É novo » 8.10.2013

Jornada de Teologia Prática discute «teologia da vulnerabilidade»
«Quando me sinto forte é que sou fraco – Para uma teologia da vulnerabilidade» é o tema da 4.ª Jornada de Teologia Prática que decorre a 25 de outubro na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa. A iniciativa organizada pelo Instituto Universitário de Ciências Religiosas (Faculdade de Teologia) conta com intervenções de D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa e magno chanceler da universidade, além de especialistas no domínio da Teologia, Literatura, Ação Social, Saúde, Cinema e Arquitetura. «Outrora a Igreja organizava um solo, ou seja, uma terra estabelecida: no seu interior, tinha-se a garantia de habitar o campo da verdade. Mesmo se a identidade ligada a um lugar, a um solo, não era fundamental para a experiência cristã, nessa terra podiam enraizar-se grupos de militantes que aí encontravam a possibilidade e a necessidade da sua ação», considera Michel de Certeau, citado no desdobrável da iniciativa.

Experiência cristã: especificidades e equívocos
A nova onda de interesse aparentemente religioso elucida-nos sobre a natureza da sociedade em que se desenvolve. O indivíduo vê-se despojado das bases sociais que o ajudariam a construir a própria identidade. Sente-se demasiado entregue a si mesmo, por falta de enquadramento. Tem dificuldade de encontrar respostas para a integração a que aspira. Ora, não se aguenta uma existência fragmentada por muito tempo. Se os enquadramentos tradicionais deixam de funcionar, há que buscar outros que desempenhem idêntico papel. Quando a integração pessoal não é conseguida automaticamente a partir de fora, toma-se a iniciativa de a alcançar por outra via. Tanto a New Age como as seitas aparecem neste panorama a oferecer alternativas de pertença.

Patriarca de Lisboa dialoga com Eduardo Sá e Isabel Stilwell em emissão rádio ao vivo
O patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, participa esta quinta-feira (10 de outubro) numa transmissão de rádio em direto com o psicólogo Eduardo Sá e a jornalista Isabel Stilwell. Esta é uma emissão especial do programa “Dias do avesso”, que de segunda a sexta-feira propõe, na estação de rádio pública, quatro minutos «sobre grandes manchetes e sobre tudo o que não é notícia: os sentimentos, as relações, ou as pessoas que há por trás de quem aparece».

O que resta de Deus
Se alguma coisa resume a consciência que vamos ganhando de nós mesmos é que constituímos um enigmático objeto de pensamento. Somos uma pergunta que se sobrepõe às respostas que existencialmente (e historicamente) vamos encontrando. As nossas sociedades tomaram-se psiquicamente extenuantes para os indivíduos e parece faltar um suporte para as difíceis questões que sopram com maior frequência: «Porquê a mim?»; «Que fazer da minha vida quando estou sozinho a decidir?»; «Para que serve ter vivido se devemos desaparecer sem deixar traço?» Um resto de religião é assim o que se observa nesta dor humana, nunca completamente resolvida. Por isso, mesmo quando parece que de Deus nada resta, persiste e insinua-se sempre mais do que julgamos.

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