
«Paulo compreendeu, relativamente depressa, que tinha mesmo de ganhar a vida por si e teria de a ganhar à medida que viajava. Isto significava que deveria tornar-se um artífice experiente. Tinha de aprender um ofício. Que trabalho poderia servir melhor os seus propósitos? O seu objectivo não era o de se tornar rico, mas o de sobreviver com os seus próprios meios. Certamente que procurou a solução com a inteligência arguta que, mais tarde, aplicou na resolução dos problemas teológicos. A profissão que aprendesse tinha de ser útil no mundo greco-romano, em terra como no mar, em cidades e em aldeias, nas grandes metrópoles e também nas estradas que as uniam. Tinha de ser uma profissão que o pusesse em contacto com todos os extractos sociais. As ferramentas teriam de ser leves e transportáveis. O ofício teria de ser tranquilo e sendentário, para que pudesse pregar onde trabalhava.» O biblista dominicano irlandês Jerome Murphy-O’Connor morreu a 11 de novembro, aos 78 anos, em Jerusalém; é considerado um dos maiores especialistas do mundo em S. Paulo.

John Tavener (1944-2013): «Quis produzir música que fosse o som de Deus» | ÁUDIO |
John Tavener, considerado o mais popular dos compositores britânicos da segunda metade do século XX, célebre pela música coral inspirada na espiritualidade religiosa, morreu terça-feira na sua casa em Dorset, aos 69 anos, noticiou a sua representante, a “Chester Music”. Nascido a 28 de janeiro de 1944 em Wembley, Londres, filho de um organista da Igreja Presbiteriana, estudou na Royal Academic of Music e viu os seus trabalhos interpretados ainda na adolescência. Em 1970 surgiria pela primeira vez como nome reconhecido pelo grande público quando a Apple, editora fundada pelos Beatles, lançou no mercado The Whale, obra de 1968 ainda marcada pelo modernismo e serialismo. A condição de celebridade pop da música clássica manteve-se daí em diante, enquanto a sua música se encaminhava para uma simplicidade nos antípodas do modernismo inicial, procurando exprimir uma demanda espiritual de que foi reflexo a conversão à Igreja Ortodoxa Russa, em 1977.

Papa Francisco vai ao Salão do Livro de Turim 2014, que tem o Vaticano como país convidado
O papa Francisco vai estar no Salão Internacional do Livro de Turim, que se realiza de 8 a 12 de maio de 2014, iniciativa que tem o Estado da Cidade do Vaticano como país convidado. A presença está prevista para a cerimónia de atribuição dos prémios do Concurso Literário “Lingua Madre”, revelou o portal de notícias da Santa Sé. Em carta enviada aos organizadores, lê-se que Francisco conheceu o livro “Lingua Madre 2013”, coletânea de histórias redigidas por mulheres imigradas no decorrer deste ano, e afirmou «apreciar os nobres sentimentos que inspiram o Concurso». «É a primeira vez que a Santa Sé participa num Salão do Livro. Apresentar-se-á em Turim não só com um stand, mas com um programa delineado por uma comissão presidida pelo cardeal Gianfranco Ravasi, que trabalhará para declinar a imensa história cultural e espiritual da Igreja», realçou em julho o presidente do certame, Rolando Picchioni.

Passado, presente, futuro: como viver o tempo?
É preciso viver o momento presente. Prestar atenção às coisas diárias simples, e vivê-las com grande paixão. Habituamo-nos a pensar sempre na situação que há de vir; por exemplo, pensa-se na noite em que se irá jantar fora com o parceiro, imagina-se de que modo acontecerá; ou, então, durante a semana, pensa-se no domingo, quando se for jogar golfe, nos resultados a que se chegará… Mas, depois, quando estivermos a cear ou a jogar golfe, precisamente nesses momentos, estaremos a pensar em como acabará o serão ou o que se fará depois da partida de golfe.

Papa Francisco: As verdadeiras batalhas a combater são pela vida, e nunca pela morte
O papa Francisco afirmou esta quarta-feira, no Vaticano, que os únicos combates que devem ser travados são aqueles que procuram salvar vidas, e não os que conduzem à morte. «Tomei conhecimento, com grande dor, que há dois dias, em Damasco [capital da Síria], disparos de morteiro mataram algumas crianças que regressavam da escola e o motorista do autocarro. Outras crianças ficaram feridas. Por favor, que estas tragédias não aconteçam mais! Rezemos fortemente», apelou. «Nestes dias, estamos a rezar e a unir as forças para ajudar os nossos irmãos e irmãs das Filipinas, atingidos pelo furacão. Estas são as verdadeiras batalhas a combater. Pela vida. Nunca pela morte!», frisou. Francisco centrou a sua intervenção no Batismo e na Penitência, que «não é uma sessão numa sala de tortura», mas sim uma festa que recorda o primeiro dos sacramentos e dá sentido à existência humana, porque «é somente no perdão, dado e recebido», que o coração «encontra a paz e a alegria».

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