É novo » 10.10.2013

Iluminar a razão com a fé: Desafio à ética, economia, política, ciência e Igreja
A pessoa humana está interligada com o seu ambiente cultural de tal modo que se qualquer ação humana tem reflexos na cultura também é igualmente verdade que o desenvolvimento harmonioso da pessoa e da sociedade dependem do seu contexto cultural. Daí a importância que a Igreja dá à cultura na sua relação com o Evangelho. Já no Concilio, no diálogo que este se propôs com o mundo atual, diz-se que «é próprio da pessoa humana necessitar da cultura, isto é, de desenvolver os bens e valores da natureza, para chegar a uma autêntica e plena realização. Por isso, sempre que se trata da vida humana, natureza e cultura encontram-se intimamente ligadas». Se existe o direito de ser respeitado no próprio caminho em busca da verdade, há ainda antes a obrigação moral grave para cada um de procurar a verdade e de aderir a ela, uma vez conhecida. Dada a desorientação da consciência ética do homem, a recuperação da razão iluminada pela fé torna-se num desafio que se levanta atualmente no campo social, económico, político e científico, e exige o agir dos crentes.

Patriarca de Lisboa vai ao Centro Cultural de Belém falar sobre “Arte e Fé”
O patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, participa a 26 de outubro, na capital, no ciclo de palestras sobre Arte e Fé, integrado nos encontros “As encruzilhadas da arte”. A sessão é moderada pela professora universitária Maria Teresa Dias Furtado, membro do júri do Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, atribuído anualmente pela Igreja católica através do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. D. Manuel Clemente foi desde abril de 2002 promotor da Pastoral da Cultura na Conferência Episcopal Portuguesa, organismo a que preside atualmente, tendo dirigido a Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais entre 2005 e 2011.

Em memória de D. António Marcelino, bispo emérito de Aveiro (21.9.1930 – 9.10.2013): Na fé, testemunhar a esperança, num mundo de contradições
Hoje muitos cristãos porque vêem dificuldade em ser coerentes dado o contexto em que vivem, pensam que preservam a sua fé ou que sossegam a sua consciência, não se misturando com os outros que não crêem, ou fugindo do mundo, por formas novas, talvez para se instalarem junto do altar, que não implicam ir para o convento, como em tempos acontecia com alguns. Acontece que a “fuga mundi” não pode mais comportar ou ser expressão correcta de um ideal de vida de um cidadão normal. Para os seus discípulos Jesus rezava ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal (maligno)”. O ideal é estar sempre equipado para saber apreciar todas as coisas com critérios de verdadeira sabedoria, sabendo o que vale e o que vale, decidindo e agindo em consequência do caminho que se abre. O grande desafio que se põe aos cristãos por isso mesmo, comporta a necessidade de uma formação que esclareça os que querem ser verdadeiros discípulos de Cristo, homens e mulheres, os molde pela novidade do Evangelho, e os ajude a viver e agir no seu mundo concreto, com todas as suas potencialidades e oportunidades, contradições e limites, que o mesmo mundo comporta.

Em memória de D. António Marcelino: Leigos, uma novidade conciliar?
Casado, solteiro ou viúvo, e de acordo com a sua vida social e profissional, doente ou saudável, o leigo enriquece a sua espiritualidade diária no contexto em que se processa a sua vida. É da vivência da fé, esperança e caridade que sai a luz e a inspiração para realizar a sua missão de cristão no mundo, evangelizando, renovando pela força do Evangelho a vida temporal, dando como sinal distintivo do cristão, onde quer que se encontre, o mandamento do amor. Tudo isto traduzido em obras que vão desde o esforço de reconciliação ao serviço da defesa dos direitos humanos e do exercício dos deveres próprios, ao empenhamento a favor dos mais pobres e mal-amados da sociedade, sempre em atitude gratuita, solidária e fraterna.

Papa Francisco realça «variedade» na Igreja e diz que «uniformidade» mata «dons do Espírito Santo»
«Aceitamos o outro, aceitamos que haja uma justa variedade, que este seja diferente, que este pense de uma forma ou de outra – mas na mesma fé pode pensar-se de forma diferente -, ou tendemos a uniformizar tudo? A uniformidade mata a vida. A vida da Igreja é variedade, e quando queremos colocar essa uniformidade sobre todos, matamos os dons do Espírito Santo.» «Cada um de nós pode perguntar-se hoje: Como vivo na Igreja? Quando vou à igreja, é como se estivesse ao estádio, a um jogo de futebol? É como se fosse cinema? Não, é outra coisa. Como é que eu vou à igreja? Como acolho os dons que a Igreja me oferece, para crescer, para amadurecer como um cristão? Participo na vida da comunidade ou vou à igreja e fecho-me nos meus problemas, isolando-me do outro? Neste primeiro sentido, a Igreja é católica porque é a casa de todos. Todos são filhos da Igreja e todos estão nessa casa.» Na audiência geral desta quarta-feira, o papa explicou as implicações do termo “católico”, palavra de origem grega que significa “universalidade”, “totalidade”. Excertos da intervenção.

Diretor do Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes distinguido com Prémio Nacional de Saúde
O Prémio Nacional de Saúde de 2013 foi atribuído a Levi Eugénio Ribeiro Guerra, cofundador e atual diretor do Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes, sediado no Porto. O júri considera que Levi Guerra «contribuiu inequivocamente para ganhos em saúde», ao ter um papel fundador e divulgador da diálise renal nas regiões do Norte e Centro de Portugal. Conciliou o ensino com uma «intensa atividade clinica, prestigiou a medicina nacional e a Nefrologia como especialidade, a nível internacional». Segundo o Ministério da Saúde, Levi Guerra contribuiu «significativamente para a cobertura de casos de insuficiência renal aguda, além da assistência a doente em insuficiência renal crónica terminal que, passaram a sobreviver».

A fratura entre a fé e a vida
Com demasiada facilidade, com razão ou sem ela, a fé cristã é identificada, e infelizmente não apenas por quem se diz descrente, com um fundo ideológico ou com uma devoção irrelevante. Compreendida e identificada, para além do limite aceitável, com uma doutrina a saber, com prescrições morais a pôr em prática, com tradições a preservar, com formas de representação hierárquica a obedecer, a fé perde, de facto, a vida elementar dos homens e mulheres do nosso tempo, da qual pretenderia ser a luz e o sal. Ou porque não consegue ou porque não sabe como frequentá-la. Ou porque não vê como suportar e habitar a sua densidade, complexidade e ambiguidade. Ou, então, porque a encara como detalhe supérfluo e impedimento para uma verdadeira vida espiritual. Ou, ainda, e simplesmente, porque a considera totalmente corrompida e incapaz de acolher a verdade pura de que a fé seria depositária. Pelo caminho, Deus deixa de ser evidente. Demasiado grande ou demasiado pequeno, parece não ter nada a ver com a vida. Mais do que ausente é indiferente e inexistente.

Esta é a hora da Igreja
E pode uma sociedade ter o nome de cristã. Se nessa sociedade coexistem, lado a lado não raro, lucros fabulosos e salários de miséria, se nessa sociedade se ostentam espetáculos de luxo inútil em ambientes de extrema pobreza – e hoje é muito difícil guardar compartimentos estanques – o cristianismo real dessa sociedade, como tal sociedade, não existe. Esta é a hora da Igreja. Vivemos no crepúsculo de um mundo des-sacralizado, profanizado, de um mundo em vias de liquidação e que, talvez por isso, se des-sacraliza ainda mais. Simultaneamente, sentimos anunciar-se a aurora. de um mundo outro, diferente. Ora neste tempo intervalar – tempo de crise no significado mais original de ação, discriminadora de valores -, as circunstâncias exigem um valor pessoal irrecusável: intensidade de vida sobrenatural vivida, cultura ampla e sólida, competência profissional, energia de decisão, iniciativa criadora. Só assim as trevas poderão ser iluminadas, só assim se poderá agir junto da frouxa vontade dos homens, só assim se poderá contribuir eficientemente para a modificação das estruturas.

— Agenda para hoje —

Patriarca de Lisboa dialoga com Eduardo Sá e Isabel Stilwell em emissão rádio ao vivo
O patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, participa esta quinta-feira (10 de outubro) numa transmissão de rádio em direto com o psicólogo Eduardo Sá e a jornalista Isabel Stilwell. Esta é uma emissão especial do programa “Dias do avesso”, que de segunda a sexta-feira propõe, na estação de rádio pública, quatro minutos «sobre grandes manchetes e sobre tudo o que não é notícia: os sentimentos, as relações, ou as pessoas que há por trás de quem aparece».

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