É novo » 26.9.2013

Existem sacramentos na internet?
«O reverendo Tim Ross, ministro metodista inglês, tinha imaginado ser possível um communion service no Twitter. A celebração nunca aconteceu, porque as autoridades da sua comunidade eclesial lhe pediram que a cancelasse, embora considerassem válida a motivação que tinha levado o reverendo Ross a pensar nela, isto é, uma «expressão renovada da fé e do culto no contexto das novas formas de media sociais eletrónicos». A celebração fora pensada como uma remote communion («comunhão à distância»), que acontece quando aqueles que recebem as espécies eucarísticas o fazem no mesmo instante, mas não no mesmo local físico do celebrante, como explica o reverendo Ross, citando também o caso de uma paróquia da Church of Scotland, que realiza celebrações on-line para reunir de modo constante os fiéis que, esparsos em várias ilhazinhas, de outra forma não teriam como manter-se unidos.» Prosseguimos a pré-publicação de excertos do livro “Ciberteologia – Pensar o Cristianismo na era da Internet”, do padre italiano Antonio Spadaro, que a Paulinas Editora lança nas livrarias esta quinta-feira.

Uma fenda no mundo. Do espiritual na arte contemporânea (III) | IMAGENS |
«Os caminhos da arte são múltiplos, e se podemos dizer que toda a obra de arte é espiritual porque resulta de uma ação espiritual, de um ato humano superior, procurámos investigar obras que abrem mundos ou fendem este. Que refletem sobre o segredo inviolável do real. E, nos poucos exemplos aqui apresentados, foi possível perceber como são tantas as possibilidades abertas neste último século: desde o regresso à renúncia primitiva – que nunca é um verdadeiro regresso, senão seria esvaziado de alma; passando pela atenção redentora ao quotidiano – experimentar a intensidade da vida nos gestos simples, nos objetos ou atos comuns; até à apresentação de uma arte apofática, que da negatividade faz caminho e não muro, aproximando alguns percursos artísticos contemporâneos da mística tradicional. Há quase um século, Wassily Kandinsky, nosso guia nesta deambulação, escreveu que as boas obras “defendem a alma de toda a vulgaridade. Mantêm-na numa certa tonalidade, como o diapasão às cordas de um instrumento”. Se o mundo quotidiano nos pode enquistar, tornar desafinados – para usar essa metáfora musical fundamental para o pintor russo e para a sua arte abstrata – a obra de arte deve esticar as cordas da alma para que o som correto, espiritual, se mantenha e nos mantenha. Afinar-nos, é esse o objetivo da arte.» Terceira e última parte do ensaio “Uma fenda no mundo. Do espiritual na arte contemporânea”.

Um bispo que não saiba mexer-se no ambiente dos «nativos digitais» está fora da sua missão, diz cardeal
O presidente do Pontifício Conselho da Cultura afirmou esta quarta-feira que os bispos que desconhecem o alfabeto das gerações juvenis, rodeadas de tecnologia, não estão a ser fiéis ao seu ministério. «A língua italiana conta com 150 mil vocábulos, enquanto que os jovens, hoje, utilizam entre 800 a mil», explicou o cardeal Gianfranco Ravasi no encontro que reúne jornalistas crentes e não crentes em Roma. O prelado mencionou o «modelo antropológico dos “nativos digitais”» para salientar que «um bispo que não sabe mexer-se nessa nova atmosfera coloca-se fora da sua missão». O diretor do diário italiano “La Stampa” frisou que «um limite na relação entre a Igreja e os média é o de ter uma agenda comum»: «É um erro dos jornais analisar a Igreja como as mesmas coordenadas da política». «O papa é de esquerda se no domingo fala dos imigrantes, e torna-se de direita se na quarta-feira condena o aborto ou reitera os princípios inegociáveis da bioética».

Conhece bem a Bíblia? (5): tradução e composição
A quantas perguntas consegue responder acertadamente?

Sou católico aberto a toda a Igreja ou “privatizo” a fé?, pergunta papa Francisco
«Perguntemo-nos todos: eu, como católico, sinto esta unidade? Eu, como católico, vivo esta unidade da Igreja? Ou não me interessa porque estou fechado no meu pequeno grupo ou em mim próprio? Sou daqueles que “privatizam” a Igreja para o próprio grupo, a própria nação, os próprios amigos?» «É triste encontrar uma Igreja privatizada por este egoísmo e esta falta de fé. É triste. Quando oiço que tantos cristãos no mundo sofrem, sou indiferente ou é como se sofresse um membro da família? Quando penso ou oiço dizer que muitos cristãos são perseguidos, e até dão a vida pela sua fé, isso toca o meu coração ou não me afeta? Estou aberto àquele irmão ou àquela irmã da família que está a dar a vida por Jesus Cristo?» O papa Francisco acentuou esta quarta-feira a importância da unidade dentro de uma Igreja formada por muitas línguas e culturas, e perguntou aos católicos se são sensíveis aos fiéis em dificuldades ou se se fecham no seu grupo e privatizam a fé.

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